Capítulo UHL 1103 - Defesas Reerguidas
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Tenham uma boa leitura!]
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O gelo ao redor de Anúbis rangeu como um edifício comprimido por dentro. Ele não conseguia mais distinguir onde o corpo terminava e onde a prisão começava; tudo tinha virado um bloco único, lento, consciente e cruel.
Yan Chihuo permaneceu ali, a um passo da estátua viva, com a asa de água recolhida ao contorno e a lâmina flutuando num tremor quase imperceptível, como se respirasse. O arco descansava na mão, obediente. Ele não tinha pressa.
“Fica aí…” Ele disse, sem elevar a voz.
O vento entregou a frase ao gelo e ela se espalhou em pequenos estalos que lembravam uma risada cínica.
Yan Chihuo então virou o rosto para o horizonte, para a direção onde as auras continuavam a se apagar em série. O ar, naquele lado, parecia murchar a cada morte. Ele puxou um pouco de água do nada, moldou-a em um cilindro estreito e o ergueu como quem ergue um megafone.
“Quem é você?” Ele perguntou, projetando a voz por dentro da água e soltando o som em uma corrente reta que viajou por colinas, vales e ruínas: “Quem está me ajudando a acabar com esses deuses?”
Depois de perguntar aquilo, ele desfez o cilindro com um toque, como quem apaga uma vela, e ficou ouvindo o retorno.
Nada voltou. Só silêncio e, logo depois, um novo apagamento, como alguém arrancando um prego de uma só vez.
“Uhm.” Yan Chihuo murmurou curiosamente, mas não saiu do lugar. Ele ficou ao lado de Anúbis, guardando o gelo como se fosse um portão de cela, e aguardou a resposta.
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Vários quilômetros adiante, o chão parecia ter sido arranhado por uma ferida geológica.
Cristais cobriam tudo até onde os olhos alcançavam. Não eram frios. Não pingavam, reluziam sem ostentação. Cada lâmina, cada pilar, cada farpa… era feita do mais puro diamante.
O chão absorvia a luz em ângulos limpos e devolvia faíscas discretas, como a poeira de uma estrela.
O cenário inteiro era um cemitério recente… um cemitério de deuses.
Em meio às inúmeras arestas, um homem caminhava como quem não precisava acelerar para chegar primeiro. Ele era muito alto, com ombros largos, cabelo curto e preto, igual aos olhos. A roupa dele era simples, mais marcada no peito com a imagem de uma cabeça de um leão. A manga direita, rasgada, deixava aparecer cicatrizes que não seguiam padrões… eram linhas cruzadas, afundadas, queimadas; uma topografia de lutas longas demais para caber em uma contagem.
Era Gaspar. A defesa suprema da humanidade.
Um título antigo, de quando ele parava exércitos para que a luta não caísse em cima de gente comum. Agora, essa mesma defesa caminhava e, onde passava, atacava com a mesma naturalidade de quem levanta uma parede, só que, dessa vez, as paredes estavam cobertas de sangue.
“Rotas fechadas.” Ele disse sem emoção, encarando três divindades que tentavam cercá-lo por trás com lâminas de vento e disparos de alta pressão.
O primeiro deus desapareceu dentro de uma caixa que não existia um segundo antes. Quatro paredes de diamante nasceram sem ruído, colaram-se e deslizaram num único movimento. O corpo do deus, preso, foi esmagado e triturado pela friç̧ão das paredes.
Não houve explosão. Somente o silêncio e um pozinho pálido e encharcado escorrendo pelos sulcos.
O segundo deus tentou envolver o torso de Gaspar num vórtice. E a resposta veio do chão.
Uma coluna ergueu-se, girando, e laminou a espiral no meio, como quem abre um livro grosso. A água perdeu a estrutura e virou um rosário de gotas que caíram a seus próprios pés, cada uma com um cristal no núcleo, grãos de diamante que mudaram o peso das gotas.
O terceiro deus puxou placas do subsolo e tentou esmagá-lo em um abraço de montanha. Gaspar avançou um passo e o chão à frente passou a obedecê-lo.
A pressão rachou tudo, e as montanhas voaram para longe, sem destino.
Gaspar então ergueu a mão e vinte lâminas finíssimas correram pelo ar como projéteis.
O deus viu as lâminas chegarem tarde demais. Ele foi rasgado em vários pedaços e seu corpo desmontou em silêncio, em camadas de carne e sangue.
Gaspar, por sua vez, não sorriu. Não franziu o cenho. Só virou o rosto para o lado, como quem checa se o serviço está feito.
Logo em seguida, num ataque desesperado, dois Protetores desceram na frente dele com escudos e lâminas curtas.
“Venham.” Gaspar chamou os dois.
O primeiro atacou. Gaspar baixou o ombro e quebrou o escudo com a testa. O impacto abriu completamente a guarda do deus Protetor e a mão esquerda de Gaspar entrou.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
Quatro lâminas de diamante nasceram nos nós dos dedos de Gaspar e saíram do outro lado do elmo do deus, fazendo o corpo dele desmontar sob uma cabeça que não existia mais.
O segundo tentou cortar Gaspar pelas costas, mas o humano girou, pisou no punho dele e prendeu seu braço no chão com um espinho de diamante que cresceu sob a axila do Protetor e o atravessou até a clavícula.
Ele morreu em pé, na hora, preso ao solo.
Três deuses de vento cercaram Gaspar e atacaram com tanta força que um terremoto aconteceu desabou prédio a quilômetros dali.
Gaspar apenas fechou a mão e uma gigantesca lâmina de diamante surgiu entre os ataques, desviando as rajadas de vento para os lados. E antes que as bocas dos deuses pudessem se abrir em surpresa, uma esfera de diamante se formou ao redor deles e apertou.
Ossos estalaram. Eles foram esmagados uns contra os outros, e depois veio o silêncio.
Enquanto as rajadas de vento ainda causavam terremotos longe dali, o solo ao redor de Gaspar, que estava sendo diretamente atingido, estava completamente intacto, por causa da camada de diamantes que o cobria.
Quando Gaspar percebeu mais uma tentativa divina e virou o rosto, um deus de fogo abriu a boca e lançou um disparo de plasma.
Gaspar apenas ergueu uma parede e o plasma bateu contra ela, espalhou, e perdeu a coesão.
Atrás daquela parede, Gaspar sequer sentiu o calor do plasma, e ele rapidamente remodelou a parede, transformando-a em uma esfera muito densa, do tamanho de um punho, que foi atirada contra deus.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
A esfera atravessou o tórax do deus, mas a velocidade e a força dela foram tão grande que restaram apenas os pé, os dedos das mão e o topo da cabeça onde ele estava.
Aquilo era um verdadeiro massacre, mas outra dupla chegou pelo alto… água e terra. O de água atirou um jato em forma de serra. Gaspar torceu o pulso. O jato recebeu pó de diamante no caminho e ficou pesado demais para girar.
O de terra puxou o solo para engolir Gaspar, mas o chão não obedeceu. Ele rachou para os lados e Gaspar plantou o pé e abriu uma fenda reta sob o deus de terra.
A vibração partiu o corpo do deus ao meio, dos pés à cabeça, ele caiu em duas metades limpas.
O impacto do corpo partindo ecoou pelos cristais ao redor e se espalhou por todo o campo, com um som pesado e definitivo.
Gaspar manteve o olhar fixo por um instante, observando as duas partes do corpo afundarem lentamente na poeira. Depois, respirou fundo, como quem verifica o fim de uma tarefa.
A planície de Hill estava completamente coberta por diamante. O solo já não era terra, era uma extensão polida e viva que refletia cada lampejo de sua energia espiritual e cada faísca deixada pelas divindades frustradas.
O ar, que antes fervilhava de vontade de acabar com sua existência, agora parecia hesitar, pois os deuses começaram a perceber o que estavam enfrentando.
O primeiro a vacilar foi um semideus de água, que recuou alguns passos, ainda com o braço erguido, tentando formar uma lança líquida. O líquido tremia antes mesmo de tomar forma, porque o medo interferia na sua vontade.
O segundo foi um semideus de fogo. Ele deu um passo para trás, olhou para os companheiros e tentou manter a compostura, mas o olhar já o entregava… havia algo naquele humano que não pertencia ao senso comum.
O terceiro tentou gritar uma ordem, mas sua voz se quebrou antes da metade da palavra.
Gaspar, por sua vez, os observava, impassível, esperando a coragem voltar aos seus espíritos.
A cada respiração de Gaspar, o campo tremia. O diamante sob seus pés se movia em padrões quase imperceptíveis, como se estivesse vivo, como se respirasse com ele.
Os deuses então trocaram olhares entre si. O mesmo olhar que guerreiros exaustos trocam antes de decidir recuar.
E então, eles começaram a fugir.
Um pulou disparou para o alto. Outro mergulhou para baixo, tentando escavar túneis para se afastar do inimigo. Um terceiro tentou abrir um portal e sumir de vez.
Gaspar apenas baixou o olhar e questionou: “Vocês vão fugir?”
A voz dele não carregava raiva. Era apenas constatação e pena.
Calmamente, como se o tempo tivesse parado, ele ergueu a mão direita, e o diamante respondeu imediatamente.
As linhas que cobriam o solo se expandiram, unindo-se como nervos sob a pele de um corpo gigantesco. Um tremor atravessou o chão e, em seguida, colunas finas e longas se ergueram, centenas delas, como agulhas de cristal subindo em sincronia.
Gaspar fechou o punho, e todas as colunas dispararam.
*Swiiiiiiiiiiiiiiiish.*
O som atravessou o ar e sumiu antes de se tornar eco.
O primeiro fugitivo, o deus que voou, foi perfurado centenas de vezes e apagado da existência.
O segundo, que fugia pelos túneis, foi empalado pela própria terra que tentava usar como cobertura. O diamante o atravessou com precisão cirúrgica, prendendo-o entre as placas subterrâneas e enterrando-o ali mesmo.
O terceiro, o do portal, conseguiu abrir metade da passagem, mas ele nunca conseguiu atravessá-la, pois uma lâmina de diamante cruzou o espaço e cortou seu corpo ao meio.
A metade de cima tentou andar, mas não conseguiu impulso, pois não estava mais ligada às pernas.
O resto dos deuses começou a correr sem rumo. O medo finalmente tinha virado pânico.
Gaspar baixou o braço, e a terra vibrou de novo.
Dessa vez, dezenas de esferas se ergueram, cada uma com o tamanho de uma cabeça humana, girando em alta velocidade.
Ele levantou dois dedos. As esferas dispararam.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
Cada esfera atravessava o ar e encontrava um alvo e dizimava aquele que foi atingido de forma instantânea.
Gaspar realizava aquele massacre em completo silêncio. Não havia prazer no que estava fazendo, mas havia uma vontade muito profunda de continuar.
Assim, um a um, os inimigos da humanidade que pisaram no solo de Decarius deixavam de existir.
Em poucos minutos, o campo se calou.
Todos os deuses à vista estavam mortos.
Ali, não havia mais nenhum som de passos. Nenhum sopro de vento. Nenhuma aura viva além da dele.
Ele estava finalmente sozinho.
Foi quando uma voz, carregada pelo ar, alcançou o campo.
“Quem é você?”
Gaspar reconheceu o timbre antes mesmo de entender as palavras. O som daquela era como uma música para os seus ouvidos..
Por um instante, os ombros dele relaxaram, ele ergueu o olhar, e um sorriso leve surgiu no canto da boca.
Com a mesma calma com que matou deuses, Gaspar respondeu: “Você não reconhece mais seu ex-general, mestre Chihuo?”
A voz dele soou tranquila, quase divertida, e sem nenhuma arrogância.
O eco da resposta viajou em todas as direções, até desaparecer chegar a Yan Chihuo.
“Gaspar, meu amigo… o que está acontecendo aqui?” A voz de Yan Chihuo, extremamente satisfeita em saber que Gaspar estava ali, retornou a soar: “Por que não tem ninguém em Decarius para impedir que esses deuses andem entre nós?”
“Eu não sei, mestre Chihuo… Eu também acabei de voltar!” Yan Chihuo buscava algum esclarecimento com Gaspar, pois aquela situação era muito estranha. Contudo, assim como ele, Gaspar tinha acabado de retornar da Singularidade e já voltou no meio de uma luta, então ele não tinha as respostas que Yan Chihuo desejava.
“Tem alguém que pode esclarecer para onde todos os outros foram?” Dessa vez, a pergunta de Yan Chihuo não foi direcionada a Gaspar, mas, sim, para toda a humanidade.
Depois de alguns segundos de silêncio, uma soou. Era Quiron, que tinha retornado da Singularidade com Yan Chihuo e, enquanto seu mestre lidava com Anúbis, ele tentava entender a situação: “Mestre… Parece que todos estão em uma missão de ataque ao Olho!”
Assim que escutou aquele nome, Yan Chihuo estreitou o olhar, mirou em Anúbis e disse para o deus, como se cuspisse em alguém nojento: “Então vocês, covardes, tentaram nos atacar pelas costas… Que decepção…”
