Capítulo 0990 - Um Aliado Perigoso
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Agora, no palácio imperial…
O silêncio após o gesto de apresentação Orfeu era absoluto. O exato tipo de silêncio que não brotava da paz, mas da surpresa pura, e, para alguns, da confusão.
Yang Yin e Yang Fen ainda estavam ajoelhados, com os olhos arregalados, completamente sem entender o que havia acontecido. Naquele momento, seus corpos tremiam não de exaustão, mas de incredulidade. Eles, que estavam prestes a sacrificar a própria existência para levar a Dinastia Yang junto consigo, haviam sido desarmados com um único movimento de mão de um homem que eles nunca viram nas suas vidas.
Aos poucos, mas sucessivamente, os olhares no jardim se voltaram para o homem magro, de cabelos grisalhos e olhos de aço, que permanecia parado, com a postura neutra de quem havia apenas cumprido sua função.
Orfeu. Um nome que ninguém ali conhecia, mas que demonstrou um altíssimo nível de poder.
Yang Hao, sendo o imperador e responsável por tudo o que acontecia naquele palácio, foi o primeiro a se virar completamente para ele. Sua expressão era fria, carregando centelha de gratidão, mas ao mesmo tempo uma forte insatisfação. Ele não parecia estar apenas aliviado. Não parecia tão satisfeito quanto parecia traído.
Imediatamente após o olhar do imperador, Yang Chao deu dois passos à frente, mantendo os olhos firmes sobre Orfeu.
“Quem é você?” Sua voz soou mais como um aviso do que como uma pergunta.
Orfeu, sem qualquer traço de tensão ou orgulho, deu um leve passo à frente e fez uma reverência respeitosa. E quando respondeu, sua voz era polida, firme, e controlada: “Meu nome é Orfeu, senhor. Fui designado pelo Reino da Escuridão para observar e, se necessário, conter os senhores Yang Yin e Yang Fen.”
As palavras de Orfeu foram recebidas pelos Guardiões Imperiais como se tivessem sido cuspidas dentro de um templo sagrado. Cruz, Shara’Kala, e até mesmo os guardas que ainda se recuperavam do susto deram um passo atrás, não por medo, mas por saberem que o clima acabara de mudar drasticamente.
Yang Feng franziu o cenho em raiva. Yang Gengi ficou imóvel, mas o músculo de sua mandíbula se contraiu. Yang Chao, embora não reagisse de forma explosiva, fixou um olhar gélido em Orfeu, como quem espreitava um traidor prestes a ser punido.
No meio daquela tensão pesada, Yang Hao ergueu a mão direita e todos se calaram.
“Você disse que foi enviado...” Ele então disse, dando ênfase à palavra ‘enviado’, e logo em seguida perguntou: “Quem no Reino da Escuridão te enviou?”
Orfeu, por sua vez, assentiu, mantendo o olhar abaixado, demonstrando a todo momento que não estava ali para causar qualquer tipo de hostilidade: “Sim, Majestade. Minha presença aqui foi uma medida de segurança, estipulada diretamente por Daren, como uma medida preventiva. Meu papel era garantir que, em caso de comportamento anormal, os Guardiões Yin e Fen fossem neutralizados antes que causassem qualquer dano.”
O imperador ficou em silêncio por longos segundos, e logo em seguida olhou para Yang Feng e Yang Gengi, que aparentemente não faziam ideia do que estava acontecendo.
“Vocês sabiam disso?” Yang Hao perguntou aos dois.
“Não, meu imperador!” Yang Feng, com uma clara vergonha em seu semblante, respondeu, antes de completar: “Peço perdão pela minha falha! Eu não fui capaz de impedir ou perceber que tinha alguém infiltrado no palácio!”
Yang Hao podia sentir a vergonha de Yang Feng. Aquele homem era o mais dedicado dos seus generais, o líder dos Guardiões Imperiais, e diante de uma falha tão séria, dava para ver que ele queria se matar naquele momento.
“Não se culpe tanto.” De uma forma surpreendente, Yang Hao acalmou Yang Feng com palavras consoladoras, antes de explicar: “Nenhum de nós estava prevendo que seria necessário tomar medidas de segurança em relação aos nossos próprios aliados.”
Yang Feng acenou ao escutar as palavras do imperador, mas sua expressão ainda era dura consigo mesmo, como se ele merecesse ser punido pelo seu erro, apesar do perdão de Yang Hao.
“E quem autorizou essa medida?” Depois de dizer aquilo para Yang Feng, Yang Hao se virou novamente para Orfeu e perguntou.
Orfeu respondeu sem hesitação: “O próprio Daren.”
A resposta dele não acalmou ninguém. Por mais que Daren fosse um homem extremamente respeitado, ele tinha se apresentado há pouco para o mundo, e infiltrar um agente entre os seus próprios aliados não era bem uma mensagem positiva.
Por mais que a intenção seja boa, por mais que Orfeu tenha salvado muitas vidas, isso ainda era uma grande quebra de confiança.
“E mais alguém sabia disso?” Depois do imperador fazer a pergunta, Yang Feng questionou.
Orfeu olhou para ele por um instante e respondeu com uma honestidade inegável: “Até onde fui instruído, não. Nem os outros membros do Esquadrão da Noite sabiam. Fui orientado a agir com absoluto sigilo. E só agir em caso de necessidade.”
“Sigilo...” Yang Gengi repetiu.
“Sim, senhor!” Orfeu respondeu, antes de explicar: “Daren temia que, se os senhores soubessem da minha presença, isso poderia alertar os dois, de alguma forma, e mantê-los inativos por tempo indeterminado.”
“Me infiltrar entre suas forças foi uma medida extrema, que só foi tomada por causa da necessidade extraordinária da situação.” Orfeu encerrou, dando uma breve explicação dos motivos de Daren.
O silêncio que se seguiu à explicação de Orfeu foi pesado, mas não mais desconfiado. A presença daquele homem ainda era desconfortável, e o que havia feito não podia ser simplesmente ignorado, mas a maioria dos presentes já compreendia o óbvio: se não fosse por ele, muitos ali provavelmente estariam mortos, ou reduzidos a fragmentos junto com metade da Dinastia Yang.
Yang Hao, ainda com os olhos fixos em Orfeu, de repente suspirou com calma. Era o tipo de respiração que um imperador só permitia quando se encontrava entre aqueles em quem confiava. Ele olhou para Yang Chao, para Yang Gengi, para Yang Feng… e então voltou seu foco ao homem que permanecia de pé à sua frente, com uma postura humilde, mas inabalável.
“Você não é o culpado disso.” Disse Yang Hao, com a voz firme e compreensiva em relação a Orfeu: “Não foi você quem decidiu infiltrar-se aqui por conta própria. Só cumpriu uma missão.”
Orfeu assentiu respeitosamente.
“E por mais desconfortável que seja… você salvou muitos dos meus.” A voz do imperador não tremia enquanto ele falava, mas seu olhar ainda era duro: “Por isso, agradeço sua intervenção. Sem ela, essa reunião teria terminado em uma tragédia.”
Com aquelas palavras, o clima no jardim mudou mais uma vez. Ainda havia tensão no ar, ainda havia olhos suspeitos e corações apertados, mas todos ali sabiam que, a gratidão, embora difícil para o momento em questão, era necessária. E o respeito por Orfeu, mesmo que silencioso, começava a se formar, ainda que manchado pela natureza de sua missão.
“Mas eu vou falar com o Daren.” Yang Hao então falou, com uma calma que beirava a rigidez do aço: “Se havia qualquer dúvida sobre os dois, ele devia ter vindo até os regentes que deixei no comando da Dinastia. Eles poderiam ter resolvido isso de outro jeito. Este tipo de ação... sem consentimento... não deve se repetir.”
Yang Feng abaixou a cabeça levemente, como se absorvesse e compartilhasse a raiva contida nas palavras de seu imperador.
“Majestade…” Yang Gengi disse em tom grave: “Com todo respeito, o Reino da Escuridão é um aliado poderoso, mas confiar demais na autonomia deles pode nos colocar de joelhos antes mesmo que percebamos.”
“Eu sei.” Yang Hao respondeu, seco: “E por isso mesmo pretendo ouvir da boca de Daren o motivo de manter isso em segredo até mesmo dos regentes interinos.”
“Mas antes disso…” Ele voltou-se novamente para Orfeu, e questionou: “Quero entender o que exatamente você fez. Aquilo que impediu a explosão. Não foi apenas contenção comum. Aquilo inutilizou os dois por completo.”
Orfeu então ergueu uma das mãos lentamente e, com toda a calma do mundo, retirou um pequeno frasco de seu manto. Dentro dele havia um pó escuro, opaco e sem brilho. Um material que parecia absolutamente comum para olhos desavisados, mas que carregava uma densidade espiritual distinta e quase imperceptível.
“Este é o Núcleo Cinzento.” Orfeu falou, antes de explicar: “Um composto que eu mesmo desenvolvi, baseado na manipulação simultânea dos elementos vida e escuridão. Uma substância que pode se prender às Veias Espirituais de quem o ingere, fixando-se em pontos vitais de circulação e transmissão de energia.”
Depois de dizer aquilo, Orfeu fez uma pausa, como se desse tempo para que todos digerissem as palavras. Nenhum dos Guardiões o interrompeu.
“Quando eu me infiltrei, eu coloquei isso na comida dos dois por alguns dias, para que eles não percebessem a presença do agente estranho em seus corpos. Por si só, o Núcleo Cinzento é inerte. Ele não faz absolutamente nada... até que eu ative. E quando ativo, ele se torna uma ponte para minha própria energia espiritual.”
“Usando minha afinidade com a escuridão, eu consigo desviar o fluxo de energia que sairia das Veias Espirituais do alvo... para pontos distintos do espaço. É como redirecionar um rio inteiro para mil canais diferentes. A força continua fluindo... mas sem foco. Sem destino.”
Ao escutar a explicação de uma técnica brilhante, Yang Chao estreitou os olhos, mas não conseguiu evitar que seu tom fosse levemente admirado enquanto falava: “Você os tornou inofensivos.”
“Temporariamente, sim.” Orfeu confirmou, abaixando levemente o frasco: “O efeito pode durar minutos, horas ou dias, dependendo da resistência do cultivador e do quanto ele se esforçar para romper esse bloqueio. Mas para ativá-lo, eu preciso estar por perto. Preciso estar dentro do raio de sincronia energética.”
Yang Feng, diferente de Yang Chao, cruzou os braços, absorvendo cada detalhe, mas demonstrando uma forte preocupação com a vulnerabilidade deles: “Você colocou isso na comida deles... quando?”
“Logo após minha chegada.” Orfeu respondeu: “Fui designado como um dos auxiliares médicos, e inseri pequenas quantidades do Núcleo Cinzento nas infusões e pratos que estavam sendo servidos a eles. Por ser um composto sutil, de base medicinal, os corpos deles não detectaram nenhuma alteração. Ele se integrou naturalmente.”
“E se eles não tivessem explodido?” Perguntou Yang Gengi.
“Eu usei este recurso porque eu sabia de sua eficácia.” Orfeu disse com sinceridade: “Eu sou um curador, senhores. Não sou um carcereiro. Eu observei. Cuidei. E me preparei. Mas jamais teria interferido se não houvesse necessidade.”
Yang Hao o observou em silêncio por longos segundos. A sinceridade de Orfeu era absoluta, não por ingenuidade, mas por caráter.
“Você ainda tem a substância ativa no corpo deles?” Yang Hao perguntou, sem alterar o tom.
“Sim, Majestade.” Orfeu confirmou. “Por mais um ou dois dias. Depois disso, ou precisarei readministrar, ou o efeito se desfaz naturalmente.”
O imperador assentiu, antes de pedir: “Por ora, mantenha-se por perto. Mas não se esconda mais. Mantenha-os sob controle até que possamos entender o que aconteceu com eles.”
Orfeu se curvou profundamente, sem contestar.
