Capítulo 0940 - Raízes no Silêncio
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Tenham uma boa leitura!]
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Nos tempos atuais, no coração gelado do planeta dos gigantes, Niflheim era agora um canteiro de obras planetário.
Os campos destruídos pelo colapso da última batalha estavam sendo reerguidos com o esforço conjunto de elfos, orcs e krovackianos. A pedra fria do antigo palácio, que antes refletia desolação, agora era aquecida pelo trabalho coordenado das raças que escolheram se ajudar.
Contudo, por baixo da reconstrução visível, uma rede invisível se estendia como artérias sob a pele de um gigante adormecido.
Raízes.
Raízes criadas por Zao Tian.
Elas eram finas, densas, quase imperceptíveis. Percorriam as estruturas do palácio, infiltravam-se sob as ruas, paredes e acampamentos. Cresciam lentamente, como se respirassem junto com o território. Seu tamanho era colossal, criando uma rede que parecia que tinha potencial para envolver todo o planeta.
Elas eram olhos. Ouvidos. E, acima de tudo, sua garantia de que nada seria feito sem que ele soubesse.
Zao Tian estava escondido em algum ponto subterrâneo, num lugar que só ele conhecia naquele momento. Um pequeno núcleo onde se conectava a todas as raízes, como um coração batendo dentro da terra.
Do lado de fora, ninguém sabia. E era melhor assim.
Yanor, o único que conhecia sua localização, evitava até olhar em sua direção. Passava dias sem trocar uma palavra sequer com ele. A intenção era clara: impedir que qualquer agente infiltrado tivesse a chance de seguir pistas ou rastros até o vigia de seu reino.
O clima em Niflheim era tenso, mesmo com a fachada de cooperação entre as raças. Ele se tornava quase sufocante em alguns pontos.
Mesmo com a reconstrução, os olhos desconfiados eram constantes. Um comentário fora de lugar podia se tornar suspeita. Um gesto impreciso, motivo de isolamento. Tudo era observado por todos.
As raças que trabalhavam juntas foram inimigas por tanto tempo que não conseguiam baixar as guardas perto umas das outras.
Eles se encaravam, fingiam, julgavam e sorriam quando na verdade queriam matar uns aos outros.
E Zao Tian, em silêncio absoluto, ouvia tudo.
Em uma das raízes, que serpenteava sob uma tenda de soldados orcs, ele escutou risos abafados e uma história sobre um velho chefe tribal que acreditava que o mundo era plano. Era um momento leve, humano… ou orc, nesse caso.
Algumas raízes mais à frente, entre os krovackianos, ouviu dois jovens conversando sobre o treinamento pesado imposto por Yanor a um gigante que eles conheceram. Um deles dizia que sonhara com os olhos de um deus, e que não conseguia esquecer. O outro apenas murmurava, tentando afastar a conversa porque queria dormir.
Mais ao sul, numa das raízes que entrava em uma caverna improvisada, ele captou um sussurro que chamou sua atenção: "Hoje à noite, quando a lua escurecer, vamos testar a runa. Se der certo, saberemos se é seguro mover a carga."
"Você acha que alguém percebeu?" Outra voz perguntou.
"Não. Yanor está ocupado demais com as reuniões. E o Escondido não falou com ninguém." O homem respondeu.
Zao Tian franziu os olhos. A voz era baixa, ofegante, carregada de algo que soava como pressa… ou medo.
A raiz que transmitia aquela conversa vibrava levemente. Um sinal claro de que as emoções estavam acima do normal. Zao Tian alterou o foco de seu próprio corpo, ampliando a captação naquele ponto.
"A carga é instável. Se falharmos, vai ser o fim."
"Não vamos falhar. Eles precisam que isso funcione."
Sob a terra, no centro de sua rede viva, Zao Tian permanecia imóvel. Ele já tinha escutado conversas como aquela antes.
No meio de toda a ‘bondade’ e ‘cooperação’, havia muito que estavam ali apenas para tirar proveito da fragilidade dos gigantes e roubar riquezas em benefício próprio. Havia até mesmo aqueles que foram contratados para serviços específicos, para roubar certas peças e até para matar outros ‘trabalhadores’ que faziam parte da reconstrução de Niflheim.
Ele filtrava as descobertas e mantinha-se atento a algo mais direto. E as raízes vibravam pelo solo como antenas vivas, pulsando conforme as emoções dos seres acima.
Conversas comuns ecoavam em diversas direções, criando um mosaico de sentimentos e intenções. Sorrisos disfarçados, confissões solitárias, promessas de sobrevivência.
Ele estava ouvindo tudo, por todos os lados, mas havia um lugar onde o som se tornava algo novo. Onde as palavras não eram jogadas ao vento. Onde os passos tinham propósito e direção.
A câmara subterrânea sob a sala do trono de Niflheim.
Zao Tian já conhecia aquele lugar. Ele e Yanor haviam descoberto sua existência semanas atrás, durante as primeiras varreduras no antigo palácio. Ali, escondido sob camadas de camuflagem, estava o que restava de um centro experimental da Trindade do Olho.
Cristais negros, esferas de contenção de alma, moldes simbióticos que absorviam o poder vital de qualquer criatura capturada. Equipamentos de roubo de energia espiritual, usados para alimentar clones ou os irmãos, para criar aberrações ou converter a essência pura de uma vida em matéria manipulável que alimentaria os trigêmeos mais ambiciosos do universo.
Era uma tecnologia incrível. Mas… proibida. Abominável.
E os infiltrados sabiam disso.
As raízes mais próximas da câmara registravam movimentações estranhas. Soldados que passavam duas, três vezes pelo mesmo corredor sem motivo.
Alquimistas que se ofereciam para catalogar artefatos, mesmo sem qualificação.
Zao Tian monitorava tudo.
Por trás de sua aparente calmaria, ele estava se preparando para agir.
Um pequeno mapa espiritual flutuava à sua frente, desenhado a partir da leitura sensorial das raízes. Marcas vivas indicavam os pontos de interesse. As presenças suspeitas. O calor do fluxo de energia. Cada batimento, cada oscilação anormal no território era registrada ali, em tempo real.
Na superfície, Yanor se movia normalmente, como se estivesse feliz e coordenando a reconstrução. A pedido de Zao Tian, ele reduziu a guarda na sala do trono.
Zao Tian sabia que o tempo estava se esgotando para os infiltrados, que com a reconstrução, mais cedo ou mais tarde a câmara seria descoberta e a missão deles falharia. E por isso, ele estava esperando, sentindo que aquele momento chegaria em breve.
No mapa espiritual à sua frente, três pontos vermelhos surgiram juntos. Um no corredor leste, um na escadaria que levava à biblioteca e outro nos fundos do pátio interno.
Posições de entrada para o subsolo.
Eles estavam se movendo em rotas convergentes.
Entre os passos, um ruído seco percorreu a raiz conectada à ala oeste. Palavras abafadas. Respirações forçadas.
"Estamos dentro do palácio. Repito, estamos dentro."
"As runas estão quase ativadas. Três minutos."
"Não temos todo esse tempo. Se Yanor encontrar isso antes, estamos mortos."
"Então se apresse."
“Estou fazendo o melhor que posso aqui, mas para manter tudo em silêncio, eu preciso desse tempo.”
Zao Tian fechou os olhos, com a certeza de que aquele era o momento tão esperado.
Seu corpo, que estava imóvel por horas, começou a se erguer lentamente, como um galho dobrado pela tempestade voltando à posição natural.
O manto de raízes que o envolvia se abriu como uma flor macabra, revelando seu rosto coberto de poeira e olhos que cintilavam com uma luz pálida e ameaçadora.
Ele caminhou em direção ao centro da câmara, onde uma plataforma feita de pedra o conectava diretamente à raiz principal, a que passava por baixo da sala do trono.
Zao então colocou a palma da mão sobre ela: "Localizar."
O mapa espiritual piscou e todas as outras luzes se apagaram, destacando apenas os três.
As figuras vermelhas avançavam em sincronia. Após o tempo solicitado por um deles, uma barreira de som e que simulava uma sala vazia se ergueu ao redor da sala do trono.
Os três foram direto até a entrada da câmara. Eles se esgueiraram e avançaram lentamente, como se esperassem alguma armadilha lá dentro.
"Finalmente. A minha cabeça já estava doendo de ficar aqui escutando tanta coisa inútil." Zao Tian murmurou, comemorando o fim de uma vigilância que já tinha passado do tédio.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* Quando Zao Tian se moveu, as mesmas sob o solo começaram a crescer, engrossar, e a se mover sob o chão, lentamente, como serpentes despertando de um longo sono.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* Sob os pés dos infiltrados, o solo vibrou por um instante, e antes que pudessem reagir, as raízes emergiram. Não como vinhas frágeis ou trepadeiras comuns. Eram colossais, densas como colunas de pedra viva, e carregavam consigo o peso de um milênio de cultivo silencioso.
Uma delas irrompeu entre as placas do chão e, em menos de um segundo, envolveu as pernas do primeiro invasor até os quadris, puxando-o para o alto e o girando com violência até que estivesse preso contra o teto, com braços colados ao corpo, como se estivesse engessado em madeira viva.
"Ah…" Ele tentou gritar, mas não conseguiu.
Uma segunda raiz, fina como um dedo e afiada como uma lâmina, se enfiou em sua boca e preencheu o interior até alcançar a garganta, impedindo qualquer som. Outra se enrolou no pescoço e tapou os ouvidos.
E na escuridão da sala subterrânea, o som do segundo invasor correndo ecoou por um segundo… apenas um.
Raízes saíram da parede ao lado como agulhas espirituais, atravessando sua sombra, prendendo seus pés no chão com tanta força que os ossos estalaram. O homem caiu de joelhos, mas não teve nem tempo de amaldiçoar a dor.
Do chão, brotaram ramificações que cobriram sua boca como uma máscara viva, envolvendo também os olhos e os ouvidos. Ele tentou se soltar, mas os dedos foram imediatamente pressionados por raízes que se fecharam como presilhas de aço.
O terceiro era o mais rápido. Percebeu o ataque dos colegas e tentou recuar, ativando um artefato de teletransporte.
A raiz sob ele vibrou.
O artefato em suas mãos explodiu em faíscas antes mesmo de se acender.
Uma rede invisível de raízes seladoras já havia se espalhado por toda a câmara, anulando qualquer tipo de energia espiritual. Aquele lugar tinha se transformado em um campo morto. Nenhuma técnica, comunicação ou pessoa escaparia dali.
O homem tentou correr, mas foi agarrado pelos tornozelos, levantado e lançado contra a parede, onde uma prisão de madeira se fechou ao seu redor como um casulo.
Sua cabeça bateu contra a estrutura, e a última coisa que viu antes de perder a consciência foi uma raiz afiada cobrindo seu rosto, impedindo até que piscasse.
Lá embaixo, na plataforma central, Zao Tian caminhava lentamente em direção aos três. Sua expressão era serena, como a de alguém que esperou pacientemente por muito tempo e, finalmente, teve o que queria.
Com um gesto simples, ele fechou a mão.
As três prisões vivas se contraíram sutilmente, apertando ainda mais o que já não era confortável.
Nem um suspiro escaparia dali agora.
Os três corpos estavam completamente imobilizados, suspensos entre as raízes como insetos em casulos vegetais. Não conseguiam falar. Não conseguiam ouvir. Nem mesmo conseguiam sentir se ainda estavam acompanhados.
Eles estavam sozinhos. E a terra era surda.
Zao Tian então parou diante dos três, calmo, e sussurrou: "Agora… vamos conversar."
Ele tocou a raiz mais próxima de um dos infiltrados e, por meio dela, transmitiu uma faísca de energia espiritual para sondar a mente do homem. Ele não buscava memórias superficiais ou mentiras ensaiadas. Ele queria a origem. O comando. O nome.
O campo da raiz brilhou em verde.
Uma resistência mental extremamente bem treinada tentava proteger seus segredos. Mas Zao Tian apenas sorriu de leve.
"Ah… então é você o mais esperto?" Ele comentou em pena, e logo em seguida fechou os olhos, expandindo sua consciência até invadir as camadas mais profundas da alma do homem.
