Capítulo 0966 - A Origem do Mal 12
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Tenham uma boa leitura!]
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Quando a escuridão do salão subterrâneo finalmente cessou, o mundo ao redor da Trindade já não era o mesmo.
Zao Tian flutuava pelos resíduos daquela memória como alguém que caminha por entre escombros de um templo destruído e reconstruído em nome de algo maior. O que antes era apenas uma rede oculta de informantes, agora era uma instituição.
Não se falava mais da Trindade em sussurros com temor. Falava-se do Olho.
O nome surgiu de forma orgânica, inevitável. Um reflexo direto da mensagem transmitida. Aquele espetáculo de dor, punição e domínio que atravessou continentes em silêncio absoluto… foi como a primeira piscada de uma entidade que nunca deveria piscar.
Agora, todos sabiam.
O Olho via tudo.
E o Olho… lembrava.
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Entre todos os punidos naquele dia, um único sobrevivente foi deixado para trás, de propósito.
Era o mais jovem da rede traidora. Um rapaz com menos de trinta anos, olhos ainda cheios de vida, mas corpo marcado pela sessão de tortura.
Ele não foi poupado por compaixão.
Foi poupado para ser útil.
Amin o observou por dias, com olhos clínicos e gestos suaves, como um escultor que busca rachaduras no mármore.
“Você vai viver.” Disse ele, em tom quase paterno: “Mas não porque merece. Vai viver… porque precisa contar a verdade.”
“Eu… eu conto o que quiserem…” Murmurou o homem, engasgado de dor.
Amin então se agachou à frente dele.
“Não o que queremos. O que é justo. O que é útil. A história real.” Ele colocou uma moeda nas mãos do homem: “Você vai dizer que ele traiu. Que todos os outros sabiam. Mas que você resistiu. Que você avisou. Que você foi poupado porque era leal.”
“Mas… eu não fui…” Ele tentou argumentar, fraco, confuso.
Samir sorriu atrás dele, acariciando os ombros do rapaz com um gesto estranho de ternura.
“Agora é.” Ele disse, com uma voz gentil: “Você foi testado… e sobreviveu. Não há honra maior.”
O rapaz, dopado com pílulas de estabilização espiritual e outros medicamentos, chorou.
Não de dor.
De gratidão. De Alívio.
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Os dias que se seguiram foram fundamentais. Zao Tian presenciou a engenharia da mentira se tornar uma nova fé.
A Trindade espalhou discretamente o depoimento do único sobrevivente. Sua história era clara, emocional e cheia de arrependimentos que terminavam em um alívio reconfortante: “A Trindade é justa. O Olho só pune a traição. Lealdade é recompensada com vida. Com poder. Com proteção.”
O impacto foi imediato.
Aqueles que assistiram à punição, mas que também viram o sobrevivente se recuperar e retornar ao serviço ganhando poder, começaram a reorganizar sua compreensão.
A tortura não era o foco. Era a consequência.
A verdadeira mensagem era: não traia, e você será cuidado.
As moedas da Trindade, agora chamadas de Moedas do Olho, passaram a ser tratadas como bênçãos. Artefatos de legitimidade. Passaportes silenciosos para um mundo onde se era vigiado, sim, mas também reconhecido.
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Rachid foi quem organizou a nova doutrina.
Em reuniões secretas, agora cada vez mais frequentes, ele reunia pequenos grupos de informantes de alto nível. Não falava de poder. Falava de ordem. Não exigia adoração. Exigia disciplina.
“O caos é o verdadeiro inimigo.” Dizia Rachid diante de grupos atentos: “A Trindade não castiga os fracos. Apenas os traidores. O Olho não enxerga para condenar. Ele vê para preservar.”
“Preservar o quê?” Alguém ousou perguntar.
Tudo.” Respondeu Rachid: “A verdade. O equilíbrio. A sobrevivência.”
E todos… acreditaram.
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Com o tempo, novos símbolos começaram a surgir.
Muralhas de vilarejos afastados passaram a receber marcas com olhos estilizados.
Cultivadores errantes começaram a usar broches com a imagem do Olho cravado em prata. Mensagens cifradas eram assinadas com a palavra “Visão”.
Não era uma ordem declarada. Era uma cultura em formação.
E dentro dessa cultura, uma máxima se espalhava, repetida em vozes baixas por cada um que recebia recompensas, proteções, ou apenas o privilégio de continuar existindo ao lado da Trindade: “Ser visto… é viver.”
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Zao Tian observava aquilo com um aperto no espírito.
O mundo não estava apenas cedendo à força. Estava se curvando com gratidão.
Os irmãos haviam cruzado o limite entre o medo e a reverência. E agora, os sorrisos que viam não eram de temor. Eram de lealdade.
Genuína.
Manipulada.
Profunda.
“O mais perigoso…” Zao Tian murmurou, ao sentir Amin sorrir diante de um novo grupo de iniciados: “Não é o inimigo que te odeia. É o que te agradece por vigiar seus passos.”
O Olho estava aberto.
E agora, o mundo… estava se deixando ver.
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Zao Tian continuou vagando nas profundezas da consciência de Amin, mas o que via agora não era apenas uma lembrança, era a construção de um dogma. Um império mental erguido sobre os escombros da moralidade. Se antes a Trindade tinha criado uma rede, agora eles forjavam uma religião.
A lealdade, antes recompensada com proteção, agora era exigida com fervor.
A fé havia sido semeada.
E a colheita… estava só começando.
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A primeira mudança visível não veio nos grandes palácios ou nas cortes de poder.
Veio dos cantos esquecidos do mundo. Das aldeias rejeitadas pela nobreza. Dos campos devastados pela guerra. Dos órfãos deixados por cultivadores mortos em disputas por glória. Dos miseráveis. Dos escravos.
A Trindade voltou seus olhos para os excluídos.
E os chamou de escolhidos.
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Foram Rachid e Samir os primeiros a sugerir.
“Eles não têm nada.” Disse Samir, ao observar um vilarejo miserável em ruínas: “Se dermos algo… nos darão tudo.”
“Cultivadores renegados, bastardos, filhos de traidores. Ninguém confia neles. Mas nós podemos.” Completou Rachid, com um brilho calmo nos olhos.
E assim começou a nova fase do Olho.
Não apenas vigiar.
Mas formar.
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O projeto foi nomeado internamente como A Visão, mas nos campos e florestas, era conhecido por outro nome: As Casas do Olho.
Foram criadas escolas e refúgios para os cooptados. Simples por fora, mas meticulosamente equipadas por dentro.
Cada uma recebia jovens sem pátria, sem família, sem propósito. E ali, eles recebiam mais do que teto e alimento.
Recebiam doutrina.
Recebiam sentido.
Recebiam a verdade do Olho.
“Você foi rejeitado.” Dizia Amin, pessoalmente, em cada apresentação: “Mas nós o vemos.”
“Você foi esquecido.” Continuava Rachid: “Mas nós lembramos.”
“Você não precisa temer mais nada.” Sorria Samir: “Porque o Olho… nunca dorme.”
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Os jovens, vulneráveis, famintos por direção, passaram a reverenciar os irmãos como figuras paternas, como símbolos da própria sobrevivência. Recebiam roupas simples, mas marcadas com o símbolo do Olho. Dormiam sob mantos bordados com frases como: Lealdade é visão. Visão é poder. Poder é permanência.
Mas havia mais.
Eles não apenas eram doutrinados. Eram marcados.
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A Trindade desenvolveu uma técnica rara, extremamente refinada, chamada de Selo da Retidão.
Um pequeno selo espiritual, invisível aos olhos, mas presente no centro da alma.
A marca ligava a essência do fiel diretamente à consciência coletiva do Olho.
Se alguém tentasse matá-lo, os últimos pensamentos seriam transmitidos para os irmãos. Se alguém tentasse corrompê-lo, as intenções seriam sentidas. Se ele mesmo decidisse trair… a dor surgiria primeiro no espírito, depois no corpo.
Eles eram a extensão dos olhos da Trindade.
Pequenas antenas vivas espalhadas pelo mundo.
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Ao assistir aquilo, Zao Tian estremeceu.
Eles não estavam apenas criando seguidores. Estavam criando sentinelas conscientes, que acreditavam estar seguros… mas que eram, de fato, ferramentas perfeitas para a expansão da vigilância.
Mas os doutrinados não percebiam.
A fé os envolvia como uma bruma quente, como um afago constante.
Amin visitava as Casas.
Samir distribuía presentes que aceleravam o cultivo.
Rachid supervisionava as transmissões e fazia questão de enviar mensagens de encorajamento pessoal para cada novo iniciado.
Eles se mostravam presentes.
E cada gesto reforçava a devoção.
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Em pouco tempo, começaram os relatos.
Um lorde de Gard ameaçou uma das Casas.
Ele foi encontrado morto em seu palácio três dias depois, com os olhos arrancados e a frase “O Olho está em todos os lugares” esculpida em pedra sobre seu peito.
Um mercador poderoso tentou subornar dois iniciados em troca de informações.
Seus navios queimaram em alto-mar e sua família desapareceu sem rastros.
Um jovem rebelde, que tentava escapar do sistema, morreu em agonia quando o selo foi ativado internamente.
Esses eventos não foram escondidos.
Foram divulgados.
Como recados.
Como escrituras.
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Zao Tian, dentro da mente de Amin, percebeu que a Trindade já não precisava levantar a mão com frequência.
O medo fazia isso por eles.
Mas não era um medo repulsivo. Era um medo misturado com gratidão.
O Olho cuidava.
O Olho protegia.
O Olho não deixava ninguém ser esquecido.
A dor vinha apenas para os que escolhiam sair da luz.
E quem iria querer sair?
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Os informantes mais antigos se curvaram ainda mais. Muitos imploraram para que suas famílias recebessem o selo.
Para que pudessem ser vistos.
Para que fossem protegidos.
Era a nova moeda espiritual do submundo: ser enxergado pela Trindade.
E isso só era possível se você pertencesse a eles.
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Zao Tian, agora em silêncio, viu tudo com clareza.
Eles tinham ultrapassado o domínio físico, político ou militar.
Agora estavam dominando o que nenhum império ousava tocar: a alma das pessoas.
E a cada novo selo ativado, a cada novo fiel aceitando a marca de bom grado, a Trindade se tornava menos humana. E mais divina.
Mais invencível.
Mais absoluta.
O Olho não apenas via.
Ele agora era o mundo.
E ninguém ousava fechar os olhos.
