top of page
Garanta o seu exemplar.png

Capítulo 0978 - As Feridas que Não Fecham

[Capítulo patrocinado por Alberto Augusto Grasel Neto. Muito obrigado pela contribuição. 


ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5


ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.


Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!


Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.


Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz


Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/


Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!


Ps: Link do Telegram atualizado!


Tenham uma boa leitura!]


-----------------------


O Domínio da Miragem Eterna estava mergulhado em um silêncio denso. O brilho esverdeado do orbe pulsava com irregularidade, como o batimento apressado de um coração sob risco. As paredes daquele lugar, feitas de energia ondulante, pareciam mais escuras, mais opressoras. O espaço, que antes se expandia como um campo infinito, agora parecia fechado, claustrofóbico, carregado de tensão e fracasso.


Zao Tian permaneceu em silêncio, acompanhando os três. O sorriso sádico e inconsciente que havia nascido em seus lábios durante o massacre se desfez por completo naquele momento. Ele ainda era espectador daquela memória viva e dolorosa, mas agora a satisfação havia dado lugar à frustração e à inevitável constatação da verdade: os irmãos da Trindade estavam vivos. Eles escaparam da morte nas mãos de Momoa.


A cena que se desenrolava diante dele era um retrato perfeito da queda de algo que sempre acreditou ser intocável.


Rachid estava estendido no chão, inconsciente, respirando de forma extremamente irregular. O peito dele subia e descia de maneira lenta, como se o ar fosse um peso quase insuportável de carregar. Seu corpo parecia ter sido destroçado e montado novamente de forma grosseira. Ossos ainda estavam mal ajustados, sua pele estava marcada por hematomas profundos e resquícios de veneno misturado ao sangue. Um guerreiro temido por muitos estava reduzido a um farrapo de vida.


Perto dali, Amin se mantinha sentado, encostado na parede ondulante da dimensão. A pele pálida denunciava a enorme quantidade de sangue que havia perdido. Faixas improvisadas estancavam o corte profundo em seu torso, causado pela adaga lançada por Momoa. O tecido energético, normalmente translúcido, agora estava manchado de vermelho escuro. Seus olhos estavam semiabertos, mas nublados, oscilando entre o delírio da febre e a fria consciência de quem não podia se dar ao luxo de desmaiar.


Eles estavam muito mal, mas quem mais impressionava era Samir.


Samir não estava inconsciente, nem exausto a ponto de sucumbir. Estava deitado, sim, mas seus olhos permaneciam abertos, fixos em algum ponto do teto nebuloso da dimensão. A expressão, antes arrogante e debochada, era agora uma máscara inumana de ódio e fúria. Um louco cujo rosto tinha sido tomado pela insanidade.


Seu corpo estava coberto de cicatrizes grossas e deformadas, marcas grotescas e negras que cortavam seu peito, ombros e flancos como se alguém o tivesse talhado de fora a fora. As perfurações feitas pela adaga de Rachid haviam se fechado, mas de forma imperfeita. A Essência Negra, misturada ao seu fluxo espiritual, deixaria uma marca permanente em sua pele. Samir jamais teria sua pele imaculada novamente. As cicatrizes nela não eram simples lesões. Pareciam quase queimaduras, marcas que se moviam sutilmente, como se ainda tentassem corroer seu interior.


Zao Tian, mesmo conhecendo o fim daquela história, não conseguia desviar o olhar. Ele observava em silêncio, vendo os três irmãos à beira da destruição.


O primeiro a romper o silêncio foi Samir.


“Ele vai pagar.” As palavras saíram baixas de sua boca, mas estavam carregadas de um veneno imaterial. Um sussurro que perfurou o silêncio da sala com mais impacto do que qualquer grito.


Amin, ainda sem forças para se erguer, girou levemente o rosto em direção ao irmão. Seu olhar febril denunciava o quanto se esforçava para se manter lúcido.


“Você quase morreu.” A voz de Amin saiu rouca, como se cada palavra lhe custasse um pouco da pouca energia que ainda tinha: “Eu tive que gastar quase todos os nossos recursos de emergência em você, para impedir que você morresse.”


Samir, ao escutar que os seus irmãos, praticamente parte de seu corpo, estavam ainda feridos por causa das lesões sérias que sofreu, não desviou o olhar do teto. Ele ficou olhando para cima, deixando o ódio entrar em seu corpo como um vírus da mente, e respondeu: “Eu deveria ter morrido. Doeria menos do que essa vergonha.”


Amin respirou fundo ao escutar aquilo, quase se permitindo um suspiro de frustração. Ele sabia que tentar acalmar Samir agora seria inútil. A fúria dele era como um veneno que se espalhava por dentro, e nenhuma lógica ou disciplina conseguiriam detê-lo.


“Momoa não é alguém que se subestima.” Amin falou, com a voz ainda fraca: “Nós o fizemos. E por isso quase perdemos tudo.”


Samir finalmente virou lentamente o rosto, com seus olhos agora fixos em Amin. Não havia humanidade ali, apenas um fogo sombrio prestes a consumir o que restava de sua sanidade.


“Não. Você me forçou a esperar!” Ele rosnou, culpando o irmãos pela derrota que ele mesmo sofreu: “Se eu tivesse saído antes, se tivesse atacado na hora certa, eu teria decapitado aquele desgraçado antes que ele tocasse em mim.”


As palavras de Samir cortaram o silêncio da sala como facas. Amin, por sua vez, ficou calado. Não porque concordasse, mas porque sabia que discutir era inútil. 


Naquele instante, ele podia sentir, através do vínculo, que Samir havia se tornado algo novo, mais perigoso, mais irracional. O irmão sádico e manipulador agora carregava uma sede de vingança que beirava a loucura.


Rachid, por outro lado, continuava imóvel. Apenas com o peito subindo e descendo lentamente, inconsciente e alheio à discussão.


Zao Tian fechou os punhos enquanto assistia. A constatação era brutal. Momoa tinha vencido. Tinha esmagado a arrogância da Trindade em um único ato de poder absoluto. Mas ele não os matou. E isso bastou para que eles se reorganizassem. 


Eles sobreviveram. E naquele momento, nascia o verdadeiro perigo: a obsessão.


Depois de um tempo de silêncio, Samir respirou fundo e se levantou com dificuldade. Suas pernas vacilaram, mas ele se manteve de pé. Cada movimento  dele fazia as cicatrizes em seu corpo latejarem de forma grotesca, como feridas recém-abertas.


“Eu vou me levantar. Vou me curar. Vou encontrá-lo.” O sussurro de Samir tornou-se uma promessa sombria que ficava enraizada em seu subconsciente: “E quando o fizer… farei ele sofrer dez vezes mais do que me fez sofrer.”


Amin, entretanto, fechou os olhos, exausto, sabendo que não podia impedir. Ele sabia que nada do que dissesse mudaria o rumo daquela fúria crescente. Mas também sabia que Samir não conseguiria fazer aquilo sozinho e que em algum momento eles teriam que ficar cara a cara com Momoa, de novo.


“Você está vivo… por pouco.” Amin então falou baixinho, como se quisesse trazer o irmão para o mundo real, e continuou: “Se quiser ter a mínima chance de se vingar dele, vai precisar de mim. E de Rachid.”


Samir se virou lentamente, encarando-o. Por alguns segundos, Zao Tian quase achou que ele iria atacá-lo. Mas, em vez disso, Samir soltou um leve rosnado e desviou o olhar.


Samir desviou o olhar, mas não respondeu. As palavras de Amin se arrastaram no ar, pairando como uma neblina incômoda sobre ambos. A única coisa que quebrou o silêncio foi o leve estalar das articulações de Samir quando ele cerrou novamente os punhos deformados e latejantes.


“Samir...” A voz de Amin soou novamente, desta vez mais fraca, porém firme: “Você é o único de nós que ainda consegue ficar de pé.”


Samir permaneceu parado, imóvel, com a respiração pesada como se lutasse internamente entre atender o pedido ou simplesmente ignorar tudo e se entregar de vez à insanidade que o consumia. O irmão mais impiedoso da Trindade tremia, mas não de fraqueza física; era o ódio que o fazia vibrar, como uma fera encurralada que ainda não decidiu se deve atacar ou fugir.


Amin então tossiu sangue. Seus lábios ficaram manchados de vermelho escuro, e ele se dobrou levemente, sentindo as costelas protestarem violentamente com o esforço mínimo. Ainda assim, ele não recuou. Sua mente, tão fria e lógica em situações normais, estava em ruínas, mas ainda lutava para manter o mínimo de controle da situação.


“Ajude-nos, Samir.” Ele insistiu, tentando forçar cada palavra para fora com o pouco ar que seus pulmões conseguiam reter: “Você sabe tão bem quanto eu… nós não podemos sair do Domínio agora.”


Samir finalmente virou a cabeça lentamente, os olhos sombrios e intensos fitaram Amin com desprezo, mas também com um fundo de compreensão cruel. Ele sabia que, mesmo que sua vontade fosse se atirar para fora daquela prisão dimensional e encontrar Momoa, seria um suicídio. Ele não sobreviveria nem por um segundo do lado de fora.


Amin inspirou dolorosamente antes de continuar: “Não temos forças. Rachid ainda está à beira da morte, e eu… você mesmo vê o estado em que estou. Você está sentindo como eu estou.” Ele pressionou a mão sobre o corte profundo em seu torso e estremeceu: “Se sairmos agora, se dermos um único passo lá fora, Momoa pode ter rastreado o ponto de salto que usamos. Ele pode estar lá, esperando.”


“Você pode querer se vingar, mas isso não acontecerá hoje!” As palavras calaram fundo em Samir. Por mais que quisesse negar, a verdade era inegável. A única razão pela qual ainda estavam vivos era porque haviam se escondido antes que Momoa pudesse localizá-los de forma definitiva. Sair da dimensão naquele estado seria como pintar um alvo em suas costas.


Samir franziu o cenho, com a mandíbula trincada de fúria. Seus dedos tocaram de leve uma das cicatrizes pulsantes em seu peito, um lembrete doloroso do quanto estavam expostos, frágeis e humilhados.


“Quanto tempo?” Ele rosnou, finalmente quebrando o silêncio.


Amin fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás, respirando com dificuldade enquanto respondia: “Não sei... horas? Dias? Sem nossas forças recuperadas plenamente, não posso calcular o quanto Momoa conseguirá manter um possível rastreio ativo.”


Um silêncio tenso se instalou. Zao Tian, ainda como espectador daquela memória, observava tudo com uma atenção sombria. Ele não precisava dizer nada, pois sabia que Amin estava certo. A arrogância cega deles os havia colocado na situação mais vulnerável de suas existências.


Samir então caminhou até Rachid, que continuava desacordado, respirando de forma irregular. O olhar de Samir suavizou por um breve instante ao ver o irmão naquele estado deplorável, algo que nunca imaginou ser possível. Mas logo a fúria voltou, mascarada por um pragmatismo brutal.


Ele se agachou lentamente ao lado do corpo de Rachid, verificando com frieza os ferimentos, e depois levantou o olhar para Amin.


“Se vamos esperar, então vamos nos fortalecer.” Samir falou: “Rachid precisa se estabilizar. E você... precisa parar de sangrar antes que morra de forma patética.”


Amin esboçou um sorriso irônico, apesar da dor lancinante, e respondeu com sarcasmo: “Você sempre foi o mais gentil de nós, irmão.”


Samir não respondeu. Em vez disso, ele se sentou ao lado de Rachid e fez um corte em seu braço. Depois, ele usou o sangue que pingava dele para alimentar seu irmão inconsciente, reaproveitando parte das medicinas e recursos que Amin usou para salvá-lo e ainda estava em sua corrente sanguínea.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
bottom of page