Capítulo 0999 - Resolução
[Capítulo patrocinado por Davi Laureano Silva. Muito obrigado pela contribuição!!!
ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5
ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.
Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!
Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.
Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz
Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/
Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!
Ps: Link do Telegram atualizado!
Tenham uma boa leitura!]
-----------------------
O silêncio que se seguiu ao desaparecimento de Gold foi diferente de todos os anteriores. Era mais sólido, quase físico, como se a ausência daquela presença marcante tivesse mudado a densidade do ar no salão. Zao Tian e Yang Hao permaneciam imóveis, como se precisassem daquele intervalo para ajustar o peso da realidade recém-revelada. A luz dos vitrais continuava a se mover sobre o piso de pedra, tingindo o ambiente com cores suaves, mas nenhum dos dois se distraiu com isso.
Depois de um tempo sendo engolido pelas suas reflexões, Zao Tian caminhou lentamente até o centro do salão, onde antes Gold havia parado. Ele olhou para o ponto vazio, sentindo um vazio equivalente dentro de si. Era um acúmulo de séculos, de expectativas, de lendas mal contadas que finalmente se revelavam humanas.
“É estranho...” Ele disse, sem encarar o imperador: “A gente cresce ouvindo histórias sobre certos nomes. E quando os encontra, eles são... só isso. Nomes. Pessoas cansadas. Que erraram tanto quanto qualquer um.”
Yang Ha, logo ao lado, olhava para o nada, com seus braços cruzados e a respiração mais controlada. Ele não respondeu de imediato, mas seus olhos caíram sobre Zao Tian, atentos, calculando se aquilo era uma armadilha emocional, uma tentativa de criar vínculo por conveniência.
Ele observou com atenção, mas havia algo na postura de Zao Tian que o desarmava. Não havia pose. Não havia tom de quem queria vencer uma discussão. Pela primeira vez, talvez, Zao Tian estava apenas… sendo sincero.
“Você parece decepcionado.” Respondeu Yang Hao.
Zao Tian balançou a cabeça, ainda olhando para o chão, e disse: “Não decepcionado. Só... humano demais, talvez. Gold era o mito. O símbolo de que alguém, algum dia, soube o que estava fazendo. E agora... vejo que nem ele tem mais certeza de nada.”
Yang Hao se aproximou, devagar. Ele ainda mantinha a postura altiva, mas havia menos rigidez em seus passos. Ele parou a alguns metros de Zao Tian e soltou um suspiro.
“Talvez esse seja o verdadeiro fardo dos que vêm antes: servirem de alicerce para a esperança... mesmo quando eles mesmos estão desmoronando por dentro.” Yang Hao comentou.
Zao Tian, dessa vez, ergueu o olhar e encarou o imperador com um tom de reconhecimento. Naquele momento, os olhos de ambos não tinham mais hostilidade. Era como se o calor das discussões anteriores tivesse deixado apenas o metal cru, nu, pronto para ser moldado.
“E é isso que quer ser, Yang Hao? Um alicerce em ruínas?” Zao Tian perguntou, sem provocações em seu tom.
O imperador hesitou por um instante. Não pela pergunta, mas porque, pela primeira vez, não tinha uma resposta pronta.
“Não.” Ele disse por fim: “Mas talvez seja a única coisa que me resta ser. Seja o que o futuro precisa que eu faça”
Zao Tian deu um meio sorriso, acenando de uma forma que parecia concordar com a convicção do imperador. De tudo o que Zao Tian podia acusar Yang Hao, a falta de convicção no que faz não é uma delas. Por mais duro que seja consigo e com os outros ao mesmo tempo, Yang Hao não arredava o pé do que jurou quando assumiu o trono que foi do seu pai.
Enquanto olhava para Yang Hao, Zao Tian perguntou, de forma a entender que a figura diante dele também era um humano de carne e osso: “Então está com medo?”
“Sim.” Yang Hao respondeu de imediato, firme, e completou: “Mas eu senti medo a vida toda. Todo nosso cuidado depende do medo, então, eu não ligo de sentir isso. O que mais me incomoda é a constância… o cansaço de estar sempre em alerta.”
Ambos se calaram por alguns instantes, até que Yang Hao tirou do manto um pequeno frasco, com um líquido vermelho escuro, densamente espesso. Aquele era o seu sangue, e ele girou o frasco entre os dedos enquanto dizia: “Esse sangue é mais do que um símbolo da nossa cooperação. É um mapa. Um código. Com ele, você começar a rastrear a diferença entre o original... e a cópia.”
Zao Tian assentiu, entendendo de imediato que Yang Hao, independentemente do rumo daquela conversa, já tinha deixado uma amostra de sangue pronta para entregar a ele.
Yang Hao tinha um compromisso com seu povo, com o futuro, e nenhuma desavença ou orgulho ficaria entre ele e sua obrigação.
Enquanto esticava o braço e entregava o frasco a Zao Tian, Yang Hao perguntou: “Você vai compará-lo com o sangue de Ye Yang, não é?”
“Sim.” Confirmou Zao Tian, antes de explicar: “E não apenas isso. Quero ir além. Se conseguirmos identificar os marcadores únicos de alguém clonado, talvez seja possível desenvolver um método de detecção sem precisar de amostras comparativas. Uma espécie de... padrão espectral, ou assinatura energética no plano genético.”
“Você acredita mesmo que é possível?” Yang Hao perguntou, cruzando os braços novamente, curioso com o fato de Zao Tian falar sobre medicina da mesma forma e com a mesma empolgação e naturalidade que Halfkor fazia quando o treinou na Singularidade.
.
Zao Tian refletiu por um instante antes de responder: “Se existe uma verdade absoluta nesse mundo, é que toda falsificação deixa rastros. Mesmo a mais perfeita. O problema é enxergá-los. E eu acredito que sou bom em fazer isso.”
O imperador acenou e deu um leve passo para o lado enquanto afirmava: “Vai precisar de muito mais do que o meu sangue pra fazer isso funcionar.”
“Sim.” Zao Tian concordou, e logo minimizou a questão: “Mas seu sangue é o começo. Um começo que eu não teria se você não confiasse em mim.”
Yang Hao não respondeu de imediato. Ele estava observando o vitral de Yang Zai novamente, o mesmo que vira antes com tanto orgulho. Mas agora, ele olhava com outro sentimento.
“Eu passei a vida tentando honrar um nome. Um trono. Um legado que nunca me perguntou se eu queria carregá-lo.” Sua voz era baixa, mas carregada de sinceridade: “E agora, você surge... com a chance de me mostrar que talvez a honra esteja em fazer o que é certo, e não o que é esperado.”
Zao Tian se aproximou calmamente, parando ao lado do imperador, como alguém que se coloca à disposição do entendimento e do auxílio do outro: “Honra é um fardo. Mas ela não deve ser sempre pesada. Existem muitas maneiras de honrar um juramento sem sacrificar quem nós somos e o que queremos.”
Após aquelas palavras, ambos ficaram lado a lado por alguns segundos. Eles homens diferentes em quase tudo. Formação, linhagem, história. Mas, naquele momento, estavam igualmente despidos de títulos, alianças ou orgulho. Eram apenas sobreviventes, humanos tentando dar sentido ao caos ao redor.
Zao Tian permaneceu em silêncio por mais um momento, com os olhos vagando pelas vidraças coloridas que filtravam a luz suave. Aquela conversa não foi uma trégua. Foi uma mudança de direção. Um ponto de inflexão que ele, talvez, esperasse há muito tempo, ainda que não soubesse disso até agora.
Ele então guardou o frasco cuidadosamente, como se estivesse armazenando mais do que sangue ali… como se fosse um fragmento de confiança, ainda tênue, mas real.
“Vou levar isso ao Vale da Esperança.” Ele disse com firmeza.
Yang Hao desviou o olhar de sua estátua paterna e o fixou em Zao Tian. A menção àquele lugar fez um lampejo de desconforto cruzar seus olhos. Ele não disse nada, mas o nome carregava implicações que nenhum deles podia ignorar.
Zao Tian notou a reação, mas decidiu não suavizar suas palavras: “É lá que tenho os recursos que preciso. Gins já está preparando o ambiente de isolamento, e o Clã da Graça disponibilizou equipamentos que nem mesmo o Reino da Escuridão conseguiu decifrar por completo. Ming Xiao me ajudará na pesquisa. Cada um deles está contribuindo. Porque, diferente de muitos reinos que vivem de promessas... nós aprendemos a sobreviver trabalhando juntos.”
A última frase foi dita com uma firmeza que arranhava o orgulho, e Yang Hao percebeu o alvo oculto.
“Então vai se cercar daqueles que foram banidos por mim.” Disse o imperador, sem alterar o tom, mas com uma ponta de confissão disfarçada: “Vai levar isso à sua… casa.”
Zao Tian sorriu, um sorriso mais duro do que leve, mais carregado de história do que de provocação.
“Sim. À minha casa.” E disse, antes de completar: “A mesma que você nos obrigou a construir com as sobras do que um dia chamamos de lar.”
Aquelas palavras flutuaram no ar por um instante. Yang Hao respirou fundo. Não havia como negar. O Vale da Esperança nasceu do exílio. Da migração forçada de famílias inteiras que foram desalojadas da antiga Província Dourada, quando ele próprio tomou decisões baseadas na segurança de seu império, ou assim pensava na época.
“A casa que ergueram... é forte.” Sem se ofender, Yang Hao aceitou o golpe e disse em reconhecimento: “Ela sobreviveu quando tudo parecia ruir.”
Zao Tian encarou-o de lado, avaliando o tom por trás das palavras. Depois, assentiu levemente.
“Talvez agora seja hora de você conhecê-la.”Ele então disse, de forma quase casual, mas com uma intensidade que não se escondia nas entrelinhas: “Não como imperador. Não como juiz. Mas como alguém que quer saber o que acontece com seu próprio sangue.”
Yang Hao ergueu uma sobrancelha, chocado com o que escutou, e teve que perguntar, só para confirmar: “Está me convidando?”
“Não.” Zao Tian respondeu: “Estou dizendo que, se quiser participar, será bem-vindo. Mas lá, todos são iguais. Lá, ninguém vai se ajoelhar quando você entrar. Nem me seguir quando eu falar. Cada um carrega o próprio peso.”
Em nenhum momento Yang Hao pareceu pronto para dar uma resposta orgulhosa, como era de costume. Algo nele, talvez o cansaço, talvez a honestidade daquela oferta, o fez parar. Seus olhos cruzaram com os de Zao Tian, e dessa vez, não havia julgamento ali.
“Vou pensar.” Ele disse, sem arrogância.
Zao Tian deu de ombros, como se não esperasse outra resposta, e comentou: “Seria bom para você ver como demos a volta por cima, nem que seja por uma visita curta. Às vezes, a distância entre o trono e a realidade é menor do que se imagina. Só que ninguém tem coragem de percorrer esse caminho.”
“Veja com os seus próprios olhos, Yang Hao, tudo o que perdeu quando decidiu nos ter como inimigos, em vez de aliados.” Zao Tian finalizou, destacando a força que o Vale da Esperança tomou. Força que, se não fosse pelas decisões de Yang Hao, poderiam estar inteiramente à disposição da Dinastia, desde sempre.
