Capítulo 0928 - O Mundo Antes da Ruína 3
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Cruz e Yang Chao avançavam pela trilha da floresta, agora vestidos com as armaduras dos soldados que haviam nocauteado momentos antes. O peso da armadura era familiar para Yang Chao, mas Cruz caminhava com um ar relaxado, como se estivesse vestindo uma túnica confortável.
“Você sabe andar como um soldado ou quer que eu te ensine?” Yang Chao perguntou, sem tirar os olhos da trilha.
Cruz sorriu de lado e respondeu com um tom brincalhão: “Eu sei andar como qualquer coisa, Yang Chao. Inclusive, sei andar como alguém que não tem ideia de para onde está indo.”
Yang Chao suspirou, sem paciência para o humor de Cruz, e focou no horizonte. O caminho sinuoso da floresta indicava que logo chegariam a um vilarejo ou um assentamento. Eles precisavam de informações rápidas e precisas antes que o sol se pusesse.
Enquanto isso, em um ponto isolado da floresta, Shara’Kala permanecia com os soldados capturados. Eles estavam amarrados em árvores, sentados no chão, suando frio, tentando não demonstrar pânico diante da orc. Mas a presença dela já os aterrorizava muito.
Shara’Kala, por sua vez, caminhou lentamente ao redor deles, com seu olhar predatório analisando cada expressão, cada nervosismo sutil.
A orc era como uma besta vinda dos infernos para os soldados, e Shara’Kala estava aproveitando aquilo para criar um clima de medo crescente ao seu favor.
Ela andou por mais algum tempo sem dizer nada, apenas olhando e analisando de fria, e então, no momento certo, ela finalmente começou a falar.
“Eu não sei se vocês sabem, mas os orcs não costumam ser piedosos com prisioneiros.” Sua voz era baixa, mas carregada de um peso esmagador e uma frieza de congelar os ossos: “Nós temos métodos… tradicionais que foram testados e aperfeiçoados por gerações. Técnicas de extração de informações que fariam até os homens mais valentes implorarem para morrer.” Enquanto dizia aquilo, ela parou atrás de um dos soldados, pousando uma mão pesada sobre o ombro dele. Ele estremeceu na hora.
“Vocês já ouviram falar do Desossamento Vivo?” Ela perguntou casualmente e fez uma breve pausa antes de explicar: “Uma lâmina fina, extremamente afiada, é usada para separar músculos e pele do osso sem causar danos fatais imediatamente. Enquanto fazemos isso, cada pedaço retirado é queimado para que o cheiro do próprio corpo carbonizado preencha os pulmões da vítima…”
Ela se inclinou lentamente sobre o homem, deixando seu hálito quente atingir sua nuca. Ele engoliu seco.
“Ou talvez prefiram o Rasgo do Predador…” Ela então se levantou e continuou, andando de um lado para o outro como se escolhesse o próximo soldado para a próxima técnica: “Onde prendemos uma pessoa de cabeça para baixo e fazemos cortes cirúrgicos nas articulações, deixando os nervos expostos para que sintam cada gota de dor enquanto suas extremidades perdem a função, uma a uma.”
Um dos soldados, mais jovem, deixou escapar um gemido de pavor.
“E claro… há o Alívio do Miserável, no qual arrancamos as pálpebras para que o prisioneiro não possa fechar os olhos enquanto removemos seus dedos, um a um. Tudo feito com uma precisão cirúrgica para que o prisioneiro permaneça acordado o maior tempo possível.”
Outro soldado, de aparência mais velha, estremeceu visivelmente.
“Eu… Eu tenho uma família.” A voz daquele soldado soou. Ela era trêmula e implorava por misericórdia enquanto ele falava: “Eu não sou ninguém importante no exército. Apenas um número. Por favor…”
“Eu também…” outro soldado murmurou. Ele estava chorando enquanto afirmava: “Eu não quero morrer assim. Eu nem recebo o suficiente para isso.”
Os cinco homens trocaram olhares desesperados. Nenhum deles parecia disposto a desafiar Shara’Kala ou testar sua paciência ou técnicas de tortura. Um deles, com a voz embargada, soltou rapidamente a língua: “Vamos… vamos responder tudo o que você quiser saber! Só não nos torture! Isso não é necessário!”
Shara’Kala ergueu uma sobrancelha, fingindo um ar desapontado enquanto dizia: “Que decepção… Eu estava começando a ficar animada.”
Depois de dizer aquilo e fazer uma breve pausa, ela então suspirou e cruzou os braços antes de dizer: “Muito bem. Então falem. Qual é situação atual do reino de vocês?”
O soldado mais velho respirou fundo e começou a falar: “Nós… Nós somos soldados de uma guarnição externa da Dinastia Yang. Atualmente, a Dinastia está em isolamento total. Ninguém, de nenhuma nação, pode entrar ou sair livremente. Apenas poucos reinos ainda possuem autorização para se comunicar conosco.”
“Isso inclui quem? Quais são os reinos e as situações deles?” Shara’Kala perguntou.
“O Reino Esmeralda, governado pelo Rei Halfkor. Além disso, ouvimos boatos de que o Mar dos Monstros ainda mantém laços comerciais indiretos conosco, mas não há nada oficial.”
“O Reino da Luz é atualmente a maior ameaça para todos os outros, mas o Imperador ainda recebe Zaki no palácio quando ele pede uma audiência. O Imperador claramente está contra ele, mas ainda não quer colocar a Dinastia em uma rota de colisão com o Reino da Luz.”
Shara’Kala franziu o cenho ao escutar. O Reino da Luz ainda estava ativo e governado por Zaki? Depois do pouco que ela ouviu e aprendeu sobre o passado de Decarius, isso confirmava que eles estavam em uma época extremamente antiga, antes da Grande Guerra contra os deuses.
“E o Reino da Escuridão?” Ela questionou, percebendo que o homem estava sendo sincero.
“Fechado. Ainda mais do que a Dinastia Yang. Daren, o Demônio da Escuridão, selou suas terras depois que Zaki traiu Gold. Ninguém mais entra ou sai de lá. Nem mesmo os cultivadores de elite. Pisar no reino da escuridão é uma sentença de morte para qualquer um que ouse tentar fazer isso.”
Shara’Kala franziu as sobrancelhas em curiosidade. Daren já havia se isolado. E pelo que o soldado disse, Gold ainda estava vivo naquela época.
O Grande Arcanjo, uma figura mítica até mesmo na cultura orc, estava ali, naquele tempo. A curiosidade de conhecê-lo era impossível de ser escondida.
“E o que sabem sobre o Reino da Luz?” Depois de se imaginar conhecendo Gold, ela limpou a mente e perguntou.
Os soldados hesitaram. COntudo, um deles respondeu com cautela: “Eles não atacam ninguém… mas tentam convencer os outros reinos a se aliarem a Zaki e aos deuses. Dizem que querem construir um mundo próspero, onde não haverá mais guerras entre mortais e divindades…”
Shara’Kala bufou enquanto resmungava em desprezo: "A mesma mentira de sempre."
Ela então olhou para os soldados por um instante, depois perguntou o que realmente importava: “Quem governa a Dinastia Yang neste momento?”
O soldado mais velho respondeu sem hesitar: “O Imperador Yang Zai.”
Shara’Kala estreitou os olhos e perguntou : “E Yang Hao? Onde ele está?”
Os soldados imediatamente trocaram olhares confusos.
“Yang Hao?” Um deles perguntou antes de dizer com sinceridade e medo de Shara’Kala pensar que ele estava ocultando alguma informação: “Nunca ouvimos falar desse nome.”
Ela estreitou os olhos e perguntou: “Vocês têm certeza? Nenhuma menção, nenhum aparecimento estranho nos últimos dias?”
Os soldados balançaram a cabeça em negativa enquanto o mais velho afirmava: “Se existisse alguém com esse nome na Dinastia Yang, nós com certeza saberíamos. Os únicos que carregam o sobrenome Yang neste império são o Imperador e seus Guardiões Imperiais, Generais a quem o Imperador concede novos nomes ao acendê-los à mais alta posição da Dinastia. Nós conhecemos todos, e nenhum se chama Yang Hao.”
Shara’Kala respirou fundo enquanto analisava a expressão dos soldados à sua frente. A sinceridade deles era evidente, mas a falta de informações sobre Yang Hao a deixou frustrada.
“E quanto aos Guardiões Imperiais?” Ela perguntou, com sua voz afiada e precisa: “Quantos existem neste momento e quais seus nomes?”
O soldado mais velho engoliu seco antes de responder: “Existem cinco Guardiões Imperiais. O Guardião Yang Hwan, o Guardião Yang Mao, a Guardiã Yang Mei, o Guardião Yang Rong, e o Guardião Yang Bo.”
Shara’Kala apertou os olhos, cruzando os braços. Ela não estava satisfeita com as respostas, mas sabia que já havia conseguido informações valiosas e tudo o que aqueles soldados sabiam. Agora, ela precisava se comunicar com Cruz e Yang Chao para informá-los e decidir os próximos passos.
“Muito bem. Vocês falaram o suficiente para se manterem vivos.” Ela murmurou, com sua voz carregada de ameaça enquanto mostrava uma espécie de barreira no horizonte, que era como um sistema de alerta para ela: “Vocês ficarão dentro dos limites desta barreira pelos próximos 37 dias. Façam isso e poderão voltar para suas famílias. Mas se algum de vocês tentar atravessar para alertar alguém sobre o que aconteceu aqui…”
Ela olhou para cada um deles individualmente antes de dar um passo à frente e abaixar-se até ficar na altura de um dos soldados: “Eu irei perceber na hora e voltarei para mostrar a vocês que todos aqueles métodos que mencionei antes não foram apenas palavras jogadas ao vento.”
Os soldados se encolheram, pálidos e trêmulos enquanto acenavam com as cabeças.
Shara’Kala sorriu de canto, satisfeita com a expressão de terror no rosto deles.
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Enquanto isso, Cruz e Yang Chao se aproximavam de um pequeno vilarejo, um lugar modesto cercado por campos de arroz e pequenas plantações. As casas eram feitas de madeira, com telhados de palha e algumas estruturas de pedra no centro da vila, sugerindo que ali havia alguma atividade administrativa menor.
Havia um pequeno mercado, onde camponeses trocavam mercadorias e falavam entre si em tons baixos. Algumas crianças corriam entre as barracas, e os aldeões trabalhavam em silêncio, como se estivessem acostumados a uma vida de constante vigilância.
Assim que os dois entraram na vila, os olhares desconfiados começaram a surgir.
Eles não eram os soldados que costumavam patrulhar aquela região.
Os aldeões murmuravam entre si, olhando para Cruz e Yang Chao com cautela. Algumas mulheres pegaram suas crianças e as afastaram discretamente. Homens de idade franziram o cenho, tentando disfarçar sua inquietação.
Yang Chao percebeu a tensão no ar imediatamente. Ele manteve a postura rígida, tentando exalar autoridade e confiança, mas já sabia que não conseguiria simplesmente perguntar sobre Yang Hao sem levantar ainda mais suspeitas.
Cruz, por outro lado, percebeu a oportunidade para se comunicar um pouco.
Ele olhou para um dos mercadores mais próximos, um homem de meia-idade vendendo arroz e ervas secas, e caminhou diretamente até ele.
“Olá, meu bom senhor!” Cruz disse com um sorriso amigável: “Você poderia nos dizer onde conseguimos uma refeição quente nesta vila? Ou será que soldados como nós não são bem-vindos aqui?”
O mercador estreitou os olhos e respondeu com cautela: “Desculpem-nos, pela cautela. Os soldados que patrulham essa região nunca falam com a gente a menos que seja para dar ordens… ou levar impostos para a capital.”
Cruz riu, cruzando os braços enquanto respondia: “Bom, está aí uma coisa que eu nunca gostei… impostos. Mas não se preocupe, não viemos cobrar nada. Apenas estamos em uma patrulha mais ampla e precisávamos descansar um pouco.”
O mercador não pareceu convencido, mas a postura despreocupada de Cruz o fez relaxar um pouco.
Yang Chao, por sua vez, analisava os arredores em silêncio. Ele notava que alguns homens mais jovens da vila estavam discretamente segurando pedaços de madeira ou ferramentas que poderiam ser usadas como armas improvisadas. Aquele vilarejo não gostava muito de soldados da Dinastia Yang.
Por quê?
Antes que pudesse formular um plano para suavizar ainda mais a situação, um som cortou o silêncio do mercado.
Um grito veio do outro lado da vila.
As pessoas se viraram na direção do barulho, e, por um instante, o pânico tomou conta do local.
Yang Chao e Cruz se entreolharam antes de partir imediatamente para o local de onde o grito veio.
Ao chegarem lá, viram uma pequena confusão. Um grupo de três soldados da Dinastia Yang estava arrastando um homem mais velho pelas ruas de terra. Ele era magro, vestia trapos e tinha cortes nos braços, provavelmente por resistência à prisão.
“Suma, velho bastardo!” Um dos soldados o empurrou para o chão.
“Vocês já tomaram tudo o que podiam… deixem essa vila em paz!” O velho cuspiu no chão enquanto olhava para os soldados com ódio.
Cruz e Yang Chao pararam na cena, observando-a com atenção.
Os soldados eram como eles, patrulheiros da guarnição externa, mas estavam agindo como tiranos sobre os aldeões.
Yang Chao sentiu um profundo incômodo com aquela cena. Essa era a Dinastia Yang? Esse era o império que seu povo havia construído e que ele protegeu até hoje?
Cruz sorriu ao ver a reação de Yang Chao, mas seu olhar estava afiado como uma lâmina enquanto ele sussurrava para o seu companheiro de viagem: “Parece que só agora você está vendo o que realmente acontece fora dos muros do palácio, não é?!”
Yang Chao fechou as mãos em punho enquanto Cruz dava a estocada final: “É por isso que Zao Tian odeia a sua Dinastia com todas as suas forças! É isso o que acontece fora das vistas de quem tem intenções nobres, mas dá poder aos maus!”
