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Capítulo UHL 1072 - O Peso dos Bravos

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Tenham uma boa leitura!]


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O rugido que ecoava após o discurso de Vargan’Zul ainda vibrava nas placas das armaduras e no metal frio das armas. A energia no ar era tão densa que parecia um campo de força invisível, sustentando a fúria e a convicção de milhões. Mas, mesmo em meio a esse mar de força e propósito inflamado, começaram a surgir fissuras.


No início, eram apenas figuras isoladas que desviavam o olhar. Pequenos gestos de hesitação… um passo para trás, uma mão que afrouxava o punho em torno do cabo de uma arma, um olhar rápido para o vazio atrás das fileiras. Depois, vieram os movimentos mais claros: orcs que giravam o corpo e se voltavam para a retaguarda. O som do metal das botas girando ressoava baixo, mas audível, como um gotejar persistente em um corredor silencioso.


Eram eles. Os que decidiram obedecer às ordens de recuo de seus líderes.


O número era pequeno diante da imensidão do exército, mas cada um que partia deixava uma marca incômoda. As fileiras densas eram uma muralha viva, e qualquer abertura era como um dente quebrado, impossível não reparar. O impacto visual foi imediato: para quem estava de fora, parecia que parte do poder coletivo se dissolvia; para quem estava dentro, parecia uma traição.


E onde há a percepção de traição, há reação.


“Olhem só! Corram, coelhinhos… corr…am!” Um orc de armadura vermelha rugiu, com a voz grave ecoando e ganhando fôlego quando outros se juntaram ao coro.


“O Khan de vocês deve estar orgulhoso! Orgulhoso de ver as crias dele correndo de uma luta!” Outro zombou, erguendo o punho com o mesmo fervor de quem ergue uma lâmina para matar.


“Seus sangues não merecem ferver!”


“Vão se esconder no colo das suas mães!”


“Usem essas armas para cortar lenha, não para guerra!”


O tom das provocações variava. Algumas vinham carregadas de raiva genuína, outras com sarcasmo, e havia também um grupo que gritava apenas para seguir a maré, sem pensar no peso do que diziam. Mas todas as vozes tinham um efeito em comum: elas apertavam ainda mais o passo daqueles que recuavam, como se a distância pudesse, de alguma forma, silenciar a vergonha que sentiam.


Entre os que se afastavam, alguns mantinham o que restava de dignidade, com a cabeça erguida e os olhos fixos à frente. Outros, porém, pareciam encolher dentro das próprias armaduras, com as costas arqueadas como se suportassem um fardo pesado demais.


Mas os olhos do exército não estavam apenas sobre eles.


Os mensageiros, posicionados entre as fileiras, sentiam a hostilidade se deslocar em suas direções. A tensão subia como calor dentro de um espaço fechado. Até pouco antes, eles eram apenas portadores de ordens. Agora, eram o símbolo físico de tudo o que provocara aquela fissura… e símbolos são alvos fáceis.


Não demorou para que os insultos mudassem de alvo.


“Olhem para eles! Vieram trazer o veneno dos covardes!”


“Falem mais, mensageiros… falem mais, para eu saber exatamente o que cortar primeiro!”


“Mandaremos vocês de volta em pedaços, para os chefes sentirem o gosto da vergonha!”


Naquele momento, o mensageiro de Ghar’dum recuou meio passo, com o pergaminho firme nas mãos, mas os olhos avaliando as distâncias ao redor. O de Yavikh ergueu o próprio documento como se fosse um escudo frágil, pronto para defendê-lo mais pela simbologia do que pela eficácia real. O representante de Uhr’Gal manteve a postura rígida, mas seu braço direito estava relaxado, com a mão aberta, posicionada de forma que poderia sacar uma arma em um único movimento.


Foi aí que os primeiros guerreiros, empurrados pela fúria e pelo sentimento de ofensa, romperam a linha de contenção invisível. A linha que dividia a razão e o respeito à função dos mensageiros e os crimes de guerra.


“Peguem-nos!” Gritou um orc musculoso, com a pele marcada por muitas cicatrizes antigas: “Vamos arrancar cada osso das gargantas deles antes de devolvê-los!”


O avanço dos outros não foi imediato, mas a ameaça era palpável. As armas começaram a sair das costas. A respiração dos mais próximos acelerou. As veias do pescoço saltavam sob a tensão.


E foi nesse instante, quando o barril de pólvora estava prestes a explodir, que a voz de Vargan’Zul cortou o ar como um golpe de lâmina contra aço.


“Parem.” Ele pediu, mas no fundo, aquilo era uma ordem.


Os que estavam na linha de frente, prontos para investir contra os mensageiros, pararam. Não por obediência cega, mas porque o instinto lhes disse que qualquer passo adiante seria um erro que eles não teriam como corrigir.


Vargan’Zul avançou, abrindo caminho não apenas com a presença física, mas com a pressão psicológica que sua figura exercia. O corredor que se formou à sua passagem não foi negociado ou pedido; foi instintivo, como água cedendo à força de uma rocha em movimento.


Ele olhou primeiro para os que recuavam, depois para os mensageiros. A troca de olhares não foi longa, mas o suficiente para que cada um deles sentisse que estava sendo medido, pesado e, na maioria dos casos, considerado insuficiente.


“Vocês querem que eles sangrem?” Ele perguntou, sem elevar a voz. O tom, baixo e firme, carregava mais ameaça do que qualquer grito poderia conter.


“Querem se sujar com o sangue de quem já desistiu antes mesmo de levantar a arma?” Vargan’Zul perguntou.


Um murmúrio de aprovação logo se espalhou, mas ele ergueu a mão, cortando-o de imediato.


“Não. Deixem-nos ir.” Ele disse.


Na mesma hora, houve confusão nas expressões. Para muitos, aquilo soava como indulgência. Para outros, parecia um golpe contra o orgulho recém-inflamado pelo discurso anterior. Mas ele não deixou que as dúvidas crescessem.


“Eles são fracos. São indecisos. Covardes.” Vargan’Zul voltou a falar, e a última palavra saiu mais pesada. Logo em seguida, ele continuou, cravando: “E neste exército… não há lugar para eles.”


Depois de dizer aquilo, Vargan’Zul fez uma pausa calculada.


O silêncio era tão profundo que quase abafava a respiração coletiva.


“Vocês…” Vargan’Zul, com todos os olhares voltados para si, apontou para os mensageiros: “Levem suas fraquezas e mensagens de volta. Digam aos seus líderes que se mantenham encolhidos sob suas camas, onde é seguro. Porque quando terminarmos com a humanidade… não haverá lugar para eles no novo mundo.”


A voz, antes grave e controlada, agora crescia, vibrando como o eco de um tambor de guerra.


“No mundo que orcs e krovackianos irão criar após essa guerra, apenas os bravos terão voz. Apenas aqueles que sangrarem lado a lado aqui terão o direito de decidir o futuro. Os heróis serão reconhecidos… e os covardes serão rebaixados aos buracos de onde nunca deveriam ter saído.”


“Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah…”


Um grito de aprovação explodiu entre as fileiras. Não era um som unânime, mas era esmagador.


Enquanto autorizava o retorno seguro dos mensageiros e ‘desertores’, ele dizia: “Deixem-nos sair em paz. Saiam, como são: fracos e inúteis. Nenhum de vocês merece a honra de cair sob as nossas lâminas.”


Ele virou-se novamente para os que recuavam, que agora hesitavam entre ir embora rápido ou manter algum resquício de postura.


“Vocês ouviram. Sumam da minha frente antes que decidam ser ainda mais inúteis ficando no caminho.” Vargan’Zul gritou, quase cuspindo cada palavra.


Um imenso corredor foi aberto entre as tropas, permitindo que os covardes partissem, mas fossem vistos por todos.


Os que partiam se moveram, alguns apressados, outros com passos calculados, 

evitando olhar para os lados. Os insultos continuaram, mas agora havia algo diferente neles, não era mais uma raiva ardente, e sim um desprezo gelado, o tipo que corrói lentamente.


Enquanto as figuras iam desaparecendo no horizonte da formação que não parecia ter fim, Vargan’Zul deu o golpe final.


“Lembrem-se do que foi dito hoje. Quando o novo mundo nascer sobre os ossos da humanidade, vocês não terão lugar nele. Terão apenas histórias para ouvir… e nenhuma para contar.”


Aquelas palavras foram sentidas como lâminas cravadas nas costas de quem escolheu partir. 


O corredor aberto para a saída dos recuantes parecia mais um túnel de julgamento do que qualquer outra coisa.


Não havia luz nem sombra a distingui-lo, mas a pressão era quase visível. A cada passo dado, os que partiam sentiam os olhares pesarem como grilhões, e os sons… o tilintar de metal, a respiração ritmada dos que permaneciam, o murmúrio grave das fileiras… pareciam martelar o fato de que estavam deixando algo para trás.


Entre eles, um orc jovem tentou manter o queixo erguido, fingindo que não ouvia nada. Mas o leve tremor nos dedos denunciava que as palavras de Vargan’Zul o tinham atingido de uma forma que ele nunca admitiria em voz alta. Outros nem tentavam disfarçar. Olhos baixos, passos rápidos, e a esperança de que, ao alcançarem distância suficiente, aquele peso desaparecesse.


Os mensageiros foram os últimos a iniciar o movimento.


Havia um silêncio peculiar à volta deles, não porque eram poupados, mas porque todos aguardavam para ver se realmente teriam coragem de atravessar todo aquele mar de guerreiros hostis.


O de Ghar’dum, com o pergaminho ainda preso ao punho por uma faixa de couro, caminhava com firmeza, como se cada gesto tivesse sido ensaiado.


O de Yavikh mantinha o olhar fixo no vazio à frente, recusando-se a dar qualquer reação às provocações.


O de Uhr’Gal, o mais visado entre todos, não alterou o passo nem desviou o olhar, e isso só serviu para alimentar ainda mais a vontade de alguns de testarem sua compostura.


Eles não foram tocados, mas as provocações não cessaram.


“Diga para os chefes de vocês que minha resposta é essa!” Um orc zombou, mostrando a genitália.


“Digam que vamos visitá-los… quando sobrar apenas cinza deste mundo!” Outro sussurrou em ameaça.


“Vocês vão sentir inveja do que verão de longe!” Outro afirmou.


Apesar das provocações, ninguém ousou tocar nos mensageiros. O peso da ordem de Vargan’Zul estava presente. Não era obediência por respeito, mas por temor, um temor que vinha da certeza de que desafiar aquele comando resultaria em morte imediata, sem honra e sem funeral.


Quando a última silhueta desapareceu pelo corredor, o murmúrio cessou. Não havia mais distrações. Não havia mais “eles” dentro da formação. Restava apenas o “nós”. E esse “nós” estava pronto para marchar.


Vargan’Zul permaneceu em silêncio por alguns instantes, observando a retaguarda se fechar novamente, como se as peças de uma muralha se encaixassem.


Então, ele ergueu o braço.


O gesto, simples, foi o suficiente para que as fileiras retomassem a postura rígida. Escudos voltaram a se alinhar, armas se ajustaram, passos sincronizaram.


A respiração coletiva parecia um único som.


A unidade, antes ameaçada pela discórdia, havia sido restaurada com uma nova camada de propósito.


Quando Vargan’Zul falou novamente, não foi com o mesmo tom inflamado de antes. Agora, sua voz era baixa, quase calma, mas carregada de algo mais perigoso: foco absoluto.


“Agora… só restam os bravos. Só restam os que sabem porquê estão aqui.”


A resposta veio como um trovão.


Gritos de guerra ecoaram, o som de metal batendo contra metal foi preenchendo o espaço como o prelúdio de uma tempestade.


Vargan’Zul não precisou pedir mais nada. O exército queria avançar.


E avançou.


O movimento começou lento, como se a massa colossal estivesse despertando novamente. Mas logo ganhou ritmo. O som dos tambores recomeçando, formava uma cadência hipnótica. Cada batida levava todos mais perto do inevitável encontro com Daren.


Entre os guerreiros, alguns trocavam olhares que diziam mais do que palavras: uma mistura de orgulho por terem ficado, e a sede de provar que mereciam estar ali. Outros, mais silenciosos, se mantinham imóveis por dentro, esperando apenas o momento em que poderiam descarregar a violência acumulada contra o inimigo.


Vargan’Zul apenas caminhava à frente, com os krovackianos logo atrás, como uma lâmina que guia o golpe. A expressão no rosto dele não era de satisfação pela vitória sobre a dissidência. Era de preparação, de quem sabia que essa unidade teria que ser provada em breve.


Quando vissem o inimigo, não haveria mais palavras. Só combate. E, no fundo, era isso que todos queriam.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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