Capítulo 0883 - O Peso da Derrota
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A escuridão envolvia Momoa como um casulo sufocante, uma prisão silenciosa onde a única companhia era a lembrança de cada golpe brutal que seu corpo havia sofrido. Ele não sabia quanto tempo havia se passado desde que Halfkor o deixara ali, abandonado no meio do nada, mas a sensação de fragilidade, de impotência, era tão intensa que parecia uma eternidade.
De repente, algo perfurou aquele silêncio. Um som baixo, repetitivo.
*Tap. Tap. Tap.* Ele sentiu algo tocando sua pele. Uma pressão leve, mas incômoda, seguida por uma sensação de ardência.
Seus olhos se abriram com dificuldade, e a primeira coisa que viu foram as sombras de abutres circulando no céu. Ele piscou algumas vezes, lutando para ajustar a visão turva, até perceber que alguns daqueles pássaros estavam bem próximos, bicando as partes menos protegidas de seu corpo.
"Desgraçados..." Momoa xingou, com sua voz rouca e fraca, mas os abutres ouviram. Eles voaram assustados, afastando-se em um frenesi desajeitado enquanto ele se movia pela primeira vez.
Seu corpo parecia uma pedra pesada, e cada tentativa de se mexer enviava ondas de dor que irradiavam de seus ossos quebrados e músculos feridos. Ainda assim, ele conseguiu se sentar, embora cada movimento fosse um lembrete cruel do estado deplorável em que estava.
Ele olhou para si mesmo, para as feridas que ainda brilhavam fracamente com a energia verde de sua regeneração. Contudo, algo estava errado. Muito errado. As feridas se fechavam em um ritmo absurdamente lento, tão lento que ele quase duvidou se estava realmente se curando.
"Halfkor..." Ele sussurrou, cerrando os dentes enquanto memórias da luta inundavam sua mente. Cada golpe que seu pai desferira, cada palavra cheia de desprezo, tudo aquilo ecoava como um trovão em seus pensamentos.
Momoa levou uma mão trêmula ao peito, analisando e sentindo a dor persistente em seu sistema nervoso, enquanto constatava: "Ele... Ele mexeu comigo."
Era verdade. Halfkor não apenas o esmagou fisicamente… Ele bagunçou seu sistema nervoso e a canais de transporte de energia espiritual, danificando as conexões que permitiam à sua energia fluir adequadamente. Momoa podia sentir o caos dentro de si, como se sua própria essência estivesse desordenada. Era como uma orquestra sem um maestro.
"Eu posso fazer isso também, mas ele conseguiu causar essas perturbação enquanto me batia..." Momoa murmurou para si mesmo, fechando os olhos por um momento enquanto tentava regular sua respiração.
Como fez com Yang Chao na luta em Andros, Momoa sabia causar aquele tipo de interferência no corpo de outras pessoas e bloquear momentaneamente a regeneração, porém, ele só conseguia fazer isso com foco.
Quando segurou a cabeça de Yang Chao e bloqueou sua regeneração, Momoa estava focado em apenas fazer aquilo. Ele jamais foi capaz de adicionar aquele efeito aos seus golpes.
"Ele não só destrói… Ele controla." Momoa se recordou das palavras de seu pai enquanto tentava se lembrar de cada mudança que seu corpo sofreu e perceber que, de fato, em casa golpe de Halfkor, sua regeneração era minada.
A realidade da situação finalmente o atingiu. Ele estivera diante da morte, e não qualquer morte, mas pelas mãos de seu próprio pai. Um pai que ele mal conhecia, com quem ele viveu pouco, mas que agora representava tudo o que ele queria ser… Força absoluta, controle perfeito, um verdadeiro cultivador da vida.
*Gulp.* Momoa engoliu em seco, sentindo o gosto amargo da derrota ainda fresco em sua boca.
"Eu fui humilhado..." Ele pensou, com a raiva crescendo lentamente em seu peito: "Eu fui espancado como uma criança... Tratado como nada."
Momoa estava irado, mas essa raiva não era direcionada a Halfkor. Não, era dirigida a si mesmo. Ele não era forte o suficiente. Não era rápido o suficiente. Não era nada comparado ao poder esmagador de seu pai. E isso o queimava por dentro.
Ele entrou naquela Singularidade confiante de que teria pelo menos uma luta digna contra seu pai, que ele seria páreo para aguentar algum tempo contra o Rei Esmeralda e até vencer, dependendo das circunstâncias. Contudo, a realidade cruel expôs a fraqueza de sua confiança, a ingenuidade de seu tempo, e disparidade entre as gerações.
Momoa estava nú, diante de uma montanha que só era possível escalar usando as próprias mãos e pés. Era assim que ele se sentia quando se comprava com o seu pai.
Após um tempo de contemplação, ele olhou para suas mãos, agora tremendo levemente enquanto pequenas faíscas verdes dançavam em torno delas: "Eu quero ser como ele..." A frase ecoou em sua mente, ganhando força com cada repetição: "Eu preciso ser como ele."
Halfkor não era apenas forte… Ele era algo mais. Ele era controle, precisão, uma força inabalável que não deixava margem para erros ou fraquezas. Ele era capaz de punir qualquer sinal de fraqueza ou hesitação de um adversário.
Momoa sabia que, se quisesse sobreviver, se quisesse enfrentar Halfkor novamente, ele precisaria evoluir, e muito. Mesmo sendo quem era em seu tempo, ele precisaria voltar à sala de aula e praticar como uma criança.
"Eu não vou parar aqui." Momoa disse, com sua voz agora mais firme, apesar da dor. Ele apertou os punhos, ignorando o protesto de seu corpo: "Eu vou me levantar. Eu vou me curar. E quando eu estiver pronto… Quando eu estiver como ele… Ninguém vai me arrastar pelo chão de novo."
A determinação crescia em seu peito, substituindo a dor e o desespero. Cada golpe que havia recebido, cada palavra de desprezo que Halfkor dissera, tudo isso agora era combustível para um fogo que queimava mais intensamente do que nunca.
Momoa sabia que o caminho seria longo, que o obstáculo diante dele não seria superado tão cedo. Que corrigir o dano que Halfkor causara em seu sistema nervoso levaria tempo. Que alcançar o nível de controle de Halfkor seria uma tarefa monumental. Contudo, ele estava pronto para o desafio. Pela primeira vez em anos, ele sentia uma verdadeira sede de evolução, não apenas pela sobrevivência, mas pela grandeza. A ambição, que era um sentimento quase ausente para ele, se transformou em algo dominante, algo tão forte que nem se ele se sentasse no topo do mundo ele ficaria satisfeito.
"Eu vou provar que sou digno." Ele murmurou, com seus olhos brilhando levemente enquanto a regeneração continuava, lenta mas constante: "Eu vou ser forte. Não por mim... Mas porque o meu mundo precisa de monstros como ele."
Quando Momoa finalmente conseguiu ficar de pé, suas pernas tremiam como se fossem feitas de vidro prestes a se partir, e a dor que irradiava de cada parte de seu corpo era um lembrete excruciante da surra que havia levado. Ainda assim, ele estava de pé, mesmo que mal.
Tudo estava calmo ao seu redor, mas o silêncio do deserto foi quebrado de repente por uma voz que parecia surgir de todas as direções, e que era ao mesmo tempo fria e curiosa: “Então estamos em uma Singularidade…”
Momoa virou-se bruscamente quando escutou aquilo, com sua respiração se acelerando ao reconhecer o tom inconfundível. Ele não precisou olhar ao redor para saber de quem era aquela voz.
“Tio Gold…” Momoa murmurou, com sua voz rouca e hesitante.
Gold instantaneamente surgiu à sua frente, como se tivesse estado ali o tempo todo, com sua postura relaxada e um olhar que oscilava entre desdém e irritação. Ele cruzou os braços, inclinando ligeiramente a cabeça enquanto olhava para Momoa com uma expressão que poderia ser descrita como… Intrigada.
“‘Tio Gold’?” Ele repetiu, levantando uma sobrancelha em clara desaprovação: “Desde quando eu te dei essa intimidade?”
Momoa engoliu em seco e a fraqueza em suas pernas o obrigou a recuar um passo. Mesmo assim, ele tentou explicar: “Desculpe… É que… Você sempre foi amigo do meu pai.”
Gold bufou, claramente desinteressado na explicação. Ele deu um passo mais perto de Momoa, com seu olhar fixo no gigante com uma intensidade esmagadora.
“Amigo do seu pai?” Ele perguntou, com um tom de desdém, antes de completar: “E quem exatamente é você?”
Momoa hesitou por um momento, mas logo respirou fundo, reunindo coragem para responder.
“Eu sou Momoa, filho de Halfkor!” Ele começou, com sua voz ganhando um pouco mais de firmeza e orgulho: “Quando eu nasci… Meu pai e você eram grandes amigos.”
Gold ficou em silêncio por alguns segundos, analisando cada palavra de Momoa. Seus olhos brilhavam intensamente, como se estivessem sondando a alma do gigante. Finalmente, ele descruzou os braços e deu um passo à frente, ficando cara a cara com Momoa.
“Hahahahaha… Mas que merda, hein…” Enquanto olhava para Momoa, Gold começou a gargalhar de forma descontrolada e a zombar: “Quer dizer que você saiu de seu tempo para quase morrer pelas mãos do seu próprio pai!? Hahahahaha…”
