Capítulo UHL 1030 - O Peso da Promessa
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O silêncio no campo devastado durou mais do que qualquer oração.
As muralhas de aço agora não passavam de sucata retorcida. As últimas fagulhas do fogo cinza tremeluziam no ar pesado, como se até elas, por respeito, desistissem em queimar.
Yang Hao estava parado diante do corpo imóvel de Tyrone, enquanto o vento da morte soprava por entre os escombros.
Com a mão direita, o imperador ainda repousava sobre os olhos do guerreiro caído, fechando-os suavemente. E com a esquerda, repousava sobre a empunhadura de sua própria espada, ainda embainhada.
“Você não tinha que estar aqui…” Ele disse, num tom baixo, firme, quase paternal, mas agradecido: “Mas esteve. Esteve até o fim.”
Ele então se ajoelhou, sem desviar os olhos da armadura destruída de Tyrone.
“Você manteve seu posto. Protegeu seus homens. Fez o que foi pedido e esperado de você… e foi além.”
O imperador respirou fundo, com o ar denso e carregado invadindo seus pulmões como poeira sufocante. Ele não chorava. Não tremia. Mas todo o seu corpo parecia mais pesado. Como se sustentasse, sozinho, o luto de todos os outros que ainda não receberam, mas receberiam a notícia.
“Tyrone…” Ele continuou, agora em tom de voto: “Não posso te trazer de volta. Não posso devolver o que esses dois arrancaram. Mas posso fazer algo.”
Ele se levantou devagar, com cada movimento carregado de solenidade.
“Eu posso garantir… que o sangue que você derramou… será pago. Com juros.”
E então, sem mais palavras, ele se virou.
Seus olhos incandescentes se ergueram para Yang Yin e Yang Fen, parados a poucos metros de distância, ainda com os corpos limpos, as roupas intactas, como se a batalha não tivesse os tocado.
Yang Hao deu dois passos.
E sua voz preencheu o campo morto com uma clareza que fez o ar vibrar: “Vocês eram homens de honra.”
Ao dizer aquilo, o olhar dele se fixou nos dois como uma lâmina que não corta a carne, mas a alma.
“E hoje… são apenas vermes.” Ele completou, com desgosto, desprezo, pelos dois e por ele mesmo, pois um dia acreditou neles.
Yang Yin levantou uma sobrancelha, como quem ouve um comentário entediante. Yang Fen riu, aquele mesmo riso seco e abafado que havia acompanhado a chacina minutos antes.
“Vejo que a realeza ainda gosta de discursos.” Yang Fen provocou, girando o punho envolto em brasas cinzas.
Yang Yin não riu, mas falou logo em seguida, com aquela voz fria e debochada: “Chega de cultuar garotos mimados. Estamos fartos de fingir que você é especial.”
“No fim, você é apenas um homem de carne e osso que nasceu em um berço de ouro.”
“Você pode exigir respeito, reivindicar o status de gênio, mas nunca poderá negar a realidade.”
“A realidade de que… Você é uma criança travestida de adulto! Você exige que sua vontade seja feita e sequer agradece aos que rastejam à sua volta, porque acredita que o que eles fazem é por obrigação.”
“Pode nos chamar de vermes. Porque eu te digo que, se somos vermes, somos vermes inteligentes, porque saímos de um hospedeiro que mais se alimentava de nós do que nós dele.”
O desabafo de Yang Yin foi longo, mas Yang Hao não reagiu.
Pelo menos, não imediatamente.
Mas o solo ao redor de seus pés começou a rachar.
Um círculo perfeito de trinta metros à sua volta tremeu, como se a gravidade ali tivesse dobrado. Os restos dos soldados caídos começaram a se afastar, como se a energia espiritual do imperador estivesse reordenando o próprio espaço ao redor.
Ele ainda olhava para os dois. Mas algo mudara.
A raiva não estava em seu rosto.
Estava no ar.
“Vocês acham que me enfurecem com essas palavras?” Ele perguntou, quase em desdém: “Vocês acham que me ferem com essas memórias distorcidas de um império que ajudaram a construir… e depois cuspiram em cima?”
*Craaaaaaaaaaaaaaaaash…* O céu trovejou.
Não porque chovia.
Mas porque algo lá em cima também parecia protestar.
*Tap. Tap. Tap…* Yang Hao então caminhou mais alguns passos. A energia espiritual ao seu redor se intensificou em tons avermelhados. Não havia grito. Não havia berro de raiva.
Apenas a verdade.
“Eu poderia perdoar a traição…” Ele, então, disse, com a voz levemente mais baixa, mais grave: “Poderia até perdoar a covardia de quem foge quando mais se precisa.”
Ele então parou.
E sua expressão, até então controlada, se transformou.
Não em ódio.
Mas em julgamento.
“Mas o sangue de Tyrone… o sangue dos outros milhares que vocês mataram em silêncio… esse sangue grita.” Yang Hao mencionou e fechou os punhos.
“O sangue não esquece. Não aceita desculpas. Não entende arrependimentos.”
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* Mais um raio cruzou o céu, partindo ao meio uma nuvem escura, como se a realidade respondesse àquelas palavras.
“O sangue exige.” Ele disse, encarando os olhos dos dois, antes de completar: “E eu… vou cobrar! Gota por gota… Até não restar mais nada que possa ser derramado por eles!”
Yang Yin instintivamente cerrou os olhos por um instante. Talvez por medo. Talvez por respeito. Talvez apenas por cálculo.
Yang Fen apenas sorriu de novo, agora mais largo, revelando os dentes escurecidos pela combustão espiritual que carregava no peito.
“Finalmente…” Disse o portador do fogo cinza: “Mostre quem você é… Imperador.”
Yang Hao então tirou a capa dos ombros.
O manto se soltou, flutuando por alguns segundos antes de pousar sobre Tyrone.
O manto adornado de Yang Hao repousava sobre o corpo de Tyrone, como um sinal singelo de honra e promessa. Em contraste, os pés do imperador tocaram o solo quente e instável com uma calma quase sacrilégica, diante do caos que consumia todo o campo.
Seu peito subia e descia de forma ritmada, enquanto seus olhos, dois sóis sem misericórdia, mantinham-se fixos em Yang Yin e Yang Fen.
Ele não carregava armadura alguma.
Não precisava.
Aqueles que vivem se protegendo de tudo… dificilmente enfrentam o que importa.
Ao ver aquela cena e escutar aquelas palavras, Yang Yin inclinou levemente a cabeça, como um corvo analítico prestes a pousar sobre uma carniça. Naquele momento, ele parecia mais interessado em provocar do que em lutar de imediato. Parecia que ele queria muito soltar tudo aquilo que ele sempre segurou enquanto era obrigado a servir Yang Hao sem contestar suas decisões.
“E onde estão os outros?” Ele perguntou, com a frieza de quem apenas enumera problemas logísticos: “Os Guardiões Imperiais que você tanto preza… Todos eles também caíram, como esse inseto?”
O silêncio de Yang Hao foi breve, mas intenso.
“Não.” Ele, então, respondeu, com a voz firme, antes de explicar: “Eles queriam vir. Alguns até imploraram. Mas eu disse não.”
A poeira logo se moveu ao redor dele, girando como uma auréola invertida.
“Esse não é o tipo de sujeira que eu deixo os outros limparem.” Yang Hao completou.
Yang Fen, por sua vez, bufou com desdém e respondeu: “Você sempre foi bom em fazer os outros lutarem por você. Mas dessa vez… veio sujar as próprias botas?!”
Yang Hao arqueou uma sobrancelha, como se olhasse para um tolo, e falou de volta.
“Vocês ainda acham que eu me escondi atrás de alguém?” Ele perguntou, retórico: “Pois eu digo: vocês foram embora antes de entender quem eu sou.”
Quando Yang Hao disse aquilo, seu tom não era de vaidade.
Era de frustração.
Era o tom de quem não queria provar nada… mas, naquele dia, faria questão de mostrar tudo.
Yang Yin estreitou os olhos, como quem não acredita em um mentiroso, e bufou: “Arrogância. Você não mudou.”
“Engano seu.” Yang Hao respondeu, sem delongas: “Eu mudei, sim. Talvez não o suficiente. Talvez tarde demais. Mas mesmo quando eu era quem fui, vocês nunca me conheceram!”
E então, depois daquela resposta, ele deu um passo à frente.
“Mas eu lembro do começo, Yin. Lembro de quando você ainda não era ninguém. Lembro de quando teve seu nome aceito entre os Guardiões Imperiais.”
Aquela menção ao passado fez a expressão de Yang Yin vacilar, mesmo que por uma fração de segundo.
“O Chao… sempre foi contra seu ingresso. Ele dizia que você era ambicioso demais. Arrogante demais. Convencido demais pra servir a algo maior do que o próprio ego.”
“E estava certo.” Yang Hao afirmou, agora em tom de arrependimento: “Mas eu… Eu fui quem bancou sua entrada. Porque eu via em você não só talento, mas um desejo de provar o seu valor. Alguém que precisava de um propósito para se tornar quem estava destinado a ser.”
“Eu apostei em você, Yang Yin.”
Yang Hao fez questão de dizer o nome completo, com sobrenome Yang, que foi dado a ele como uma forma de coroação ao posto e boas vindas à família. E a frase caiu como uma sentença.
Pesada.
Inegável.
Mas Yang Hao não tinha terminado.
Ainda não.
“E agora, sou eu quem deve lidar com as consequências da minha aposta.”
“Você me traiu.” Yang Hao disse, firme, sem espaço para perdão ou retorno: “Não só a mim. Mas à ideia dos Guardiões. À promessa que fizemos juntos. Às vidas que juramos proteger.”
Yang Yin apertou o maxilar.
A menção a isso não era apenas incômoda. Era uma ferida. Uma lembrança que talvez nem ele tivesse coragem de encarar por inteiro.
“Eu cresci.” Ele respondeu, tentando manter a calma: “Cresci o bastante pra ver o quanto tudo aquilo era uma farsa. Uma ilusão criada por um imperador que queria fingir que carregava o mundo sozinho.”
Yang Hao ergueu o queixo levemente.
“Talvez seja verdade. Talvez eu tenha errado em acreditar que bastaria força pra sustentar tudo. Mas você… Você não quebrou o sistema. Sequer tentou mudar alguma coisa. Você só se vendeu!”
“Não houve revolução. Só houve fuga.”
“Você não cresceu… Porque daqui… O que eu vejo é muito menor do que eu me recordo.”
Yang Hao soltou mais uma frase que bateu como uma pedrada no rosto de Yang Yin, e Yang Fen deu um passo à frente agora, impaciente.
“Chega de nostalgia. Chega de arrependimentos. O tempo das palavras acabou.”
Ele ergueu a mão, e o fogo cinza serpenteou em torno de seus dedos como vermes famintos.
Mas Yang Hao não se moveu.
“Eu ainda tinha algo a dizer.” Ele respondeu, firme: “Algo que precisa ser dito… antes que vocês desapareçam.”
Yang Yin não respondeu. Mas seus olhos, agora mais focados, pediam que ele terminasse logo.
Então Yang Hao respirou fundo.
“Vocês acham que me enfrentam porque querem poder. Porque querem vingança. Ou porque querem destruir um império.”
“Mas o que vocês realmente enfrentam… é o reflexo do que poderiam ter sido. É o passado que não verá o futuro. E não suportam isso.”
“Vocês veem em mim o que escolheram abandonar… e isso os consome por dentro.”
Ao cair daquelas palavras, a atmosfera se adensou de repente. Como se as palavras, agora ditas, tivessem autorizado o mundo a reagir.
O chão em volta tremeu.
As rochas começaram a se erguer em levitação espontânea.
E a sombra do corpo de Tyrone… foi a última coisa que tocou o manto, antes que ele se esfarelasse em pura energia.
Yang Hao, então, deu o último passo.
E apontou a espada para frente, com o braço relaxado, como quem aponta uma bússola para a direção do juízo final.
“Eu vim aqui sozinho…” Ele disse, com uma serenidade cortante: “Porque fui eu quem te colocou entre os Guardiões, Yang Yin.”
“Fui eu quem deu voz às suas ideias, quem assinou sua ascensão, quem te chamou de filho.”
“E agora…” Ele virou a lâmina, com o gume voltado para baixo.
“Sou eu quem vai te silenciar. Te punir. Te expulsar.”
Yang Yin então sorriu de leve.
Mas não era um sorriso cruel. Era um sorriso melancólico.
“Então venha, imperador.” Yang Yin disse num tom sarcástico.
Yang Fen, por sua vez, estalou os ossos do pescoço e abriu os braços, como se desafiasse o céu: “Façamos deste planeta… o nosso mausoléu.”
“Este planeta sujo e sem importância… será o túmulo de um imperador!”
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaash…* E, naquele instante, os três desapareceram de suas posições.
Não com passos.
Mas com a mais pura e fria intenção de matar.
O espaço se rompeu entre eles. E antes mesmo do primeiro golpe ser visto, o mundo gemeu. Como se soubesse… que nenhum pedaço dele sairia inteiro dessa luta.
