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Capítulo UHL 1088 - Verdadeiras Intenções

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Tenham uma boa leitura!]


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Hatori até agora não baixou a lâmina, mas baixou um pensamento em sua cabeça. O som dos tambores de Uhr’Gal ainda vibrava no seu peito quando uma memória entrou, nítida como um golpe limpo. Ela não veio com perfume de nostalgia nem com a benevolência de justificativas tardias. Veio com a secura de um aviso que ele mesmo dera.


Ele se viu de novo na conversa com Zargoth…


“Eu estou de mãos atadas.” Hatori dissera, sem curva nem enfeite.


Zargoth fitara o nada por um instante. A respiração dele não pesava, o que pesava era o que existia atrás da respiração. Hatori lembrava exatamente da resposta, como se cada sílaba tivesse sido talhada dentro dele.


“Há muitos planetas…” Zargoth respondera: “Uhr’Gal é só um. Se a guerra começar, ninguém vai distinguir onde termina a culpa e começa a conveniência.”


“Não vão.” Hatori concordou: “E se você não fizer nada, também vão dizer que você concorda.”


Zargoth não reagiu. Ele só se aproximou um pouco mais, como se quisesse que Hatori o escutasse melhor.


“O que você quer que eu faça? Que prometa paz enquanto meus mortos ainda estão quentes? Que diga que Uhr’Gal não tem nada a ver com os rebeldes quando meus jovens querem sangue e meus velhos querem garantias?”


Hatori não buscou consolo nas palavras. Não havia. Ele foi direto, como sempre fazia quando a cama de vidro da verdade precisava suportar peso.


“Você vai ter que provar. Não serve dizer. Vai ter que provar que quer a paz. Vai ter que provar que Uhr’Gal não tem parte com a marcha. E não haverá prova limpa.”


Zargoth apertou os olhos um pouco. Não em raiva, mas em cálculo.


A memória terminou onde deveria terminar: no limite em que nenhum dos dois precisava dizer mais nada para entender que a conversa não era um pacto, mas um aviso recíproco. Hatori saíra daquele encontro com um ponto fixo na cabeça: Zargoth encontraria um modo. Mas nem no mais ousado cenário ele imaginou que o “modo” viria daquele jeito, com cinquenta mil orcs em linha, erguidos não para travar humanos, mas para travar os próprios irmãos.


O presente voltou como um impacto.


Zargoth estava à frente, e a tropa de Uhr’Gal estava posicionada atrás dele.


Vargan’Zul, por sua vez, mantinha a Khazra’kul abaixada na ameaça, como se ergue-la fosse admitir a hipocrisia do destino. O exército misto, atrás dele, tremia. Krovackianos olhavam para os orcs; orcs evitavam os próprios olhos nos próprios orcs.


Hatori respirou, e a pele ardeu onde o fogo havia queimado na última vez. A Sourigawa não tremeu na sua mão. E ele escutou de novo a frase que dizia respeito a ele, mas que não lhe pertencia: “Você vai ter que provar.”


E Zargoth tinha acabado de provar.


“Você sabia…” Vargan’Zul, ainda orgulhoso, esmurrou a acusação no espaço, como se o ar tivesse culpa: “Você sabia que ele faria isso. Você jogou os orcs contra eles mesmos!”


“Eu apenas disse que ele teria que encontrar um modo de provar que não é conivente com sua marcha…” Hatori respondeu: “Nunca disse que eu saberia qual e nunca sugeri isso.”


“Isso é traição!” Ao mesmo tempo, um capitão krovackiano cuspiu, com os olhos muito abertos, como se quisessem estourar e assim livrá-lo do dilema: “Eles vão nos forçar a matar Uhr’Gal de verdade para passar.”


“Não!” Hatori escutou e corrigiu, antes de completar: “Eles apenas vão forçar vocês a dizer em voz alta o que já estavam fazendo em silêncio.”


As fileiras de Vargan’Zul se movimentaram num mísero tremor. Dezenas de orcs que o seguiam desde os primeiros passos da marcha baixaram meia lâmina. Só meia. A metade ainda erguida tremia no punho. Era possível quase ver o conflito agir como um peso. 


Os nomes dos primos, dos pais, dos filhos, escritos a fogo atrás das pálpebras, vinham em suas mentes.


“Chega.” Rosnou um general krovackiano, arrancando a lâmina da bainha como se quisesse arrancar o dilema do peito de cada um dos orcs presentes: “Abram caminho. Se Uhr’Gal decidiu virar uma muralha, vamos atravessar como atravessamos tudo.”


Em resposta, a linha krovackiana mexeu primeiro. Escudos ergueram-se, lanças inclinaram-se. 


“Não!” No mesmo instante, um um capitão orc respondeu, plantando os pés e cruzando a lâmina à frente do ‘colega’ krovackiano: “Ninguém toca em Uhr’Gal.”


“Você enlouqueceu?” O krovackiano cuspiu em ira, antes de argumentar: “Eles acabaram de dizer que vão nos enfrentar! Vamos ficar parados para morrer?”


Nós não vamos matar os nossos!” Sevolveu o orc, sem ceder meio dedo em sua posição.


Dois passos adiante, outros krovackianos puxaram suas armas. Orcs responderam inclinando os ombros, formando um ângulo de choque que não era de ataque… era de defesa. Escudos tocaram escudos, e o primeiro empurrão saiu involuntário, quase tímido.


Zargoth, do outro lado, não se moveu. Sua formação também não. Cinquenta mil orcs em um silêncio total. Nenhuma ponta avançou, nenhuma ponta recuou.


“Vocês vão mesmo impedir?” Perguntou um tenente krovackiano, com voz trêmula de raiva e de medo, enquanto batia com a borda do escudo no escudo de um orc veterano: “Depois de tudo que sofremos para chegar aqui?”


O veterano respondeu: “Os meus não passam por cima dos meus.”


A pressão cresceu, e agora não eram mais dois, eram vinte, cinquenta, uma centena de pares opostos, empurrando-se como placas que nunca deveriam se tocar. Em cada encontro de olhos, a velha história voltava: batalhas antigas, insultos esquecidos quando se juntaram para aquela campanha, disputas por território e honra, promessas cuspidas em campo aberto.


“Avancem!” Bradou o general krovackiano, tentando salvar a disciplina com volume: “Quem recuar será cortado!”


“Quem avançar contra Uhr’Gal…” Um subcomandante orc respondeu: “Perde o direito ao próprio nome e a vida.”


A frase não foi um blefe. Ao redor, orcs ergueram sua lâminas contra os krovackianos.


“Isso vai estourar!” Hatori murmurou, baixo, sem tirar os olhos de Vargan’Zul: “E quando quebrar, não volta ao lugar.”


Vargan’Zul mantinha a Khazra’kul colada ao corpo por um fio. O cabo pesava. O fogo estalava, impaciente, pedindo forma. Ele olhou rápido para um lado, depois para o outro. Viu companhias inteiras rachando no meio: meio pelotão orc travando escudos contra krovackianos, meio pelotão krovackiano tentando contornar, abrir brechas e ganhar centímetros. A marcha nascida sob um mesmo brado, agora respirava em dois pulmões descompassados.


“Se recuarmos agora, toda morte atrás nós vira apenas pó…” Um oficial krovackiano comentou, aproximando-se ao ouvido do seu comandante imediato: “Eles não perdoarão. Os nossos que morreram não perdoarão.”


“Se avançarmos agora…” Respondeu um oficial orc, do outro lado: “Viramos traidores por decreto e perdemos para sempre a casa.”


As mãos se fecharam em punhos. Dentes rangeram. E o primeiro empurrão sério rasgou uma linha…


Um martelo krovackiano bateu no ombro de um orc, que escorregou um passo e, por reflexo, devolveu com o antebraço. O antebraço bateu no queixo do krovackiano, que girou o rosto e ergueu a lâmina, não para matar, para assustar. Três lâminas responderam, não para matar, para lembrar que podiam.


Zargoth, o estopim daquele conflito, continuava calado.


O silêncio do Khan não era omissão… era o peso consciente de manter um muro tanto físico quanto psicológico. Ao seu sinal, cinquenta mil desabariam sobre quem cruzasse. Sem discurso, sem promessas de glória. Apenas fazendo o que era necessário para proteger o seu povo.


“Façam um corredor!” Gritou outro general krovackiano, tentando a última argumentação antes da ruptura: “Os orcs que quiserem desertar, desertem! Quem quiser lutar, lute.”


“Não há deserção quando se fica ao lado de sua casa!” Retrucou um orc, e a voz dele correu como um rio grosso, alimentando fileiras: “Há deserção quando se abandona o nome para chamar outra coisa de honra.”


Daren, a certa distância, inclinou a cabeça, um mínimo gesto de tédio e cálculo. Então, sua voz atravessou o espaço.


“Não é só Uhr’Gal que estará no caminho! Eu ainda estou aqui!”


“Mais um passo errado e eu corto todos!”


Não houve bravata em resposta. Não havia como responder uma promessa assim.


Hatori deu meio passo, o suficiente para que Vargan’Zul o percebesse como presença e não como ameaça de um recomeço da luta.


“Fale com os seus…” Hatori pediu, sem elevar o tom: “Se ficar em silêncio, o passado falará por você!”


“E o que quer que eu diga?” Vargan’Zul questionou, rouco: “Que perdoem? Que esqueçam? Que enterrem o que os trouxe até aqui sob a desculpa de um rito orc?”


O barulho do campo não era só som, era pressão. O atrito de escudos contra escudos, a respiração pesada de milhares, os gritos que ainda não eram guerra mas também já não eram paz. A cada segundo, o silêncio de Zargoth parecia mais ensurdecedor, e a turba em torno de Vargan’Zul ameaçava explodir sem comando.


Hatori manteve a lâmina à altura do quadril, com a ponta baixa, o corpo ereto. Ele não olhava os soldados, não olhava a massa… fixava-se no comandante.


“Seus homens estão se partindo no meio!” Ele disse: “Você quer mesmo que isso termine assim?”


Vargan’Zul devolveu, cerrando o punho sobre a Khazra’kul e respondendo: “Eu só preciso que eles lembrem do que perderam.”


“É isso que eles lembram…” Hatori rebateu, inclinando o queixo na direção da muralha de Zargoth: “Mas não lembram como você esperava. Você os acendeu com dor ódio, e agora eles queimam contra si mesmos.”


O som metálico de outro empurrão ecoou logo atrás deles, com orcs e krovackianos travando com os dentes quebrados. Um rosnado coletivo percorreu a formação, e um general krovackiano levantou a arma alto demais, no limiar de transformar o empurra-empurra em corte.


Hatori não ergueu a voz, mas o fio das palavras entrou no ouvido do comandante como se fosse lâmina:


“Não vou perguntar por que marchou. Não vou perguntar o que quer. Vou perguntar como. Como você reuniu tantos em tão pouco tempo. Como este exército surgiu inteiro, pronto, sem que ninguém percebesse até estar diante das portas de Decarius.”


Vargan’Zul não respondeu de imediato. O olhar dele percorreu os flancos, o peso das cicatrizes, os corpos que tremiam de raiva e dúvida. Ele parecia buscar no campo a desculpa que não tinha na boca.


Hatori deu um passo curto, com a ponta da Sourigawa traçando um arco quase preguiçoso no ar, mas o olhar firme como um martelo.


“Você fala de honra. Mas nenhum exército dessa escala nasce apenas de honra. Nem de ódio. Ainda mais quando o tempo escolhido foi o único em que Decarius estava vulnerável, quando seus guerreiros estavam espalhados. Foi coincidência? Ou foi ordem?”


Vargan’Zul virou o rosto apenas um grau, como se o fogo atrás dos dentes pudesse escapar se abrisse demais.


“Você acha que não pensei nisso?” Quando ele respondeu, o seu tom era grave, entrecortado: “Acha que não sei que a força que juntei parecia maior do que a minha voz podia carregar? Eu aceitei. Porque o futuro não espera por quem hesita.”


“Não foi você!” Hatori insistiu, sem pressa, mas sem elevar o tom: “Alguém juntou por você. Alguém entregou homens, armas e discursos. Alguém acendeu o pavio e colocou a bomba na sua mão.”


O silêncio entre os dois pesou mais do que o roçar de mil escudos. O fogo ao redor de Vargan’Zul subiu, nervoso, como se quisesse gritar em seu lugar.


Hatori avançou o olhar um palmo, e a sua voz caiu:


“Quem está por trás desse ataque, comandante? Quem colocou você aqui, nesse momento, nessa hora, contra este inimigo?”


A pergunta ficou suspensa no ar, mais densa do que a fumaça, mais ameaçadora do que as lanças prontas para romper a formação.


Enquanto isso, os soldados atrás já não eram mais um único exército… eram pólvora. E cada suspiro, cada olhar cruzado, cada insulto… era faísca.


E no centro desse barril prestes a explodir, Vargan’Zul segurava a Khazra’kul com a mão firme… mas o seu olhar vacilava diante da pergunta que não tinha resposta simples e não aceitava mentiras.





O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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