Capítulo UHL 1074- Conflito de Ideais 2
[Capítulo patrocinado por Rodrigo Lucke. Muito obrigado pela contribuição!!!
ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5
ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.
Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!
Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.
Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz
Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/
Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!
Ps: Link do Telegram atualizado!
Tenham uma boa leitura!]
-----------------------
Na imensidão do espaço, a marcha rumo à Decarius continuava, infinita, com um rio colossal de guerreiros e aço avançando sem trégua. Cada metro avançado reverberava em ondas de energia espiritual que se entrechocavam e se sobrepunham, criando um mar revolto de poder bruto. Era impossível não sentir… até o próprio vazio parecia estremecer sob a passagem daquele exército.
E, no entanto, lá na frente, contra a vastidão, imóvel, havia uma única presença que não cedia.
Pequena demais para se distinguir dos destroços espaciais a grandes distâncias. Fácil demais de ignorar no primeiro olhar. Mas, com o passar dos minutos e a redução da distância, a atenção se fixava nela, fosse por curiosidade, fosse pela estranheza de vê-la ali… imóvel, como se desconhecesse ou desprezasse a magnitude da maré que se aproximava.
Diante daquela visão, mensagens curtas começaram a percorrer as comunicações internas das tropas avançadas.
“Ele ainda está lá.”
“Não se moveu um centímetro.”
“Continua parado.”
Quando a mesma informação repetida três, quatro vezes chegou aos ouvidos dos oficiais próximos de Vargan’Zul, o líder krovackiano ergueu uma sobrancelha, não por preocupação, mas porque a persistência daquele fato lhe parecia curiosa. Ele não tolerava distrações na marcha, mas, por algum motivo, decidiu ver por si mesmo.
Com um gesto curto, ele cortou o bloco de guerreiros à sua frente, avançando até a ponta. O avanço dele era firme, quase preguiçoso, mas cada vez que passava, as fileiras se reorganizavam automaticamente, abrindo espaço como se o aço de suas armaduras fosse repelido por sua presença.
A mudança na frente do exército era perceptível. A pressão espiritual, que já era avassaladora, ganhou contornos mais intensos. Era como se todos quisessem mostrar sua força ao líder, liberando suas auras de forma ainda mais agressiva, competindo de maneira silenciosa para serem notados. A atmosfera tornava-se sufocante, carregada de orgulho e violência latente.
No meio desse mar de energia, a presença de Daren parecia desaparecer. Sua aura, ofuscada por milhões de outras, não se destacava, não pelo menos para quem não sabia onde olhar. Para um observador casual, ele poderia ser confundido com um ser comum, frágil diante da magnitude que se aproximava.
Mas a realidade era diferente.
O que se via não era ausência de força, e sim seu oposto: um controle absoluto. Daren mantinha sua energia espiritual comprimida até o limite, contida como água presa atrás de comportas reforçadas. Mas, como todo reservatório, sempre havia vazamentos, um calor leve, um eco profundo, algo que escapava sem que pudesse ser totalmente suprimido. Era uma presença que, mesmo velada, insinuava profundidade e peso.
E então, Vargan’Zul o viu.
Quando a figura deixou de ser um borrão para se tornar um homem de carne e osso, o tempo pareceu desacelerar por um instante.
Vargan’Zul enxergou os olhos de Daren. E aquele não era o olhar de um fugitivo, nem a postura de alguém que aguardava reforços.
Era com se alguém tivesse construído um pilar solitário no meio do nada.
Daren estava com os pés firmes no vazio, como se o próprio espaço fosse sólido sob ele. Sua postura era aberta, mas inabalável, transmitindo a certeza de que não haveria recuo. O corpo estava relaxado o suficiente para não parecer tenso, mas sólido o bastante para mostrar que, no instante certo, se moveria com uma velocidade mortal.
A armadura que ele vestia era um estudo em contradições: feita de escamas negras e ligas metálicas opacas, ela absorvia a luz, bebendo-a como um poço sem fundo. Mas cada placa parecia moldada com precisão para proteger e, ao mesmo tempo, oferecer mobilidade total. No lado esquerdo do peito, havia uma abertura proposital, expondo a área onde batia seu coração. Aquilo não era fragilidade, era um recado. Um convite implícito para tentar atingi-lo, uma provocação que revelava confiança absoluta.
O rosto, marcado pelo tempo e pela guerra, trazia uma cicatriz profunda que corria da lateral da bochecha esquerda até a base do maxilar, cruzando o relevo ossudo sem esconder nada. A pele pálida, quase cinzenta, contrastava com o brilho sutil dos seus olhos… negros como o espaço, mas com íris alaranjadas que pareciam manter o mesmo calor incandescente de rochas fundidas.
O cabelo, longo e branco como a neve, flutuava suavemente, guiado por correntes invisíveis no vácuo. Não havia pressa nem ostentação em sua postura, apenas a presença de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo ali.
Cada característica física de Daren era proposital. Seus defeitos eram propositais. Ele usava tais características como lembretes do que viveu, do que sofreu e do que deseja ensinar.
Para amigos, elas eram gestos de humildade e lições de vida, mas para inimigos, eram a causa de múltiplos sentimentos, que íam desde o medo ao escárnio.
Vargan’Zul não sabia o que dizer se perguntado o que ele estava sentindo naquele momento. Daren, fisicamente, era peculiar, mas havia algo que chamava a atenção naquele conjunto todo… era o fato de que, na mão esquerda, estava a Orgulho dos Condenados.
A espada que ele empunhava não era apenas uma arma; era uma extensão de sua própria existência. A lâmina dupla carregava no centro de cada face o brilho inquietante de um turbilhão preso, com a luz tentando escapar e sendo tragada de volta para dentro, como se aprisionasse o ciclo eterno de nascimento e destruição. Não havia reflexos nítidos nela, apenas um clarão filtrado, distorcido, como se o metal mostrasse não o mundo ao redor, mas algo mais profundo e antigo.
Vargan’Zul, que já havia visto incontáveis adversários e líderes, não reconheceu o homem à sua frente. Mas algo nele era diferente. Não havia a típica postura de súplica ou de fanfarronice que muitos guerreiros solitários assumiam para tentar impressionar um inimigo numericamente superior. O que se via ali era a presença crua de quem se colocava como linha final entre o que estava atrás dele e a força que vinha na frente.
Por um momento breve, um silêncio imperceptível passou pelas fileiras mais próximas. Não foi medo aberto, mas um vacilo de atenção, um instante em que até as provocações cessaram, substituídas por olhares fixos. Não se tratava de respeito ou de intimidação imediata, mas da sensação incômoda de que havia algo errado naquela imagem, algo que não se encaixava no retrato esperado de uma vítima prestes a ser esmagada.
E a impressão era a mais simples constatação da realidade: aquele homem não estava ali para morrer.
Estava ali para julgar.
Para condenar.
Era como se, de repente, milhões estivessem olhando não para um obstáculo, mas para a personificação de um veredito. E, ainda que fosse apenas por um instante, o avanço que até então era pura confiança encontrou seu primeiro grão de hesitação.
