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Capítulo UHL 1009 - Herdeiros da Loucura

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Tenham uma boa leitura!]


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Depois do recuo do Grande General, o campo antes ardente agora era apenas quente. O calor já não ameaçava devorar, mas ainda lembrava os corpos sobre o que haviam enfrentado. Chamas dispersas se apagavam lentamente entre fendas profundas no chão, e o ar parecia pesar menos, muito menos, embora ainda carregasse a densidade do plano de sombras em que haviam lutado.


O Grande General permaneceu de pé por alguns instantes, em silêncio, observando os dois guerreiros diante de si com olhos semicerrados, como quem avalia uma arma antes de colocá-la na bainha. Não havia julgamento ali, mas tampouco havia ternura.


Depois de mais um minuto sem dizer uma única palavra, ele caminhou até uma elevação rochosa e se sentou. Era a primeira vez que fazia isso desde que aquele plano fora invocado. Foi um gesto simples, mas que reverberou como um trovão na consciência dos dois jovens, comparados a ele. Aquele gesto não era um convite… era uma ordem velada.


Com dificuldade, mas sem hesitar, Singrid e Ye Yang se aproximaram. A eletricidade da primeira ainda crepitava de forma errática ao redor dos cabelos desgrenhados, e o segundo mantinha o braço esquerdo pendendo sem vida, destruído até o cotovelo. Os dois estavam imundos, cobertos de sangue seco e cinzas, mas seus olhos estavam bastante vivos.


O Grande General os observou se acomodarem, e só então, com a voz grave e direta, quebrou o silêncio.


“Precisa de atendimento para isso?” Ele indicou com o queixo para o braço mutilado de Ye Yang.


Ye Yang olhou para o ferimento, girou levemente o ombro e estalou o pescoço.


“Já perdi essa mão antes. Digamos que ela não é das que se apegam.” Ele respondeu com um meio sorriso, apesar do sangue ainda fresco escorrendo do canto dos lábios.


O General arqueou uma sobrancelha, sem mudar de expressão, mas surpreso com a naturalidade daquela resposta.


“Você tem senso de humor, pelo menos. Mas a regeneração não é prioridade pra você?” Ele perguntou, agora buscando uma resposta mais direta.


Antes que Ye Yang respondesse, Singrid ergueu a mão, com a respiração ainda ofegante, e disse: “Não se preocupe conosco. Estamos inteiros por dentro. Isso é só… mais um treino ruim.”


Depois de dizer aquilo, ela passou a mão pelos cabelos sujos e soltou uma risada baixa, cansada, enquanto se lembrava de péssimas memórias e completava: “Já vimos coisa bem pior sendo chamada de ‘aquecimento’.”


O Grande General, chocado, então se inclinou para frente, apoiando os antebraços sobre os joelhos. Seus olhos cravaram nos dois como lanças invisíveis e a estranheza crescia de forma exponencial.


“Treino ruim? É assim que vocês definem isso?” Ele indicou o cenário com um gesto lento, com os olhos ainda fixos nos jovens, e perguntou: “Vocês têm noção do que enfrentaram?”


Ye Yang assentiu, e com a voz agora mais firme, respondeu: “Temos, sim. E agradecemos por não ter ido até o fim. Mas… o que enfrentamos aqui não é tão diferente do que vivemos por milênios.” 


Após dar aquela resposta, ele estalou o ombro direito e continuou a explicar: “Nós treinamos dentro da Singularidade. Ciclo após ciclo, mais de um milênio se passou lá para nós… e cada dia naquele lugar foi um inferno.”


Ao escutar aquilo, o Grande General não disse nada, mas seus olhos se apertaram, intrigados.


Ye Yang, vendo a curiosidade do homem se transformar em algo próximo a uma receptividade a escutar e até criar um vínculo, por mais tênue que fosse, prosseguiu: “Éramos quatorze. Todos saímos vivos lá. Alguns tiveram a sanidade afetada, mas não foi nada fora do esperado. Todos nos entregamos à Singularidade… e fomos lapidados pelas mãos mais impiedosas que conhecemos.”


Singrid se sentou com mais firmeza e complementou: “Treinadores. Monstros. Mentores. Gold… e Elijah… Estes são os nomes dos nossos demônios pessoais.”


Ao ouvir aqueles nomes, o Grande General finalmente mostrou algo que ainda não havia deixado escapar durante todo o combate: surpresa. A mais genuína e e grande surpresa.


“Elijah… o Soberano do Vento?” A voz, ainda grave, carregava uma curiosidade genuína: “Ele ainda está vivo?”


Ye Yang olhou para o General com um brilho particular nos olhos. Ele parecia ter alguma estima por Elijah, estima o suficiente para ignorar o nome Gold, então ele respondeu: “De certa forma… está. Ele pereceu na Grande Guerra, mas seu espírito permaneceu neste plano por tempo suficiente para que um de nossos companheiros, Gu Ren, o encontrasse e ele decidisse coabitar o corpo e a consciência de nosso amigo. Se depender da teimosia dele… vai viver por mais uns dois milênios.”


Ao escutar aquilo, Singrid soltou uma risada baixa, mas logo voltou ao tom mais sério: “Elijah nos arrancava do chão com chutes, dizia que estávamos relaxando a alma… e Gold nos fazia recomeçar tudo do zero sempre que achava que estávamos nos tornando previsíveis.”


“Treinamentos que pareciam sessões de execução.” Ye Yang emendou, antes de perguntar de forma retórica: “Você já viu cultivadores se afogando em pedras? Porque nós já. E fomos nós mesmos que cavamos os buracos.”


O General prontamente cerrou os olhos. Havia ali uma nova camada de respeito se formando, não dita, mas perceptível. Ele estava atento, escutando duas pessoas que há pouco não considerava dignas e confiáveis o bastante para sequer estar em sua presença.


“O que vocês chamam de tortura… moldou a mente e o espírito.” Ele então murmurou, quase como se estivesse lembrando de algo nostálgico: “É… isso explica muita coisa sobre vocês.”


Ao escutar aquilo, Ye Yang virou levemente o rosto, expondo melhor o ferimento no braço, e continuou: “Não é a primeira vez que perco este braço. Nem a segunda. Nem o pior ferimento. Os treinamentos costumavam nos ferir bem mais. Mas os nossos companheiros Zao Tian, Ming Xiao e Gins nos reconstruíram, célula por célula, dia após dia.”


“Eu até fico receoso de deixar outra pessoa além dos três me curarem, porque com todo respeito… Eu aposto, mesmo sem conhecer o seu povo, que se juntarem todos os médicos que você tem, eles não são capazes de chegar aos pés de um único daqueles três.”


O último comentário de Ye Yang gerou uma expressão de incredulidade no Grande General. Ele claramente achava que Ye Yang estava superestimando demais seus companheiros. Contudo, Ye Yang, convicto de que tinha razão, olhou para a mão direita, que ainda estava inteira, e se lembrou de outras vezes que perdeu ela, enquanto comentava: “Eu entendo que não acredite neles como nós acreditamos, mas de uma coisa e sei… Perder um membro nunca foi algo ruim para nós, porque geralmente, quando eles eram reconstruídos, eles ficavam mais fortes do que antes.”


“Esse é o nível das habilidades daqueles três.” Ye Yang terminou de explicar o porquê de tanta certeza.


O General olhou para aquela mão e inclinou-se um pouco mais para tentar enxergar o que Ye Yang dizia. Contudo, sem sentir o que o homem diante dele sentia, era impossível comprovar sua versão. Então, sem se perder naquela discussão sobre quem era melhor, o Grande General voltou ao tema principal e questionou: “Esses tais treinamentos… Se eles eram tão duros, por que você continuavam? Por que vocês se sujeitam a tantas dores?” 



“Porque éramos nós que pedíamos por isso.” Ye Yang respondeu, encarando-o com um certeza que era impossível não deixar transparecer: “Porque se não suportássemos isso… Não seríamos dignos nem de andar ao lado de quem estava conosco.”


Singrid, com a mesma expressão, assentiu e logo completou: “Gold nos ensinou que o inimigo real é a estagnação. Que o conforto destrói um artista marcial mais do que qualquer lâmina.”


Após aquela resposta, o General ficou em silêncio por um longo tempo. Seus olhos estavam fixos no vazio e as suas mãos entrelaçadas diante do rosto. Quando ele voltou a falar, havia um traço de reverência quase imperceptível em sua voz: “Treinar com Elijah e Gold… e sobreviver… é algo que poucos seriam capazes de fazer.” 


“Ambos têm as metodologias de treinamento mais rigorosas, perigosas e cruéis que eu já ouvi falar. Apenas um deles já seria um tormento. Os dois então…”


Depois de reconhecer aquilo, ele então respirou fundo e perguntou: “Mas se foram quatorze, quem são os outros?”


Ye Yang olhou para Singrid e ela assumiu a resposta.


“Zao Tian. Cruz. Ming Xiao. Ming Xue. Gu Ren. Hildeval. Ragnar. Kyon. Joster. Ryuuji. Jaha. Gins.” Ela listou os nomes como se fossem títulos: “Todos eles passaram pelos mesmos abismos que nós. Cada um saiu diferente… mas todos saíram prontos.”


Ye Yang então completou: “E agora estamos reunidos nessa luta. Porque chegou a hora de usar tudo isso.”


O Grande General franziu a testa. Ele não era um homem impressionável, mas a ideia de quatorze guerreiros com esse histórico, forjados por Elijah e Gold, reunidos por um objetivo em comum… era algo que nem ele podia ignorar.


“E qual é esse objetivo?” Ele perguntou.


O silêncio se seguiu por alguns segundos. Ye Yang respirou fundo e respondeu, com a voz firme: “Derrubar os deuses. Destruir o Olho. Libertar Decarius… e qualquer outro mundo que esteja sob controle deles.”


Ao cair daquela resposta, o velho guerreiro permaneceu em silêncio. Mas algo em seu semblante havia mudado. Aquilo não era apenas loucura. Não era um plano vazio de jovens sonhadores. Era um movimento. Um risco real que eles assumiram.


Calmamente, ele olhou para o céu escuro do plano de sombras, onde os ecos da batalha ainda vibravam em alguma camada invisível do espaço.


Depois, de forma lenta e grave, ele falou: “Quatorze herdeiros… de dor e vontade. Moldados pelo tempo e pelo sofrimento.” Enquanto dizia aquilo, seu olhar voltou para os dois à frente: “Se vocês não forem consumidos pela própria ambição… então talvez sejam exatamente o que esse mundo precisa.”


“Finalmente… depois de uma era das trevas de homens fracos… nasceu uma nova geração!” 


As palavras que saíram da boca do Grande General foram baixas, porém carregavam um alívio que podia ser sentido mais do que grito. Dava para ver em seu rosto que uma espécie de fardo estava se amenizando… que um fio de esperança começava a se formar… e que os dois na frente dele não eram apenas intrusos… não mais.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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