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Capítulo UHL 1016 - Fazenda de Vidas

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Tenham uma boa leitura!]


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Enquanto os céus se calavam nos setores tomados por Raya, Nallrian, Ming Xiao, Ming Xue e Gu Ren, uma outra tempestade se formava sobre o planeta Karun, um mundo de vales quentes, desertos vastos e rios de sal que cortavam planícies de areia ardente e rochas avermelhadas.


Ali, uma tempestade que não existia nos mapas e previsões climáticas dançava sobre a principal fortaleza do Olho naquele planeta, a base de operações de Garun Vhas, um dos coordenadores supremos da rede de escravos do Olho, um homem crucial para a organização, que podia manipular mais de cem mil vidas com um gesto de mão, sem jamais sujar os próprios dedos.


Aquele era um dos principais pontos de ataque de toda a operação contra o Olho. Derrubar aquele homem era imprescindível para que o golpe fosse sentido de forma traumática. E naquele dia, como em pontos diversos do universo, uma chuva de sangue estava prestes a cair sobre o deserto..


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Sobre uma duna que se erguia como uma muralha, Hakim estava parado. Ele não se movia, nem precisava. Seus pés descalços afundavam na areia que se agitava por conta própria, como se respirasse com ele. Cada grão, cada cristal de sal, cada gota de vapor que subia dos veios subterrâneos… tudo fazia parte do seu domínio. Ele estava em casa naquele ambiente.


Ao lado dele, Jaha examinava o fluxo de energia vindo da base enterrada no coração de Karun. Sua mente, a mais afiada de Gard, e talvez de todo Decarius, pulava entre cálculos, projeções de rota de fuga, estimativas de resistência e padrões de selos, tudo enquanto mantinha o olhar fixo no horizonte.


“Rei Hakim...” Jaha disse, num tom de voz que não carregava emoção, apenas lógica: “A movimentação interna é coerente com o relatório. Garun Vhas manteve mais de quatrocentos cultivadores de nível Santo ativos como guarda pessoal. Os demais são escravos em suspensão. Se a Marca de Controle da Alma for acionada, todos morrerão.”


Hakim não respondeu de imediato. Ele inspirou o ar quente que cheirava a sal, areia e tempestade elétrica. Seus olhos, quase inumanos em intensidade, faiscavam tons de âmbar misturados com veios azulados, pulsando como relâmpagos contidos dentro de uma nuvem.


Quando respondeu, foi em tom calmo, como se fosse uma lei escrita na rocha.


“Eu não vou permitir que eles morram como cães. Jaha…” Ele virou o rosto para seu aprendiz e avisou, antes de sugerir: “Hoje, nós rasgamos as correntes com as mãos.”


Jaha abriu um sorriso contido, apenas a curva de um lábio, e respondeu satisfeito: “Então eu irei desmontar a rede de selos enquanto você desfaz a muralha de carne.”


Hakim apenas assentiu. E então, ergueu um braço.


No instante em que Hakim fechou o punho, toda a duna sob seus pés se desfez em bilhões de partículas. A areia virou uma onda viva, serpenteando pelo céu como um dragão transparente e ruivo. Entrelaçada à areia, correntes de água pura abraçaram as areias.


Quando o braço dele desceu, o dragão de areia e água mergulhou como um meteoro sobre a fortaleza enterrada. A superfície trincou, fendas se abriram, e o que antes era rocha se fragmentou em placas flutuantes.


Dentro da fortaleza, alarmes brilharam, soando como corvos na mente dos guardas. O caos foi imediato: soldados corriam pelos corredores, ativando matrizes de contenção, soltando comandos em massa para que os escravos se reunissem como barreira de contenção.


Garun Vhas, no centro de sua câmara luxuosa, assistia o teto tremer enquanto seu rosto mantinha-se imóvel. Com um gesto, ele estendeu a mão sobre uma laje de cristal negro. A Marca de Controle da Alma pulsou, disparando sinais para cada escravo ligado a ele.


“Venham. Matem Hakim de Gard.” Sua voz não era alta, mas ecoou na mente de milhares. Alguns tremeram de medo, outros caíram de joelhos. Mas todos obedeceram.


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No mesmo instante em que Garun Vhas ativou a Marca de Controle da Alma, uma nova onda de vibração espiritual percorreu o subsolo da fortaleza. Em questão de segundos, milhares de guerreiros escravizados, muitos deles artistas marciais do mais alto nível, abriram os olhos dentro de câmaras de contenção e romperam portas, avançando pelo labirinto subterrâneo.


Hakim, do lado de fora, respirou fundo. O som dos passos ecoava sob seus pés como tambores de guerra, mas ele não demonstrou surpresa nem arrogância: apenas ergueu os braços na altura do peito e fechou os olhos.


A areia se ergueu novamente, desta vez não como um dragão, mas como um mar sem fim. No centro desse mar, dezenas de adagas flutuantes começaram a se formar. Cada uma parecia talhada em cristais de sal, girando sobre seu próprio eixo, absorvendo fragmentos de relâmpago que saltavam da tempestade acima.


Jaha, por sua vez, já caminhava. Não corria, caminhava. Enquanto avançava, pequenas gotas de umidade se desprendiam da areia, girando em órbitas concêntricas ao redor de sua cabeça. Seus olhos pareciam feitos de vidro congelado, refletindo cada rota de ataque antes mesmo que acontecessem.


“Quatorze corredores principais, vinte e três câmaras de estase e doze saídas de emergência ligadas à câmara central de Garun Vhas…” Ele murmurou para si mesmo, como se repetisse uma lista de compras: “A probabilidade de Hakim ser contido é inferior a trinta por cento. Já eu... não posso errar.”


Sem armas, com apenas o gelo, a água, o relâmpago e uma mente que já havia vencido batalhas apenas com cálculos, Jaha seguiu em direção à cabeça da cobra.


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No fronte de ataque, o primeiro grupo de escravos surgiu na superfície: uma frente de cinquenta guerreiros, muitos usando armaduras e portando armas de alta qualidade que eles jamais ousariam erguer se estivessem livres. Mas ali, eles eram apenas marionetes, com olhos opacos, rugindo por ordens forçadas.


Hakim, por sua vez abriu os olhos. As adagas flutuantes, agora na casa das centenas, dispararam em ondas sucessivas. Cada lâmina era simples, mas o suficiente para rasgar tendões, cortar alavancas musculares e desmontar técnicas. 


Uma chuva de lâminas caiu do céu, mas elas não matavam, elas buscavam neutralizar, porque Hakim não estava ali para matar inocentes.


Enquanto despejava um inferno de lâminas contra os escravos, Hakim usava a areia para empurrar os corpos incapacitados para debaixo das dunas, formando cápsulas de rocha que os isolavam do combate. Quem tentava resistir era soterrado por torrentes de água gelada que solidificavam-se em muralhas de gelo puro, tornando inútil qualquer tentativa de reagrupamento.


Os poucos que quebravam a contenção encontravam Hakim em pessoa, e conheciam a força de seus punhos que tremulavam como terremotos.


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Enquanto isso, já dentro da câmara subterrânea, Jaha não perdeu tempo.


Enquanto Hakim enfrentava o grosso da muralha de carne, ele se infiltrava como uma víbora. A cada corredor, ele congelava sensores, desfazia matrizes de barreira, calava sistemas de detecção. A rede de escravos era extensa, mas cada mente estava conectada por fios espirituais invisíveis. E Jaha interferia neles de forma a atrapalhar os sinais enviados.


Em um corredor estreito, três Santos escravizados surgiram na frente dele, com olhos de sofrimento e rugas de medo deformando seus rostos inexpressivos. Cada um ergueu uma lâmina e apontou para Jaha.


Calmo, Jaha apenas ergueu uma mão e disse: “Eu sinto muito! Isso vai doer, mas é o melhor que eu posso fazer por vocês agora!”


*Swing.* Assim que Jaha terminou de falar, pequenas agulhas de água, minúsculas, quase invisíveis, brotaram da ponta de seus dedos. Cada agulha viajou a velocidades exorbitantes e penetrou um ponto específico nos corpos dos três guerreiros. Eles gemeram de dor enquanto caíam de forma descontrolada ao solo.


As agulhas perfuraram seus principais pontos de canalização de energia espiritual e de circulação sanguínea, além de interromper os impulsos elétricos que o cérebro dava aos seus músculos. Nenhuma delas causou danos com risco de morte, mas cada uma delas atingiu pontos de dor extremamente sensíveis.


No chão, os três arfavam e não conseguiam se mexer enquanto Jaha passava por eles e dizia em tom de desculpas: “Fiquem no chão… Eu não quero ter que machucá-los ainda mais.” 


Jaha seguiu adiante. A cada passo, o ar parecia mais denso, carregado de uma umidade que não vinha de rios ou lençóis freáticos, mas do suor de milhares de escravos que tremiam, esperando ordens para matar ou morrer.


Ele não parava de murmurar para si mesmo, uma reza de lógica que era só dele:

“Corrente principal isolada. Segunda camada de selo fragmentada. Rotas de fuga limitadas. Garun Vhas… estou chegando.”


No final do último corredor, uma porta negra o separava de seu objetivo. Ela era três vezes mais alta que ele, sem trinco visível, e pulsava com uma luz rubra que lembrava um coração doente.


Jaha estendeu uma mão. As gotas de água que o orbitavam se fundiram num disco fino de gelo transparente que ele encostou na porta.


*Dzzzzzzzzzzzzzzt…* Em milésimos de segundo, feixes de relâmpago percorreram a superfície da porta. Os olhos de Jaha brilharam e ele murmurou: “Você errou na simetria, Garun. E um erro... eu exploro.”


*Crack.* Com um estalo seco, o disco de gelo se desfez, convertendo-se em vapor supercondutor que se infiltrou na porta. A porta emitiu um chiado irritante antes de se partir em centenas de pedaços.


E lá dentro, sentado em uma espécie de trono, estava Garun Vhas.


Sentado no centro de sua câmara luxuosa, erguida em mármore esculpido e incrustada de veios de ouro, Garun Vhas parecia um aristocrata entediado, não o monstro que sustentava uma teia de escravidão que atravessava galáxias.


As túnicas brancas que vestia tremulavam sob o calor que exalava de sua pele, como brasas vivas respirando de dentro para fora. Seus olhos, profundos e sem piscar, refletiam um tom carmesim intenso enquanto faíscas de fogo escapavam a cada expiração.


Atrás dele, não havia selos místicos ou marionetes ligadas por fios. Havia apenas ele… e um mar de calor que fazia o chão de pedra rachar em linhas avermelhadas.


Assim que a porta caiu em fragmentos, Garun ergueu uma mão, quase preguiçosamente. No instante seguinte, o ar entre ele e Jaha ondulou, gerando uma quantidade de calor que parecia uma muralha de fogo invisível e era tão quente que derretia o metal das vigas acima deles, pingando ferro líquido no chão.


“Você é o gênio de Gard, não é?” A voz de Garun era suave, quase amistosa, mas o tom era de provocação, deboche: “Aquele que acha que pode prever resultados.”


Jaha escutou aquilo de forma quase indiferente, e deu um passo dentro da câmara. Ao fazer isso, as gotículas de água ao redor dele tremiam, evaporando antes de chegarem muito perto da barreira de calor.


“Se eu achasse isso…” Jaha respondeu, calmamente: Eu não estaria vivo para te dizer isso agora. Eu tenho certeza!”


Garun riu, uma gargalhada curta, mas tão alta que fez o calor vibrar nas paredes. E logo em seguida, ele estalou os dedos.


*Tsssssssssssssssssssssssss.* No mesmo instante, o piso inteiro da câmara se iluminou em tons laranja e fissuras de magma abriram-se sob os pés de Jaha. Pilares de fogo irromperam por todos os lados, tentando engoli-lo em espirais flamejantes.


O fogo engoliu tudo, mas Jaha já não estava lá. 


Depois de se movimentar como um relâmpago, Jaha pousou a poucos metros de Garun, com os olhos fixos nele, e a respiração absolutamente calma.


“Eu te darei uma morte rápida!” Jaha então avisou, não como forma de consolo ou pena, mas de forma lógica. Ele não estava disposto a dar qualquer chance para Garun Vhas escapar.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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