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Capítulo 0958 - A Origem do Mal 4

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Na mente de Amin, o tempo não era linear. Não fluía como os rios do mundo real, mas se torcia em espirais de lembrança e significado. E enquanto Zao Tian avançava, ele já não sabia mais se estava dentro de uma memória… ou de uma revelação.


O que Zao Tian via agora era um salão escuro, iluminado apenas pelas luzes fracas que escapavam de velas e cristais brutos, enterrados parcialmente no chão. Os três irmãos estavam mais velhos, talvez com doze ou treze anos, e à sua frente, sobre uma mesa de pedra gasta pelo tempo, repousavam livros muito antigos. Nenhum deles possuía capa. Alguns estavam amarrados com couro, outros, apenas com as páginas soltas empilhadas e envolvidas por selos protetores.


Rachid lia em voz alta, com a calma habitual que se tornara sua marca. Samir ouvia, com o cenho levemente franzido, como se traduzisse cada palavra para uma linguagem oculta. Já Amin, de pé, andava em círculos, como uma tocha viva sendo acesa de dentro para fora, absorvendo cada ideia que se formava.


Zao Tian se aproximou da mesa como se pudesse tocar os papéis, e viu que eram fragmentos de doutrinas esquecidas, deixadas para trás pelas frustrações de seus idealizadores. Textos que falavam sobre simbiose espiritual, sobre laços entre mestres e discípulos. Não eram técnicas diretas, nem fórmulas prontas. Eram teorias. Fragmentos dispersos.


Mas nas mãos daquelas três mentes… aquilo era ouro.


“Se nós pudermos realmente pensar juntos.” Murmurou Samir: “Então nossas decisões serão sempre a melhor média entre nós três.”


“Não apenas pensar juntos.” Completou Rachid: “Sentir juntos. Antecipar juntos. Agir sem avisar.”


“Ser um só.” Amin disse por fim, parando de andar.


Zao Tian sentiu a temperatura mudar. Amin estava resistindo, porque aquela sala mental não era mais uma memória comum. Era uma lembrança fundadora. Um pilar daquilo que os três viriam a se tornar. Um acontecimento marcante em sua história.


Ele não queria que Zao Tian visse aquilo. Ele não queria que ninguém invadisse algo tão precioso em sua privacidade.


Zao Tian, entretanto, apenas seguiu em frente, e com Gold mantendo Amin ocupado, ele continuou.


As mãos dos irmãos se uniram no centro da mesa. Nenhuma chama surgiu, nenhuma luz celestial desceu do teto. Mas algo queimou ali, não por fora, mas por dentro.


O desejo.


A visão.


A certeza de que, sozinhos, eram grandiosos… mas juntos, seriam invencíveis.


Durante os meses seguintes, e Zao Tian viu isso em cortes e passagens rápidas, os irmãos se dedicaram à criação de algo novo. Não era uma técnica de ataque. Nem uma defesa. Era um elo.


Eles chamaram de Trindade Essencial.


No início, era instável. Conectar mentes não era como unir as mãos. Havia fricções. 


Rachid era calmo demais para os impulsos de Amin. Samir questionava demais para a firmeza de Rachid. Amin era tempestuoso demais para o ritmo de Samir. Mas eles insistiram. Aperfeiçoaram.


Não havia professor para aquilo.


Não havia precedente.


Eles criaram seus próprios selos. Rachid desenhava os círculos de enlace; Samir moldava os recipientes de transferência; Amin era o combustível, o catalisador que acelerava tudo.


Zao Tian os viu sangrando pelo nariz por sobrecarga mental. Viu-os apagando por dias, acordando em meio a surtos, falando uns pelos outros. Mas eles voltavam. 


Tentavam de novo. Melhoravam.


E um dia… conseguiram.


Naquele dia, os três abriram os olhos ao mesmo tempo. Os olhos que não brilhavam em três tons… mas em apenas um. Um tom singular, que não pertencia a nenhum deles em particular.


Era uma nova consciência.


Mais do que irmãos.


Mais do que aliados.


Eles se tornaram uma unidade.


Zao Tian observou quando Amin levantou a mão… e Rachid piscou com o mesmo exato tempo de reação. Samir virou o rosto antes mesmo de Amin falar. Eles não estavam mais apenas unidos. Eles haviam fundido.


Eles se enxergavam pelos olhos uns dos outros, como espelhos refletissem as perspectivas deles. O que um enxergava, os outros também enxergavam; O que um sentia, os outros também sentiam; O que um pensava, os os outros sabiam e até complementavam.


E então, como se demonstrassem para si mesmos do que eram capazes, eles realizaram algo que nenhum outro trio conseguiria.


Amin, com sua afinidade com o fogo, criou um anel de chamas ao redor da sala. Rachid, com sua afinidade com a vida, fortaleceu a respiração e os batimentos cardíacos dos três corpos ao mesmo tempo, fazendo o fluxo espiritual dobrar. Samir, com a terra, ergueu o chão abaixo deles, formando um altar em forma de triângulo. 


Um vértice para cada um. Um vértice… para a mente unificada. Uma Trindade.


Zao Tian sentiu algo forte. Não como um espectador, mas como alguém que invadia um templo proibido.


Eles estavam experimentando os limites da existência.


E o mais assustador… era que estavam gostando. Era que queriam mais.


A memória seguinte não chegou como uma cena isolada, mas como uma sequência de sensações cortantes, quase sufocantes.


Zao Tian não estava mais diante de três irmãos.


Estava diante de uma entidade em construção.


A partir daquele ritual, tudo mudou. As cenas que se formavam ao seu redor não eram mais de aprendizado ou descoberta. Agora, eram demonstrações. Testes. O trio não queria apenas unir suas mentes. Eles queriam ver até onde poderiam ir. E o mundo ao redor deles, o verdadeiro mundo, seria seu campo de provas.


No início, foram pequenos experimentos.


Rachid lia um livro enquanto Amin treinava com armas e Samir simulava táticas em maquetes de pedra. Mas eles não precisavam conversar entre si. A leitura fluía da mente de Rachid para os outros dois. Os músculos de Amin se moviam com a precisão das estratégias de Samir. E a tática de Samir era moldada pelas citações dos livros antigos que Rachid absorvia em tempo real.


Era como observar um só ser… dividido em três existências.


Zao Tian viu quando isso começou a se expandir. Eles começaram a experimentar não apenas o pensamento coletivo, mas a substituição emocional.


Quando um deles se feria, os outros dois absorviam parte da dor.


Quando um deles hesitava, os outros dois o completavam, o encorajavam e até assumiam o controle.


E quando um deles errava… os outros corrigiam antes que o erro se tornasse consequência.


A individualidade foi desaparecendo lentamente. Primeiro nas palavras. Depois nos gestos. Até os traços mais sutis… a forma de caminhar, de levantar o queixo, de respira, começaram a se alinhar.


Zao Tian sentia o peso disso.


Eles não haviam apenas criado uma técnica.


Eles haviam destruído o conceito de “eu”.


Agora, só existia “nós”.


E esse “nós” era faminto.


Ambicioso.


Perigoso.


O tempo na memória avançou. Zao Tian viu os três de pé diante do pai. O velho mestre observava em silêncio, e pela primeira vez, havia uma hesitação em seu olhar.


“Vocês têm certeza… de que é isso que desejam?” Ele perguntou.


Os três assentiram ao mesmo tempo.


“E sabem que isso mudará tudo.” Ele avisou.


“Já mudou.” Eles responderam em uníssono.


O pai respirou fundo. E então, pela primeira vez, Zao Tian viu que até mesmo o mentor que tanto moldou aquelas mentes, que tanto incentivou a fome por conhecimento e evolução, começava a não reconhecê-los. Ele ainda os amava. Mas havia algo ali… algo que o fazia duvidar.


Mas era tarde para o surgimento de qualquer hesitação. Isso deveria ter acontecido lá atrás.


O tempo de frear os irmãos tinha passado.


A semente da unidade havia brotado. E sua primeira flor… era a arrogância.


Zao Tian viu como o trio começou a se portar nos círculos sociais.


Enquanto outros filhos de nobres ou líderes se vangloriavam de conquistas solitárias, os três irmãos apenas sorriam. Não com desprezo, mas com condescendência.


Eles já sabiam o que os outros ainda estavam tentando entender: que o mundo não pertencia ao mais forte, mas ao mais completo. E ninguém… era mais completo do que eles.


O tempo passou, e com ele, os feitos.


Em um torneio regional, realizado ainda na adolescência deles, enfrentaram doze adversários consecutivos. Mas não lutaram como um trio. Foi em um único corpo.


Rachid iniciou o combate. Quando quase foi atingido, Samir o avisou mentalmente, dando-lhes a chance de antecipar e revidar. Quando o adversário pensou ter encontrado uma brecha, Amin já tinha decifrado a forma de lutar dele e transmitido a Rachid, que sabia os seus pontos fracos como um observador que assistia a luta de fora. Analítico, frio, calculista.


Os jurados aplaudiram. Os espectadores vibraram. Mas ninguém entendeu o que realmente havia acontecido.


Eles haviam manipulado a percepção de todos. Feito tudo sob os olhares de todos.


E haviam vencido como um só.


Zao Tian viu, ainda mais tarde, os três trancados em uma câmara subterrânea, desenhando selos nas paredes. Desenvolvendo um novo tipo de selo, baseado em sobreposição de energia.


Era ali que a Trindade Essencial deixava de ser apenas uma técnica de fusão mental… para se tornar uma fundação de combate.


Eles agora criavam golpes que só existiam quando três veias espirituais agiam em ressonância perfeita.


Mas o que mais assustava Zao Tian não eram as técnicas.


Era a naturalidade com que as usavam.


Eles não celebravam vitórias.


Eles não buscavam reconhecimento.


Eles Faziam… porque era o que havia de ser feito.


E essa frieza… essa certeza imutável de que estavam no caminho certo… era o que os tornava verdadeiramente letais.


Zao Tian, ainda flutuando no vórtice da mente de Amin, começou a entender a mudança.


Aquela Trindade não se via como três homens.


Eles se viam como um conceito.


Um ideal.


Uma única consciência que havia ultrapassado os limites do eu, do nós… e agora moldava tudo ao redor segundo um novo tipo de lógica.


E essa lógica não reconhecia barreiras.


Não conhecia dúvidas.


Eles não eram movidos por vingança, rancor, dor ou necessidade.


Eles eram movidos por… propósito.


Deliberado.


Construído.


Inabalável.



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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