Capítulo UHL 1079 - O Vazio que Retorna
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Tenham uma boa leitura!]
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O campo de batalha, àquela altura, já não tinha forma. O céu, o chão, o horizonte… tudo era um mosaico de corpos despedaçados, técnicas abortadas, clarões que nasciam e morriam antes de completar sua luz. A guerra inteira parecia estar sendo engolida pelo centro dela.
E nesse centro, imóvel como um marco de condenação, estava Daren.
As últimas investidas do exército comandado por Vargan’Zul haviam mostrado que ele podia ser pressionado. O esforço para equilibrar espada e placas já o fizera recuar, e os corredores abertos em seus flancos permitiram que centenas, talvez milhares de guerreiros atravessassem além de sua esfera de controle.
Vargan’Zul também percebeu que o exército começou a ganhar confiança de que, finalmente, alguns estavam passando. E, se alguns passavam, logo seriam dezenas de milhares.
Mas Daren também percebeu as mesmas coisas.
Logo, ele fechou os olhos, com a respiração profunda como se o vácuo em volta fosse seu pulmão. O brilho das técnicas que se aproximavam refletiu na lâmina negra da Orgulho dos Renegados, mas ele não a moveu. As placas em órbita tilintaram, como sinos graves, mas não partiram para o ataque.
*Whooooooooooooooooooooooooooom…*
Então o espaço mudou.
Não houve explosão, não houve clarão, não houve aviso. O espaço simplesmente… curvou-se. Sob uma pressão que parecia afundá-lo, remodelando-o totalmente.
Um arco invisível se estendeu ao redor de Daren, como se o tecido do universo tivesse cedido. Guerreiros que avançavam além de seu alcance imediato sentiram primeiro o estômago revirar, depois o corpo inclinar, mesmo sem haver chão. Eles continuavam a voar para frente, mas, por algum motivo, cada metro avançado os levava de volta para trás.
“O quê…?” Um orc arregalou os olhos quando percebeu que o asteroide à frente dele desapareceu e, de repente, o mesmo campo de cadáveres que ele já havia deixado para trás estava de novo diante dele.
Outros ao redor gritaram, chocados. Eles estavam quilômetros adiante, mas em um piscar olhos, voltaram para a posição inicial, como se todo o avanço tivesse sido apenas um sonho refeito.
Daren abriu uma dobra de espaço.
Não era teletransporte, não era ilusão. Era o próprio caminho que se fechava e voltava sobre si, como uma serpente mordendo o rabo. Aqueles que tentavam escapar eram empurrados para trás, como se corressem em círculos dentro de uma armadilha invisível.
Vargan’Zul arregalou os olhos e cerrou os dentes, compreendendo tarde demais que a linha de frente havia sido engolida por um fenômeno maior do que qualquer técnica de guerra.
Todos o avanço foi perdido, com soldados voltando aos seus pontos de origem, mas nem todos retornaram.
Alguns poucos conseguiram passar, contornando as bordas da distorção antes que ela se consolidasse. Esses não voltaram à retaguarda. Eles entraram na outra técnica.
E a outra técnica era ainda pior.
À frente deles não havia Decarius, como eles imaginavam.
Não havia estrelas.
Não havia nada.
Apenas uma escuridão opaca que não pertencia ao vácuo natural do cosmos se estendia por todos os lados. Um espaço sem horizonte, sem luz, sem eco.
Eles voaram. E voaram. E voaram. Mas cada segundo tornava-se mais lento, e cada metro parecia ser mais pesado do que o outro.
Para piorar, o vazio claustrofóbico em volta parecia fechar-se, com as distâncias encolhendo, com os corpos uns dos outros aproximando-se sem que quisessem.
“O que… o que está acontecendo?”
“Eu… não consigo…”
Os soldados gritavam, mas suas vozes não ecoavam. O espaço ali não devolvia som. O que havia era pressão. Uma pressão que começava como se estivessem em água densa, depois em areia movediça, depois em pedra líquida.
E quanto mais tentavam se mover, mais próximos ficavam uns dos outros. Ombros se tocavam, depois peitos batiam uns contra os outros, braços se comprimiam.
Os números deles não formavam mais uma multidão, mas, sim, uma massa forçada a tornar-se uma só.
*Craaaack…*
Então, pouco a pouco, começou o esmagamento.
Não veio de fora para dentro. Veio de todos os lados ao mesmo tempo. Ossos cederam, armaduras estalaram, técnicas se dispersaram como faíscas em vento contrário. Os que ainda tinham consciência viam a escuridão adensar-se, como se cada pedaço do nada fosse um punho apertando.
Era como estar dentro de um buraco negro.
Os soldados gritavam, mas os gritos eram sugados antes de se formarem. O sangue não escorria, era puxado para dentro, evaporado em silêncio.
De fora, quem olhava apenas via um bloco de sombra estática, onde guerreiros haviam entrado. E nenhum deles saía.
Do lado de fora, no centro da batalha, Daren abriu os olhos e voltou a falar:
“Eu disse que não era uma luta justa…” Ele comentou, e sua voz não se ergueu, mas correu pelo campo de batalha como uma vibração direta na mente de todos: “E ainda assim, você insiste em sacrificar os seus homens.”
O tom em sua voz não era de sarcasmo. Era quase de lamento.
Vargan’Zul, do outro lado, rangeu os dentes.
“Não se atreva a me ensinar o que é guerra, humano!” Ele gritou.
Daren, por sua vez, suspirou, e a escuridão em volta dele pulsou uma vez, como se respondesse por conta própria.
“Você já perdeu mais aqui do que qualquer comandante deveria permitir. Só contra mim, milhares já caíram.” Enquanto falava, Daren moveu a Orgulho dos Renegados, e o espaço tremeu com a lembrança dos cortes recentes, antes dele continuar: “E mesmo que alguns consigam passar… não haverá exército para comandar em Decarius.
Depois de dizer aquilo, Daren ergueu o queixo, e as íris alaranjadas faiscaram como brasas em meio ao breu que se adensava.
“Vocês acham que eu sou o fim do caminho?” Sua voz ecoava como um trovão, sem se elevar, mas enchendo a mente de cada guerreiro krovackiano ou orc: “Eu não sou o fim. Sou apenas o primeiro obstáculo. Depois de mim, haverá outros. Depois de mim, vocês conhecerão guardiões ainda mais impiedosos. E cada passo que derem rumo a Decarius será um passo sobre os corpos de seus próprios companheiros.”
O espaço estremeceu com o peso das últimas palavras. Enquanto isso, a Orgulho dos Renegados girou lentamente em sua mão, sem pressa, como se fosse uma extensão do próprio silêncio.
“Vocês já perderam milhares só aqui. Milhares contra um homem.” Daren prosseguiu, e cada sílaba era mais pesada que as explosões de energia que haviam retumbado instantes antes: “Se avançarem, perderão dezenas de milhares. Centenas de milhares. E quando se derem conta, não restará exército para queimar Decarius. Não restará soldado algum para pisar em seu solo.”
Aquele aviso não era gritado, não era raivoso. Era o tom de um veredito. Uma sentença inevitável.
E, de fato, entre as fileiras, o medo começou a trabalhar em silêncio. Alguns guerreiros, com a mente fraturada pelas cenas do esmagamento na escuridão, engoliram em seco. A noção de lutar contra alguém que poderia curvar o espaço e transformar a marcha em um ciclo infinito corroía até a coragem dos mais endurecidos.
Mas Vargan’Zul não podia permitir que esse veneno se espalhasse.
Ele se ergueu em pleno ar, com a espada em punhos, e rugiu, fazendo sua voz ecoar em ondas:
“CALADO, HUMANO!”
O brado rompeu o vazio como um açoite. Sua aura explodiu em chamas negras e vermelhas, crescendo como um sol, e o poder do comandante se impôs sobre as legiões.
“Ele quer envenenar suas mentes! Quer semear dúvida em seus corações! Vocês não marcham para morrer… vocês marcham para vencer!”
Enquanto falava, Vargan’Zul apontou a lâmina para Daren, e o gesto incendiou o orgulho krovackiano.
“Esse homem não é um obstáculo. É apenas uma parede. E paredes foram feitas para ser derrubadas! Mesmo que milhares caiam, milhões continuarão! Mesmo que milhões caiam, dezenas de milhões virão atrás! Essa guerra não se decide em um só corpo, mas no peso do nosso exército inteiro!”
O rugido dele reverberou pelas linhas, reacendendo parte da confiança.
O medo cedeu espaço à fúria.
Daren, enquanto era acusado, manteve o olhar fixo em Vargan’Zul. Ele não respondeu de imediato. Apenas deixou que o espaço ao redor se distorcesse mais uma vez, mostrando que as palavras do comandante eram apenas âncoras frágeis contra a força da realidade.
E quando finalmente falou, foi em tom baixo, quase como se fosse apenas para Vargan’Zul:
“Então traga todos. Traga milhões. Eu os farei retornar, um por um. E os que não retornarem… conhecerão o vazio.”
Com aquelas palavras, a escuridão pulsou atrás dele, e os blocos de sombra onde guerreiros haviam entrado se expandiram, como se o próprio universo engolisse pedaços da legião.
Vargan’Zul não recuou. Ele não podia recuar. Seu punho apertou ainda mais a espada e sua ordem foi simples, crua, sem margem para dúvida:
“AVANCEM!”
Ele gritou, e os milhões voltaram a se mover, mesmo com o vazio os observando como um predador à espreita.
