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Capítulo 0991 - O Centro do Mundo

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Ainda no Palácio Imperial…


Enquanto o clima no jardim se acalmava, ou pelo menos recuava do abismo de tensão onde esteve por longos minutos, Cruz se afastava em silêncio do grupo principal, tocando a mão de Shara’Kala e levando-a consigo. 


Com as mãos nos bolsos e uma expressão de quem havia acabado de assistir a um teatro trágico com final inesperado, Cruz se dirigiu até uma das laterais do jardim. Shara'Kala o seguiu com passos pesados e confusa, sem entender ao certo se ele estava indo para patrulhar, investigar, namorar ou apenas procurar onde xingar alguém sem ser interrompido.


Eles logo pararam próximo a uma árvore de tronco torto e folhas largas, o tipo de árvore que não parecia muito feliz por estar ali. Cruz logo encostou-se ao tronco com um suspiro profundo, enquanto Shara'Kala apenas cruzava os braços e observava o jardim à distância.


“Você viu isso?” Cruz perguntou, balançando a cabeça lentamente em desapontamento.


“Vi.” Shara'Kala respondeu, sem tirar os olhos de Yang Yin e Yang Fen, ainda ajoelhados, à distância, com Orfeu parado próximo como uma sombra disciplinada.


“Viu mesmo?” Cruz insistiu: “Porque eu vi uma bomba ambulante prestes a transformar a Dinastia num buraco e um sujeito misterioso tirando um pozinho do bolso e dizendo ‘resolvido’. Isso pra mim foi novo até dentro dos meus padrões.”


“Foi eficiente.” Shara’Kala murmurou de forma prática.


“É. Mas também foi Zao Tian.” Cruz respondeu, sem a menor cerimônia.


Shara’Kala rapidamente desviou o olhar e o encarou com uma sobrancelha arqueada enquanto questionava de forma confusa: “O quê?”


Cruz se afastou da árvore, erguendo as mãos e gesticulando como se estivesse prestes a começar uma apresentação teatral.


“Zao Tian.” Ele repetiu, controlando a voz para que não fosse ouvido pelos outros: “Você não o conhece direito ainda, né?”


“Conheço o suficiente.” Ela respondeu, com um certo ceticismo no tom.


“Não, não, não...” Cruz apontou para ela com o dedo, como se aquilo fosse uma ofensa pessoal: “Você viu ele lutar, ouviu os discursos dele, talvez tenha até achado aquele jeitinho dele ‘charmoso’. Mas você não conhece Zao Tian.”


Shara’Kala, vendo Cruz sair de si, bufou, de perguntar: “E você conhece?”


“Conheço o suficiente pra ter desenvolvido... uma espécie alergia.” Cruz fez uma careta, encostando novamente no tronco da árvore, e completando: “Onde ele pisa, meu faro já coça.”


“Você acha que foi ele quem mandou Orfeu?” Shara'Kala perguntou, com uma visível descrença em seu tom e expressão.


“Eu sei que foi ele.” Cruz respondeu, como se tivesse acabado de resolver um crime: “Daren é cuidadoso. Daren é metódico. Daren não manda um homem para dentro da Dinastia Yang sem alinhar com ninguém. A menos... que o próprio 'Herdeiro da Luz' tenha pedido com aquela voz mansa de quem sempre tem uma citação trágica na ponta da língua.”


Como se Cruz estivesse criando uma grande teoria da conspiração, Shara’Kala estreitou os olhos, olhou ao redor e respondeu: “Cruz… Zao Tian nem está aqui.”


“Claro que não está.” Cruz abriu os braços e respondeu, antes de continuar: “Ele nunca está quando a bomba estoura. Ele só acende o pavio e sai correndo!”


“Mas, quando você seguir os rastros da fumaça, adivinha quem estará lá no centro do incêndio? Sempre ele. Zao ‘Problema’ Tian. O homem que consegue transformar qualquer reunião pacífica em um capítulo de destruição, trocas de insultos e o começo de uma guerra.”


“Você está exagerando.” Shara’Kala comentou, com um tom quase divertido.


“Estou é sendo gentil nas minhas palavras.” Cruz rebateu com um sorriso torto: “Eu juro por tudo o que restou da sanidade do mundo: se você pegar cada evento ruim que aconteceu desde que ele saiu daquela província e seguiu pro mundo… você vai encontrar as digitais dele. Direta ou indiretamente. Às vezes ele é o causador. Às vezes ele é a solução. Mas sempre, sempre, ele está envolvido.”


Vendo Cruz colocar Zao Tian no centro de todos os problemas do mundo, Shara’Kala soltou uma risada e cruzou os braços, olhando para o céu enquanto falava de forma sarcástica: “Então o mundo gira em torno dele?”


“Exato!” Cruz apontou como se tivesse vencido a discussão: “Zao Tian é um buraco negro de eventos catastróficos. O universo sorri pra ele e diz: ‘Hoje vai dar ruim’.”


Assim que escutou aquilo, Shara’Kala arqueou a sobrancelha e começou a rir, enquanto dizia: “E mesmo assim... ele está vivo.”


“Porque até o destino tem medo de mexer com ele.” Cruz respondeu de imediato, como se já tivesse usado aquela frase antes: “Acredite em mim… Se existe algum jeito de matar a própria morte, Zao Tian vai fazer isso!”


Depois daquelas palavras, houve um silêncio entre os dois, que durou apenas alguns segundos. Logo em seguida, Shara’Kala respirou fundo, balançando a cabeça com um leve sorriso e respondeu de forma quase crítica: “Você fala isso com tanto rancor que parece pessoal.”


Cruz olhou de volta para o centro do jardim, onde Orfeu permanecia como uma estátua e Yang Yin e Yang Fen ainda estavam sendo monitorados, e respondeu: “Não é rancor. É instinto de sobrevivência.”


“Você agora está conosco, e se você quer sobreviver a ele, é melhor começar a desenvolver isso, também.” Cruz avisou. Ele estava falando sério.


Ela o encarou por um instante, curiosa, mas ele não explicou mais nada. E então, antes que ela perguntasse algo, Cruz murmurou como se conversasse com os próprios pensamentos: “Ele não consegue ficar um dia sequer sem começar uma crise…”


Cruz já tinha se perdido naquela loucura, mas Shara’Kala surpreendentemente riu, como se vê-lo pensar e conspirar sozinho fosse agradável e fofo.


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Em outro ponto do mundo…


Longe do jardim imperial, longe das árvores de folhas tensas e dos olhares inquisitivos sobre Orfeu, três figuras caminhavam por uma trilha montanhosa que cortava as nuvens como se rasgasse o próprio céu.


Zao Tian liderava o grupo, com passos calmos, mas reflexivos. Ragnar vinha logo atrás, e Kyon acompanhava os dois com a tranquilidade estranha de quem já viu o mundo explodir uma ou duas vezes só naquele dia.


Tudo estava em silêncio entre eles, até o momento em que Zao Tian levou a mão até a orelha e coçou com uma expressão incomodada.


“Alguém tá falando de mim.” Ele murmurou, franzindo o cenho e nada satisfeito.


Ragnar o olhou com aquele ar característico de quem não sabe se o outro está brincando ou se deveria começar a procurar abrigo.


“Você está com dor de dente?” Ragnar perguntou, completamente sério.


“É a orelha, idiota.” Zao Tian rebateu, limpando os dedos na túnica: “E não é dor. É… sensação. Intuição. Chamem como quiserem. Mas alguém, em algum lugar, tá falando de mim. E muito mal.”


Kyon arqueou uma sobrancelha, desacelerando o passo e observando o amigo como se estivesse diante de uma espécie de oráculo desregulado.


“Tian, você é famoso.” Kyon comentou, como quem explica o óbvio: “Tem gente te xingando em todos os continentes. Em vários idiomas. Eu mesmo te xinguei em pensamento três vezes só hoje.”


Zao Tian deu uma leve risada, mas balançou a cabeça em reprovação.


“Não é disso que eu tô falando. Isso aqui…” Ele apontou para a própria orelha, como se fosse algum radar místico: “É mais específico. É pessoal. Deve ser o Cruz.”


“Cruz?” Ragnar questionou, como se estivesse diante de mais um paranóico.


Zao Tian respondeu com convicção: “Isso mesmo! Cruz. A definição ambulante de ‘eu te avisei’. Se tem alguém que me culpa por tudo, até por gripe em pombo, é ele.”


Kyon riu de forma espontânea, antes de comentar: “É bom saber que você tem fãs fiéis.”


“Ele é o presidente do meu fã clube.” Zao Tian disse com uma expressão séria e contrariada: “Só que o clube se chama Zao Tian: A Peste do Mundo.”


Ragnar então parou por um momento, fitando Zao Tian com os braços cruzados, e questionou de forma irônica: “E você está preocupado com isso por quê?”


Zao Tian ficou em silêncio por um instante, olhando o horizonte nebuloso que se abria à frente deles e as nuvens se dissipavam levemente à medida que avançavam pela trilha.


“Porque ele está certo.” Zao Tian disse, sem mudar o tom: “Não importa se eu quero ou não… onde eu vou, as coisas mudam. E nem sempre pra melhor.”


Kyon e Ragnar trocaram um olhar rápido, mas não disseram nada. Eles sabiam o  peso que Zao Tian carregava nas costas. Sabiam que aquele tom cômico era só um disfarce momentâneo para o fardo que ele arrastava todos os dias, não importava para onde fosse.


Depois de alguns segundos, Zao Tian inspirou fundo e parou de andar. Ele olhou para cima por alguns instantes, depois voltou os olhos para os companheiros e disse: “Chegou a hora.”


“Hora do quê?” Ragnar perguntou, mas já imaginava a resposta.


“Hora de visitar a Dinastia Yang.” Zao Tian respondeu com um sorriso de canto que não chegava aos olhos: “Hora de olhar nos olhos dele.”


Kyon ficou em silêncio, mas Ragnar franziu o cenho.


“Você fala do… imperador?” Ragnar questionou.


“Não.” Zao Tian respondeu na hora: “Eu falo de Yang Hao. Eu não o chamo de imperador. Ele nunca foi nada disso pra mim.”


O tom ali mudou drasticamente. A leveza se esfarelou sutilmente. Ainda havia controle em sua voz, mas agora, ela vinha embebida por uma raiva profunda e um orgulho frio.


Zao Tian ajeitou a túnica e continuou: “Enquanto ele comandava um império com mil banquetes e títulos pomposos por dia, eu crescia como escravo embaixo do nariz dele. Minha mãe cozinhava o que os outros jogavam no lixo. Meu pai e meu irmão sangravam pelo metal que os ricos usavam. Eu fui esquecido bem debaixo do nariz dele, no mesmo solo que ele chamava de ‘berço da glória’.”


Kyon inevitavelmente baixou o olhar, respeitando o que Zao Tian dizia. Ragnar permaneceu em silêncio.


“Não espero um pedido de desculpas.” Zao Tian disse: “Mas ele vai me ver. Vai olhar nos olhos de um escravo e ver que eu não me rebaixo diante dele. Agora, as coisas mudaram. Sou eu quem diz o que ele deve fazer, e não o contrário!”


Assim que Zao TIan terminou de dizer aquilo, houve um momento de pausa, como se o ar tivesse ficado pesado só com aquelas palavras.


“Pelo que Ming Xiao e os outros disseram, ele tem pontos bastante plausíveis para tudo que fez…. Não acha que talvez ele possa te fazer mudar de ideia?” Ragnar perguntou.


Zao Tian riu de canto, como se desacreditasse completamente no que ouviu, e respondeu: “Ele perdeu qualquer direito de se justificar no momento em que perdeu o controle de seu próprio território. E mesmo quando eu saí daquela vida, ele tentou me matar, duas vezes! Isso não tem como ser justificado!”


O vento soprou mais forte naquele momento, como se carregasse as intenções que pairavam no ar.


Zao Tian então se virou, e com um gesto da mão, apontou para o céu e finalizou: “Está na hora de encarar o passado e mostrar que eu cresci! Dessa vez, sou eu quem dá as cartas!”


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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