Capítulo 0936 - Mais do que Um Grito
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O espaço ainda tremia com lembranças da batalha.
Mesmo com a ausência de Zaki, a Singularidade levava tempo para compreender que aquele colosso havia partido. Como uma fera que, ao ser libertada, deixa um eco em cada canto do mundo onde passou. As distorções no vácuo oscilavam, lentas e fragmentadas, e por toda parte, o universo começava a se reconstruir.
Estrelas reapareciam no céu como brasas tímidas reacendendo. Constelações quebradas voltavam a seus lugares. Montanhas invisíveis de energia espiritual colapsada se reorganizavam em linhas de fluxo e gravidade.
A Singularidade cumpria seu papel.
A dor de uma mudança de ciclo era forte, mas os quatro…
Eles não conseguiam se mover.
Cruz ainda estava de pé, mas não por vontade. Seus braços estavam erguidos, presos em posição como pilares partidos segurando o teto de um templo que já desabou. Seus dedos estavam semicerrados ao redor do bastão espiritual, mas ele não sentia mais o toque da arma. Seus olhos estavam abertos, mas não viam nada com nitidez. Era como se todo o corpo tivesse se tornado uma carcaça, um recipiente quebrado que ainda preservava a dignidade de se manter em pé, mesmo vazio.
E dentro dele… havia um furacão.
Orgulho, raiva, euforia, medo, e algo próximo de uma confusão imensurável. Cruz não sabia o que significava tudo aquilo. Ele não conseguia racionalizar a dimensão do que enfrentaram. Mas sentia.
Sentia como se tivesse andado sobre a beira do universo e sobrevivido.
Sentia como se tivesse tocado o impossível e vislumbrado o outro lado de todos os segredos do cosmos.
E por isso, ele também sentia como se estivesse queimando por dentro.
O vácuo ao redor ainda reverberava, devolvendo ao espaço a sua forma original. E então, algo escapou dele. Não foi pensado. Não foi contido. Foi apenas um grito.
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!”
Não era dor.
Era desabafo.
Era orgulho.
Era frustração.
Era um grito que vinha das entranhas de todas as vozes que gritaram com ele, e por ele.
O eco daquele grito cortou a Singularidade como um cometa furioso, chegando a pontos distantes, mas a nenhum ouvido que pudesse entendê-lo.
E logo depois dele, veio outro.
Era Shara’Kala.
A guerreira ajoelhada, destruída, com os braços tremendo e o sangue evaporando da pele ferida. Quando escutou Cruz gritar, seu peito explodiu em um impulso primitivo. Seu maxilar se fechou com força, os olhos se abriram, e mesmo sem força nas pernas ou nos braços, ela se ergueu de joelhos.
E rugiu.
“AAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRGGGHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!”
Foi um rugido orc.
De raças esquecidas.
De povos massacrados.
De mães guerreiras e pais caídos.
Foi o grito de alguém que não sabia se merecia estar ali… até provar para si mesma que merecia.
Ela não gritou com ódio.
Ela gritou por ter vivido.
Por ter resistido.
E por ter sentido, pela primeira vez desde que partiu em sua jornada, que era parte de algo grande.
E então, Yang Chao, o inquebrável, soltou o ar como se não respirasse há eras.
Aquela sensação dentro do peito dele… não era apenas alívio. Era vergonha.
Vergonha por não ter protegido os outros mais do que protegeu Cruz.
Vergonha por ter fraquejado por um segundo, mesmo que ninguém tivesse visto ou fosse julgá-lo.
Mas também havia… orgulho.
Porque ele viu.
Viu seu imperador queimar, sua companheira feral sangrar, e um lunático confrontar uma entidade.
E ele estava com eles.
E por isso, ele também gritou.
“RRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!”
O grito dele foi como o romper de uma muralha.
Ele explodiu para cima, como uma espiral de aura verde, como se a vida ao redor voltasse a florescer, como se o coração da Singularidade o reconhecesse. Seus músculos ainda doíam, suas veias ainda chiavam… mas ele se recusava a cair.
E então…
Restou Yang Hao.
O imperador não gritou.
Ele não rugiu.
Ele não disse nada.
Mas seus olhos estavam abertos, e dentro deles…
Ardia um mundo.
Ele olhava para os três à sua frente. O bastardo da escuridão. A orc valente. O soldado eterno.
E ele sabia.
Sabia que não era mais sobre ele.
Ele havia carregado a responsabilidade por tanto tempo.
Tentado, sozinho, mudar tudo, proteger todos.
Carregado o peso de um império, vidas e futuros.
Mas agora, ao olhar para os outros, ele entendeu.
Não era mais sobre sobreviver.
Era sobre resistir com outros.
E então ele fechou os olhos.
E deixou o silêncio falar por ele.
Naquele instante, o tempo recomeçou.
A Singularidade, como uma entidade viva, sentiu a pulsação daqueles quatro.
E o mundo girou de novo.
As nuvens cósmicas se dissiparam.
O solo de luz se reestabeleceu.
As montanhas celestes voltaram a subir.
Os rios de energia espiritual voltaram a correr como veias em um corpo universal.
Mas eles…
Eles ainda estavam ali, no centro de tudo.
Estavam quebrados.
Exaustos.
Feridos.
Mas estavam juntos.
E estavam vivos.
A batalha havia acabado.
O ciclo havia terminado.
Mas o que nascia dali… Era algo que até os próprios deuses teriam medo de nomear.
A Singularidade continuava se reconstruindo ao redor deles, mas ali, no centro daquele vazio preenchido por glória e esgotamento, havia algo que nenhuma onda de energia ou rearranjo cósmico podia tocar: o momento.
A guerra havia acabado, o inimigo havia partido, o ciclo havia virado.
Mas o coração… o coração ainda estava preso na última batida do confronto.
Shara’Kala, aos poucos, moveu os olhos.
Seu corpo doía.
O braço esquerdo ainda pendia, morto, e o direito não segurava mais nada. A espada havia flutuado para longe, silenciosa, após cumprir seu papel. Mas ela ainda sentia.
Sentia calor.
Sentia… ele.
Ela virou o rosto, com o pescoço rangendo como engrenagens que não se encaixam mais, e seus olhos encontraram Cruz.
O humano, ou melhor… O homem que mudou todas as suas perspectivas de forma tão repentina e intensa, ainda estava ali, em pé, com os braços erguidos, paralisados. O bastão de Rybur flutuava ao redor, mas já não pulsava com energia. Seu rosto estava inclinado para frente, coberto de sangue seco, e o corpo parecia à beira do colapso. Mas mesmo destruído… ele era o Cruz que ela conhecia.
O Cruz que seguraria a muralha mesmo que o mundo desabasse atrás dele.
Ela não pensou.
Ela não se conteve.
Ela apenas se arrastou.
Cada movimento era um insulto à dor. Um chamado à coragem. Um desejo incontrolável.
Quando chegou até ele, ela colocou a mão trêmula sobre o peito dele e apoiou a cabeça no seu ombro imóvel.
Por um instante, Cruz não respondeu. Não porque não quisesse. Mas porque não conseguia.
Seus braços ainda estavam erguidos. O corpo ainda estava preso naquela postura absurda, como se lutar ainda fosse sua única função.
Mas Shara’Kala, como sempre foi desde que se conheceram… o ensinou a viver também.
Ela se aproximou mais e o abraçou. Com o que restava. Com os cacos do seu corpo.
Ela o abraçou como se ele fosse o único lar que restava.
E então… ele se soltou.
O bastão de Rybur flutuou, perdendo força lentamente.
E os braços de Cruz… desceram.
Lentos. Dolorosos. Mas vivos.
Eles se envolveram num abraço nada gracioso, nada épico… mas absurdamente verdadeiro.
Como se fossem parte um do outro desde sempre. Como se tivessem lutado lado a lado desde o nascimento. Como se não precisassem de história para justificar a confiança cega que sentiam.
Era amor. Sim.
Mas era também redenção, alívio, entrega.
Era tudo ao mesmo tempo.
Shara’Kala ergueu o rosto. Seus olhos estavam vermelhos. As suas veias ainda pulsavam.
Cruz olhou de volta. E mesmo com o sangue escorrendo, com o rosto desfigurado pela tensão… ele sorriu.
Ela sorriu de volta.
E então, eles se beijaram.
Não era um beijo de vitória.
Era um beijo de sobrevivência.
Um beijo de fé.
Um beijo de quem, mesmo sob os escombros de uma estrela, encontrou o próprio universo no outro.
Eles ficaram assim por um tempo que nem a Singularidade soube medir.
O tempo os esqueceu por alguns segundos. E foi bom.
Mas a emoção… era demais para caber no corpo.
E então, juntos, eles explodiram.
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!”
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!”
Um grito unido.
Selvagem.
Irracional.
Primitivo.
Como um trovão apaixonado que cortava os céus da Singularidade.
Como um tambor no coração dos mortos.
Como a celebração da vida por aqueles que a conheceram no limite da morte.
E logo após eles, Yang Chao os seguiu.
Ele não gritou por protocolo. Não gritou por empatia.
Ele gritou porque sentiu.
Porque algo dentro dele dizia que… mesmo que não houvesse amanhã… O hoje tinha valido a pena.
“RAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!”
A aura de vida explodiu dele de novo, num clarão verde que não curava, mas celebrava.
Como folhas renascendo no deserto.
Como vida brotando num campo de batalha.
E então… veio Yang Hao.
O imperador do fogo.
Aquele que antes achava que carregar o mundo era um dever solitário.
Aquele que sangrou para aprender que a liderança é feita não de vitórias… mas de partilha.
Aquele que viu, pela primeira vez, alguém suportar o que ele suportava.
Ele ficou em silêncio por mais alguns instantes.
Fechou os olhos.
Respirou fundo.
E sentiu cada grito anterior perfurar seu peito.
E quando os abriu…
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!”
O espaço se dobrou em volta da sua alma.
Não era um rugido imperial.
Não era um comando.
Não era nobre.
Era humano.
Era de carne.
Era de espírito.
Era de tudo o que ele aprendeu a ser, mesmo quando o mundo dizia que ele deveria ser mais.
Os quatro gritaram.
Não por dor.
Não por vitória.
Mas porque viveram.
E naquele grito, o universo reconheceu algo novo.
Não um grupo de guerreiros.
Mas uma lenda.
A lenda dos que gritaram diante do impossível… E não foram calados.
