Capítulo UHL 1019 - O Destruidor de Correntes
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Tenham uma boa leitura!]
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Na superfície árida de Karun, a árvore erguida por Zao Tian rasgava o céu como uma coluna viva. Mas quem olhasse para ela, naquele instante, estaria distraído. Porque o que importava não era a árvore… Era o homem.
Zao Tian flutuava sobre o deserto, já em outro ponto.
Ele estava lá em cima, sem marcas de deslocamento, sem ondas de ar. Um ponto imóvel a cem metros do chão, com os braços cruzados e os olhos fechados. E ainda assim, em cada fronte de batalha, seu nome soava como um martelo em uma bigorna.
A Árvore Sagrada pulsava uma cor viva que subia até ele, como se fosse uma raiz reversa. Cada gota de energia que alguém gastava lá embaixo voltava para ele, circulava em seu núcleo, e era devolvida multiplicada para quem segurasse o talismã.
Hakim, que voltou para a batalha e estava coberto de poeira e suor, ergueu os olhos quando quebrou a espinha de um escravo Santo com um golpe que não o matou, apenas parou o ataque. O corpo caiu mole, respirando, e Hakim respirou com ele antes de olhar para cima.
“Ele nem se move e já faz isso tudo...” Hakim pensou enquanto sentia um calafrio subindo pelas suas vértebras, não de medo, mas de uma certeza… existem poucos homens que desafiam os limites da lógica. E Zao Tian… era um deles.”
Enquanto Hakim se distraia por um mero instante, um grito de um capitão de Kaos rasgou o campo de batalha: “Hakim! O flanco sul está cedendo! São quinhentos escravos forçando a contenção!”
Hakim acordou daquele breve transe e ergueu o braço para dar uma ordem, mas não teve sequer tempo de fazê-lo… Porque Zao Tian sumiu do céu no mesmo instante.
Hakim piscou. Literalmente piscou. E quando abriu os olhos de novo, Zao Tian estava lá embaixo, no meio da massa compacta de escravos avançando pelo sul.
Ele não caiu como meteoro. Ele simplesmente apareceu, e quando apareceu, um clarão correu pela areia. Os escravos simplesmente pararam, e, um a um, seus corpos tremeram. Zao Tian, enquanto se movia, encostava a palma aberta em suas testas, na nuca, nos peitos. E a cada toque… uma Marca de Controle da Alma se partia como louça barata. Cada toque era soava como um gemido de alívio, um choro sufocado, um guerreiro livre de novo.
Um orgulhoso general de Gard, vendo aquilo a cem metros de distância, engasgou: “Ele... ele está neutralizando todos eles?!”
Um capitão que estava ao lado dele corrigiu, pasmo: “Não... Ele tá libertando…”
Ninguém conseguia contar para mensurar o números de escravos que Zao Tian libertava por segundo, mas todos percebiam a maré mudar, os gritos se calarem e batalha simplesmente parar. Porque a cada toque visível, três outros aconteciam em linhas de movimento que os olhos não acompanhavam.
No subterrâneo, Jaha caminhava firme, quebrando selos de contenção como um bisturi corta carne doente. Para ele, tudo era cálculo, ângulo, pressão.
Até que sentiu algo diferente: um sopro de vento onde não deveria haver vento. Um clarão à esquerda. Zao Tian surgiu, tocou uma parede cheia de matrizes complexas que Jaha estimou que levaria dez minutos para quebrar sem ferir os prisioneiros.
Bastou a mão de Zao Tian tocá-la...
*Crack.*
O selo morreu. Os grilhões espirituais evaporaram como vapor sob o sol.
Zao Tian olhou para Jaha, que por reflexo abriu a boca para protestar: “Eu ia fazer isso...”
Zao Tian só sorriu, apertou o ombro dele, e desapareceu de novo. E em menos de uma piscada, lá estava ele centenas de metros adiante, desfazendo o próximo selo antes que Jaha completasse um único cálculo.
E Jaha, riu. Um riso curto, seco.
“Que bom... que ainda existe quem fuja das minhas previsões…” Jaha murmurou de forma prazerosa e nem um pouco invejosa.
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Enquanto lá fora, Hakim chutou o peito de um Santo, agarrou outro pelo maxilar e o enterrou de cabeça na areia até ele apagar. Depois, ele respirou fundo e girou nos calcanhares para coordenar a próxima linha de defesa, mas parou. Porque Zao Tian já estava ali. Flutuando a dois palmos do chão, rodeado por quarenta, cinquenta escravos ajoelhados, livres, tremendo como recém-nascidos.
Por um momento, Zao Tian ergueu o rosto para Hakim. Não havia suor em sua testa. Nenhum corte, nenhuma marca. Nem parecia que ele estava lutando. Parecia que ele era a luta.
“Hakim” Zao Tian chamou, antes de dizer: “A Árvore Sagrada cuidará dos teus. Eu cuido das correntes. Faça o que nasceu pra fazer… Apenas quebre quem ainda resiste.”
Hakim não respondeu de imediato. Ele, que jamais ajoelhara para rei algum, curvou a cabeça um centímetro, não por subordinação, mas por respeito.
Enquanto isso, em volta deles, cada soldado de Decarius, cada capitão de Gard, cada comandante de Kaos, cada oficial de Hill... Todos começavam a cochichar um para o outro entre golpes, flechas, cortes:
“Ele está em todo lugar...”
“Ele estava no norte faz um segundo... Agora está no sul...”
“Eu o vi no ar, agora ele está lá dentro...”
O que eles diziam não eram rumores. Eles viam. Eles eram testemunhas vivas das histórias que com certeza contariam quando chegassem em casa.
Do céu, alheio aos olhares ou reconhecimento, porque ele não precisava disso, Zao Tian rasgava o espaço, atravessava a planície e caía como um clarão sobre uma tropa encurralada. Ele libertava vinte homens num sopro, erguia raízes que curavam a carne e reabasteciam a energia espiritual, e depois sumia e reaparecia atrás de um comandante inimigo, quebrava a Marca, devolvia o homem a si mesmo. E sumia de novo.
Um cultivador de Gard, exausto, por não ter levado consigo o talismã que foi dado a ele antes da batalha, encostou-se a uma duna sangrando pelo peito. O soldado ao lado dele lhe entregou seu próprio talismã, e o homem viu sua carne fechar sozinha quando apertou o talismã no pescoço. Ele então olhou para o céu e viu o vulto dourado que era Zao Tian dançar na luz do sol de Karun.
“Então é isso... ele não é só um guerreiro... Ele é…” O homem tentou dizer algo, mas a frase morreu em sua boca. Porque não havia palavra. Nenhuma língua tinha algo que pudesse descrever o que ele estava testemunhando.
Naquele instante, enquanto o sol de Karun queimava as areias, cada par de olhos que ousasse erguer a cabeça veria o mesmo: um lampejo cortando o ar, um vulto que surgia em pontos opostos num intervalo de tempo tão curto que parecia desafiar o próprio tempo.
Zao Tian não sorria, não gritava ordens, não erguia bandeiras. Ele não precisava. Para quem observava de longe, era impossível saber se ele respirava, se cansava ou se sentia prazer naquilo. Mas quem estava perto, quem o via se mover, entendia a verdade cruel: Zao Tian não estava ali para ser visto, mas para fazer o que tinha que ser feito.
A cada selo quebrado, gemido de um novo homem livre soava. A cada escravo tocado, uma corrente era despedaçada. O vento parecia segui-lo, carregando restos de Marcas desfeitas que se pulverizavam no ar como cinzas inúteis.
Em um momento específico, no meio do campo, um escravo de armadura remendada, um homem que nunca lembraria o próprio nome, escravizado desde criança, caiu de joelhos quando Zao Tian lhe quebrou a Marca com dois dedos na nuca. O homem ergueu os olhos marejados, pronto para agradecer, mas Zao Tian já não estava lá. O vento quente soprou onde ele estivera, levando a resposta embora antes mesmo que fosse perguntada.
Acima, Hakim erguia muralhas de areia, amarrava Santos como feixes de trigo, e via, entre um golpe e outro, a sombra dourada riscando o céu. Não havia nenhuma reverência na postura de Hakim, apenas respeito, e uma certeza firme: enquanto Zao Tian respirasse, as correntes não teriam descanso.
Perto da Árvore Sagrada, um grupo de cultivadores de Hill parou de lutar por um segundo só para ver. Um deles, com a face ainda cortada, mas se curando, sussurrou, com a voz falhando entre a poeira: “Ele não olha para nós… Ele nem ouve o que gritamos…”
O mais velho do grupo respondeu, ainda segurando a espada pingando sangue de cortes não fatais: “Porque ele não está aqui pra nos ouvir. Ele está aqui… pra terminar.”
Era exatamente isso. Lá em cima, pairando no último fiapo de céu azul que ainda não fora rasgado pela luz da Árvore, Zao Tian parou pela primeira vez e olhou para cada homem livre, cada corrente partida, cada sopro de esperança que estava sendo reconstruído numa guerra que deveria ser um massacre.
Não havia vaidade em seu olhar. Nenhum orgulho. Apenas o peso do que ainda restava para fazer. Daqueles que ainda possuíam grilhões.
Então, sem dizer uma palavra, ele se virou, sumindo num estalo que ninguém conseguiu seguir. Porque no deserto de Karun, naquele dia, mais do que a Árvore Sagrada, mais do que qualquer bandeira, todos testemunharam a maior verdade da vida dele: Para Zao Tian, não importava quem via ou não via. Importava quem vivia. E quem fosse viver… não viveria acorrentado.
