Capítulo 0896 - O Peso do Exílio
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Hatori permaneceu por alguns instantes nos arredores do campo de batalha que ele mesmo transformou em um cenário de carnificina. O silêncio ali era pesado, quebrado apenas pelo som sutil do vento passando por entre os destroços e os fragmentos dos corpos dos orcs que ousaram enfrentá-lo. Apoiando uma mão no cabo de Sourigawa, ele olhou para o horizonte vazio, perdido em pensamentos que inundaram sua mente.
Com um suspiro longo, ele fechou os olhos e pegou um amuleto de transmissão sonora, para entrar em contato com Decarius. Ele precisava falar com Daren imediatamente.
“Daren…” Ele chamou, com sua voz calma, mas carregada com o peso do que havia acontecido: “Eu preciso falar com você.”
Do outro lado, a voz imponente de Daren surgiu. E quando ele recebeu aquele chamado, seus olhos, profundos e sombrios como a própria noite, fixaram-se no horizonte com uma intensidade que poucos poderiam suportar.
“Hatori…” Daren respondeu, com sua voz grave e direta: “Pelo seu tom, imagino que esta não seja uma conversa trivial e que não temos boas notícias.”
Hatori assentiu, olhando para os corpos, enquanto respondia: “E não é. A reunião em Gralkor foi um desastre completo. O conselho dos anciões rejeitou qualquer tentativa de reconciliação com a humanidade. Eles me expulsaram, e Grok foi rebaixado por se aliar a mim em Uhr’Gal. Eles estão convencidos de que humanos são os responsáveis por todos os infortúnios que enfrentaram desde a Grande Guerra.”
“As feridas que existem nas nossas relações são profundas demais, e os eventos em Uhr’Gal foram a punhalada final.”
Daren não reagiu de imediato, mas sua postura tornou-se ainda mais rígida e séria. Ele pensava nas consequências de perder os orcs na aliança, e queria discutir as implicações com Hatori, que esteve entre eles por algum tempo: “Isso já era esperado, Hatori. Mas parece que há mais, não é?! Você não é alguém que se apressa a fazer um relatório por algo assim.”
“Você está certo…” Hatori confirmou as suspeitas de Daren, com sua expressão endurecendo à medida que explicava: “Logo depois que deixei Gralkor, fui seguido por cinquenta guerreiros do Círculo Escarlate. Um grupo de extremistas. Eles me emboscaram em um planeta próximo, tentando me eliminar e usar isso como exemplo para intimidar outros humanos. Cada um deles era um Santo, Daren. E eles acreditavam que poderiam me derrotar.”
“Eles falharam, obviamente. Ou você não estaria aqui para falar comigo.” Daren estreitou os olhos, com sua expressão oscilando levemente em resposta à menção do ataque. Ele sabia o óbvio, mas a menção de ter um grupo extremista que pensa ser capaz de matar Hatori entrava em um campo de incertezas.
Hatori assentiu, mas não demonstrou satisfação com o que fez, ou melhor, foi forçado a fazer: “Sim. Mas eu os matei. Todos eles. Não poderia permitir que nenhum deles sobrevivesse, não depois do que fizeram e disseram. Se um único deles escapasse com vida, eles me culpariam por atacá-los, e isso seria a fagulha de uma guerra que já está à beira de começar. Eles acreditam que Zaki foi o motivo pelo qual Gold abandonou tudo, e veem todos nós como herdeiros de uma traição irreparável.”
Daren respirou fundo, ponderando as palavras de Hatori e refletindo sobre o quanto a ausência de Gold foi sentida por todos.
Não foi só a humanidade que sofreu com o sumiço de Gold e Amara, mas inúmeros planetas que outrora eram livres e prósperos, e que se tornaram, mais uma vez, reféns de uma política autoritária que os deuses instauraram depois de dizimar seus grandes guerreiros.
Mesmo entre os humanos, e para ser mais preciso, no Reino da Escuridão, a ausência de Gold foi sentida. Os exércitos do reino Demoníaco lutaram contra sucessivas investidas dos deuses, e mesmo com Daren liderando o grupo de guerreiros mais poderosos do planeta e lutando ao lado deles, duras perdas foram sofridas, e o sentimento de que se Gold estivesse lá isso nunca aconteceria, ainda perdura no coração de Daren, embora ele se empenhe dia e noite para suprimir essas ideias.
Daren conseguia entender os orcs muito bem. E por causa dessa empatia, ele respondeu: “Isso complica tudo. Certos sentimentos são quase impossíveis de serem apagados. Mesmo sem uma declaração formal, é evidente que humanos e orcs estão em guerra agora. Talvez não abertamente, mas as tensões chegaram ao ponto de ruptura.”
“Exatamente.” Hatori concordou, antes de prosseguir: “Não podemos nos dar ao luxo de provocar mais hostilidades. Qualquer confronto público pode ser o estopim para um conflito generalizado. Eu eliminei todos os que me atacaram para evitar distorções dos fatos, mas isso não muda a realidade… O Círculo Escarlate era apenas uma ponta do iceberg. Há muito mais ódio e ressentimento entre os orcs do que podemos enxergar.”
Daren permaneceu em silêncio por alguns instantes, refletindo. Depois, ele finalmente falou, com sua voz firme e decidida: “Você fez o que era necessário, Hatori. Mas precisamos agir com cuidado daqui para frente. Fique afastado dos territórios orcs. Como você disse, qualquer movimento nosso pode ser interpretado como agressão. Vamos nos concentrar em proteger Decarius e fortalecer nossas alianças com aqueles que ainda estão dispostos a lutar ao nosso lado.”
Hatori cruzou os braços, concordando com o plano: “Certo. Mas, Daren, isso não vai desaparecer. Mais cedo ou mais tarde, eles vão procurar outra desculpa para justificar sua raiva. Precisamos estar preparados.”
“Estamos sempre preparados, Hatori.” Daren respondeu, com um leve sorriso sombrio que não era de conforto, mas de aceitação: “Essa é a natureza da guerra que estamos enfrentando. Um inimigo às vezes é mais fácil de lidar do que aliados duvidosos.”
Depois de dizer aquilo, Daren lançou um último aviso: “Volte para Decarius, Hatori. Não importa o que aconteça, nossa prioridade agora é manter nossas forças intactas. Se precisar de algo, sabe onde me encontrar.”
Hatori assentiu pela última vez, antes de a comunicação ser encerrada.
“De volta para casa, então…” Ele murmurou, olhando uma última vez para o campo de batalha. E quando ele partiu, o vento voltou a soprar com naturalidade, carregando o cheiro de ferro e morte que seria enterrado rapidamente pela poeira.
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Hatori seguia rumo a Decarius, mantendo sua presença completamente oculta enquanto atravessava o espaço. O massacre no planeta estéril e a conversa com Daren haviam deixado claro que a situação era mais grave do que aparentava. Ele sabia que sua presença fora Decarius precisava ser discreta, pois qualquer movimento em falso poderia gerar consequências catastróficas.
Enquanto isso, no coração do Vale da Esperança, Shara’Kala e Singrid estavam reunidas na residência da segunda. O espaço onde elas estavam era amplo, com paredes esculpidas e runas que tinham algum significado para Singrid.
Shara’Kala mantinha sua postura firme, embora seu semblante estivesse marcado pela frustração. Como antiga Khan de Uhr’Gal, ela conhecia melhor do que ninguém a mentalidade dos anciões orcs e as implicações de suas decisões recentes. Singrid, com sua presença serena, mas incisiva, observava cada movimento da orc com olhos analíticos.
“Você sabe o que isso significa, não é?” Shara’Kala começou, sua voz grave quebrando o silêncio: “O rebaixamento de Grok e o crescimento de grupos como o Círculo Escarlate não são sinais de simples descontentamento. Eles são declarações implícitas de guerra.”
As duas tinham recebido, de Daren, as informações sobre o que houve em Gralkor e o que aconteceu com Hatori há pouco.
Singrid cruzou os braços, aproximando-se dela e perguntando: “De radicais eu não espero nada, mas… E o Conselho de Gralkor? Você acredita que eles estejam por trás desses grupos extremistas, ou isso é apenas o reflexo de uma facção que escapou do controle deles?”
Shara’Kala soltou um suspiro pesado, com seus olhos brilhando com uma mistura de raiva e tristeza, enquanto respondia: “O Conselho pode não admitir abertamente, mas eles sabem exatamente o que estão fazendo. A humilhação que sentiram em Uhr’Gal, somada à perda de influência sobre mim, tornou-os mais propensos a alimentar esse tipo de ódio. Eles não precisam dizer nada, apenas fechar os olhos já é suficiente para que esses extremistas prosperem.”
Singrid assentiu, mas sua mente estava claramente calculando os próximos passos: “Então, o que podemos esperar? Pequenos ataques? Sabotagens? Ou eles estão se preparando para algo maior?”
Shara’Kala caminhou enquanto pensava e tentava responder as perguntas de Singrid: “Ataques indiretos, no início, talvez. Grupos como o Círculo Escarlate serão usados para testar nossas defesas e enfraquecer nossos aliados. Mas não se engane, Singrid. Eles não estão sozinhos. O Olho provavelmente já cooptou alguém muito influente ou todo um conselho de anciões.”
“Não sei se é em Gralkor ou em algum outro planeta orc, mas eu tenho certeza de Gralkor sabe de alguma coisa, porque eles não rejeitariam a aliança tão rápido como aconteceu, sendo que Uhr’Gal, que foi a maior vítima da história, não está movendo uma palha para se vingar.
“Eles não querem perder e acreditam que têm um suporte muito poderoso com ele, então, quando se sentirem fortes o suficiente, eles marcharão. E não será apenas contra Decarius.”
“Eles visam muito mais do que isso.” Singrid concluiu, com um tom de preocupação crescente enquanto colocava o Olho na equação: “Se os orcs começarem a atacar outras raças sob o pretexto de preservar sua ‘pureza’, teremos um conflito em escala galáctica. E com os deuses ainda sendo uma ameaça constante, essa divisão será um golpe fatal.”
Shara’Kala virou-se para encará-la e concordou antes de responder: “É por isso que devemos acelerar o máximo possível os esforços para lidar com a ameaça dos clones, porque até que os Orcs tenham uma prova do que realmente aconteceu e de que eles estão se aliando às pessoas erradas, qualquer humano que entrar no território do meu povo será considerado como um ato de guerra. E enquanto eles se escondem atrás da vontade de paz da aliança de vocês, os maus intencionados espalharão rumores e mentiras para dividir ainda mais a coesão entre vocês.”
