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Capítulo UHL 1092 - Entre Dois Infernos

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Tenham uma boa leitura!]


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O espaço não tinha som, mas os sons ainda chegavam de outra forma.


Longe das batalhas de Daren e Hatori, e do ataque que Decarius sofria pelas mãos de Anúbis, Ragnar arfava, apoiado no cabo da lança, com a armadura enfraquecida em dezenas de pontos e o corpo marcado pelo confronto direto contra Hanzo. O sangue ainda escorria pelo seu queixo, o esforço que ele exerceu para se manter até aquele momento foi enorme, mas a presença de Zao Tian à sua frente devolvia ao coração dele a firmeza que estava em risco iminente de ceder.


Zao Tian não falava. Ele simplesmente se colocou entre Ragnar e Hanzo, com as roupas rasgadas pelo tempo e pelas lutas que vieram antes, segurando o olhar do inimigo como se, mesmo que o universo inteiro ruísse em volta, nada mudaria.


Hanzo não recuou. Ele girou a espada com a mesma leveza de sempre, um bailarino que dançava com a morte, seja para matar ou aceitá-la, enquanto seus olhos carregavam uma serenidade perigosa. 


O vento, mesmo no vácuo, parecia seguir a lâmina.


Então, naquele momento, os amuletos de transmissão sonora começaram a vibrar. Primeiro, um som rouco. Depois, vozes sobrepostas. Fragmentos de desespero, ordens misturadas, nomes de lugares. Era a realidade atravessando milhares de quilômetros e chegando ao campo de batalha para lembrar Zao Tian que o inimigo diante dele não era o único.


Ragnar ergueu os olhos, ainda sem forças para falar muito, mas atento.


A primeira voz a se organizar foi de um dos capitães sob comando de Daren, que fora deixado na retaguarda para obstruir o caminho de qualquer um que passasse dele.


“Zao Tian, a frente está em um impasse! Hatori entrou em choque direto com o comandante Vargan’Zul. Daren está lutando ao lado dele, mas a pressão do exército é muito grande. Se Uhr’Gal não tivesse se colocado no meio, já teríamos sido confrontados pelos soldados que atravessaram o bloqueio dos dois!”


Zao Tian ficou pensativo por um instante, mas sem tirar os olhos de Hanzo. Ele já esperava que Daren dominaria o campo com o peso absoluto de sua força, e que Hatori provavelmente iria ajudá-lo... mas Uhr’Gal… o exército deles interferindo? Isso não era garantido. Não estava nas suas previsões.


“Eles não atacaram…” Continuava a voz: “Estão segurando a linha, travando seus próprios irmãos para impedir o avanço. É estranho, mas por enquanto funcionou.”


O silêncio de Zao Tian não era apenas de incredulidade. Era de cálculos se reajustando. Ele já começava a pensar no futuro, em como usar aquela intervenção para buscar um novo diálogo com os orcs. Não lhe escapava que Zargoth estava por trás da decisão, mesmo que a um custo alto demais, tanto em honra, quanto em prováveis vidas perdidas, para Uhr’Gal.


Contudo, antes que Zao Tian pudesse responder, outra transmissão entrou, sobrepondo-se.


“Urgente! Urgente!” A voz era estridente, de um oficial de Hill: “Decarius está sob ataque! O Grande Deus Anúbis apareceu no continente Kaos! Ele está massacrando cidades! As tropas… as nossas tropas não conseguem deter… Deuses estão saindo dos cemitérios! Eu não sei como, mas eles estão saindo das covas onde nossos mortos descansam!”


Naquele momento, Ragnar arregalou os olhos, girando a cabeça para o lado, incrédulo.


Zao Tian, no entanto, ficou imóvel. O coração dele acelerou, sim, mas não pela notícia da destruição, ele já previa algo do tipo. Era pelo detalhe. Deuses surgindo das covas? Isso ele não havia previsto.


Hanzo, do outro lado, sorriu, e foi a primeira vez desde a chegada de Zao Tian que ele pareceu se permitir expressar uma emoção clara. Um sorriso fino, quase imperceptível, mas carregado de significado.


“Vocês estão cercados por todos os lados. E ainda acham que a esperança pode florescer?” Ele perguntou.


“Você não entende a diferença entre nós…” Zao Tian respondeu, mas não desviou os olhos do inimigo enquanto completava: “Nós esperamos pela guerra, pois sabemos que será inevitável. Vocês, porém, esperam que nunca acabe. Vocês querem se alimentar dela.”


Enquanto aquela resposta soava, as transmissões não paravam. Outro mensageiro, desta vez de Kaos, com a voz abafada pelo som de chamas e gritos.


“O continente está indefeso! Yan Chihuo está na Singularidade! Quiron também! Não temos generais para resistir! Só soldados comuns e cultivadores menores! Eles não duram! Anúbis caminha sem pressa… nada o atinge… nada!”


Zao Tian finalmente apertou os punhos. O espaço à sua volta ondulou de forma assustadora, e Ragnar sentiu o peso da energia espiritual se expandindo.


O espaço tremeu.


A expansão da energia espiritual de Zao Tian alterava a própria estrutura do vácuo ao redor. Linhas invisíveis de força se curvavam, como se o cosmos tivesse recebido uma nova gravidade. Ragnar, mesmo acostumado ao peso de tantas lutas, sentiu os ossos do braço que segurava a lança vibrarem em desconforto. Enfraquecido pela luta, sua respiração falhou por um instante, como se tivesse mergulhado em um mar fundo demais.


Hanzo, por sua vez, não deu um passo atrás, mas o sorriso em seu rosto sumiu. O giro leve da espada cessou, e os olhos dele se estreitaram, reconhecendo que aquilo não era apenas energia de um cultivador poderoso. Era algo que forçava até o próprio espaço a lembrar que havia hierarquia, que havia um ser ali cujo fôlego sozinho podia se impor sobre planetas.


A aura de Zao Tian se espalhou como uma onda gigante, densa, mas não descontrolada. Era como a fúria de um vulcão que se recusava a entrar em erupção, não por incapacidade, mas por decisão consciente.


“Eu sabia que eles atacariam…” Zao Tian murmurou, baixo, mas o som viajou pelos ossos de quem o ouvia: “Eu sabia que tentariam usar o momento. Mas não assim.”


As palavras dele carregavam algo mais profundo que frustração. Eram acusação e cálculo juntos.


“Não era para ser invisível. Não era para atravessar o continente inteiro sem que ao menos as sentinelas percebessem. Eu espalhei olhos, ouvidos e lâminas no espaço e no solo. Se um deus se movesse, eu deveria saber. Mas ele chegou.”


Enquanto dizia aquilo, as veias no pescoço se acenderam em linhas douradas, pulsando como rios de energia.


“E trouxe outros consigo.”


Ragnar tentou dizer algo, mas a voz morreu na garganta. Não porque faltasse coragem, mas porque a pressão esmagava até as palavras. Ele apenas apertou o cabo da lança, como se fosse a âncora que o mantinha inteiro.


Hanzo ergueu a espada de novo, não em provocação, mas em respeito ao que via. A lâmina vibrou levemente, acompanhando a oscilação da aura que fazia até as partículas distantes se rearranjarem. Por um instante, o membro da Tríade compreendeu que Zao Tian não era apenas um adversário, era uma coisa diferente. 


Ele estava em outro nível.


De todos que Hanzo enfrentou até hoje, Zao Tian foi o único a causar-lhe aquela sensação de medo e de inferioridade.


Zao Tian, por sua vez, fechou os olhos por um instante.


Sua vontade gritava para abandonar aquela batalha contra Hanzo. Voltar. Pisar em solo humano. Colocar-se entre Anúbis e os que estavam sendo esmagados nos cemitérios, arrancar o pescoço de cada deus Protetor, rasgar os semi-deuses em pedaços e mostrar ao juiz que Decarius não era uma terra sem dono.


Contudo, a realidade era um prego fincado em sua mente.


Hanzo estava ali. E ele tão perigoso e letal quanto Anúbis. Deixá-lo sair vivo naquele momento era o mesmo que condenar outras milhares de vidas à morte.


Hanzo era um espadachim cuja idolatria era a morte, cujo passo era como o vento, cuja existência representava uma ameaça constante, não apenas para Ragnar, mas para todos os que se levantavam contra o Olho. Se Zao Tian o ignorasse, se desse as costas agora, Hanzo se tornaria uma lâmina livre contra qualquer outra pessoa, pois estaria, de novo, no ponto cego dos inimigos do Olho.


Entre os muitos males que não só Zao Tian, mas a humanidade inteira enfrentava, alguns tinham de ser cortados primeiro. E oportunidades não poderiam ser desperdiçadas.


Então, Zao Tian finalmente abriu os olhos, e quando encarou Hanzo novamente, não havia mais qualquer sombra de dúvida. A aura que antes havia crescido como uma onda se estabilizou em um mar profundo, pesado e contínuo. Era sufocante, mas controlado, como se dissesse, sem palavras, que todo aquele poder não estava fora de controle, estava concentrado em um único objetivo.


Hanzo respirou fundo, e, mesmo com seus poderes de cura e resistência, pela primeira vez, o ar pareceu lhe faltar.


Zao Tian, por sua vez, ergueu a mão, com a palma aberta, não em gesto de ataque imediato, mas em declaração da sua decisão.


“Eu queria estar em Kaos. Queria estar em Hill. Queria estar em cada beco onde Anúbis pisa. Mas não posso.” Ele falou.


“Ragnar…” A voz dele soou de novo, mas desta vez, em tom de instrução: “Mobilize quem ainda pode voltar para Decarius. Anúbis não vai parar sozinho.”


Ragnar tentou protestar, com a garganta seca, mas Zao Tian não lhe deu espaço.


“Eu fico aqui. Entre muitos males, Hanzo é um dos que precisa ser arrancado agora. Se o deixarmos solto, ele não vai parar, vai caçar cada um dos nossos.”


“Vá. Chame os que conseguirem retornar mais rápido.”


Ele então respirou fundo, como se falasse mais para si do que para os outros:


“Algo está errado… muito errado. Decarius ainda está inteiro. O mundo não foi rasgado como da última vez que os deuses marcharam e tentaram fazer isso. Apenas Anúbis se ergueu. Onde estão os outros? Onde eles estão enquanto a melhor oportunidade de ataque se apresenta para eles?”


O silêncio que se seguiu foi mais pesado do que o vácuo. Ragnar sentiu o frio percorrer sua espinha. Zao Tian não falava em dúvida, mas em suspeita.


Hanzo, à frente, girou levemente a lâmina, como se o movimento fosse uma resposta.


Zao Tian baixou a mão, fechou o punho e deixou a aura se adensar de novo, sufocante, fazendo o espaço vibrar como uma corda prestes a se romper.


“Vá, Ragnar. Decarius precisa de vocês. Hanzo é meu!”



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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