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Capítulo 0880 - Desprezível

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Tenham uma boa leitura!]


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Amara sentia cada partícula de seu corpo queimando. A dor era uma presença constante, insuportável, e o esforço para manter-se consciente era uma luta que parecia mais insana do que digna. Ela mal podia perceber os arredores, mas sabia que havia sido movida. O calor abrasador ao seu redor e o som de ventos uivantes indicavam que eles estavam em algum lugar desértico, uma paisagem tão desolada quanto o estado de sua alma naquele momento.


Amara estava viva. Essa simples constatação a atingiu como um raio, uma mistura de alívio e vergonha que latejava com cada pulsação dolorida de seu corpo. Ela respirava, com dificuldade, mas respirava, e esse ato, tão básico, parecia ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição. Seu coração batia freneticamente, lembrando-a de que tinha escapado por um fio da morte certa nas mãos de Halfkor. Contudo, enquanto a realidade de sua sobrevivência a envolvia, outra presença se fazia mais esmagadora do que qualquer golpe que já havia recebido… Gold.


Ela sentiu seus olhos antes de vê-los. Era como se a luz que emanava deles a atravessasse, expondo todas as suas falhas, suas fraquezas, seus atos impensados e, acima de tudo, a verdade que ela não podia negar… Ela não era digna. 


Gold sempre foi frio, distante e desdenhoso, mas jamais... Assim. Havia um peso em sua presença agora que ela nunca tinha sentido antes, uma decepção tão profunda que fazia o ar parecer pesado demais para respirar. Era como se ele não apenas a visse como uma falha, mas como algo intrinsecamente enojante. E isso doía de uma maneira que nenhuma joelhada ou soco poderia comparar. 


Ela nunca viu aquele olhar nele antes. Por mais imprudente ou irritante que fosse, Gold sempre a tratava com um tipo de indiferença controlada, um misto de sarcasmo e desprezo distante. Mas agora… Agora ele a olhava como se ela fosse algo quebrado, irremediável, uma existência que ele lamentava ter que tolerar. 


Amara tentou encontrar um consolo, algo que justificasse sua sobrevivência. Ela escapou da morte, mas escapou para quê? Para enfrentar a fúria silenciosa e o nojo escancarado de alguém cuja aprovação, mesmo sem admitir, ela desejava mais do que qualquer coisa. E isso a rasgava por dentro.


Por um instante, ela desejou que Halfkor tivesse terminado o trabalho. Porque viver sob aquele olhar, sob o peso esmagador da decepção de Gold, parecia pior do que morrer.


*Tap. Tap. Tap.* 


Os passos de Gold soavam regulares, marcando o silêncio como um martelo. Amara estava deitada na areia quente, incapaz de se mover. Ela tentou abrir os olhos, mas o inchaço e o sangue seco ao redor os mantinham fechados. Mesmo assim, ela podia sentir a presença esmagadora dele, como se o próprio ar ao seu redor fosse uma extensão de seu desprezo.


Gold, finalmente parou ao lado dela, cruzando os braços enquanto olhava para a figura miserável que era sua discípula. E ele respirou fundo, como se tentasse conter uma explosão iminente. Quando ele finalmente falou, sua voz cortou o silêncio como uma lâmina fria.


“Eu deveria ter deixado aquele capim esmeralda acabar com você.” Ele começou, com seu tom baixo, mas cheio de desprezo: “Você não merece a sorte que teve hoje, pirralha.”


Amara tentou murmurar algo, se defender, mas a dor em sua mandíbula quebrada e os pulmões comprimidos transformaram sua tentativa em um gemido inaudível.


“Não se preocupe. Eu não espero que você fale.” Gold continuou, com uma risada seca: “Na verdade, sua incapacidade de responder é a primeira coisa útil que você fez desde que nos encontramos.”


Depois de dizer aquilo, Gold se levantou e deu alguns passos à frente, olhando para o horizonte vazio. E o céu limpo e a areia infinita pareciam tão implacáveis, verdadeiros e cruéis quanto suas palavras.


“Você sabe, pirralha… Eu amaldiçoo o dia em que Daren decidiu que seria uma boa ideia pedir a mim… A mim… Que te treinasse.” Gold falou enquanto girava levemente o rosto para olhá-la, mas não esperava resposta: “Afinal, quem melhor para moldar a arrogância sem limites de uma garota do que o homem que moldou o destino do universo?”


“Você me rebaixou ao seu nível… Porque desde que aceitei aquele pedido, o meu tempo se tornou tão dispensável quanto o seu comprometimento.”


A cada palavra de Gold, sua voz ganhava um tom mais duro, mais cortante, mas enojado. E ele se abaixou, mais uma vez, ficando agachado ao lado de Amara, e continuou.


“E é isso que você é, não é? Uma criança mimada que nasceu com mais poder do que noção do que fazer com isso. Tudo entregue a você, sem esforço, sem mérito.” Gold inclinou a cabeça, observando a respiração irregular de Amara sem nem um pingo de pena: “Você é o pior tipo de erro… O tipo que acredita ser um presente divino, quando na verdade é uma lição para os outros de como não ser.”


Depois, ele se levantou novamente, respirando fundo, como se a tentativa de manter sua compostura fosse um desafio por si só.


“Você acha que seu poder é o bastante. Acha que ser forte significa que você está acima das consequências. Mas o que você fez hoje… No Reino Esmeralda…” Ele pausou, com seu olhar se estreitando e raiva crescendo exponencialmente dentro do seu peito: “Foi nada além de fútil. Cruel. E acima de tudo, estúpido!”


Gold começou a andar em círculos ao redor de Amara, com seus passos afundando levemente na areia. Ele falava como se estivesse em um tribunal, como se cada palavra fosse uma sentença irrevogável.


Gold então parou novamente, com os braços cruzados e o olhar fixo em Amara, que jazia no chão como um fragmento de algo que uma vez se julgou indestrutível. 


“Você sabe por que eu lutei contra os deuses?” Gold recomeçou, inclinando levemente a cabeça, mas sem desviar os olhos de Amara: “Não foi por heroísmo, pirralha. Não foi porque eu me importava com quem sofria sob eles. Foi porque eles eram exatamente como você.”


Ao tocar naquele assunto, sua voz aumentou de intensidade, carregada de um peso que parecia dobrar o ar ao redor.


“Mimados, arrogantes, fortes sem mérito algum. Achavam que o poder com que nasceram lhes dava o direito de pisotear tudo ao redor. De destruir sem consequência. De brincar com a vida e a morte como se fossem brinquedos descartáveis. E você… Você é a encarnação disso.”


Gold deu um passo à frente, com sua presença avassaladora fazendo o chão sob seus pés rachar ligeiramente. E mesmo que Amara não pudesse ver, seus olhos ardiam com uma intensidade quase insuportável.


“Eu enxerguei o perigo nos deuses, e é por isso que os derrubei. Porque seres assim não merecem existir. E agora, quando olho para você, vejo o mesmo desprezo, a mesma futilidade, a mesma podridão.” Lentamente, a voz de Gold tornou-se um sussurro venenoso: “Você pode ter nascido humana, mas é tão detestável quanto o pior deles.”


“Se não fosse por Daren…” Gold continuou, com sua voz se tornando um rugido baixo que vibrava no ar: “Se não fosse por ele e por aquela insistência irritante de que você ‘merece uma chance’, você já estaria morta. Não pelas mãos do verdinho… Mas pelas minhas.”


Ele então deu mais um passo, ficando tão próximo de Amara que ela sentiu o calor sufocante de sua presença.


“Eu derrubei deuses, pirralha. E se eu achar que você é um risco para o que eu construí, para o que ensinei, eu não hesitarei em te arrancar deste mundo. Porque não importa de onde você veio ou quem você é. O que importa é que você é um lembrete do que eu abomino.” 


Gold se afastou levemente, mas seu olhar não perdeu a intensidade. Ele cruzou os braços novamente, olhando para o horizonte, como se sua presença ali fosse um desperdício do seu tempo.


“Você massacrou inocentes porque podia. Você destruiu porque achou divertido. Não foi o verdinho quem perdeu hoje. Não foram os milhares que morreram. Foi você. Porque o que você provou é que o poder que você carrega não é nada além de um brinquedo nas mãos de uma criança idiota.”


Amara tentou erguer uma mão, talvez em um gesto de defesa ou súplica, mas o membro caiu pesadamente no chão antes de se mover mais do que alguns centímetros.


“Ah, não se esforce.” Gold resmungou, sem se importar com a dor ou intenções da garota: “Eu não estou aqui para ouvir desculpas. Nem mesmo para te salvar. Eu só estou aqui porque neguei ao verdinho a justiça que ele merecia. E eu estou muito irritado por isso.”


Ele parou e se virou para encará-la diretamente, com seus olhos queimando como brasas.


“Você me forçou a escolher entre você e a justiça. E agora, pirralha, você terá que lidar comigo.” Ele inclinou-se mais uma vez, com sua voz tornando-se mais baixa, mas muito mais ameaçadora: “E eu vou transformar sua vida em um inferno tão profundo, tão insuportável, que você vai desejar que ele tivesse acabado com você.”


Gold levantou-se novamente, cruzando os braços enquanto olhava para o horizonte. O vento soprou forte, levantando areia e criando redemoinhos ao seu redor.


“Mas não se engane. Eu não faço isso por você. Eu faço isso porque alguém, em algum lugar, achou que você tinha valor. Eu ainda não vejo isso, mas talvez, só talvez, eu esteja errado. Embora, entre nós dois, eu raramente estou.”  


Depois de dizer aquilo, ele deu um último olhar para Amara, que agora estava imóvel, como se tivesse desistido de lutar até mesmo para respirar.


“Levante-se quando puder.” Ele disse friamente, sem olhar para a garota: “Se não, eu vou deixar os abutres cuidarem do que sobrar.”


Quando encerrou, Gold começou a caminhar, com seus passos lentos e deliberados ecoando pela vastidão do deserto. Ele não olhou para trás, nem uma vez. Amara, sozinha, permaneceu no chão, incapaz de processar se sua dor era maior no corpo ou na alma.



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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