Capítulo UHL 1082 - A Chama Volta a Queimar
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O sangue de Hatori ainda escorria no negro de sua pele, preso às rebarbas queimadas do ombro. A coxa ardia em diagonal, as costelas pediam ar que não existia, e mesmo assim a Sourigawa permanecia firme, com a lâmina limpa, pronta para o próximo corte. Em Daren, as marcas eram só isso: marcas. Riscos finos no braço e no rosto, um talho pequeno na coxa, nada que passasse de uma nota de rodapé para quem moldava a gravidade como se fosse um músculo. Vargan’Zul, por sua vez, avançou com a Khazra’kul na mão, com o espaço em volta dele dobrando, como se os eixos preferissem alinhar-se ao comandante a contrariá-lo.
Ele veio primeiro em diagonal, trazendo três orcs junto, intercalados por dois krovackianos em zigue-zague. Um dos orcs condensou ar até o limite e bateu com o punho.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
O choque não era um simples som, era pressão pura varrendo o vazio.
O seguinte abriu a mão e criou metal do nada… linguetas e flechas de liga negra cresciam no ar como cristais, disparando em V.
O terceiro modelou o fogo e o fez ferver, criando um plasma branco que trincava o que tocava.
*Booooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom…*
Daren, no centro daquilo, cruzou meio passo, duas placas saíram da órbita e, no atrito, o punho de pressão quebrou em turbilhões; Outro conjunto de placas fez a massa no caminho das flechas metálicas mudar, alterando a gravidade e as arremessou de volta como uma chuva de granizo de ferro; O plasma, quando chegou, encostou na Orgulho dos Renegados e sumiu, sendo engolido sem cerimônia.
Vargan’Zul chegou no fim desse compasso, atacando Hatori, com a Khazra’kul baixa, e girou o punho.
A lâmina grossa bateu de lado no vazio como uma onda de água contra uma encosta.
*Whooooooooooooooooooooooooooooom…*
Hatori atacava ao mesmo tempo, e, por causa do movimento de Vargan’Zul, o espaço dobrou numa cunha invisível e ele sentiu o corte “escorregar” um palmo.
Contudo, como um samurai que vivia pela espada e para a espada, Hatori, antecipou o desvio, baixou o punho, redesenhou a trajetória e a lâmina raspou o dorso da armadura do comandante.
*Krrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr…*
Faíscas negras, saíram do atrito entre a Sourigawa e a armadura do comandante, mas sem que nenhum pedaço de carne fosse arrancado.
Perto um do outro, o olhar de Hatori estreitou e o de Vargan’Zul sorriu por dentro do elmo.
Enquanto isso, a elite entrou inteiro na batalha. Um krovackiano de olhos cinza convocou água onde não havia e a comprimiu em feixes finos como fios de serra; eles vinham dançando, cruzando em ângulos que se fechavam no último instante e perfurando tudo que viam pela frente.
Daren, o alvo, girou o corpo no próprio eixo, deixou três fios passarem, aparou o quarto na borda da Orgulho, a lâmina bebeu o jato, e o resto perdeu pressão, começou a virar névoa.
Vargan’Zul recuou logo após a troca de golpes com Hatori, e o samurai avançou por dentro da trama aquosa e cortou a matriz do feixe na base.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah…*
O lançador tossiu sangue quando a Sourigawa cravou em seu peito, gerando um caminho perfurante que se estendeu por quilômetros atrás dele.
Rapidamente, relâmpagos nasceram à esquerda, não em raios soltos, mas em uma estrutura de descargas entrelaçadas; cada nó queimava como um sol minúsculo e a malha vinha fechando como um saco ao redor de Hatori.
*Booooooooooooooooooooooooooooooooooooom…*
O Samurai não recuou. Hatori cortou os nós um a um, primeiro o que alimentava três linhas, depois o que amarrava o semi-arco. A rede cedeu e estourou para longe, e o clarão lambeu a manga dele, que abriu um segundo talho, raso, abaixo do ombro. Hatori prendeu a dor com um dente, respirou curto, e foi para o próximo.
No alto, três krovackianos construíram imensos blocos de gelo e o soltaram não como lanças, mas como placas lisas que giravam, obrigando quem se defendia a escolher: ou cortava e perdia o eixo, ou desviava e cedia terreno.
Daren, porém, escolheu a terceira opção. Ele curvou o espaço de leve à frente do peito e as placas deslizaram em curva para transpassar onde ele não estava mais. Uma roçou a testa, abriu a pele acima da sobrancelha. Uma linha vermelha e nada mais, surgiu em seu rosto, mas ele cobrou o erro…
A Orgulho dos Renegados balançou em um arco, sem brilho, que varreu os três de uma vez; o efeito veio em cascata, como sempre: primeiro partiu o que havia de forma, depois espremeu de dentro para fora, por fim estourou em pó.
Enquanto isso, um veterano de trouxe sobre Hatori um campo esquisito que fazia o sangue coagular rápido demai. O corpo do samurai pesou, o braço quis travar, a perna cortada gritou em dor.
Ao lado, um Krovackiano lançou uma névoa de necrose em ondas, tentando envelhecer a carne de Daren em segundos.
O Demônio da Escuridão, por sua vez, fechou os dedos e chamou a pressão para si.
*Whoooooooooooooooooooooooooooooooooom…*
A escuridão engoliu técnica como engole luz e não devolveu nada.
Enquanto isso, o efeito coagulante pegou em Hatori pelo tempo de três batimentos, tempo suficiente para a orc do aríete encaixar um soco de pressão nas costas dele.
*Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…*
Hatori caiu num joelho, mas apoiou a ponta da Sourigawa, cortou o campo de vida como se fosse tecido e levantou limpo, com o corte da coxa sangrando menos que antes.
Vargan’Zul recuou e o metal cresceu na sua mão como se fosse planta de aço, transformando-se numa corrente, e a corrente veio sem peso aparente.
*Vuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuup…*
Quando tocou o entorno de Daren, a corrente ficou tão pesada quanto deveria, tentando amarrar-lhe o tronco e os tornozelos num só giro.
Dare, em resposta, adiantou um passo, e duas placas encontraram a corrente e bateram na quina.
*Claaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…*
O impacto não partiu o elo, mas quebrou sua intenção. A gravidade torceu-se para cima e saiu por onde veio, arremessando dois orcs que vinham naquela direção.
À retaguarda de Vargan’Zul, a massa reorganizou. Oficiais puxaram o ar para formar esteiras invisíveis que empurravam colunas inteiras.
O objetivo estava claro: passar.
E muitos passavam. Não sem pagar caro, mas passavam.
Hatori viu a manobra e tentou cortar um trilho de metal que eles usaram como proteção e carregava um contingente inteiro.
Vargan’Zul não deixou e caiu sobre ele, com a Khazra’kul vindo por baixo, subindo com o dorso da lâmina, não para cortar, mas para deslocar.
*Whooooooooooooooooooooooooooooooom…*
O espaço ao redor do corte esticou como couro molhado e o domínio da Sourigawa derrapou um palmo. O golpe de Hatori, que seria uma linha perfeita no centro do trilho, subiu meio braço e cortou “apenas” o teto de um domo de gelo,
O contingente passou, perdendo gente, mas ainda assim seguindo.
Daren interveio com um corte longo, absorvendo o plasma que vinha de um flanco e a pressão de água do outro, cuspindo tudo como um anel avassalador.
O anel atravessou três corredores de uma vez, com a combinação impossível se repetindo… fatiar, esmagar, explodir, e a trilha de corpos ficou como um desenho macabro no breu. Ainda assim, uma ala completa aproveitou a janela e cruzou para além do alcance imediato.
Enquanto isso, na equipe de elite, um krovackiano de peito largo trouxe ar em outra forma: gases.
Ele usou uma liberação de nuvens corrosivas que não cheiravam, mas comiam pulmões e olhos, dissolvendo mucosas.
Em uma batalha comum, aquilo viraria uma noite de tosses e cegueira. No vácuo, era uma bolha de atmosfera artificial que avançava como uma maré branca.
Hatori rompeu a nuvem com duas linhas de corte. Elas dividiram a massa tóxica em canais que se afastaram dele.
A nuvem que Hatori cortou caiu sobre Daren, e um orc por trás usou a cortina para aproximar-se e encaixar uma lâmina no vazio entre as placas do abdômen.
Daren parecia estar vulnerável, mas não… Ele viu no tempo certo.
*Claaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…*
Uma placa desceu como uma porta de cofre e o golpe ricocheteou. O orc que ousou atacá-lo o vão perdeu o pulso inteiro, esmagado entre duas placas que colidiram uma contra a outra, com o braço dele no centro, é claro.
A luta estava em um ritmo frenético.
Relâmpagos voltaram, agora em cascata vertical. Desta vez, eles não vinham em fios, vinham em lâminas largas que desciam como cortinas e, ao tocar, abriam crateras em armaduras e carbonizavam a carne ao redor.
Hatori cortou quatro, cinco, seis… O sétimo chegou quase junto do oitavo e passou de raspão pela lateral do pescoço, deixando um trilho de carvão na pele antes de morrer sob o oitavo golpe da Sourigawa.
Nesse instante, o duelista de lâminas curtas voltou, com um olho cego e o outro obsessivo.
*Swing. Swing. Swing…*
Eles trocaram centenas de golpes no tempo de um piscar de olhos. Suas lâminas colidiram uma contra a outra, causando uma série de pontos que lançaram faíscas. E na mesma velocidade que eles trocavam golpes, tudo parou, de repente.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
Bem na frente de Hatori, o duelista tombou a cabeça, ainda de pé, e a metade superior de seu corpo deslizou sobre a inferior, em diagonal, seguindo a direção do último e derradeiro corte de Hatori em seu corpo.
O corpo do duelista deslizou até se abrir por completo, e o silêncio momentâneo que seguiu foi mais ensurdecedor que qualquer trovão de relâmpagos ou estampido de placas esmagando.
Hatori manteve a Sourigawa firme, com a lâmina limpa, ainda sibilando no vácuo pelo último corte. O sangue na coxa queimava, o ombro latejava, e o pescoço trazia a lembrança fresca de um quase golpe fatal. Mas, em vez de pesar, aquilo lhe incendiava o peito.
Ele, enfim, ergueu a cabeça, respirando fundo, com o olhar selvagem faiscando na direção de Vargan’Zul e dos guerreiros que ainda vinham. Naquele instante, um riso escapou pelos dentes cerrados, baixo a princípio, crescendo como se fosse uma fagulha soprada pelo vento.
“Então era isso… Hahaha… Eu tinha esquecido.” Hatori murmurou, como se comemorasse algo.
Enquanto isso, a mão esquerda apertou mais o punho da Sourigawa, e o braço ferido respondeu com dor, mas também com firmeza. Ele não recuou. Pelo contrário, avançou um passo, deixando o sangue pingar como se fosse tinta traçando seu caminho.
“Esse calor… essa pressão no fundo do estômago… Esse gosto de ferro na boca… É isso o que eu era antes de me enterrar em silêncio e disciplina.”
Hatori falava com si mesmo, como se estivesse se redescobrindo depois de muitos anos usando uma máscara.
*Swiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing…*
Então, com um movimento no qual Hatori reassumiu sua postura de batalha, o domínio da Sourigawa se expandiu em volta dele mais uma vez, estalando, cortando fios invisíveis como se o universo fosse feito de seda.
Os veteranos ao redor sentiram o peso do gesto. Aquilo não era apenas técnica, era instinto puro se transformando em arte.
Daren, ao lado, observava sem mover um músculo, entendendo que aquela euforia não era um descontrole, mas um reacender de algo que esteve soterrado por muito tempo.
Hatori finalmente apontou a lâmina para frente, com o corpo ereto como sempre, mas o olhar diferente. Havia brilho no fundo dos seus olhos, um reflexo feroz, primitivo, assassino.
“Vocês me lembraram de algo que eu mesmo havia apagado.” Ele falou, com a voz grave e carregada de um prazer selvagem: “Vocês me lembraram… de como é bom sangrar por uma batalha que vale a pena. De como é bom cortar não só o corpo, mas o medo, a vontade, a vida inteira do inimigo.”
Hatori falou, e, com um último riso curto, ele avançou outra vez, com a Sourigawa pronta para beber o próximo instante.
