Capítulo 0994 - Você Colhe o Que Planta
[Capítulo patrocinado por Rodrigo Lucke. Muito obrigado pela contribuição.
ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5
ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.
Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!
Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.
Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz
Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/
Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!
Ps: Link do Telegram atualizado!
Tenham uma boa leitura!]
-----------------------
Após a última fala de Zao Tian, o silêncio entre os dois homens não era meramente ausência de som. Era uma pausa carregada de décadas, séculos. O espaço entre eles, ainda que pequeno, continha infinitas memórias não ditas, decisões que mataram e deixaram morrer, e um passado tão profundo que o próprio chão do salão parecia ter afundado um pouco mais.
Yang Hao ainda observava Zao Tian, não como um inimigo, mas como algo que jamais teve sob seu controle: uma força crua, irreverente, irrestrita. Aquele homem, sem títulos, sem reverência, ousava encarar o trono como se fosse apenas mais uma cadeira. E isso era o que mais incomodava o imperador.
“Você fala dessas coisas como se estivesse acostumado a dar ordens. Como se governasse há mais tempo do que eu.” Yang Hao disse, por fim, com um tom quase pensativo. Não havia ironia. Apenas constatação.
Zao Tian ergueu uma sobrancelha, mas não sorriu. Apenas respondeu, seco: “Não estou acostumado e nem sou mais experiente. Eu apenas estou cansado. Cansado de falar o óbvio para pessoas que não querem enxergar o que está bem debaixo dos narizes delas.”
Yang Hao franziu o cenho ao escutar aquilo e a forma com que foi falado.
Zao Tian não parou. Ele ainda tinha muito a dizer: “Estou cansado de ver reinos se arrastando por tradição. De ver homens morrendo por orgulho de dinastias e reinos. De ver imperadores, generais, patriarcas… ainda tentando segurar o mundo com mãos que já não têm mais força e nem o merecem.”
Enquanto dizia aquilo, ele se aproximou mais um passo. Agora, a distância entre eles era mínima. A luz dos vitrais projetava sobre seus rostos um contraste violento: Zao Tian parcialmente à sombra, Yang Hao à luz. Invertendo simbolismos. Testando os agentes que tecem o destino, se ainda houvesse algum assistindo.
“Alguém precisa falar isso, porque você acha mesmo que seus súditos vão te dizer a verdade?” Zao Tian continuou, direto: “Acha que algum deles vai te dizer que você falhou? Que a Dinastia estava preocupada com seu orgulho e imagem enquanto o Olho se multiplicava como uma praga? Que seus guardiões não estavam guardando nada nem quando você estava aqui?”
Yang Hao manteve o olhar firme, escutou, mas não rebateu.
“Não. Porque todos eles te veem como uma rocha.” Zao Tian disse: “Impenetrável. Inflexível. Inquestionável.”
Ele então abaixou um pouco a cabeça, não em reverência, mas em reprovação: “Eles têm medo de você, mas até as rochas, quando caem de grandes alturas, racham.”
Quando Zao Tian terminou, Yang Hao respirou fundo, como se absorvesse cada palavra com dificuldade, como quem mastiga algo amargo demais para engolir de uma vez.
“Você fala como alguém que espera que eu me curve.” Ele disse, com a voz densa.
“Não.” Zao Tian respondeu, sem nenhum fingimento, e completou: “Eu falo como alguém que espera que você abra os olhos. Você não age mais Você não representa mais apenas a sua Dinastia. Não mais. Se você tentar sustentar o peso de tudo isso com esse trono... vai desabar. E o que vai cair sobre nós... não vai ser só a sua glória, Yang Hao. Vai ser todo o mundo que ainda tenta resistir ao Olho.”
O imperador desviou o olhar por um instante, e isso, por si só, foi significativo. Yang Hao raramente desviava o olhar. Pouquíssimas pessoas no mundo eram capazes de fazê-lo refletir daquela forma.
“E se eu disser que ainda não confio em você?” Ele disse, encarando novamente Zao Tian e devolvendo a sinceridade com sinceridade: “Se eu disser que, na minha visão, essa sua postura de salvador, de escolhido, não passa de um conto de fadas?”
Zao Tian recebeu aquelas palavras como um chute no peito, mas ele não hesitou enquanto respondia: “A forma como você enxerga o mundo não muda como ele realmente é!”
“Você pode ter sua opinião, sua visão, você pode fazer o que quiser, mas saiba de uma coisa: confiar ou não em mim não muda o fato de que, até agora, eu fiz mais pela proteção do seu povo do que metade daqueles que carregam seu brasão no peito.” Zao Tian finalizou, jogando uma dura verdade na cara de Yang Hao.
Foi exatamente quando Zao Tian terminou de falar que o silêncio entre eles voltou. Mas não o silêncio da raiva. Era um silêncio diferente. O tipo que nasce quando uma verdade inconveniente é aceita, mesmo que ainda doa.
Yang Hao respirou fundo, com o peso das palavras de Zao Tian ainda reverberando pelo salão, mas não deixando-o sem resposta. Seu olhar, ainda calculista, não esmoreceu. Ele sabia o que Zao Tian queria dizer, sabia da verdade que estava sendo jogada em sua cara, mas também sabia que não podia ceder sem contestar. Não sem lutar por sua posição, por sua própria verdade. Porque, no fundo, ele sabia que uma vez que Zao Tian o vencesse nesse campo, ele perderia mais do que uma simples discussão, perderia sua própria imagem como líder, e junto com isso, a convicção de que sempre fez o seu melhor.
“Você tem razão em parte…” Começou Yang Hao, com a voz carregada de uma seriedade pesada, mas ainda com um fio de frieza: “Você pode ter feito mais pela proteção do meu povo do que muitos, mas nunca perguntou a mim como eu vejo as coisas. Não perguntou o que está em jogo aqui.” Ele deu um passo à frente, virando-se ligeiramente para encarar Zao Tian de uma forma que indicava uma calma precedendo um grande esclarecimento: “E sabe o que mais? Eu não confio em você, Zao Tian, porque você age sem pensar nos detalhes. Sem entender o que está em jogo, além do que está bem à sua frente.”
Zao Tian o observava com olhos implacáveis. E não se deixou abalar.
“Eu agi sem pensar, é isso? Eu não vi a Dinastia Yang em frangalhos, enquanto você se afastava de tudo, segura-se ao seu trono e escondia os problemas debaixo do tapete?” Zao Tian respondeu, com uma rispidez crescente: “Você está se enganando, Yang Hao. E quem está se enganando não vê o que está bem diante dos olhos.” Ele fez uma pausa, como se escolhesse as palavras cuidadosamente, antes de continuar com mais firmeza: “Eu trouxe uma verdade incômoda pra você, não uma ameaça. Porque se eu tivesse deixado as coisas seguir como estavam, você nem sequer saberia que estava sendo enganado.”
Yang Hao, mesmo mantendo a postura séria, sentiu a dúvida se infiltrar, como uma rachadura em um muro forte, mas ele não podia perder o controle. Ele precisava se firmar, reafirmar sua posição.
“Eu sei o que você está tentando fazer. Você está tentando me mostrar que a Dinastia Yang está falida, que todos estão cegos para a destruição que vem. E você não está errado em tudo que diz.” Ele fez uma pausa, dando ênfase à última frase: “Mas a forma como você age… você não respeita nada, Zao Tian. Não respeita a confiança dos outros, nem mesmo o que é devido à honra.” Ele balançou a cabeça, com uma mistura de frustração e raiva controlada: “Se você tivesse vindo até mim, quando foi chamado, se tivesse mostrado ao menos um pouco de respeito, as coisas poderiam ter sido diferentes. Você escolheu agir por conta própria, e agora, colhe os frutos do que plantou. Você, por sua própria natureza, se tornou uma ameaça.”
Zao Tian levantou uma sobrancelha, cético e irritado, enquanto respondia na lata: “Eu sou a ameaça? Não posso acreditar no que estou ouvindo. Você não entende que é justamente a sua falta de ação que é a ameaça? Que as suas próprias escolhas de não agir com o devido respeito pela sua Dinastia é o que está nos colocando em risco?” Ele se aproximou um pouco mais de Yang Hao, com seus olhos fixos nos dele, com uma intensidade que não deixava margem para ambiguidade: “Eu não me importo com o que você acha que é ‘respeito’, Yang Hao. Eu não estou aqui para aplaudir o que você fez ou deixou de fazer. Estou aqui para corrigir o que você ignorou. E se você não entender isso, aí sim, você estará correndo o risco de perder tudo.”
Yang Hao ficou em silêncio, absorvendo as palavras, mas não se permitiu ceder. Ele respirou fundo e, com um tom que ainda carregava o peso de um imperador, disse: “O que você não percebe, Zao Tian, é que agir como você agiu… não só coloca em risco o que restou da nossa aliança, mas também demonstra que você está além de qualquer limite. Você não faz mais parte de um mundo em que as dinastias se sustentam por respeito e ordem. Agora, você é um homem solitário, agindo de forma completamente imprevisível. E isso, por mais que você queira se convencer do contrário, é um risco que a Dinastia Yang não pode correr. Que ninguém pode correr.”
Zao Tian parou, e pela primeira vez, algo na postura de Yang Hao fez com que ele refletisse. Ele não responderia agora. Não como queria. Afinal, mais do que qualquer palavra trocada entre eles, o que estava sendo dito ali não era apenas sobre uma disputa de egos, mas sobre as raízes mais profundas de tudo o que ambos representavam.
“Você está certo, Yang Hao…” Zao Tian falou, finalmente quebrando o silêncio, mas com um tom mais grave, sem o veneno da provocação anterior, apenas seriedade: “Eu não respeito mais as regras que você criou. Nem as que você tentou proteger. E, por mais que você tente se firmar como um imperador, para mim, o que você perdeu há muito tempo… é o direito de ser tratado como tal.”
“Você fala que eu estou colhendo o que plantei, mas essa minha postura, essa minha resistência a aceitar qualquer palavra que sai da sua boca, por mais doce que seja, é o fruto do que você plantou, também!”
