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Capítulo UHL 1100 - Anúbis vs Yan Chihuo

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Tenham uma boa leitura!]


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Anúbis finalmente sentiu alguém vindo em sua direção, e essa pessoa se aproximava muito rápido.


Ao longe, quando Anúbis escutou o primeiro trovão, ele não veio do céu.


Veio da água.


A planície oriental tremeu, e o gelo recém-formado vibrou como louça em uma mesa ruim. O ar, que até ali era frio, estalou em ondas. Anúbis virou o rosto para a esquerda e sentiu, antes de ver, o impacto de algo gigantesco que ainda cabia numa gota.


Um mar apareceu no tamanho de uma lágrima.


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*


A gota desceu de cima, cortando o ar sem barulho, e levou consigo o peso de oceanos comprimidos. Quando tocou o platô, não espalhou água, mas parecia que estava empurrando a própria realidade. O gelo abaixo abriu em círculos, a terra chorou lama por baixo e afundou até onde os olhos não alcançavam.


Anúbis não recuou. O olhar dele acendeu, seu braço desceu e colunas de basalto brotaram em leque para segurar a pressão. O leque resistiu por meio segundo, e então quebrou em placas negras.


Então, mais duas gotas desceram, uma menor que a outra, em ângulos diferentes. As duas tinham o mesmo peso injusto e bizarro. 


Cada toque redesenhou a planície, como martelos invisíveis batendo no dorso do mundo. O gelo, obediente, virou mosaico.


Foi só então que o atacante mostrou rosto.


Yan Chihuo entrou pelo alto, com a pele marcada e o sorriso de quem tinha achado algo interessante para o fim da tarde. A asa de água abriu nas costas como uma membrana e o par de olhos de falcão brilhou no rosto dele, estreitando o mundo em pontos de mira limpos. A espada vinha presa à cintura, com a lâmina ondulando em uma inquietação natural, mas como ele estava nú, ela apenas flutuava no ar. O arco estava na mão, leve, como se fosse parte do seu braço.


Anúbis ergueu o queixo e não perguntou quem era. Não precisou. E ele não queria fazê-lo.


As intenções da figura eram claras… uma luta até a morte.


Yan Chihuo, por outro lado, parou um palmo acima do gelo, deixou a asa se reduzir ao contorno e mediu a distância com a ponta do nariz. Os olhos varreram do flanco esquerdo de Anúbis até a borda quebrada da planície.


“Você cristalizou muita gente.”


A voz dele veio sem raiva no tom, mas que tinha dentro era pior… era a certeza de que algo muito ruim estava acontecendo com aquelas pessoas.


Anúbis apertou o punho e o cajado ainda fundido ao braço tremeu em resposta.


“E você tem uma arrogância que precisa ser corrigida.”


Anúbis, além da raiva dos ataques de antes, agora estava ainda mais ofendido, pois o homem se apresentou diante dele totalmente nú.


Os dois se encararam e não disseram mais nada.


Yan Chihuo avançou primeiro.


A eletricidade correu do ombro para a mão e riscou o gelo como uma lixa. Não foi o raio dramático que se espera quando alguém fala em eletricidade. Foram linhas finas, organizadas, que buscaram o corpo de Anúbis por caminhos improváveis, dentro de fraturas, atrás de sombras, sob a sola do pé. O som foi mínimo, mas a dor, se encostasse, seria o bastante para desativar qualquer músculo.


Anúbis sacudiu as mãos e placas de granito levantaram sob os pés. As linhas elétricas bateram e se espalharam, inofensivas. A placas então viraram um meio círculo, e o meio círculo virou uma cúpula.


Yan Chihuo sorriu com o canto da boca, como se julgasse aquela defesa e não achasse grandes coisas.


A água logo se levantou da asa como se fosse um bando de pássaros, mas cada “pássaro” era uma gota com um mar dentro. 


Foram sete delas. Cada uma caiu em um ponto do arco de pedra que Anúbis ergueu. 


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…* 


O arco resistiu ao primeiro; rachou no segundo; estourou no terceiro. Do quarto em diante, só sobraram pedaços voando.


Anúbis, surpreso com a facilidade que sua defesa foi rompida, cobriu o rosto com a mão, com a poeira de granito batendo no antebraço e caindo em bolos. E quando ele baixou a mão, Yan Chihuo já estava em cima dele.


A espada desceu num movimento simples..


*Swiiiiiiiiiiing.*


Anúbis ergueu o antebraço e trouxe pedra do chão para encorpar a defesa. A lâmina encostou no bloco e ele imediatamente perdeu a vontade de ser bloco. Ele não foi cortado, foi atravessado. O braço de Anúbis tremeu com o impacto que não era impacto, e a pedra veio abaixo.


*Craaaaaaaaaaaaash…*


Yan Chihuo então girou no ar e mudou o ângulo. O cotovelo dele virou, o ombro reduziu, e a lâmina veio outra vez, agora de lado. Anúbis deixou cair um pilar curto entre eles; o pilar subiu e virou espinho. 


A lâmina roçou e passou como se o espinho fosse fumaça sólida. Mesmo assim, o desvio foi o suficiente para tirar a força, mas um corte fino riscou o ombro de Anúbis e parou ali, limpo.


O deus respondeu à moda dele.


O chão inteiro subiu.


Não em paredes, não em lanças. Subiu como uma onda de pedra que queria vestir o inimigo. Areia virou rocha na subida, rocha virou vidro na descida, e no meio do caminho tudo tentou colar no corpo de Yan Chihuo.


Yan Chihuo atravessou a onda sem pressa, cortando janelas na pedra com a lâmina para sair por outro lado antes mesmo de entrar. A asa de água empurrou o ar para baixo e a eletricidade segurou os grãos de poeira no lugar, como se o mundo tivesse ficado de repente meticuloso. Na última janela, ele não saiu… mas, sim, recuou um palmo só para evitar a mordida de uma crista de granito que Anúbis escondeu no meio. 


O recuo trouxe junto um sorriso.


“Você gosta de fechar a mão sobre os outros.”


Quando Yan Chihuo falou aquilo, Anúbis ignorou a provocação e fechou a mão de novo.


Desta vez, o que veio foi todo um território.


Fendas retas se abriram e o chão ganhou degraus que não obedeciam ao olhar: subiam na frente e desciam no mesmo lugar, como se o mapa tivesse consciência e estivesse fora de controle. 


Yan Chihuo, por sua vez, não se intimidou. A água dele pingou no chão e as gotas correram contra o relevo e mostraram que o peso delas era equiparável a qualquer montanha que Anúbis pudesse criar. 


Depois de fazer aquilo com o todo o cenário ao redor, Yan Chihuo pisou no lugar certo e devolveu a manipulação de terreno com um estouro de gelo que expandiu para dentro da pedra e quebrou tudo que Anúbis havia feito.


Anúbis percebeu que aquele humano era forte, muito forte, mas não baixou seu ímpeto.


A terra logo virou poeira. A poeira virou um manto. E o manto subiu e, no ar, voou de forma obediente. 


Era como se cada grão tivesse um endereço específico no corpo do inimigo. O manto, em jatos, tentou entrar no nariz, nos ouvidos, atrás dos olhos, entre os dedos… em todo o corpo de Yan Chihuo.


Em resposta, Yan Chihuo cobriu o rosto com água, numa película fina que obrigava o mundo a respeitar uma certa fronteira. 


*Blong.*


A poeira, quando bateu na água, se transformou imediatamente em lama. Um instante depois, a eletricidade correu por essa lama toda e torceu os grãos até que eles desistissem do formato.


Calmamente, Yan Chihuo desceu o braço e os grãos caíram como uma chuva cansada.


“Já vi pior.”


Ele comentou, analisando o ataque e comparando com o pó de diamante que Pemma Wangchuck usou contra eles tantas vezes que tinha perdido a conta.


Logo em seguida, sem esperar uma resposta de Anúbis, ele bateu o dorso do arco na perna e puxou a corda. 


Quatro flechas de água nasceram, esticadas, e antes de ganharem forma, congelaram nas pontas. 


Os disparos, quando vieram, não foram para matar. Foram para prejudicar os movimentos de Anúbis em pedaços. Uma mirou o joelho. Outra a linha do quadril. Outra à altura do ombro. A quarta simplesmente apareceu no lugar onde Anúbis gosta de colocar o peso quando muda de direção.


Anúbis não perdeu tempo admirando. O corpo respondeu sozinho: baixo, direita, cima, esquerda.


Todas passaram por ele sem atingi-lo.


As flechas passaram. O gelo cresceu e Yan Chihuo não recuou um único passo.


Ele girou o punho, e a asa de água nas costas abriu inteira, ganhando corpo como se um rio tivesse decidido voar. A lâmina na cintura inclinou um dedo, inquieta. O arco na mão se ergueu só para marcar presença, e depois baixou. Ele não precisava dele agora.


“Chega de ensaio.”


Yan Chihuo falou, e o ar perdeu calor num raio enorme. A planície inteira ficou branca. Apenas por ser tocado pelo ar, uma película de gelo correu do tornozelo de Anúbis até o joelho. Ele quebrou a película com um sacudir das pernas.


Yan não se importou. Ele simples puxou água do nada. Um mar invisível respondeu ao chamado, e o mundo ficou pesado como em dia de chuva carregada. 


Gotas começaram a nascer no alto, pequenas, limpas. Uma, duas, vinte, mil. E cada uma daquelas gotas pesava como oceano.


Craaaaaaaaaaaaaaaaaash… craaaaaaaash… craaaash…


Quando a ‘chuva’ começou, o solo abriu em crateras. A terra abaixo se dobrou como um livro, e o horizonte tremeu de uma extremidade à outra. 


Anúbis, em defesa, criou uma floresta de colunas de pedra que pareciam tentar sustentar o céu. 


Quando as colunas entraram em contato com a chuva e disputaram força, a primeira fileira rachou. A segunda aguentou dois toques. A terceira virou areia.


Yan Chihuo então desceu em linha. No caminho, a água comprimiu-se num funil e, na ponta, virou um gelo tão claro que refletia o rosto dele e o de Anúbis ao mesmo tempo. 


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*


O funil bateu no chão como um prego e congelou tudo, para que o deus da terra sentisse que o próprio chão já não o obedecia mais sem discussão.


Anúbis rosnou baixo. O cajado fundido ao braço brilhou duas vezes, e placas tectônicas, ali mesmo, mudaram de posição. O que era fundo veio para cima. O que era alto afundou. E montanhas sem nome nasceram como espinhos em torno de Yan Chihuo.


“Para baixo!” Anúbis ordenou.


Yan Chihuo, por sua vez, aceitou o desafio. A eletricidade subiu pela asa como se a água tivesse liga e o corpo dele atirou-se para frente com uma arrancada que rasgou o ar em duas metades. No meio da arrancada, sua mão desenhou um semicírculo e largou três gotas do tamanho de grãos de feijão. 


Quando caíram, o mundo tremeu.


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*


A crista da montanha mais próxima afundou inteira, dobrada como se fosse barro. A segunda crista abriu como tampa. A terceira virou pó, deixando o caminho limpo.


Yan Chihuo então chegou na cara de Anúbis e bateu com o arco, empunhado como bastão. Não era um golpe para ferir. Era para humilhar.


*Baaaaaaaaaaaaang…* 


Ao levar aquele golpe no rosto, Anúbis mudou drasticamente de feição e disse:


“Pese os seus pecados, humano!”



O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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