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Capítulo 0937 - O Que Vem Depois

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Tenham uma boa leitura!]


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O eco do último grito ainda pairava na Singularidade quando o silêncio voltou a se instalar, mas, dessa vez, era um silêncio diferente. Um silêncio que não pesava como o vácuo da derrota, mas que descansava como o alívio depois do parto de uma nova era.


E no centro disso tudo, o primeiro a se mover… foi Yang Chao.


Seus pés firmaram no vácuo como se tivessem voltado à terra firme, mesmo que nada ali fosse concreto. Ele estalou os ombros, as articulações rangendo em protesto, como se cada osso lembrasse que não deveria mais estar inteiro. Ele respirou fundo, e a energia ao seu redor respondeu. Uma névoa verde, quente e firme, fluiu de dentro dele.


Era vida.


No sentido mais visceral e bruto da palavra: persistência, pulsação, reparação. A mesma força que o permitiu continuar se regenerando até quando seu corpo já havia aceitado a morte agora se espalhava de forma consciente.


Ele fechou os olhos por alguns instantes, sentindo as fraturas internas se alinharem. Os meridianos gritavam, mas obedeciam. O espírito, ainda abalado, buscava equilíbrio na respiração. Um… dois… três ciclos de respirações muito profundas. 


Então, ele abriu os olhos e andou até Yang Hao, que ainda flutuava de olhos fechados, com o corpo em chamas e a mente perdida nas cinzas da batalha.


Yang Chao se ajoelhou ao lado dele.


"Majestade…" A voz dele não tinha tom militar, nem reverência formal. Era suave. Quase fraternal.


Yang Hao não respondeu de imediato, mas seus olhos se abriram devagar. As chamas ao redor do seu corpo diminuíram, até se apagarem em espirais brandas. 


Por um momento, os dois apenas se olharam. E isso bastou.


Não era preciso dizer nada. Um guerreiro olha outro guerreiro nos olhos, e vê as cicatrizes que não podem ser curadas.


"O senhor está seguro agora." Completou Yang Chao, com um leve sorriso.


Yang Hao queria responder. Queria rir, ou chorar. Mas apenas assentiu com a cabeça. Era o suficiente.


Do outro lado, Shara’Kala começava a se erguer. A postura era instável no início, como a de uma criatura recém-nascida, aprendendo a caminhar com o próprio peso de volta ao corpo. Seu braço esquerdo ainda pendia sem vida, mas a conexão espiritual com a vida permanecia ativa.


Ela estendeu a mão direita para a espada Coração do Abismo, que ainda flutuava em repouso, e a lâmina negra reagiu com um brilho opaco. Em seguida, ela firmou a mão no cabo do Sussurro de Sangue, fechou os olhos… E invocou aquilo que sempre foi seu maior talento: instinto.


Uma onda de energia espiritual se concentrou no centro do seu peito, e em seguida se espalhou para o braço morto, descendo como uma cascata viva. Tecido por tecido, célula por célula, ela reconstruiu o membro. Mas não como era antes, estava ficando melhor. O braço pulsava com vida densa, densa como o sangue de um Khan lendário. Ela rangeu os dentes durante o processo, suando e tremendo, mas não parou.


Quando terminou, ela ergueu o novo braço e sorriu.


"Ainda posso matar um deus com isso." Ela sussurrou para si mesma, e então olhou para Cruz.


Ele ainda não havia se movido desde que seus braços desceram. Seus olhos estavam semicerrados, com o rosto pálido. Ele estava consciente… mas distante. Como se parte de sua alma ainda estivesse presa no momento da colisão final.


Shara’Kala ficou diante dele, tocou seu rosto com a mão recém-reconstruída e murmurou:


"Ei… você voltou comigo. Volta agora também." Shara’Kala levou a sua energia espiritual para dentro de Cruz, e depois de alguns momentos, ele piscou. A sua respiração estava lenta, mas presente. E ele moveu os lábios, mas sua voz saiu fraca: "Estou… tentando."


Ela sorriu, com ternura e cansaço, e se apoiou em seu ombro.


Yang Chao chegou pouco depois, carregando Yang Hao com um braço e sentando os dois ao lado do casal.


Ali, os quatro ficaram… Em um círculo de cacos, costurados pelo fim de uma luta absurda.


O silêncio perdurou por alguns minutos até que, como se fosse inevitável, a conversa surgiu.


"Ele... era tudo aquilo mesmo, né?" Murmurou Yang Chao, o primeiro a quebrar o peso da lembrança.


"Era mais." Respondeu Yang Hao, com a voz arranhada: "Eu achei que estava preparado para ver o fim. Mas ele não era o fim… ele era o que vem depois."


"E ainda assim..." Shara’Kala murmurou, entrelaçando os dedos nos de Cruz, e completou: "Nós estamos aqui."


“Ou o que restou de nós… Rsrsrsrs…” Yang Chao brincou enquanto tentava rir, mas sentia dores só de tentar.


Cruz não falou por longos segundos. Depois, num esforço quase sobre-humano, ele se ajeitou um pouco e sussurrou:


"Eu... vi o abismo. Vi ele. E me vi dentro dele. E mesmo assim..." Ele inspirou fundo “Eu não me joguei."


Aquelas palavras pairaram no ar como fumaça. Cruz via sentido nelas, mas os outro não compreendiam completamente o que ele queria dizer.


De novo, Yang Chao riu baixinho. Uma risada cheia de incredulidade.


"Sabe o que é mais estranho?" Shara’Kala então perguntou, olhando o vazio, com um sorriso torto: "Eu acho que nunca mais vou conseguir respeitar outro ‘inimigo impossível’. Nenhum monstro. Nenhum deus. Nenhum Santo. Nenhum Khan ou lenda. Depois de encarar ele e sair viva... todo o resto parece piada."


Yang Hao fechou os olhos, sentindo o peso das palavras de Shara’Kala como se elas fossem pedras arremessadas em um lago que já não sabia como permanecer calmo. O silêncio depois da fala dela foi quase reverente, como se até o universo tivesse parado para ouvir o que viria a seguir.


"Foi por isso..." Yang Hao começou, com a voz rouca, mas carregada de clareza: "Foi por isso que eu fiquei preso aqui."


Os outros olharam para ele. Shara’Kala franziu levemente o cenho, Yang Chao apenas inclinou a cabeça. Cruz, mesmo com o olhar ainda nublado, fixou os olhos em Yang Hao como se buscasse uma resposta que talvez ele mesmo já soubesse.


"Eu já o tinha enfrentado antes. Não diretamente como agora... não com esse nível de exposição e comprometimento da parte dele... mas em outros ciclos, em outros pontos da linha do tempo dessa prisão." Yang Hao ergueu um pouco a cabeça, olhando para o céu, como se aquilo o ajudasse a lembrar: "Na primeira vez que o vi, pensei que era uma ilusão. Algo que a Singularidade tinha criado para tentar me expulsar. Mas depois de vê-lo de novo e de novo... com os mesmos olhos, com o mesmo peso... eu entendi. Era ele. Sempre foi ele."


Yang hao fez uma pausa e engoliu seco. Era difícil colocar aquilo em palavras, mas ele não podia mais se esconder, se conter: "Depois de ver o que ele era... depois de sentir o que ele causava... nada mais parecia importar. Nenhum outro inimigo era digno. Nenhum objetivo parecia fazer sentido. O mundo parecia pequeno demais. As guerras pareciam partidas de xadrez entre crianças. Eu não... conseguia mais acreditar em nada."


Shara’Kala baixou os olhos, compreendendo tudo o que Yang Hao expressava. Ela também sentia aquilo no fundo do peito, como uma verdade difícil de engolir, mas reveladora. Não era apenas medo. Era um tipo de respeito tão profundo que beirava a idolatria, ou o trauma.


Yang Chao suspirou pesadamente e falou logo em seguida: "Foi como lutar contra o próprio conceito de limite. Como se ele fosse a muralha que delimita o que é possível. A fronteira que ninguém devia atravessar."


"Exato." Yang Hao afirmou, com pesar: "E eu fiquei preso nesse ciclo, nessa maldita ilusão de sobrevivência, porque no fundo… eu já tinha desistido de voltar como eu ainda estou. Eu me senti pequeno… Eu ainda me sinto… Despreparado. Eu não sabia. Não aceitava. Mas era isso. Eu sobrevivia porque... não acreditava mais que vencer fosse possível. Eu não sou capaz de alcançá-lo, então, para mim, eu não era capaz de vencer a luta que todos confiaram a nós."


Um silêncio tenso recaiu sobre o grupo.


Aquelas palavras não eram apenas confissões, eram verdades que ecoavam dentro de todos ali. Mesmo Cruz, o mais insano entre eles, o mais improvável de se render a qualquer lógica comum, agora encarava o chão como se algo estivesse se dissolvendo dentro dele.


"Mas não mais." Shara’Kala então disse, com sua voz cortando o silêncio como uma lança de convicção: "Não mais. Ele nos esmagou. Quase nos apagou. Mas... nós ainda estamos aqui. Pela primeira vez, alguém fez ele parar. Fez ele hesitar. E ele sangrou."


Yang Hao assentiu lentamente.


"E por isso agora eu acredito de novo." Ele completou: "Não que a gente venceria se a luta continuasse. Mas que há algo além dele. Algo que ainda podemos nos tornar. Ele é o fim da estrada para todos que param de andar. Mas se a gente continuar..."


"A estrada muda." Cruz murmurou, como se estivesse emergindo do fundo de um poço ou de um sonho hipnotizante.


Ele ergueu o rosto, e apesar das olheiras profundas, dos cortes abertos e da palidez cadavérica, havia algo novo nos seus olhos: luz.


"Ele era o cume da montanha. Mas não o céu." Disse ele: "E se eu tiver que pular mais cem abismos, me despedaçar mais mil vezes, pra chegar acima dele... então que assim seja."


Yang Chao riu de leve, sem força, mas com verdade.


"Você é doido, Cruz." Yang Chao comentou, como se Cruz não fosse parte da mesma equação de onde os outros vieram.


 "Sou." Ele respondeu, com um sorriso torto: "Mas agora eu sou um doido que já encarou o fim... e ainda tem perguntas."


Shara’Kala se encostou mais nele, com sua testa apoiada em seu ombro.


Por um tempo, o grupo ficou em silêncio novamente. Mas era outro tipo de silêncio.


Um silêncio contemplativo, assombrado não pela morte que quase os alcançou, mas pela memória daquilo que tocaram, e daquilo que ainda pairava acima deles, inalcançável…. Zaki.


Aquele nome já não era apenas um oponente. Era um conceito. Um abismo com forma. Uma lenda encarnada que não precisava mais de testemunhas, porque o mundo se curvava sob o peso do que ele era, mesmo que ninguém o conhecesse atualmente.


Yang Chao, sentado com os braços apoiados nos joelhos, soltou um suspiro pesado e comentou: “A gente devia estar comemorando... mas só consigo pensar que, se ele voltasse agora, nenhum de nós teria força pra levantar.”


“Se ele voltasse agora...” Shara’Kala começou, e sua voz veio quase como um rosnado: “Eu mandaria ele à merda e deitaria de novo.”


Eles riram. Pela primeira vez desde a batalha, uma risada leve, humana, torta. Mas ainda assim, real.


Exceto Cruz.


Ele continuava encarando o vazio. As vozes na mente haviam diminuído o volume, e o mundo já não girava ao redor do caos. Mas dentro dele… algo queimava.


“A gente sobreviveu…” Cruz murmurou: “A gente fez o impossível. Ele reconheceu. Ele foi embora.”


E então ele apertou os punhos, com força, e seus olhos brilharam com uma frustração viva.


“Mas eu não consegui fazer ele engolir aquele maldito orgulho.” Sua voz tremia enquanto ele desabafava: “Eu queria… eu precisava… ver ele ajoelhar. Nem que fosse por um segundo. Nem que fosse pra me matar em seguida.”


Os outros se viraram para ele, preocupados e assustados.


 “Cruz…” Shara’Kala tentou tocar seu ombro para acalmá-lo, mas ele continuou bufando.


“A gente o feriu. Mas ferir não é o bastante. Zaki não é como os outros. Ele não sangra como nós. Ele não sente como nós. Ele sangrou e sorriu!” Sua voz aumentou, o olhar ficou mais agudo, mais vivo e ele se lamentou: “E eu… Eu não tive forças pra levar aquele sorriso embora. Ele saiu como se tivesse nos concedido uma bênção!”


“Talvez tenha concedido.” Sisse Yang Hao, calmo: “Talvez o que ele deixou não tenha sido derrota… mas a chance de entender o que vem depois.”


Cruz caiu no silêncio por um momento. E então, com um riso abafado e amargo, murmurou: “Eu ainda quero socar aquele nariz arrogante.”


“Você vai.” — Shara’Kala respondeu, com um sorriso cúmplice: “Mas não hoje.”


Cruz assentiu lentamente. Depois, suspirou como se algo estivesse sendo liberado do peito.


Yang Hao aproveitou a pausa para fazer a pergunta que até agora, em meio a tudo, ele havia guardado.


“Aliás...” Ele começou, olhando para os três: “Não tivemos tempo para entrar nesse assunto... Por que vieram pra cá? O que fez vocês entrarem nessa loucura?”


Yang Chao olhou para ele. Os seus olhos, mesmo exaustos, estavam firmes. E quando respondeu, foi com toda a verdade: “Porque lá fora, a guerra começou.”


“A primeira batalha contra os deuses já aconteceu.” Yang Chao continuou: “E nós vencemos.”


“Depois da nossa vitória, os deuses recuaram e os humanos... e os aliados... começaram a mudar o equilíbrio do cosmos.”


Yang Hao arregalou os olhos. Cruz ergueu o rosto. Até Shara’Kala se sobressaltou.


“E que aconteceu depois?” Yang Hao perguntou, em um sussurro, porque ele já sabia que os três não estariam ali se estivesse tudo bem.


Yang Chao franziu o cenho e respondeu: “Por um tempo, parecia que o universo ia enfim conhecer algo novo. Algo humano. As alianças cresceram. Os planetas começaram a ouvir nossos nomes com esperança.”


E então… Yang Chao respirou fundo, como se aquilo que viria em seguida fosse mais difícil do que a própria luta contra Zaki: “Mas foi aí que aqueles abutres apareceram.”


A expressão dele endureceu enquanto ele prosseguia: “O Olho. Eles saíram das sombras. E com eles... tudo começou a ruir. As alianças começaram a falhar. Eles nos colocaram uns contra os outros e a confiança... sumiu. Os aliados pararam de responder. Alguns voltaram atrás. Outros simplesmente desapareceram.”


“Eles fizeram o tempo parar.” Completou Shara’Kala, com a voz amarga: “Não literalmente, mas… o que vocês estavam construindo começou a definhar. O avanço... virou estagnação. E agora... retrocesso.”


Yang Hao encarou os três, sentindo algo muito mais pesado do que qualquer dor física tomar conta do seu peito.


“Então... vocês vieram pra cá... pra se preparar?” Yang Hao perguntou, ainda tentando entender porquê eles estavam ali.


“Não.” Respondeu Yang Chao, com firmeza: “Viemos porque o senhor é a nossa última esperança de acabar com o maior plano deles atualmente… Nós viemos porque eles estão utilizando clones!”




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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