Capítulo UHL 1006 - Quando os Punhos Falam por Nós
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Depois que o Grande General aceitou o desafio, uma densa escuridão engoliu tudo ao redor dos três. Tudo escureceu, e num piscar de olhos, o mundo exuberante e misterioso do Reino da Escuridão foi deixado para trás.
Sem qualquer sinal de transição visível, Ye Yang e Singrid perceberam que estavam em um novo plano, não uma ilusão, não um espaço simulado, mas um mundo real, construído pela vontade e poder do Grande General.
O céu, se é que havia um, era negro e pulsante como uma respiração forte. Manchas sombrias serpenteavam ao longe, flutuando pelo vazio que parecia não ter fim. Sob os pés deles, o solo parecia feito de pedra líquida solidificada, em tons profundos de obsidiana. À distância, havia estruturas flutuantes, como ilhas disformes, onde a gravidade parecia não seguir qualquer lógica.
"Este lugar…" Singrid murmurou, flexionando os dedos e sentindo o peso do ar. Ele era denso, saturado de energia da escuridão, mas de uma pureza incomum. Era como se eles estivessem dentro da própria fonte do elemento.
Ye Yang olhou ao redor com olhos semicerrados. O ambiente parecia silenciar seus sentidos, como se tentasse induzi-lo ao erro com a ausência de som e de calor. Contudo, havia uma força pulsante ao redor… e ela vinha do homem à frente.
Parado, o Grande General estava com os braços cruzados, encarando-os sem qualquer hostilidade evidente. Sua armadura não emitia qualquer brilho, mas sim absorvia toda luz ao redor. Era como se a própria realidade tremesse sob seus pés e curvasse à sua vontade.
"Não haverá ressentimentos." Ele então disse, com sua voz reverberando com uma tranquilidade perturbadora: "Vocês pediram que eu escutasse. Então falem do único modo que respeito e que poderei conhecê-los de verdade."
Lentamente, ele descruzou os braços, e com um movimento quase imperceptível, fez um gesto com o queixo, como quem diz: comecem quando quiserem.
Ye Yang e Singrid não hesitaram. Eles nem precisaram se olhar para sabero que o outro pensava.
*Dzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzt…* Imediatamente após a última fala do Grande General, um trovão brilhou nas costas de Singrid quando duas asas reluzentes de relâmpagos se expandiram. Sua armadura dourada, forjada a partir da alma de Zaki, pulsava em sincronia com seus batimentos. Raios azuis e até roxos dançavam por seu corpo, entrelaçando-se, até que, com uma explosão abrupta, um relâmpago dourado irrompeu em sua pele como um segundo coração exposto.
O brilho que ele emitia era quase cegante, e do ar ao seu redor, Singrid moldou uma lança de raio, cuja ponta cintilava com a fúria de mil tempestades. Ao mesmo tempo, seu rosto começou a exibir um sorriso selvagem, quase frenético, como se o combate fosse a única oração que conhecia.
"Vamos mostrar a ele como nós falamos, Ye Yang!" *Baraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaum…* Ela gritou, e então desapareceu em uma linha dourada, rasgando o espaço.
*Booooooooooooooooooooooooooooooom…* Ye Yang não respondeu com palavras. Seus pés já haviam queimado o solo abaixo quando se impulsionou. Os machados Hefestus, que pareciam adormecidos até então, se inflamaram com labaredas carmesins. A temperatura ao seu redor subiu bruscamente, distorcendo o ar. As lâminas começaram a vibrar, e no instante seguinte, explodiram em um clarão alaranjado, com seus entalhes brilhando com um fervor assassino.
Tudo aconteceu rápido demais, e quando Singrid desceu com sua lança relampejante, mirando o peito do Grande General, este não se moveu. Ele apenas ergueu uma palma aberta e, ao seu redor, a escuridão solidificou-se em muralhas defensivas.
*Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom…* O impacto foi titânico.
O chão rachou em dezenas de direções. O clarão do relâmpago dourado iluminou o céu negro, como se um segundo sol tivesse nascido. Aquilo liberou muita energia, mas o General estava lá, imóvel, envolto em uma barreira densa feita de sombras maleáveis.
"Velocidade, técnica, bravura…" Ele comentou em tom de análise, saindo ileso do primeiro ataque: "Mas ainda não são nada diante da verdade."
*Whooooooooom…* Sem aviso ou movimento brusco, ele avançou.
O Grande General não correu. Não teleportou. Apenas apareceu diante de Singrid, como se o espaço entre eles nunca tivesse existido.
*Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…* Um soco simples, direto, foi desferido em seu abdômen. O impacto do golpe criou uma onda gravitacional tão intensa que explodiu um continente flutuante ao longe. Singrid foi arremessada por quilômetros, atravessando rochas negras e desaparecendo de vista num instante.
"Singrid!" Ye Yang rugiu, atravessando o espaço com seus machados flamejantes e executando um golpe horizontal que cortou o mundo, dividindo o terreno por onde passou.
Chamas escarlates subiram como uma cortina de destruição. O Grande General, entretanto, moveu a mão direita e absorveu a luz do ataque. Literalmente à sua frente, as chamas pareciam se dissolver antes de tocá-lo, como se ele subjugasse o próprio conceito de luz.
*Vuuuuuuuup.* O ataque foi frustrado, mas Ye Yang não era apenas força. Girando no ar, ele lançou um dos machados Hefestus como um bumerangue incandescente. A arma riscou o céu com um imenso poder explosivo, mas desta vez, ao invés de pará-la, o General a deixou atingir seu braço.
*Booooooooooooooooooooooooooooooooooom…* A explosão que se seguiu consumiu a atmosfera. Uma esfera de fogo e impacto cobriu quilômetros. Fragmentos do mundo foram arrancados do solo. E em meio ao clarão, Ye Yang já havia reaparecido com o segundo machado, pronto para decapitar o Grande General.
Ye Yang estava lutando para matar. Não porque ele queria aquele resultado, mas por respeito ao homem que enfrentava. Lutar de qualquer outra forma seria um insulto a ele e uma sentença de morte.
*Claaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…* O golpe de Ye Yang viajou em direção ao seu pescoço, mas o braço do Grande General, embora queimado e fumegante, se moveu. E em meio à fumaça, ele segurou a lâmina com a mão nua.
"Você tem poder." Ele disse, encarando Ye Yang de frente, mas completando com um tom de decepção: "Mas hesitou por um momento."
*Whooooooooooom.* *Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* Assim que teve o seu ataque bloqueado, Ye Yang sentiu uma força invisível empurrando-o violentamente para trás. Uma onda de escuridão se expandiu a partir do corpo do Grande General, como uma explosão silenciosa. A gravidade se inverteu, os céus caíram, as pedras flutuaram para cima, e tudo ficou... invertido.
Ye Yang girou no ar, colidindo contra rochas e tentando se estabilizar, mas foi surpreendido por tentáculos negros que surgiram do nada e, acima de sua cabeça, agarram suas pernas.
*Baraaaaaaaaaaaaaaaum…* Enquanto aquilo acontecia, um raio dourado cortou o céu invertido.
Singrid retornava, e suas mãos agora seguravam duas espadas feitas de pura eletricidade. Seus olhos pareciam em transe. E ela rugia como uma tempestade encarnada.
"EU NÃO PRECISO QUE ME ESCUTE AGORA!" Ela gritou, girando no ar como um furacão de energia: "EU SÓ PRECISO QUE ME SINTA!"
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* As espadas dela colidiram com os tentáculos que seguravam Ye Yang, cortando-os com facilidade, mas gerando um som de algo sendo rasgado. Em seguida, ela desviou no ar e envolveu o General em uma tempestade de golpes, onde cada ataque formava uma constelação de raios. Os relâmpagos dourados pareciam gritar a cada movimento, reagindo à alma de sua portadora.
O Grande General recuou, pela primeira vez.
Aquilo deixou Singrid confiante, mas era apenas parte da dança.
O som do relâmpago dourado ainda ecoava no vazio invertido quando o Grande General deu um passo para trás, e apenas um. Seu recuo não era de fraqueza, mas de reconhecimento. Ele havia sentido algo que mexeu com ele. Não o poder bruto… mas algo pior.
Ao ver de perto a armadura de Singrid, seus olhos se estreitaram, e um estremecer quase imperceptível passou por seus ombros. Um tremor espontâneo, como se uma lembrança amarga tivesse acabado de emergir das cinzas do tempo.
Ele não disse nada imediatamente. Apenas ficou parado, deixando que a última fagulha dos relâmpagos se dissipasse sobre sua armadura negra.
Então, seus lábios se moveram lentamente, cuspindo as palavras como se elas o ferissem ao sair: “Zaki…”
Ao escutar aquilo e ver a expressão de repúdio do Grande General, Singrid hesitou por um segundo. Não era um nome incomum em seu mundo. Mas a maneira como o General pronunciou… como se cuspisse veneno… fez com que a eletricidade em sua pele diminuísse por instinto.
O Grande General não escondia o olhar. Seus olhos estavam cravados na armadura dourada dela, como se aquela peça fosse uma afronta à sua própria existência.
“Você carrega... isso?” Ele apontou para o peito da guerreira com um movimento seco, quase ritualístico.
“Essa armadura é parte de mim. É a minha herança. Zaki me treinou, e após seu arrependimento no outro plano, me concedeu sua alma.” Singrid respondeu com firmeza, como quem defendia não apenas uma lembrança, mas um legado.
O silêncio que se seguiu foi como a tensão antes da erupção de um vulcão.
O Grande General sorriu. Não de forma amistosa, mas como um predador que sente o cheiro do sangue da presa. Foi um sorriso amargo, cruel, contaminado por uma fúria antiga e sem perdão.
“Zaki foi um dos poucos homens na história a quem odiei com todas as minhas forças.” Disse ele, com a voz se tornando mais grave a cada sílaba: “Você tem ideia do que ele fez?”
Após dizer aquelas palavras, ele ergueu os braços, e a escuridão ao redor começou a se contorcer. O plano, que até então obedecia a lógica da escuridão pura, começou a ruir em labaredas silenciosas. Como se a própria sombra estivesse sendo consumida por um novo elemento.
*Tssssssssssssssssssssssssssssssssssssss…* Lentamente, chamas se formaram ao redor dele. Mas não eram chamas comuns. Eram negras no centro, vermelhas nas bordas, e seus estalos pareciam ecoar memórias distorcidas, gritos, colisões, promessas quebradas.
Singrid e Ye Yang sentiram o ar mudar mais uma vez. A inversão da gravidade cessou. O chão se reconstruiu. Mas agora o mundo não era apenas escuridão: era um inferno silencioso e quente, onde cada passo fazia a pedra derreter, e cada respiração queimava a garganta com a pureza do poder daquele homem.
O Grande General estava rodeado por um vórtice de fogo e trevas. E mesmo que não houvesse vento, as chamas dançavam como se soubessem que era chegada a hora da punição.
“Você não herdou o poder de Zaki. Herdou a vergonha de toda a humanidade.” Ele apontou para Singrid como se ela fosse culpada de um crime imperdoável: “Ele morreu e se envergonhou por ter ficado cego à tudo o que ele representava. E você parece tão cega quanto ele foi.”
Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang… Ele deu um passo, e as rochas sob seus pés se liquefizeram.
*Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom…* Após aquele passo, um soco flamejante foi lançado no ar e atingiu Singrid à distância. Mesmo com seus reflexos, ela foi atingida por parte da onda térmica que surgiu, e teve que erguer suas espadas cruzadas para conter o impacto.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaack…* As bordas de sua armadura crepitaram com a explosão. Ela chiou de dor, mas manteve-se firme.
“Você… odiava Zaki?” Ela perguntou, respirando com dificuldade.
“Não.” O Grande General respondeu com frieza: “Eu o respeitava. Por isso o odiei.”
