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Capítulo UHL 1073- Conflito de Ideais

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Tenham uma boa leitura!]


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Do outro lado daquela marcha que acontecia, o vazio diante de Daren permanecia imóvel.


A imensidão silenciosa do espaço se estendia como um oceano sem ondas, pontilhado por estrelas distantes que, naquele momento, não eram mais que testemunhas indiferentes do que estava prestes a acontecer. Ele não piscava. Não precisava. Seus olhos negros, de íris alaranjada, estavam fixos em um ponto distante no horizonte escuro, onde, por ora, nada parecia se mover.


Até que a primeira luz surgiu.


Pequena.


Pulsante.


Avermelhada.


Quase insignificante à primeira vista.


Mas Daren não se enganava. Ele já tinha visto aquela imagem antes, não exatamente ali, não exatamente com aquelas pessoas, mas o suficiente para saber o que significava. Era o prenúncio. Um sinal inevitável de que a maré estava vindo, e não seria feita de água, mas de carne, aço e sangue.


Em instantes, outras luzes começaram a aparecer, pontuando o horizonte como brasas que escapam de um incêndio. No início, elas estavam espaçadas. Depois, elas ficaram mais e mais próximas, até se fundirem em um brilho contínuo, como uma muralha de clarões que avançava devorando o escuro.


O rugido das tropas e as batidas dos tambores ainda não chegavam. Eles estavam longe demais para que o som atravessasse o vácuo até ele. Mas, para Daren, não importava. Ele podia sentir a aproximação não nos ouvidos, mas no peso que se acumulava no espaço ao redor dele. O mesmo peso que sempre precedia uma batalha de verdade.


E mesmo sabendo o que estava vindo em sua direção, ele não deu um passo sequer para trás.


Daren permaneceu ali, imóvel, como se fosse parte do próprio cenário, como se sua presença fosse uma rocha que nenhuma maré poderia deslocar.


Ele respirou fundo, e a frieza no olhar não se quebrou.


Foi nesse momento que a Orgulho dos Condenados se materializou em sua mão esquerda.


O metal tomou forma a partir do nada, fragmentos de luz e sombra foram se reunindo em um desenho que parecia impossível de definir como puramente humano ou divino. A lâmina dupla brilhava como se aprisionasse, no centro de cada face, o disco de acreção de um buraco negro, com a luz tentando escapar e sendo tragada de volta para dentro.


Daren ergueu a arma lentamente, com a mão firme no punho. Seus olhos percorreram a extensão da lâmina, como se ele olhasse para uma pessoa, e então ele falou.


Não era um comando.


Não era uma invocação.


Era uma conversa.


“Vocês me ouvem, não é?” A voz baixa, quase um sussurro, ecoou no silêncio.


“Todos vocês. Cada um que já esteve onde estou agora. Cada um que perdeu algo que nunca pôde recuperar e que fez algo que não pôde evitar.”


Enquanto falava, seus dedos deslizaram pelo metal frio.


“Eu sei o que vai acontecer. E sei que vocês também sabem.”


Ele inspirou fundo, com os olhos se voltando para o horizonte onde as luzes se multiplicavam.


“Hoje… não é sobre glória. Não é sobre vingança. Não é nem sobre justiça.”


“É sobre dois ideais de liberdade colidindo.”


Enquanto comentava aquilo, Daren fechou os olhos por um instante, e o semblante, embora implacável, tinha uma sombra de pesar.


“Eu odeio isso. Odeio o que vai acontecer. Mas não tenho escolha. Eles não estão aqui para construir. Não estão aqui para criar nada que dure. Vieram apenas para destruir… e matar.”


“Eles não sonham com a liberdade, embora acreditem que lutam por ela…”


“Eles desejam por desejar. Porque são gananciosos, vaidosos, orgulhosos…”


“Eles são escravos cegos que não querem enxergar…”


A ponta da espada baixou alguns centímetros, como se Daren estivesse ponderando sobre o peso que ela carregava.


“Então… me desculpem. Me desculpem por ter que usar vocês assim. Me desculpem pelas vidas que vou tirar antes do dia acabar.”


Por um momento, o silêncio pareceu crescer. Não havia resposta audível, nenhuma voz vinda da lâmina. Mas, para Daren, o que ele sentia era suficiente. A Orgulho dos Condenados não era apenas aço e energia condensada. Eram memórias. Era a soma de todos os que vieram antes dele, e que, de algum modo, permaneciam ali.


Lentamente, ele firmou o punho novamente, erguendo a espada até que a lâmina refletisse a tênue luz distante das tropas inimigas.


“Eu queria impedir, mas não vamos recuar. Não hoje. Não enquanto houver algo para proteger.”


Enquanto Daren conversava com a espada em tom fúnebre, as luzes no horizonte agora eram incontáveis. A muralha de clarões se movia com um ritmo que ele reconhecia, a cadência de um exército unificado, que havia deixado para trás qualquer divisão interna.


Vargan’Zul tinha feito o trabalho dele.


E do outro lado, Daren estava prestes a fazer o seu.


O homem que esperava sozinho por um exército inclinou levemente a cabeça, como se pudesse ver através daquela distância absurda, atravessando quilômetros de vazio para encarar, olho no olho, quem quer que liderasse aquela massa.


“Eu sei o que você sonha construir, e sei por que acredita estar certo.”


Depois de dizer aquilo, ele fez uma pausa.


Daren respirou fundo. Em toda a sua longa vida, ele conheceu muitos comandantes, muitos sonhadores e viu muitas guerras. De forma ativa ou apenas como um espectador neutro, Daren viu como é miserável a vida ou, no melhor dos casos, o fim daqueles que são derrotados por tropas motivadas por desejos semelhantes aos do exército que se aproximava.


No meio de tantas memórias, uma coisa ainda permanecia irrevogável em sua mente. Seja qual for a guerra, seu povo não pode perder. Ele não pode perder. Então, seu lamento continuou após aquele suspiro. Um lamento que não foi direcionado a ele, mas àqueles que se aproximavam:


“Mas, se seu sonho exige que tudo à minha volta seja reduzido a cinzas… então é o meu que vai sobreviver.”


Daren ficou em silêncio por alguns instantes, apenas observando o avanço que já não era mais uma promessa distante, mas uma muralha de inimigos que se aproximava passo a passo.


Os clarões refletiam na superfície polida da Orgulho dos Condenados, fazendo com que a lâmina parecesse respirar com a chegada iminente da batalha. Daren soltou o ar de seus pulmões lentamente, e então, num movimento firme, calmo e controlado, ele balançou a espada para baixo, como se limpasse dela um sangue que ainda não tinha sido derramado.


“O caminho de vocês termina aqui…” Ele murmurou, quase num sussurro, mas com a mesma solenidade de quem dita uma sentença irrevogável.


A postura de seu corpo mudou. Os pés se afastaram ligeiramente, firmes no nada, ancorados apenas pelo seu próprio controle espiritual e pela escuridão que sempre foi uma aliada. O tronco dele se abriu, com o ombro esquerdo levemente voltado para frente, com a espada baixa, mas solta, pronta para se erguer num instante. Parecia, mas não era a postura de um anfitrião que recebe visitas. Era a de um carrasco que, com calma, aguardava os condenados se colocarem diante da lâmina.


No horizonte, a muralha de luzes já não era um borrão. As primeiras silhuetas começavam a se distinguir, linhas de armaduras, pontas de lanças e machados refletindo o brilho do fogo e dos estandartes.


Entre as fileiras mais avançadas, alguns orcs foram os primeiros a notar.

Um único ponto parado no espaço. Pequeno demais para parecer uma ameaça àquela distância, mas ainda assim… estranho.


“Tem alguma coisa ali…” Comentou um batedor de armadura cinzenta, inclinando o corpo para frente como se isso fosse ajudá-lo a enxergar melhor através do capacete.


O companheiro ao lado estreitou os olhos e concordou, completando: “Parece… um homem.”


A informação correu rápido pela linha de frente, saltando de boca em boca até alcançar a unidade de reconhecimento mais próxima de Vargan’Zul.


“Senhor!” Um dos soldados se adiantou, batendo o punho contra o peito: “Relataram um único humano parado à frente. Está no meio da rota de avanço.”


Vargan’Zul sequer diminuiu o passo, e um canto do seu lábio se ergueu num sorriso enviesado.


“Um?” Ele perguntou, e seu tom não era de preocupação, mas de desprezo aberto: “Deve estar perdido… ou ficou paralisado de medo.”


Alguns riram na mesma hora. Outros acrescentaram provocações ao comentário.


“Talvez seja um batedor mal treinado.”


“Ou a humanidade decidiu economizar tropas e mandou só um deles para atrasar a gente.”


“Quem sabe? Talvez tenha ficado para trás porque não aguentou acompanhar a fuga.”


O clima nas primeiras fileiras oscilava entre a curiosidade e a zombaria. Para muitos, a ideia de que alguém pudesse se colocar sozinho no caminho de um exército tão vasto parecia absurda demais para levar a sério.


Contudo, meu com a aproximação cada vez mais iminente, o ponto no horizonte continuava lá.


Imóvel. E, a cada passo do exército, crescia um pouco mais na visão deles.


Vargan’Zul não voltou a falar sobre isso de imediato. Ele limitou-se a girar o punho da arma que carregava, como se a discussão fosse irrelevante. Ainda assim, a presença isolada daquele humano parecia infiltrar uma pequena fissura de atenção no avanço coordenado, nada que atrasasse a marcha, mas o suficiente para que alguns olhares começassem a se fixar na figura parada, esperando para descobrir se aquilo era apenas um louco perdido e que desejava a morte, ou se era um desgarrado que não conseguiu fugir, congelado pelo medo.


Louco ou desgarrado, era certo que aquela figura não transmitia medo algum aos milhões de soldados que avançavam.


O avanço apenas prosseguia, constante e inabalável, quando o vazio entre Daren e a massa invasora foi cortado por um som que não vinha de tambores nem de gritos de guerra.


Era uma voz.


Clara.


Firme.


Direcionada a cada um dos milhões que marchavam.


“Parem.”


Aquela palavra não foi gritada.


Não precisou. Ela carregava um peso que viajava pelo espaço como se estivesse presa a um fluxo invisível, vibrando nos ossos daqueles que a escutavam. O tom do locutor não era de súplica nem de ameaça vazia, era uma ordem.


“Deem meia volta…”


Houve uma pausa após o começo da próxima fala, e mesmo os mais céticos entre os orcs e krovackianos sentiram a estranheza de ouvir alguém falar com tal convicção estando sozinho contra um exército inteiro.


“E recuem enquanto ainda conseguem respirar.”


Ao término daquele aviso, o silêncio que se seguiu durou apenas um segundo. Mas, naquele segundo, havia uma tensão súbita, como se algo estivesse prestes a deslocar o ar. Então, a voz veio de novo, carregando uma solenidade que dispensava reforços:


“Este é o primeiro… e o último aviso.”


As primeiras risadas surgiram como fagulhas. Uma aqui, outra ali. Em poucos instantes, espalharam-se como fogo em campo seco, tomando as fileiras da frente até alcançar as de trás. Risadas guturais, zombeteiras, algumas tão altas que ecoavam pelo vácuo.


“Ele acha que pode nos parar sozinho!”


“Ouviu isso? Ele disse que é o último aviso!”


“Deve estar implorando para morrer!”


Os orcs gargalhavam, batendo suas armas contra os escudos como se a voz de Daren fosse apenas mais um ruído de fundo, indigno de atenção. Entre os krovackianos, o escárnio era ainda mais frio… eles ostentavam olhares carregados de superioridade e sorrisos curtos que dispensavam palavras.


Vargan’Zul, ao ouvir as palavras, apenas ergueu o rosto, curioso, e deixou escapar um leve riso, baixo e controlado, como quem confirma uma teoria.


“Então é isso…” Ele murmurou: “Não é um batedor. É apenas um louco.”


Depois de murmurar aquilo, ele girou a arma na mão, observando-a por um instante antes de continuar: “Corajoso, eu admito. Mas é um louco.”


Os oficiais próximos trocaram olhares, alguns sorrindo, outros balançando a cabeça.


Vargan’Zul completou, com o sorriso ainda no rosto: “Ele será engolido pelas tropas. Não vai me atrasar um segundo sequer.”


Com um gesto breve, ele ordenou que a marcha não diminuísse.


A distância entre eles e Daren encurtava no mesmo ritmo de antes.


Contudo, ao contrário do que a multidão acreditava, não havia nem um traço de hesitação na figura solitária. Ele continuava ali, imóvel, como se a onda de aço, carne e ódio que se aproximava fosse apenas mais uma maré, e ele, a rocha que ela não poderia mover.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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