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Capítulo UHL 1066 - Sentinela nas Estrelas

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Tenham uma boa leitura!]


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Enquanto o universo girava indiferente ao sofrimento de seus habitantes, o silêncio ancestral do vácuo foi rasgado por um som que não era som… mas presença. Um milhão de presenças. Vibrando em uníssono.


A marcha havia começado.


O exército que se formara sob os gritos de Vargan’Zul agora se movia como uma entidade única pelo espaço, como uma muralha viva de luzes disformes, com cada guerreiro sendo uma fagulha flamejante entre as trevas infinitas do cosmos. 


Eles avançavam velozes, mas não desesperados; organizados, mas não frios. Era como um enxame de estrelas caindo em queda livre contra um mundo que sequer podia vê-los ainda. Cada movimento de suas auras pressionava o tecido do espaço, como uma tempestade distante que se aproximava pouco a pouco.


Muito a frente, onde o vazio se estendia como um mar sem fim e nenhuma estrela ousava brilhar com intensidade, nem mesmo os ecos da guerra contra o Olho chegavam. O espaço ao redor parecia morto, frio, eterno… e para muitos, esquecido. Mas havia alguém.


Na extremidade mais afastada do sistema que abrigava Decarius, muito além do do qualquer cultivador estaria, uma única figura pairava, imóvel, sozinha, envolta por uma capa cinzenta que se confundia com a ausência de luz. 


Naquele ambiente, seu corpo parecia não emitir calor, som ou energia perceptível. E, mesmo assim, ele estava lá.


Shadow.


Entre os membros do Esquadrão da Noite, ele era aquele que mais tempo passava em missão. Às vezes meses. Às vezes anos. Um espião eficiente. Um observador focado. Um sentinela silencioso, que não questionava e não vacilava. Desde que a guerra contra o Olho estava sendo planejada, Zao Tian o posicionara ali, na borda do espaço humano, com um único objetivo: observar.


Não intervir. Não confrontar. Apenas observar.


E se algo surgisse… comunicar.


Naquele dia, Shadow mal havia se movido por horas. Seus olhos estavam fechados e ele aproveitava o silêncio para meditar, mas sua energia espiritual se estendia como uma teia sutil por todo o entorno. Ele estava em transe, mas, ao mesmo tempo, focado, acostumado a detectar flutuações de cultivadores ou movimentações de pequenas tropas que escapavam aos olhos comuns. E naquele momento, uma pulsação forte, muito forte, atravessou sua rede de percepção, como se uma muralha tivesse se erguido ao longe e estivesse caminhando na direção dele.


Shadow abriu os olhos.


E então ele viu.


Primeiro foram as distorções. Ondulações espaciais provocadas por um número absurdo de corpos se movendo em sincronia. Depois, vieram os clarões. Pequenos pontos vermelhos no fundo do cosmos, que se multiplicavam a cada segundo. Em seguida, veio a onda.


Uma onda de energia espiritual crua, selvagem e massiva.


Shadow recuou ligeiramente no espaço, não por medo, mas para ter uma visão mais ampla. Seus olhos percorriam o horizonte galáctico, tentando calcular o que estava diante dele. Ele contou dezenas… depois centenas… depois milhares. A sensação era a de estar diante de uma tempestade estelar.


Mas era pior.


Muito pior.


O vácuo à sua frente estava sendo preenchido por um enxame de cultivadores, Krovackianos e orcs, em números que nem mesmo nos grandes registros de guerras haviam sido relatados. Eles voavam como um enxame de estrelas, com cada ponto vermelho sendo um guerreiro pronto para rasgar a carne com os punhos e a energia que emanava da própria fúria.


O corpo de Shadow continuava imóvel, mas seus punhos se fecharam.


Seu peito, até então sereno, agora se contraía com um aperto frio. Ele sabia o que aquilo significava. Aquele ataque não era apenas oportuno. Era estratégico. Os inimigos tinham aguardado o momento em que os humanos estavam distraídos com o Olho, espalhados, vulneráveis… para lançar um grande golpe.


“Eles querem nos pegar pelas costas…” Shadow murmurou.


Não havia dúvidas.


Sua mão deslizou até o amuleto de transmissão tonora, preso sob a gola de seu manto.


Ele tocou-o com dois dedos, canalizando uma pequena quantidade de energia espiritual, e murmurou:


“Daren… Aqui é o Shadow. Inimigos detectados. Você estava certo. Eles vieram.”


A resposta não demorou a vir. A voz de Daren, firme e direta, ecoou pelo amuleto, com a clareza de quem já esperava aquela notícia há dias.


“Quantos?”


Shadow: “Impossível dizer com precisão. Múltiplos agrupamentos. Provavelmente milhões. Estão vindo em formação.”


A pausa que se seguiu carregava mais do que silêncio. Era o peso da constatação.


Do outro lado do amuleto, Daren suspirou. Mas não era um suspiro de surpresa. Era um suspiro de alguém que já havia considerado essa possibilidade, e mesmo assim, detestava estar certo.


“Você reconhece alguém à frente?” Ele perguntou, em um tom ainda firme, mas um pouco mais grave.


Shadow demorou um segundo para responder. Seus olhos percorriam a linha de frente daquela muralha viva, analisando cada curva de energia, cada assinatura espiritual. Não era hesitação. Era minúcia.


“Não.” Ele respondeu, enfim: “Não vejo rostos. Nenhuma presença conhecida. Nenhuma assinatura que já tenhamos enfrentado antes. Mas… há algo diferente. Eles se movem com uma harmonia anormal. Não é um avanço de desespero… é estratégico.”


Daren não falou de imediato.


Na mente dele, isso encaixava perfeitamente com a última suspeita de Zao Tian antes de dividir os grupos: que, enquanto todos os olhos estivessem voltados ao Olho, alguém mais poderia estar se preparando para atacar pelas costas. E não seria um ataque qualquer, seria algo profundo, que mirava o coração, a estrutura, o que sobrou no mundo.


Como se fosse a mesma voz que falava na mente de Daren, Shadow continuou:


“Se Zao Tian não tivesse insistido para que alguém ficasse aqui atrás… ninguém saberia disso até ser tarde demais.”


“Eu sei…” Daren respondeu, com a voz carregada de reconhecimento à astúcia de Zao Tian: “Ele sempre pensa alguns passos à frente. Mesmo quando parece estar se afastando, continua protegendo.”


“Aquele garoto é especial!”


O silêncio entre eles durou apenas um instante. Ambos entendiam o que aquela visão significava. E ambos sabiam qual seria o próximo passo.


“Não há mais o que fazer aí, Shadow.” Daren falou, antes de prosseguir: “Recue agora. Imediatamente. Volte para o ponto de encontro, como planejado.”


Shadow permaneceu imóvel por mais um segundo. Seus olhos percorriam o horizonte cósmico como se quisessem ultrapassar os limites do visível. A muralha de energia espiritual que se aproximava era esmagadora, e ainda assim… ele não piscava.


Com o amuleto ainda em contato com os dedos, ele murmurou, com a voz rouca e soturna: “Eles não vêm para conversar.”


Daren ouviu a frase como quem já a esperava, mas não por isso deixou de senti-la pesar.


“Você tem certeza?” Ele perguntou, só para confirmar.


“Não é sobre certeza, é um instinto. Intuição…” Shadow respondeu, antes de explicar: “Já vi ofensivas desesperadas. Já vi ataques de fúria. Mas isso… isso é uma marcha de decisão. Eles sabem exatamente o que estão fazendo, e porquê estão fazendo. Não há confusão. Eles não vêm testar o terreno. Eles vêm para tomar e destruir.”


A linha do silêncio se estendeu por mais um momento, como se os dois, em suas respectivas posições, compartilhassem um mesmo pensamento.


Shadow então finalizou: “Se houver algum plano de diálogo… vai ter que acontecer bem antes deles chegarem. Porque quando chegarem… não haverá mais mesa.”


Daren assentiu, mesmo sabendo que Shadow não podia vê-lo. Depois respondeu, com a voz tão firme quanto antes, mas levemente mais rápida: “Entendido. Recue agora. Volte para o ponto de encontro como previsto. E se cruzar com qualquer outro posto avançado, avise. A linha de defesa começa agora.”


Shadow cortou a comunicação sem mais palavras. Ele sabia o que fazer.


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Do outro lado do sistema, a muitos anos-luz dali, Daren afastou o amuleto do ouvido e fechou os olhos por um segundo. Seu corpo permanecia de pé, firme como uma montanha, mas sua mente fervilhava com os próximos passos. Então, sem perder tempo, ele moveu a mão e tocou outro ponto do amuleto. Canalizou a energia e pronunciou o nome com a mesma precisão de um general veterano convocando um trunfo:


“Hatori.”


A resposta não veio de imediato. O silêncio inicial foi preenchido apenas pelos ecos profundos de ventos atmosféricos e sons de passos sobre uma superfície densa. 


Então, uma voz serena e grave respondeu: “Aqui. Estou ouvindo.”


A voz de Hatori era a mesma de sempre. Inabalável, como quem não permitia que a emoção interferisse na clareza.


Daren não perdeu tempo e prosseguiu.


“Acabamos de receber o aviso de Shadow. Um exército imenso de orcs e krovackianos está vindo direto para Decarius. Em formação. Ele estimou milhões.”


Hatori não respondeu de imediato. Mas não era hesitação. Era análise.


Daren continuou: “Eles não estão apenas rondando… estão marchando. Não há bandeira hasteada. Não houve nenhuma tentativa de comunicação ou diálogo. Apenas avanço. Shadow disse que não há líderes conhecidos entre eles. Nenhum rosto familiar. Mas ele afirmou que não vêm para conversar.”


A resposta de Hatori veio firme e seca: “Entendi.”


Daren assentiu, mesmo sozinho. Então prosseguiu: “Hatori… você sabe o que isso pode significar. Ainda é um movimento isolado. Pode ser apenas uma revolta de massa. Mas se os líderes orcs se posicionarem a favor disso… será guerra. E não apenas contra uma facção. Será contra uma raça inteira.”


O som do vento mudou brevemente ao redor de Hatori, indicando que ele se movera.


“Entendo.” Ele repetiu, com voz mais grave: “Por isso você precisa de mim. Porque eu conheço os chefes tribais. Porque estive entre eles.”


“Exatamente.” Daren confirmou: “Você foi embaixador da humanidade quando a guerra contra os deuses começou. Fez alianças. Firmou pactos. E tem canais de comunicação que nenhum de nós tem. Precisamos saber… se os líderes orcs estão por trás disso, ou se perderam o controle.”


A resposta de Hatori veio sem rodeios: “Se eles estiverem por trás… não teremos tempo para contra ofensivas diplomáticas.”


“Não.” Daren respondeu: “Por isso estou te chamando agora. Antes que as primeiras baixas aconteçam. Você é a única ponte. E se puder impedir essa guerra… é agora.”


Hatori respirou fundo. Mas não era um suspiro de receio. Era de preparação.


“Vou contatar os anciões de Rak’Zhul. Eles mantêm o maior número de alianças entre os clãs. Se alguém souber se esse ataque é coordenado por cima, serão eles. Mas preciso de tempo.” Hatori explicou.


“Quanto?” Daren perguntou.


Hatori foi direto: “Quarenta minutos, talvez.”


Daren fez um cálculo mental, medindo a distância estimada por Shadow, a velocidade do avanço e as áreas que poderiam ser alcançadas primeiro.


“Você tem trinta. Depois disso, os primeiros pontos avançados do setor Alfa podem entrar em conflito direto.” Daren respondeu.


Hatori: “Entendido.”


Daren: “Hatori…”


Hatori: “Diga.”


Daren: “Se eles escolherem a guerra, será o fim de todas as tratativas.”


Do outro lado, Hatori respondeu com a frieza de quem conhece a história dos povos e o preço do orgulho: “Se eles escolherem a guerra… será o fim da diplomacia. Mas não será o fim da nossa resistência. Será o fim deles…”


Com aquelas palavras, a comunicação se encerrou.


Daren, do outro lado, permaneceu imóvel, fitando o vazio à sua frente. A tensão que pairava no ar era palpável. Em minutos, ele sabia que os ventos mudariam. Só não sabia o quanto. Ainda…


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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