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Capítulo UHL 1068 - A Última Advertência

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Tenham uma boa leitura!]


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O silêncio após o discurso de Hatori era com um peso invisível, pairando sobre a sala como um manto sufocante. Nem mesmo a respiração dos anciões podia ser ouvida. As palavras ditas haviam ultrapassado o domínio da política ou da retórica… eram memórias, feridas, confissões e ameaças integradas em frases afiadas.


Os olhos de Hatori, ainda firmes, se deslocavam entre os rostos dos líderes ali presentes. Alguns estavam cabisbaixos. Outros encaravam-no com uma intensidade que beirava o desafio. Mas não havia um único entre eles que não estivesse tocado.


Foi Ka’Tor quem quebrou o silêncio. Diferente de antes, sua voz não era de escárnio ou desdém. Havia nela um incômodo muito mal disfarçado.


“Se tudo isso for verdade... então vocês são piores do que nós.” Disse ele: “Porque quando um orc é ferido, ele grita. Quando é traído, ele mata. Mas vocês… vocês guardaram isso por gerações? Transformaram dor em tradição? Ensinaram suas crianças a odiarem com disciplina?”


“Não.” Hatori respondeu de imediato: “Nós ensinamos nossas crianças a sobreviverem. A continuarem existindo mesmo quando o universo tenta apagar nossa presença. O ódio é um subproduto. A dor, inevitável. Mas a luta? Essa é nossa herança.”


Mash’Torr pigarreou, e, ao contrário do que muitos esperavam, se colocou levemente à frente em sua plataforma, com as mãos unidas sobre os joelhos.


“Seja como for…” Começou ele, com cautela: “A maioria de nós não tem qualquer envolvimento com esse exército insurgente. As informações que chegaram até nossas tribos são vagas… dispersas… mas algo ficou claro para todos: há um krovackiano envolvido. E isso basta para mantermos distância.”


“Vocês odeiam os krovackianos mais do que a nós?” Hatori questionou, sem tom acusatório, apenas direto.


Mash’Torr respondeu com serenidade: “Não é ódio. É cálculo. Eles não lutam por honra. Lutam por controle. Cada vitória deles exige sangue… e escravidão depois.”


Vários outros anciões balançaram a cabeça em concordância. Uma chefe tribal de pele escura e cabelos trançados, falou em seguida:


“Eles podem parecer aliados no começo… mas sempre exigem o pagamento no final. A liberdade que oferecem é só mais uma coleira.”


“Então por que o silêncio até agora?” Hatori retrucou, firme: “Por que esperar que alguém como eu viesse aqui para dizer a vocês que o mundo está desmoronando, se vocês mesmos sabiam que essa movimentação era perigosa?”


Um velho orc de pele bronzeada, com cicatrizes profundas no rosto, respondeu com a franqueza de quem já tinha visto a morte de perto.


“Porque, Hatori, o mundo sempre está desmoronando. E quando você vive numa caverna cheia de rachaduras, aprende a ignorar os estalos, até ouvir o primeiro desabamento.”


“Bonita metáfora.” Hatori disse, e então olhou em volta e continuou: “Mas desta vez, não é a caverna que vai desabar. É a própria montanha. Decarius não é uma muralha a ser ignorada. É o centro do que está por vir. E se cair, o próximo ataque pode não vir de humanos… mas de deuses furiosos.”


“Então o que você quer?” Interpelou um ancião, com a voz cansada: “Que a gente tome uma posição? Que declare apoio a vocês e entre nessa guerra que nem começou direito?”


“Não.” Hatori respondeu, girando o corpo e encarando cada um, como fizera antes: “Eu quero que vocês impeçam essa guerra antes que ela comece. Se esse exército não tem apoio de vocês… digam isso com clareza. E mais: provem isso. Mandem recados. Emitam alertas. Ordenem que aqueles dos seus que marcham contra Decarius retornem. Qualquer coisa que mostre que vocês não os apoiam.”


Um murmúrio de incerteza percorreu o salão. Aquelas exigências era pedir demais para um povo que prezava sua autonomia como um bem sagrado. Mas o olhar de Hatori não cedia.


Ka’Tor se adiantou um passo, com os olhos semicerrados.


“E se enviarmos essas ordens de recuo e eles ignorarem? E se zombarem de nossa autoridade como já zombaram ao partir sem permissão? O que você quer que façamos, Hatori? Que os cassemos pelo universo inteiro e os arrastemos de volta à força?” Ele questionou.


“Não temos garantias.” Disse uma chefe tribal de cabelos trançados: “Os que se uniram a esse levante… o fizeram por glória, por fúria… ou pelo simples prazer da matança. Muitos sequer escutam seus líderes há anos. Obediência não é uma certeza, é uma esperança.”


Hatori escutou, mas não recuou diante da argumentação. Ao contrário, sua postura se enrijeceu.


“E é exatamente por isso que vocês precisam enviar as ordens de recuo.” Ele respondeu, com sua voz cortando a sala com nitidez.


“Porque aqueles que desobedecerem... aqueles que ignorarem o chamado dos próprios líderes... não são guerreiros. São rebeldes. São ambiciosos demais para aceitarem qualquer limite. E se, por um milagre, voltarem vivos dessa guerra… o próximo alvo deles serão vocês.”


Ele apontou para todos ao redor.


“Cada um aqui. Cada trono, cada conselho, cada tradição. Vocês estarão cercados por soldados que provaram do gosto da insubordinação e voltaram convencidos de que não precisam mais obedecer ninguém.”


O silêncio que seguiu aquelas palavras se tornou desconfortável.


Hatori continuou, com tom mais sombrio:


“Vocês estão sendo ameaçados pelos seus próprios guerreiros. Não por mim. Não por Decarius. Mas por aqueles que partiram e quebraram o elo que os ligava a seus clãs. E se não forem contidos agora, não serão mais contidos depois.”


Mash’Torr coçou a barba espessa, pensativo, e questionou:


“Você está sugerindo que mesmo que vençam… eles se voltarão contra nós?”


“Não estou sugerindo.” Hatori respondeu: “Estou avisando. Os que prezam a glória acima do coletivo… sempre traem. A história do meu povo está cheia deles. E vocês sabem disso. Vocês também têm os seus.”


Um ancião mais velho, com a pele ressecada e olhos opacos como pedra, resmungou:


“Eles deixaram, propositalmente, qualquer meio de comunicação para trás. Mesmo que eu envie mensageiros agora… não conseguirão alcançar metade dos que partiram. E os que forem alcançados… podem escolher não ouvir. Isso ainda será um problema nosso, Hatori. Nosso. E não seu.”


“Errado.” Hatori cortou, sem hesitar: “É um problema nosso, sim. Mas o modo como vocês lidam com isso... determinará se ele continuará sendo um problema de contenção tribal… ou se se tornará uma guerra entre espécies.”


As palavras pesaram.


A líder de Kul’Mara franziu o cenho e perguntou:


“Você quer que a gente publique as ordens, tente alcançá-los… e se falharmos? O que você espera que façamos?”


Hatori respirou fundo e respondeu sem titubear:


“Se falharem, há apenas uma exigência: nenhum reforço. Nenhum apoio. Nenhuma tropa extra enviada ao lado deles. Vocês podem alegar que perderam controle de alguns… e nós entendemos que isso esteja realmente acontecendo, mas não poderão alegar inocência se continuarem alimentando o levante.”


Ka’Tor cerrou os punhos, com a mandíbula tensa, e questionou: “E se os reforços forem mandados por decisão de combatentes e não de líderes?”


“Vocês são chefes, anciões, generais de guerra.” Hatori rebateu, sem aceitar qualquer tentativa de fazer vista grossa por parte dos líderes presentes: “Cada passo que seus guerreiros derem fora de seus territórios será interpretado como uma ordem ou, no mínimo, uma permissão tácita. Não brinquem com as palavras. Se qualquer reforço partir, consideraremos um ato aberto de guerra. E trataremos como tal.”


Vários líderes se entreolharam, desconfortáveis. Não era uma ameaça qualquer. Era um limite claro, delineado com sangue invisível.


Zargoth, mais uma vez, ergueu a voz, dizendo: “Você não está deixando margem para erro.”


“E por que deveria?” Hatori devolveu: “Quando os deuses erravam, destruíam planetas inteiros. Quando os humanos erram… é porque confiaram demais. Não cometeremos esse erro de novo.”


Mash’Torr cruzou os braços e retrucou com sinceridade: “Você quer que sejamos juízes de nossos próprios filhos e filhas. Que os condenemos antes da guerra começar.”


“Não.” Hatori disse, com pesar visível na voz: “Eu quero que vocês escolham entre o silêncio e a responsabilidade. Ninguém pediu que executem seus guerreiros. Mas que digam, de forma clara e pública, que eles não representam vocês. Porque se não disserem… todos vão acreditar que representam.”


A líder de Og’Thal assentiu, lentamente, antes de ser o primeiro naquela sala a concordar com Hatori: 


“É isso mesmo. Ou se posicionam agora… ou todos sangrarão depois.”


Ka’Tor ainda parecia relutante, mas a maioria já começava a demonstrar sinais de que compreendia a gravidade do que estava diante deles.


“Eu não gosto da sua forma. Nem das suas exigências…” Disse Ka’Tor: “Mas gosto menos ainda da ideia de ser traído pelos meus.”


Hatori não respondeu. Apenas o encarou.


Zargoth, por fim, concluiu, com a firmeza de quem sabia o que vinha a seguir:


“Vamos nos reunir. Emitir as ordens. Fazer com que cheguem a quem pudermos. Mas se isso falhar… cada um será responsável pelo próprio clã.”


Hatori observou os semblantes diante de si mais uma vez. Havia firmeza, havia temor, mas, acima de tudo, havia a incerteza daqueles que, pela primeira vez em eras, compreendiam que a neutralidade já não era uma escolha e que viraria uma arma nas mãos erradas.


Então, com a mesma firmeza com que havia iniciado, Hatori prosseguiu:


“Vocês ainda têm tempo de salvar aqueles que possuem algum resquício de bom senso entre os insurgentes.”


A frase, simples, caiu como uma batida de tambor. Um eco da esperança disfarçado de comando.


“Enviem seus mensageiros. Os mais rápidos. Os mais leais. Façam com que usem portais, se necessário. Eu sei o custo. Eu sei o impacto. Sei que um portal aberto pode ser sentido de longe por qualquer cultivador experiente. Mas também sei que a hesitação custa mais vidas do que a imprudência. Não demorem.”


Ele deu um passo à frente, mais próximo do círculo de líderes, como se falasse agora não apenas como representante da humanidade, mas como alguém que estava disposto a marchar ao lado deles em tempos mais simples.


“O exército está em avanço. Está seguindo pela trilha de órbitas frias do hemisfério oeste, cruzando o cinturão estelar de Korkaer. Se forem rápidos, ainda podem alcançá-los antes que cruzem o terceiro sistema da Nebulosa de Drahmir.”


A maioria ali sabia exatamente onde ficava os locais descritos por Hatori. Sabia também o que aquilo significava: a proximidade com o território de Decarius.


“Esses mensageiros… não sofrerão ataque algum. Não de nós. Não serão interceptados nem questionados. Desde que levem a verdade em seus corações, eles serão respeitados como portadores da chance que ainda oferecemos. Abram portais entre o exército e Decarius, mandem poucos, e nós não os atacaremos quando eles forem abertos.”


Por fim, Hatori inspirou fundo, como quem guardava um peso que não queria soltar, mas sabia que deveria. Seu olhar se suavizou por um breve momento… até se firmar como lâmina mais uma vez.


“Agora, eu preciso partir.” Ele disse.


Os anciões se remexeram em seus assentos, e alguns pareciam preparados para se despedir. Mas Hatori levantou uma das mãos, interrompendo qualquer gesto, antes de dizer uma última coisa. Desta vez, pessoal…


“Aqui, eu sou um diplomata. Fui nomeado como tal. Mas não se enganem… essa função me foi concedida não por eloquência, nem por boa política. Eu fui escolhido por minha sinceridade e honra. Coisas que não são negociáveis para mim.”


O tom de Hatori mudou. Não era uma ameaça. Era uma lembrança. Uma libertação.


“Antes de ser um enviado… um embaixador… eu sou um guerreiro. E sempre fui.”


Enquanto falava, Hatori fitou cada um dos presentes, com sua voz agora mais grave e seu peito inflado como se contivesse um monstro que não queria liberar.


“Se tudo der certo… se cada palavra dita aqui for levada a sério… se a escolha de vocês for pela razão, pela responsabilidade… então nos reencontraremos como aliados ou pelo menos como conviventes. Vocês me verão novamente como um embaixador. Com o mesmo respeito, a mesma postura, a mesma mão estendida que sempre ofereci.”


Depois de uma longa pausa, seus olhos pousaram em Zargoth, depois em Ka’Tor, e então, lentamente, percorreram todos os demais.


E então, a hora do aviso chegou:


“Mas… se algum de vocês mentir. Se fingirem cooperação enquanto enviam reforços. Se decidirem sujar as mãos de sangue enquanto falam de neutralidade… então conhecerão outro lado de mim...”


E, naquele instante, não havia mais dúvida alguma: ali estava o guerreiro. O homem que tentava conter o monstro dentro de si, mas que não tinha medo de soltá-lo:


“Um lado que, de coração, espero nunca precisar mostrar.”


Assim que aquelas palavras caíram, o silêncio voltou, denso, irrespirável. Mas, dessa vez, ninguém ousou rompê-lo. Porque todos ali sabiam… todos sentiam… Hatori falava a verdade.


Enquanto era observado pelos líderes orcs, Hatori virou as costas e saiu do salão, sem olhar para trás, sem carregar armas ou armaduras, assim como entrou. Contudo, no seu próximo destino, ele não estaria mais assim.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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