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Capítulo UHL 1018 - A Compaixão de Um Rei

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Tenham uma boa leitura!]


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Em Karun, a poeira do último impacto ainda pairava, misturada com vapor fervente e faíscas que caíam do teto semi-desabado da estrutura subterrânea do Olho. Jaha mantinha o punho fechado, com a respiração curta e o corpo marcado por leves queimaduras que se regeneravam lentamente graças à energia espiritual, mas seu olhar era o de um homem que ainda controlava tudo ao redor.


Garun, de joelhos, tossia fogo e sangue. Sua boca, naquele momento, estava retorcida numa gargalhada bruta, sem elegância alguma.


“Você é forte, inseto… mas eu não a morte!” Ele rosnou, depois plantou os pés no chão rachado e se lançou para cima de Jaha numa arrancada final, com os punhos já envoltos em labaredas carmesim.


Jaha não se moveu de imediato. Ele esperou, e quando Garun fechou a distância, o punho dele encontrou a palma de Jaha, só que a palma não bloqueou o ataque, absorveu o impacto e, num segundo depois, devolveu tudo amplificado.


*Boooooooooooooooooooooooooom…*


O golpe de Garun ricocheteou como se tivesse batido numa muralha água. Em resposta, Jaha avançou um passo, socou o estômago já destruído de Garun com a outra mão e empurrou uma esfera de água densa direto para dentro do corpo dele.


Garun arregalou os olhos, tentou puxar ar, mas a pressão explodiu por dentro.


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*


O corpo de Garun foi rasgado de dentro para fora. Uma rajada de vapor e sangue pintou as ruínas da câmara, empurrando destroços para longe. O chão inteiro cedeu embaixo deles, mármore, rocha e vigas de aço se partiram, engolindo o cadáver fumegante de Garun numa cratera que se abriu para a superfície.


Jaha saltou para longe, pousou sobre uma coluna meio tombada e respirou fundo. Seus olhos vasculhavam o local, buscando qualquer sinal de sobrevivência.


E então, um som estranho aconteceu.


Uma energia densa e estranha subiu da fenda onde Garun havia caído. O cheiro de enxofre e brasa se misturou ao gosto de metal no ar.


Tudo foi muito rápido e seria imperceptível para a maioria das pessoas, mas Jaha era como um processador funcionando a todo vapor, sentindo e analisando cada alteração à sua volta.


“Pílula do Regresso…” Jaha murmurou, sem se surpreender. Ele conhecia esse recurso. A Trindade distribuía tais abominações a seus cães mais leais.


Antes que pudesse se mover, Jaha sentiu um frio na base da coluna. Não no corpo, mas na percepção.


Ele girou o rosto rapidamente, apenas o suficiente para ver Garun Vhas atrás dele, inteiro, com a pele ainda fumegante de cicatrizes recém-formadas. E nos punhos dele, uma lâmina curta brilhava como se fosse feita de fogo puro.


*Shhhhk…*


Garun enfiou a lâmina nas costas de Jaha, bem na base do pulmão direito.


“Eu disse… Eu sou a morte!” Garun sussurrou, cuspindo risos no ouvido de Jaha.


Jaha, entretanto, não gritou. Não havia choque em seu rosto e nenhum sinal de dor. Apenas cálculo.


Ele já esperava por isso.


Sem hesitar, Jaha flexionou os dedos e toda a água que ele havia espalhado pelo campo de batalha vibrou em resposta.


“Você acha… que eu não previ isso?” Jaha sussurrou de volta, em um tom atípico de desdém para ele.


Em um estrondo ensurdecedor, a água presa sob as placas de pedra, nas rachaduras, no vapor condensado… tudo explodiu de uma só vez.


*Booooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom…*


Uma torrente de água em altíssima pressão jorrou do ferimento de Jaha como um canhão, varrendo Garun das costas dele. A explosão foi tão violenta que abriu uma cratera vertical, lançando Garun para o céu de Karun como um boneco incinerado.


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Enquanto isso, em outro ponto da superfície, Hakim arfava pela primeira vez em muito tempo.


A planície de sal estava rachada em quilômetros de extensão. Dunas inteiras viraram muralhas móveis, colunas de relâmpago queimavam o chão ao redor dele, e centenas de adagas flutuantes ainda rasgavam a carne de todos que ousavam avançar.


Hakim era muito mais forte, individualmente, do que qualquer um ali, mas eles não paravam de chegar. Milhares. Cada um deles era um Santo. Cada um era um escravo que não podia cair até morrer ou ser libertado.


Hakim derrubava vinte com um único movimento que fazia a terra tremer, mas mais cinquenta saltavam sobre ele logo em seguida.


Por mais que ele se esforçasse para não matar, o resultado que ele evitava se tornava cada vez mais inevitável, e nos olhos de alguns daqueles escravos, parecia que eles queriam verdadeiramente morrer. 


Sem esperanças e dominados a sabe-se-lá quanto tempo, aqueles homens e mulheres não viam outra forma de escapar dos seus sofrimentos que não fosse através da morte.


Isso incomodava Hakim. Incomodava tanto que um rugido abafado de frustração escapou de sua garganta.


“Eu não quero matá-los… mas eles não me estão me deixando escolha.” Hakim lamentou. 


Hakim respirava pesado para se controlar. A tempestade que ele mesmo conjurou rugia acima de sua cabeça, mas parecia frágil comparada ao trovão que ressoava dentro do seu peito.


Desde que aquela batalha começou, o solo de Karun não era mais o mesmo. As areias, misturadas ao sal e aos fragmentos de rocha fundida, colapsavam em crateras abertas pelos seus golpes. Cada vez que Hakim erguia um braço, uma muralha de areia erguia junto; cada vez que estendia o punho, uma adaga flutuante rasgava a carne de quem ousasse tocá-lo.


Ele era uma muralha viva, feita de deserto e tempestade. Mas mesmo as muralhas racham.


À frente dele, homens e mulheres de olhos vidrados avançavam sem pausa. Alguns rugiam, outros apenas choravam em silêncio enquanto atacavam. Hakim via cada detalhe… a tensão nos pulsos que seguravam espadas, a hesitação em cada estocada, o tremor de uma perna que parecia pedir perdão mesmo enquanto chutava suas costelas.


Ele bloqueava e partia lâminas. Derrubava os portadores com socos no plexos solares. Os corpos se dobravam como bonecas de trapo. E então mais cinco vinham, em uma enxurrada de carne desesperada.


Hakim fazia a areia subir em redemoinhos sufocantes, desacordada alguns enquanto suas adagas cortavam tendões, apenas o suficiente para derrubar, não para matar. Ele usava o gelo para conter artérias abertas, usava água para reidratar os que caíam de exaustão. Mas mesmo um rei tem um limite.


Um homem enorme, com ossos à mostra de tanto ser torturado pela sua rebeldia, se lançou sobre Hakim com uma lança. O olhar dele era de súplica. Ele dizia ‘Mate-me’. 


Hakim desviou, prendeu o homem num casulo de areia endurecida, e o isolou da batalha.


“Não!” Hakim respondia, mesmo que ninguém tivesse direcionado uma única palavra a ele: “Eu não vou ser seu carrasco!”


E naquela hora, uma explosão à direita aconteceu. Um grupo de três Santos escravizados quebrou a muralha de gelo que ele ergueu como contenção. Eles vieram correndo, com armas erguidas, rostos partidos entre raiva e um desejo cruel de ser libertos pela lâmina.


Hakim socou o chão.


*Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom…*


Areia engoliu o trio até o pescoço, imobilizando-os. Mas era como tapar um buraco num dique com as mãos: no mesmo instante, outra leva se formava, outra brecha surgia, outra onda humana tentava matá-lo ou morrer em suas mãos.


Hakim sentiu o peito pesar. Um peso que não vinha do cansaço físico, pois um cultivador de seu nível poderia lutar assim por dias, mas do fardo de entender que ele, sozinho, não conseguiria salvar todos sem sacrificar alguns.


Em determinado momento, ele ergueu o braço esquerdo e duas adagas flutuantes dançaram ao redor do antebraço, como se soubessem o comando que viria.


Hakim fechou os olhos, respirou fundo, e quando abriu, não era mais só Hakim de Gard. Era o Rei do Deserto, dando ordens.


Sua voz foi um trovão na mente de cada comandante escondido ao redor de Karun: “Avancem! Contenham todos! Não quero nenhum escravo morto. Eles não têm culpa do que fazem!”


A resposta veio imediatamente na forma de um mar de estandartes, misturando guerreiros de Gard, de Hill, Kaos e homens livres de Decarius, que aguardavam o sinal de Hakim para invadir como uma tempestade.


Em poucos segundos, colunas de guerreiros avançaram pelas areias, cada um preparado não para massacrar, mas para imobilizar, subjugar, selar. Técnicas de restrição, campos de contenção… tudo havia sido treinado para esse dia.


Mesmo assim, Hakim sabia. Mesmo assim… havia limites. 


Hakim tentou segurar todos sozinho, porque ele sabia que quando o ataque começasse, mesmo que ele desse ordens claras e a razão fosse legítima, os soldados não teriam a mesma paciência que ele teve. Eles não teriam a mesma compaixão. E inevitavelmente… matariam.


Não seria nem por culpa deles ou por maldade, mas sim, por necessidade. Em um campo de batalha, a vida está em jogo, e para não perdê-la, é preciso fazer o necessário. E matar era uma das escolhas inevitáveis de uma guerra.


Sabendo disso, Hakim socou o peito, onde seu coração vibrava como um trovão engarrafado, e fechou os olhos mais uma vez enquanto segurava um amuleto de transmissão sonora.


“Zao Tian…” Hakim chamou: “Zao Tian… Eu estou no meu limite. Se não chegar logo, se não usar seu poder para quebrar essa corrente por dentro… eu vou ser forçado a matar.”


*Clak…* Assim que a voz de Hakim caiu, um estalo soou em resposta, mas ele não veio do amuleto… ele veio do ar, ou melhor, do espaço, que vibrou como se estivesse sendo rasgado.


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* Tão rápido quanto aquela vibração surgiu, um estrondo ensurdecedor soou. E o espaço foi literalmente rasgado por um feixe dourado que chegava a ser cegante.


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* Imediatamente após a chegada do feixe dourado, raízes imensas brotaram do chão, e delas uma árvore gigantesca emergiu do solo árido do deserto, engolindo a paisagem com sua sombra.


*Whooooooooooooooooom…* Logo em seguida, o feixe desapareceu em outra fenda espacial, mas antes de fazer isso, Hakim ouviu sua voz dizer: “Agora você pode lutar sem se preocupar em machucá-los ou perder nossos soldados.”


A voz era de Zao Tian, que respondeu ao chamado de forma imediata, e o que ele deixou para trás, a árvore impossível de não ser vista, começou a instantaneamente curar todos os soldados de Decarius que carregavam consigo uma espécie de talismã que até agora eles não faziam ideia de para que servia.


Até Hakim, com sua força tremenda, sentiu sinais claros de recuperação e percebeu o quanto estava começando a ficar fadigado quando seu corpo e energia espiritual começaram a ser revitalizados.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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