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Capítulo UHL 1046 - O Predador do Vento e o Leão de Fogo

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Tenham uma boa leitura!]


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Onde a luta entre Ming Xue e Lucke acontecia, o espaço se calava após o impacto do último golpe. Flocos de gelo derretido pairavam em suspensão, vapores se expandiam em formas etéreas, e as partículas de energia espiritual ainda crepitavam no ar rarefeito ao redor de Lucke. Ele, por sua vez, pairava com os pés tocando uma rocha flutuante instável e o peito arfando enquanto sangue escorria por entre as runas flamejantes que cobriam seu corpo. Pela primeira vez desde que aquela luta começou… ele sentiu que poderia morrer.


Mas o sorriso em sua face, porém, não desapareceu.


Ele olhava para os arredores, procurando Ming Xue com os olhos semicerrados, mas já não a encontrava do mesmo modo. Sua percepção espiritual, mesmo sendo forçada ao máximo, não a localizava. Seus sentidos aguçados, antes capazes de rastrear qualquer movimento por variações no calor ou nas vibrações do espaço ao redor, não captavam mais nada.


Foi então que ele escutou…


*Tap… Tap… Tap…*


O som ritmado, como garras tocando o gelo. Vindo de todos os lados ao mesmo tempo.


Lucke girou os ombros, preparando os punhos para mais um embate, quando a voz dela cortou o espaço, rouca, gutural… e monstruosamente calma:


“Você disse que seria um deus aqui…”


Quando ele escutou aquilo, a voz vinha de perto.


Muito perto.


“Mas se esqueceu que há feras que caçam deuses.”


A voz soou mais uma vez, e então, ela surgiu.


Não como antes.


Não mais como a elegante guerreira de vento e água que se movia com precisão quase artística. Diante de Lucke, pairando sobre uma das placas inclinadas de gelo, estava uma fera. Seus cabelos brancos agora se expandiam como parte de uma juba selvagem. As orelhas eram pontiagudas, os olhos brilhavam, e as pupilas estavam contraídas em fendas predatórias. A roupa que antes parecia uma vestimenta marcial, agora se fundia com sua própria carne, adornada com espinhos gelados e detalhes que pareciam ossos de criaturas marinhas extintas.


Ming Xue, agora, havia deixado de lado toda contenção.


Ela estava em sua forma bestial. E tudo nela exalava perigo.


Sua respiração, como sempre, era controlada, mas estava baixa e contínua, como o ronco de uma tempestade vindo do fundo do mar. A energia espiritual emanava do seu corpo como ondas invisíveis, e, mesmo no vácuo do espaço, Lucke teve a impressão de escutar o uivo do vento cortando sua pele.


A Lágrima da Alma flutuava atrás dela, girando em torno de sua cintura como uma cauda, agora pulsando em azul e branco, pronta para se moldar ao menor comando.


Lucke não recuou diante daquela visão, mas a tensão o obrigou a flexionar os músculos. Seu sorriso se mantinha, mas pela primeira vez havia algo diferente… 


Era respeito. O deboche tinha dado lugar a autopreservação, porque o risco de morrer tinha se tornado iminente.


"Então é assim…" Ele murmurou, abrindo os braços, antes de dizer: "Agora entendo porque você me lembra tanto ela…"


Enquanto Lucke dizia aquilo, as chamas que envolviam seu corpo começaram a se tornar instáveis. As runas tribais acesas em sua pele queimaram de forma descompassada, como se não soubessem mais para onde direcionar seu poder.


Lucke, entretanto, sabia exatamente o que fazer.


Ele também estava cansado de brincar. E agora que Ming Xue mostrou aquele lado dela, ele estava pronto para mostrar o seu verdadeiro eu.


Cerrando os punhos, ele soltou um rugido abafado, e seu corpo começou a se transformar. Todas as suas veias se expandiram, os músculos cresceram de forma grotesca e as chamas que o envolviam se fundiram ao próprio tecido de sua pele. Até a aura dele mudou. Ela se tornou densa, primitiva… selvagem.


Uma espécie de pelos flamejantes brotaram em seus ombros, seu peito se dilatou e garras de fogo cobriram seus dedos. Os olhos, antes escuros, se tornaram brasas puras, e da base de sua coluna emergiu uma cauda de chamas dançantes.


Assim como Ming Xue, Lucke estava tomando uma nova forma, e ficou evidente o que ele era quando uma juba flamejante surgiu ao redor do seu pescoço…


Era um leão. 


Um leão criado nas profundezas do inferno, de onde as mais abrasantes chamas nascem.


Lucke se tornava agora aquilo que só poucos podiam ser.


Ele se tornava um híbrido.


Uma criatura nascida da energia espiritual combinada com os instintos animais mais puros. Um predador natural, de linhagem direta com Raya.


E seu corpo, como se encarnasse os instintos e vontade da fera, gritava poder.


As rochas ao redor começaram a vibrar sem sequer serem tocadas. Algumas viram pó.


O calor emanado por sua transformação fez com que as estruturas congeladas derretessem a metros de distância, criando rios em pleno vácuo.


Os dois agora flutuavam sobre os escombros de Askyr como duas entidades incompreensíveis. Um predador do vento, moldado e aperfeiçoado pela fúria da água, e um leão de fogo, forjado pela selvageria das entranhas do inferno.


Eles se encaram por alguns segundos, e foi Lucke quem falou primeiro, agora com a voz rouca e deformada:


"Então você também herdou isso…"


Ming Xue não respondeu. Sua silhueta apenas sumiu com um estalo.


*Swooooosh.*


Ela avançou tão rápido que Lucke mal viu. E naquela hora, seus sentidos foram postos à prova.


*Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…* Ele bloqueou por instinto, e mesmo assim, foi empurrado centenas de metros por um golpe que mal conseguiu enxergar. 


Naquele momento, as garras de Ming Xue riscaram seu peito, deixando cinco sulcos que atravessaram as chamas. 


Sangue e fogo escorreram ao mesmo tempo, mas Lucke girou no ar e atacou de volta.


*Boooooooooooooooooooooooooooooooom…* 


Sua cauda flamejante avançou como um chicote incandescente, atingindo Ming Xue de raspão, o suficiente para rasgar parte da sua pele e lançar faíscas e vapor ao redor.


Depois de uma troca de golpes em que puderam sentir muito bem o nível de perigo que ambos representavam um para o outro, os dois lamberam as presas e colidiram novamente.


E novamente.


E novamente.


As colisões entre eles se tornaram a única coisa que o espaço e o tempo conseguiam captar. 


Cada choque entre eles era um cataclismo. Fragmentos de gelo viravam poeira. Rochas eram pulverizadas. Nada sobrevivia ao confronto deles.


Era como se, naquele momento, os céus de Askyr, mesmo que destruídos, estivessem chorando ao ver dois filhos da natureza se destruindo por completo.


E em meio ao caos, entre os estalos de energia espiritual e explosões ensurdecedoras, as duas formas se moviam como fantasmas. Como bestas.


Cortes de vento, esferas de fogo, perfurações de água em alta pressão, impactos sonoros que pareciam rachar até os ossos, e garras que riscaram a escuridão do universo assolaram tudo ao redor dos dois.


Eles eram monstros.


Eram guerreiros.


Eram o ápice do predador e do sobrevivente.


Mas mesmo naquela forma, mesmo com o poder que compartilhavam, algo ficava lentamente mais evidente… algo que só quem prestava atenção perceberia: Ming Xue estava se adaptando mais rápido.


Muito mais rápido.


Ela se tornava cada vez mais feroz, precisa e potencialmente letal. Era como se aquela forma fosse o estado natural dela. Como se seu corpo tivesse sido feito para aquilo.


Ming Xue estava à vontade naquela forma. Parecia que ela estava despertando a verdadeira forma de sua alma, que, até agora, estava acorrentada naquela forma humana, graciosa e bela.


Ao contrário de Lucke, que ainda forçava o controle sobre algo tão natural para ela, Ming Xue se deixava levar pelos instintos… se soltava, mas sem perder a razão.


E isso era assustador.


Não para para Ming Xue ou para aqueles que torciam por ela… mas para Lucke.


Sem precisar que ninguém lhe dissesse isso, Lucke sabia. Ele sentia em cada troca de golpes, em cada respiração dela que ficava cada vez mais próxima de seu pescoço…


Se não acabasse com ela logo… ele não teria chance. 


Ming Xue estava encarnando algo que parecia ser incompreensível. Ela estava elevando o nível genético do seu próprio corpo. Criando uma raça que deixava o conceito de ‘ser humano’ para trás, como se tal conceito fosse um mero ensaio do universo para criar uma forma de vida superior, definitiva… perfeita.


Ming Xue se transformava, a cada movimento, a cada respiração, na evolução da raça humana. Em um novo nível de espécie que superava todas as outras raças mortais.


Então, pela primeira vez desde que se conheceram…


Lucke recuou.


Lucke se calou.


Todo o deboche e o orgulho que ele sentia quando acreditava estar pressionando Ming Xue estava sendo esmagado, junto com suas resitências às investidas cada vez mais perigosas e dolorosas dela. E nesse instante, uma mensagem silenciosa passou por sua mente...


“Você é como ela…”


A figura de Raya surgiu brevemente na mente de Lucke. 


Foi daquela mulher que ele herdou sua forma atual, forma que, até hoje, era um prego no caixão de qualquer um que se colocasse em seu caminho.


Contudo, mesmo esquecendo ele próprio e pensando em Raya, para tentar comparar, Lucke chegava a terrível conclusão de que Ming Xue não se parecia mais com ninguém.


Ela era a nova fera dominante.


E aquele campo de batalha, perdido nos confins do universo… já não era mais o trono do leão, do rei dos animais.


Era a jaula de uma besta. 


E ela estava com fome.


Uma fera sedenta por sangue estava caçando o leão.






O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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