top of page
Garanta o seu exemplar.png

Capítulo UHL 1065 - A Voz da Revolta

[Capítulo patrocinado por Alberto Augusto Grasel Neto. Muito obrigado pela contribuição!!! 


ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5


ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.


Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!


Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.


Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz


Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/


Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!


Ps: Link do Telegram atualizado!


Tenham uma boa leitura!]


-----------------------


Enquanto Grasel murmurava suas últimas palavras e parecia ter algo planejado para uma fuga, ferido e furioso por estar fazendo aquilo, os tremores daquela guerra ainda reverberavam pelo vazio do cosmos. Não só o campo de combate entre ele e Ming Xiao se tornaria, com o tempo, mais uma cicatriz permanente no tecido do universo, mas toda a guerra travada naquele dia, em si, teria um grande impacto nos livros de história.


Enquanto aquela luta se encaminhava para um novo capítulo em segredo, em outro ponto do universo, algo gigantesco começava a se mover.


Algo que faria qualquer batalha individual parecer pequena.


----------------------


Nas bordas do sistema estelar Vuth-Ra, nos confins dos territórios conhecidos dos Krovackianos, um planeta abandonado, repleto de rochas negras e atmosferas quase corrosivas, era tomado por uma presença incomum para aquele ambiente. Nenhuma civilização habitava ali há séculos. Nenhum viajante ousava se aproximar sem permissão. Mas agora, muitos não só se aproximavam… eles se aglomeravam. E o número crescia a cada batida de um coração.


No ar rarefeito e ao redor da órbita planetária, era impossível estimar a quantidade exata de cabeças.


Centenas de milhares, talvez milhões, de guerreiros flutuavam em formação, lado a lado, como muralhas vivas unidas por um propósito em comum. Eles formavam círculos, colunas, camadas verticais e diagonais que pareciam avançar como placas tectônicas. E o que mais chamava atenção… era a diversidade das criaturas que formavam aquele exército.


Orcs e Krovackianos.


Juntos.


Era algo que sequer os mais antigos conselheiros das tribos de guerra de ambas as raças poderiam afirmar ter visto um dia. Povos que historicamente se ignoravam, se confrontavam ou desprezavam os ideais uns dos outros… agora estavam lado a lado, se reunindo como uma entidade única em direção a um mesmo objetivo.


A atmosfera do planeta era sobrecarregada por gritos de guerra e cânticos antigos de ambos os povos. Dos Krovackianos, vinham os timbres graves de guerreiros armados até os dentes, trajando armaduras fundidas com seus próprios corpos, adaptadas para resistir a golpes de cultivadores de elite. A pele acinzentada, asas de morcego e os olhos avermelhados davam a cada guerreiro daquela raça uma aparência demoníaca, mas nada era mais temido do que o homem que os liderava.


Um krovackiano gigante de pele azul-escura, quase preta, com tatuagens cerimoniais desenhadas com sangue seco sobre o peito e o rosto. Dois chifres naturais saíam de sua cabeça, simétricos, mas esculpidos com cortes profundos de batalha. Os olhos dele eram de um tom violeta incomum, irradiando uma serenidade fria, própria de um estrategista implacável.


Seu nome era Vargan’Zul.


Entre orcs e Krovackianos, não havia uma única formação em que aquele nome não fosse sussurrado como sinônimo de obediência, terror ou perigo. Ele não era um líder político. Era um guerreiro. Um comandante nascido da guerra, na guerra e para a guerra. E desde que Anúbis plantou nele as sementes da dúvida, da raiva, do conflito e da ambição, Vargan’Zul elevou sua voz e fez com que sua marcha alcançasse os ouvidos e as vontades de muitos.


À sua volta, diversos orcs rufavam tambores feitos com peles endurecidas e moldadas pelo tempo, invocando ritmo com ondas de som e vibração espiritual. Os céus ao redor pulsavam com a energia brutal da marcha sincronizada do exército. Aquilo não era uma armada discreta, nem veloz. Era uma força de ocupação. Um martelo preparado e mirado para esmagar os ossos do planeta onde seus alvos pisavam.


A presença de orcs naquele número também impressionava. Embora fossem conhecidos por não se reunir em grandes coalizões, desta vez algo os unia: o medo de perder territórios, a raiva por verem o mundo deles se transformando sem que fossem consultados e, principalmente, as ações de ódio que Olho causou contra os seus e conseguiu culpar toda a humanidade por elas.


A mentira, enfim, havia germinado.


E os frutos estavam maduros para a guerra.


O Olho plantou, e os deuses, na pessoa de Anúbis, colheram aquele fruto de sabores variados, dependendo de quem o provava.


“Formações estabilizadas. Os batedores relataram que a retaguarda dos humanos está vulnerável. Podemos avançar quando quiser, comandante.”


Aquela voz veio de um dos generais Krovackianos, que flutuava ao lado de Vargan’Zul, com as pernas cruzadas e o olhar firme, sustentado apenas pela energia espiritual. Não havia necessidade de palavras rituais ou gestos formais ali. Naquela coalizão, quem pairava ao lado de Vargan’Zul o fazia por mérito, por conquista, por ter sobrevivido à sua presença e aos seus conflitos.


Vargan’Zul não respondeu de imediato. Seus olhos estavam voltados para o horizonte do espaço, onde Decarius sequer brilhava como um ponto distante, e, mesmo sem ver, aos seus olhos, todos os seus habitantes pareciam indefesos.


Então, ele ergueu a mão.


Só isso.


Um gesto. Silencioso. Preciso.


Naquele mesmo instante, todos os guerreiros silenciaram. Os tambores pararam. As montarias voadoras orcs, maiores que casas e com cascos capazes de atravessar montanhas, pairaram em quietude. Era como se até o tempo houvesse parado diante da ordem de Vargan’Zul.


“Esta não é uma marcha por honra, nem por glória. Não estamos aqui para construir um novo império ou expandir fronteiras.”


Vargan’Zul começou, e sua voz ecoou entre as mentes dos presentes como uma avalanche emocional. A energia espiritual que irradiava dele reverberava direto nas almas dos soldados, reacendendo seus instintos e vontades mais antigas.


“Estamos aqui porque fomos traídos. Porque fomos enganados. Porque fomos atacados e cercados. Nos disseram que o perigo vinha de fora, quando ele sempre esteve dentro de nós. Porque os deuses recuaram, os humanos cresceram… e não nos deixaram lugar à mesa.”


“Os humanos entraram em nossas terras, em nossas casas, em nossas vidas… Querendo nos dizer quem deveríamos ser, como deveríamos agir, e quais lutas deveríamos travar ou não.”


“Eles anunciam uma guerra santa, contra inimigo supremo e nefasto… e sob esse pretexto… eles se espalham por todos os domínios como uma praga que infecta e envenena tudo o que toca.”


“Eu odeio os deuses… mas agora, sob a ameaça do novo monstro que afia as suas garras e tenta nos coagir… eu digo que a humanidade é pior!”


“Nem mesmo os deuses, contra quem eles prometem uma aniquilação e chamam de tiranos, jamais ousaram interferir em nossos assuntos. Eles nunca tentaram mudar nossos estilos de vida. E nunca tentaram nos coagir.”


“A voz sedutora dos humanos é a mais pura e nojenta dissimulação que todos nós já vimos!” 


“Eles enganaram e hipnotizaram muitos dos nossos com o medo ou falsas promessas, fazendo com que nossos povos entrassem em um transe nunca antes visto…”


“Mas agora… Nós acordamos!!!!” Vargan’Zul gritou, e com aquele grito, cada voz ali presente se fez ser escutada.


O apoio massivo às palavras do comandante que encarnava suas indignações foi expressado na forma de um grito inédito e uníssono.


Ele tinha o apoio que precisava, a vontade de lutar de cada guerreiro que podia ver. Vargan’Zul já se via entrando para a história de ambos os povos, com aquele discurso ecoando pela eternidade em cada reunião de orcs ou Krovackianos que acontecesse.

E assim, com o peito inflado, Vargan’Zul apontou na direção de Decarius, que sequer podia ser visto, e anunciou:


“Agora, Decarius, a casa deles, será o campo onde reclamaremos o que é nosso. Que diremos a eles que nenhum humano nos dará ordens ou nos ameaçará sem consequências.”


“Lá… será onde gritaremos com nossas armas!” A voz de Vargan’Zul rasgou o o ar como um trovão cortando a noite.


“Será onde nossas presas mostrarão que o tempo da enganação e das ameaças terminou!”


Com cada frase, o espaço em torno dele tremia com a força de milhares de cultivadores respondendo com seus próprios rugidos de aprovação. A energia espiritual, densa, animalesca, crua, ondulava como uma tempestade entre as fileiras.


“Nós não fomos feitos para mendigar espaço, nem para implorar por respeito! Fomos forjados na fúria, temperados na dor, e moldados pelo fogo das eras!”


Ao redor, os Krovackianos erguiam seus punhos cerrados, com as armaduras tilintando umas contra as outras, formando um estrondo metálico e constante, como o pulsar de um coração coletivo. Seus olhos vermelhos queimavam com a chama de um propósito reaceso. Muitos já haviam lutado em guerras, matado e sido marcados… mas nunca sentiram a alma vibrar como naquele momento.


“Nós somos as feras esquecidas que rastejaram do abismo… e que agora alçam voo com a maior sede de sangue que cada ser vivo já viu!”


O grito dos orcs foi o próximo a rugir. Guturais, acompanhados de batidas violentas no peito, como tambores de guerra feitos com os próprios ossos. Os gritos não tinham palavras, eram urros que invocavam a essência mais primitiva de suas linhagens, tão antigos quanto os primeiros trovões.


“Eles nos viram como primitivos… como aberrações… como ruídos num mundo que queriam silenciar!”


Um krovackiano ao lado de Vargan’Zul começou a emanar um tipo de fumaça que formava símbolos importantes para cada tribo de orc ou krovackiano que esta ali.


“Mas nós vamos gritar tão alto que os ouvidos deles nunca mais esquecerão os nossos nomes!”


As palavras de Vargan’Zul não eram apenas ouvidas, elas eram sentidas. Entravam pela pele como lanças. Rompiam ossos e acendiam vontades.


“Eles quiseram ignorar e apagar nossa história… então escreveremos uma nova, com os corpos dos que nos menosprezaram!”


Orcs arrancavam as próprias vestes, pintando o peito com sangue ritual. Krovackianos se feriam com suas próprias garras, misturando o sofrimento à devoção.


“Nós não buscamos piedade… buscamos justiça!”


E o grito coletivo respondeu:


“JUSTIÇA!”


“Nós não queremos equilíbrio… queremos reparação!”


“REPARAÇÃO!”


“Nós não pediremos passagem…”


A pausa foi breve. O suficiente para o espaço respirar uma última vez.


“Nós abriremos caminho!”


Foi como se todo o exército tivesse explodido ao mesmo tempo.


Um uivo descomunal irrompeu no espaço, tão potente que o próprio planeta morto abaixo vibrou em seu núcleo. Era um rugido que nem o vácuo do cosmos conseguia conter. A energia liberada se expandiu como uma onda cósmica de ódio e identidade. Vargan’Zul permanecia imóvel no centro, como o epicentro daquele terremoto de vozes, mas o mundo ao seu redor era puro movimento.


Guerreiros orcs saltavam pelos ares como predadores libertos das correntes. Krovackianos disparavam em espirais, criando redemoinhos de energia espiritual no espaço. Xamãs rugiam enquanto suas auras formavam espectros de guerra ancestrais, encobrindo seus corpos com imagens translúcidas de bestas, crânios e guerreiros antigos.


Os velhos guerreiros choravam.


Os mais novos urravam.


E entre eles, todos flutuavam, não como corpos soltos no ar, mas como lanças apontadas para o alvo de uma vida inteira de indignações acumuladas.


O céu estelar ao redor ficou vermelho.


Não por combustão, mas pela concentração brutal de energia espiritual, que fazia cada corpo brilhar com uma tonalidade própria. Como se o exército fosse uma constelação viva, prestes a se lançar contra a noite.


Vargan’Zul, ainda imóvel, então completou:


“E quando nossos pés pisarem no solo deles… o universo lembrará que há forças que nunca aceitaram coleiras!”


Vargan’Zul abriu os braços, e sua energia espiritual se expandiu em um disco invisível. 


Era o sinal.


A marcha começou.


Eles não precisavam de mapas.


Eles não precisavam de guias.


Eles sabiam para onde estavam indo.


Eles sabiam porquê estavam indo.


E quando chegassem, o mundo humano conheceria não apenas a dor… mas o esquecimento. Porque tudo aquilo que ousasse enfrentá-los seria apagado, consumido, soterrado e substituído.


Não se tratava de invasão.


Era um extermínio.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
bottom of page