top of page
Garanta o seu exemplar.png

Capítulo UHL 1093 - Rompimento

[Capítulo patrocinado por Eliab Magalhães Oliveira. Muito obrigado pela contribuição!!! 


ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5


ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.


Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!


Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.


Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz


Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/


Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!


Ps: Link do Telegram atualizado!


Tenham uma boa leitura!]


-----------------------


O planeta humano respirava sob tensão.


A notícia do avanço de Anúbis já havia atravessado vales, rios e muralhas, e cada canto do planeta sabia que o julgamento do deus se aproximava. O Vale da Esperança, apesar de protegido pelo domo de diamante erguido por Gaspar, não estava imune ao medo. Ali não existiam templos, nem oferendas, nem preces, apenas cultivadores que sabiam mais do que ninguém que cada batida do coração poderia ser a última diante dos deuses.


Do lado de fora do domo, que guardava beleza deslumbrantes, o céu estava coberto por sombras. Semi-deuses avançavam em ondas, espalhando destruição por onde passavam. Entre eles, alguns Protetores marchavam como generais sem pressa, certos de que, quando chegassem à barreira do Vale, nada os impediria. 


Quem olhava para o horizonte via que o domo brilhava, refletindo as chamas e os relâmpagos da batalha, ou melhor, do ataque, e que sua solidez era como um insulto para aqueles que acreditavam ser donos de todos os mundos.


Assim que se depararam com a estrutura, os deuses pararam a certa distância, estudando a muralha cristalina. O brilho e a dureza do diamante pareciam zombar da divindade. 


Eles atacaram, mas não importava a força que usavam, nenhum golpe superficial trincava o escudo.


Contudo, eles acreditavam em suas superioridades naturais e sabiam que toda defesa humana terminava cedo ou tarde.


Foi nesse momento que algo mudou.


Começou de forma sutil…


Os soldados de Anúbis, atentos a cada detalhe, viram o ar ondular diante do domo. Não era uma rachadura, nem uma falha no cristal. Era um movimento humano. Uma abertura criada por dentro.


*Tap. Tap. Tap…*


Logo em seguida, um passo ressoou para além da proteção. Depois outro. Até que a figura atravessou a muralha como se ela mesma tivesse decidido deixá-lo passar.


O primeiro a notar foi um Protetor de armadura escarlate. E ao ver a cena, ele ergueu a lança, mas não avançou.


Os olhos dele estreitaram-se, junto com o avanço da figura, e ficavam cada vez mais confusos. 


O mesmo olhar repetiu-se em cada divindade que o acompanhava.


A energia espiritual do homem que caminhava não era normal… não humana.


Não era sequer próxima disso.


Era uma vibração antiga, uma assinatura íntima, marcada por sensações que todos eles conheciam desde o nascimento. Uma cadência própria do Olimpo, da primeira geração de Protetores. Um timbre de poder que não podia ser falsificado por nenhuma técnica, nem forjado em uma Singularidade.


Rapidamente, o silêncio se espalhou entre os deuses. Até mesmo os semi-deuses cessaram a marcha, instintivamente. Aquele que vinha do Vale não era um mortal qualquer.


Ele não era sequer um mortal.


A confusão logo seguiu-se ao espanto.


O rosto não era conhecido de todos. Todas as divindades ali tinham surgido depois da primeira era e não testemunharam as histórias que corriam em sussurros. Apenas alguns, os mais próximos de Anúbis, que conhecia a história, reconheceram de imediato.


Um deles, um Protetor de elmo negro, deixou escapar um sussurro, incrédulo:


“Não… isso é impossível…”


Outro completou, com a voz rouca, como se tentasse engolir as palavras:


“Íxion…”


O nome espalhou-se como um eco desconfortável. Poucos o reconheceram, mas os fatos pesavam mais que explicações. Para os que sabiam, era como se um morto tivesse atravessado os portões do Tártaro para pisar na luz outra vez.


Em carne, osso e divindade, Íxion caminhava com calma, sem pressa, mas cada passo dele parecia empurrar o mundo, ou melhor, toda uma história para trás. 


Ele não carregava armas visíveis, não ostentava armaduras reluzentes como os demais deuses. A túnica que vestia era simples, feita por mãos humanas, e seu olhar carregava mais cicatrizes do que qualquer luz pudesse cobrir. Mas nada disso importava. 


Não mais.


O que importava era que ele estava vivo. Livre. E diante deles.


Diante dos irmãos que o esqueceram em inferno no qual ele passaria toda a eternidade.


As memórias explodiram no silêncio do único ali que sabia a verdade.


Íxion, o deus condenado. O traído. O que fora acusado por Heimdall de crimes que nunca cometeu. O que foi lançado ao Tártaro, acorrentado a um tormento eterno, para que jamais se erguesse.


Lá, ele deveria ter apodrecido, sido esquecido até pelo tempo. Mas agora… ele estava ali, diante do Vale, respirando, caminhando na direção dos seus ‘irmãos’ com uma postura antagônica.


Os Protetores que lideravam aquele grupo sentiram algo que não estavam acostumados a sentir… desconforto.


Não apenas pelo retorno de um que deveria estar pior do que morto, mas porque a energia dele, ao mesmo tempo em que era familiar, estava distorcida. Havia no fluxo espiritual de Íxion um peso que não vinha apenas da divindade… vinha da sobrevivência no Tártaro, do contato com uma força interna que nem os deuses mais poderosos e antigos conheciam.


Íxion continuou avançando, e os Protetores, mesmo envoltos em sua soberba habitual, não conseguiam disfarçar a hesitação.


Os semi-deuses, que pouco sabiam sobre a história antiga, apenas sentiram o arrepio instintivo que vinha da energia dele. Aquilo não era um poder comum. Era o mesmo sangue dos deuses que corria pelas suas veias, mas manchado por algo que eles não reconheciam.


Do alto das muralhas internas, soldados do Vale assistiam em silêncio. Ninguém soltou uma única palavra. Para eles, aquilo era surreal. Um deus caminhando não contra eles, mas para defendê-los. Um deus contra deuses. O mundo parecia distorcido, como se estivesse presenciando uma contradição de explodir cérebros.


Entre os invasores, um Protetor deixou escapar:


“Ele deveria estar preso às engrenagens do Tártaro. Eu o vi… vi as correntes cravadas na carne… vi seu espírito irreconhecível e praticamente morto no sofrimento eterno…”


O tom de incredulidade abriu ainda mais a fissura interna que surgia entre eles.


Outros, porém, não conseguiam acompanhar. A maioria nunca havia estado perto de Hades, nunca havia olhado para dentro do abismo de sofrimento que servia de prisão eterna. O nome “Íxion” lhes soava como lenda, uma história usada para justificar sentenças e para lembrar a todos o preço da traição.


Mas agora, aquela lenda caminhava.


“Isso não é Íxion… não pode ser…” Um Protetor murmurou, como se repetir a negação fosse suficiente para moldar a realidade.


Contundo, a realidade não obedecia.


A cada passo, a energia dele crescia.


Não em explosões ou tempestades, mas como um rio subterrâneo que, de repente, encontrava sua foz.


Era como se o próprio ambiente reconhecesse a presença dele. Como se cada grão de terra e cada fio de vento reconhecesse um ser que não deveria ser apagado.


Os mais antigos, aqueles que serviram próximos a um Grande Deus e que, em algum momento, tiveram permissão de ver o Tártaro, sentiram algo ainda pior… a mudança.


Íxion não estava apenas vivo. Ele estava… diferente.


Seu poder não era estático, como o de todo deus deveria ser. Não era fixo, imutável, cristalizado desde o nascimento como ditava a ordem natural.


Ele estava crescendo.


Mas nenhum deus cresce.


Nenhum.


Não por meios comuns, pelo menos.


Naquele instante, um frio percorreu as fileiras divinas. Era impossível. A única forma de um deus alterar sua força era através da canibalização, do ato monstruoso de devorar outro de sua espécie, uma heresia tão antiga quanto o próprio Salgueiro da Vida. Mas ali não havia cheiro de sangue divino. Não havia sequer notícias de deuses desaparecendo. 


Para todos que olhavam para Íxion, um sentimento familiar aflorava, algo que lembrava o que aconteceu com o Saci, quando ele foi sugado pelo Salgueiro da Vida e devolvido ao mundo com um brilho que nenhum outro deus sabia explicar.


E isso trouxe um novo terror à consciência deles.


O que aconteceria se a Grande Mãe estivesse olhando para Íxion?


E se, assim como recompensou o Saci pela sua devoção, ela estivesse agora concedendo algo ao traído, ao condenado, ao sobrevivente?


Era impossível não pensar isso, e um deus Protetor imediatamente rompeu o silêncio, tentando abafar o medo com arrogância…


“Ele é só um condenado que deveria estar pagando pela sua traição. E é o nosso dever fazê-lo se lembrar disso.”


Ele falou, mas sua voz não encontrou eco.


Mesmo com aquelas palavras, nem os semi-deuses avançaram.


Nem os outros Protetores reagiram.


Porque, no fundo, todos viam… a cada passo, Íxion parecia mais sólido, mais vivo, mais… perigoso.


Então, ele parou a poucos metros da linha inimiga. Não havia pressa em sua postura. O olhar dele era firme, mas não carregava a soberba dos seus irmãos. 


Aquele era o olhar de alguém que já não devia nada a ninguém, que já conhecia a dor além do limite, que já suportara o que nenhum outro suportaria.


Quando finalmente abriu a boca, sua voz carregava algo que ecoava não apenas no ar, mas dentro dos ossos de todos os que estavam ali.


“Vocês me chamaram de traidor.”


Quando sua voz começou a soar, o silêncio foi absoluto.


“Vocês me julgaram por crimes que nunca cometi. Vocês me lançaram ao abismo mais profundo, acorrentaram meu corpo, esmagaram minha alma. Esperavam que eu fosse esquecido, dissolvido, destruído e apagado. Mas vejam…”


Ele então abriu os braços, como quem exibe cicatrizes invisíveis.


“Nem o Tártaro conseguiu me consumir. Nem as correntes conseguiram me quebrar. E agora estou aqui. Mais vivo do que qualquer um de vocês jamais esteve.”


Um dos Protetores tentou protestar, com a voz tremendo de raiva:


“Verme! Você traiu sua raça uma vez, e agora repete seu pecado se voltando contra nós?!”


Íxion voltou o olhar para ele, e o Protetor silenciou. Não por medo, mas porque ele sentiu. Dentro da energia de Íxion, as engrenagens, as correntes, o fogo… tudo estava lá. O Tártaro vivia dentro dele. Não como prisão, mas como uma lembrança. Como uma marca.


Íxion não precisava provar nada para os deuses. O próprio peso da sua presença, da sua sobrevivência, era a prova.


Ele então deu um passo à frente, e naquele instante, todos perceberam.


Ele não estava apenas se apresentando. Ele estava se impondo.


O condenado, o esquecido, o traído, agora era um dos guardiões do Vale da Esperança. Era um dos guardiões da raça que tinha começado um levante contra os deuses.


Mesmo os deuses, que sempre acreditaram ser donos do destino, não sabiam dizer se aquilo era um erro, uma afronta… ou um presságio.


Ainda tendo o que dizer aos seus acusadores, Íxion baixou os braços, mas a energia que o envolvia parecia arder mais do que qualquer fogo.


“Vocês me chamam de traidor… questionam o que me tornei… e eu lhes digo: tornei-me a resposta que vocês não esperavam. Tornei-me aquilo que nenhum de vocês pode controlar. Tornei-me o ódio que vocês alimentaram!”


Por um momento, ninguém respirou.


Deuses Protetores e semi-deuses congelaram perante o irmão que, no olhar, expressava o ódio que tinha de sua raça e estava pronto para enfrentá-los ali, sem qualquer hesitação ou medo de retaliações.


Naquele instante, Íxion tinha declarado, de fato, o seu rompimento com sua própria raça. Ali… Ele deu às costas aos deuses, à sua divindade e a tudo que o comparava àqueles que possuíam o seu mais profundo repúdio.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
bottom of page