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Capítulo UHL 1102 - A Condenação do Juiz

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Tenham uma boa leitura!]


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O silêncio depois do julgamentoquebrou como vidro sob pressão.


Yan Chihuo deu um passo, e o gelo ao redor explodiu. A temperatura despencou de uma vez, o ar condensou em torno dele, e a água que pairava no ambiente começou a girar, obedecendo a um novo ritmo… o ritmo da raiva.


Anúbis ergueu o olhar e viu o reflexo de si mesmo nas camadas de gelo que o cercavam. Aquele humano, segundos antes tão quieto, agora deixava o frio falar por ele.


O arco vibrou no punho de Yan Chihuo. A lâmina flutuou, ondulando na mesma frequência. A asa de água se abriu atrás dele, imensa, viva.


E sem aviso, o ataque começou.


O primeiro golpe foi como o som do mundo rachando.

 

Yan Chihuo sacudiu o braço, e uma parede de água condensada atravessou o campo em linha reta, transformando o espaço entre os dois em um corredor da morte. 


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*


O impacto arrancou o chão em blocos e deixou um sulco de quilômetros de comprimento.

 

Anúbis ergueu uma muralha no último instante, mas o gelo tomou a pedra rápido demais. O muro virou, instantaneamente, vidro, um vidro transparente o bastante para que Anúbis visse a própria expressão de espanto do outro lado.


Yan Chihuo apareceu acima, no mesmo instante, e desceu.



A pressão que veio do golpe não era vento, era pura energia espiritual concentrada.

 

Anúbis desviou com um movimento às pressas, e o impacto arrancou o horizonte do lugar. O solo se partiu como prato quebrado.


Yan Chihuo, por sua vez, não deu espaço para conforto.

 

Uma gota surgiu entre os seus dedos, e outra, e outra. Ele, então, as lançou sem olhar. Cada gota era um microcosmo preso em uma pequena região que carregava o peso de oceanos comprimidos.

 

Anúbis tentou erguer defesas novamente, mas a primeira gota, pequena, porém esmagadora, passou por uma fresta e o atingiu na clavícula, rasgando a pele divina, quebrando ossos e abrindo uma fenda gelada que se espalhou pelo seu peito.

 

A segunda atingiu a perna. O gelo subiu por dentro da carne, lento e cruel.



A terceira acertou o ombro, congelando o braço direito e tornando o cajado pesado demais até mesmo para um Grande Deus.


*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*


O estrondo ecoou por quilômetros.


Anúbis rugiu e afundou no chão.

 

A terra respondeu, levantando colunas de pedra em forma de lanças, tentando empalar o inimigo de todos os lados.

 

Yan Chihuo girou no ar, e a asa se expandiu como um ciclone. As lanças de pedra tocaram a água e congelaram no mesmo instante, quebrando em milhares de pedaços que voaram como lâminas.


Quando o vendaval cessou, o que restava da planície oriental era uma mistura de rocha, gelo e pó.


O chão respirava frio, enquanto o céu ardia.



No centro de tudo, Yan Chihuo estava imóvel, mas a raiva pulsava nele como um coração fora de controle.


Anúbis, ainda ferido, falou entre dentes: “Você não quer me matar.”


Yan Chihuo levantou o arco e disparou enquanto respondia: “Não.”


“Então por que está lutando assim?” Anúbis questionou.


Yan Chihuo, em resposta, puxou a corda, e quando soltou, o mundo inteiro tremeu.


A flecha ficou invisível e atravessou o espaço numa velocidade incrível. Quando ela apareceu de novo, acertou Anúbis em cheio no peito, sem perfurar.


A flecha explodiu a poucos centímetros do peito de Anúbis, mas o impacto o lançou para trás, arrastando o deus por centenas de quilômetros, até ele afundar no gelo.


Quando Anúbis tentou se levantar, percebeu que parte do seu corpo estava presa por um gelo que não machucava, mas, sim, prendia.


Yan Chihuo caminhou em silêncio, com os pés rangendo no frio.

 

Cada passo dele deixava pequenas rachaduras que se espalhavam pelo terreno, como veias de um ambiente que refletia sua fúria.


“Por que está fazendo isso?”  Anúbis perguntou, com a voz firme.


Yan Chihuo parou diante dele. E naquele momento, seus olhos estavam sem qualquer brilho de piedade.


“Porque quero que você sinta.” Yan Chihuo respondeu.


“Sentir o quê?” Anúbis perguntou.


“O que eles estão sentindo agora.” Yan Chihuo explicou.


Enquanto isso, o gelo em volta de Anúbis reagiu à frase, apertando como se entendesse o comando.


O deus se debateu, e o som de rocha quebrando preencheu o ar. Mas a prisão criada por Yan Chihuo não cedeu.


Aquele gelo não estava ali para matar. Estava ali para aprisionar.


Com um movimento lento, Yan Chihuo ergueu o arco novamente, e novas flechas nasceram… dez, vinte, cinquenta… todas apontando para pontos diferentes do corpo do deus.


“Você os trancou vivos dentro do cristal…” Yan Chihuo então disse, com a voz distorcida pela raiva: “E você não ouviu o que eles gritavam. Você chamou isso de equilíbrio. De justiça divina. Mas o que você fez foi condená-los a um tormento injusto.”


Depois que Yan Chihuo terminou de dizer aquilo, todas as flechas foram disparadas ao mesmo tempo.

 

Cada uma delas atingiu uma parte diferente do chão e criou colunas congeladas que subiram ao redor de Anúbis, fechando-o em uma prisão perfeita, transparente e fria.

 

O som foi tão alto que o céu se rachou em trovões.


Anúbis tentou se debater, mas o gelo penetrou tão fundo que congelou até seus canais de circulação de energia espiritual.

 

Aquilo era terrivelmente frustrante e doloroso para Anúbis, pois cada movimento de energia espiritual que ele tentava canalizar era absorvido e devolvido como um frio cortante.


O corpo dele começou a ceder lentamente enquanto os músculos endureciam e sua respiração saía em cristais parecidos com flocos de neve.


Anúbis tentou respirar fundo, mas o ar que entrava em seus pulmões se transformava em gelo antes de sair.


O frio que ele sentia não era apenas físico… era espiritual. Cada partícula congelada parecia arranhar a alma, como se a própria essência dele estivesse sendo triturada por dentro.

 


Os músculos se contraíam, as veias enrijeciam, e o sangue, o sangue divino, corria espesso e lento, quase sólido.


Ele sentia o próprio corpo se tornando um cárcere.


Contudo, o horror não vinha da dor, mas da impotência.

 

Pela primeira vez em eras, Anúbis não comandava o peso, não julgava o equilíbrio, não prendia.

 

Agora, era ele quem estava sendo medido, era ele quem estava preso, e o gelo ao redor era a balança e a prisão.


“Maldito…” Ele tentou dizer alguma coisa, mas a voz que saiu de sua garganta soou trincada, rouca, despedaçada.


Yan Chihuo avançou um passo, e o chão tremeu debaixo dele.


As gotas que o cercavam também tremiam, pulsando com a mesma vibração de seu coração.

 

O rosto dele, imóvel mantinha o olhar fixo no objeto de sua fúria absoluta.



“Você ainda escuta, não escuta?” Ele então perguntou, com o tom baixo, quase íntimo: “Lá dentro… eles ainda gritam. Eles não morreram. Eles estão conscientes enquanto sofrem.”


O gelo em volta de Anúbis respondeu às palavras e perfurou cada célula de seu corpo.


Um desespero sem fim assolou Anúbis. O tipo de desespero que não se expressa em gritos, mas em gemidos que se tornam preces.


Yan Chihuo ergueu o braço lentamente e apertou o punho.


O gelo ao redor de Anúbis se moveu, girando lentamente, comprimindo o espaço. Os fragmentos estalaram, projetando faíscas de energia espiritual congelada. O brilho dos olhos de Anúbis começou a se apagar como velas em meio ao vento.


“Eles estão sentindo o que você sente agora…” Yan Chihuo murmurou: “Eles estão presos… sozinhos… com medo de nunca mais ver a luz.”


Anúbis soltou um rugido abafado que não veio à tona. Um deus, o guardião da passagem das almas, sendo confrontado por um homem nu e mortal, e estava sendo humilhado.


Em resposta à sua tentativa de rugir, o gelo apertou o pescoço de Anúbis.



Yan Chihuo se aproximou um pouco mais, ficando a poucos passos dele. E o ar ali era tão frio que a respiração do humano criou pequenas nuvens que se misturaram com o ar congelado.


“Você acha que entende o sofrimento…” Disse ele: “Mas o sofrimento que você causa… você nunca esteve dentro dele. Nunca sentiu o peso da eternidade como eles estão sentindo agora.”


Quando terminou de falar, Yan Chihuo abriu a mão e, com um gesto, fez o chão tremer.

 

Por baixo da planície, uma rede de gelo se expandiu como raízes de um titã adormecido.



Cada raiz espiritual encontrou uma das prisões criadas por Anúbis, cada cristal, cada alma aprisionada.


E então, um som sutil começou.



Não era o estouro do gelo… era algo mais íntimo.



O ruído de vozes caladas que tentavam gritar.


“Agora… você está ligado a eles!” Yan Chihuo falou: “Cada alma aprisionada está ligada à prisão onde está agora!”


“E no que depender de mim… por toda eternidade… você ficará preso.. assim como eles!”  


Quando terminou de dizer aquilo, Yan Chihuo ergueu o rosto, sentindo, à distância, o eco de muitas auras desaparecendo.


Cada uma delas era uma centelha divina se apagando sob o peso de algo ou alguém.


Isso acontecia em Hill. Mais deuses estavam sendo varridos do mapa por mãos desconhecidas.


Não era Íxion. Não era Yan Chihuo.

 

Era outra pessoa.


Um ser que eliminava deuses com a mesma facilidade com que o vento apaga uma chama.


Os céus de Hill tremiam.

 

As estruturas se desfaziam como vidro diante de uma força que não respeitava dogmas e cuspia na cara do divino.



Uma a uma, as auras divinas se apagavam, com cada uma delas se transformando em um ponto branco se dissolvendo no escuro absoluto.


Anúbis, mesmo aprisionado, percebeu o desequilíbrio, pois a conexão entre os deuses era instintiva e espiritual.

 

Quando um deles caía, todos próximos sentiam.



Mas agora… a frequência das perdas era tamanha que o micro plano divino que os ligava estava entrando em colapso.



“Não pode ser… como isso está acontecendo?” Anúbis questionamento em seus pensamentos. E mesmo em sua mente, as coisas começavam a ficar lentas demais por causa do gelo.


“Eles são humanos… malditos mortais! Por que nós, que fomos criados para governar e sermos superiores, estamos caindo?” Os pensamentos de Anúbis se transformavam cada vez mais em lamentos. Resmungos que questionavam a realidade, assim como mortais que questionam as vontades de um deus. 


Enquanto isso, Yan Chihuo olhava na direção da batalha que varria auras de deuses da existência, e, com um riso de canto de canto, ele falou com Anúbis mais uma vez. E dessa vez, suas palavras atingiram direto no seu orgulho…


“Eu ainda não sei o que está acontecendo aqui. Eu não sei como vocês entraram e porquê ninguém os impediu de caminhar por estas terras… mas o plano de vocês foi um fracasso. Um fracasso que se repetirá muitas vezes de agora em diante!”


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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