Capítulo UHL 1109 - O Limite do Orgulho
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Tenham uma boa leitura!]
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Um nome ecoou pelo vazio como uma sentença.
“Rafael.”
Um som que não reverberou, mas que se espalhou em silêncio.
E o silêncio... vibrou.
O espaço em volta de Zao Tian começou a se comprimir. As partículas de luz dourada se uniram, atraídas para um ponto central, e tudo naquele vácuo se dobrou em volta dele.
Aos olhos de Hanzo, a Bloody Mary se desmontou.
O cabo se dividiu em fragmentos longos e luminosos. As lâminas, dissolvidas em fótons, giraram em torno do corpo de Zao Tian como órbitas incandescentes. No centro do movimento, o corpo dele brilhou, como se uma estrela tivesse nascido dentro de um homem.
Até o tempo hesitou e se curvou para ele.
Hanzo, que ainda segurava a Chi no Ken, sentiu o espaço em volta endurecer. Sua respiração travou. E olhando para Zao Tian, pela primeira vez, ele não viu um oponente.
Ele viu uma entidade.
A energia espiritual daquele homem não fluía mais como antes… ela não tinha direção. Agora, o que emanava de Zao Tian era força pura, impossível de ser medida, impossível de ser compreendida.
Enquanto isso, as partículas douradas se uniram, formaram uma armadura, e a armadura ganhou asas.
Então… a lança surgiu.
Longa, fina, dourada. Seu centro pulsava em energia contínua, como se o coração de uma estrela estivesse preso dentro de uma arma. As bordas dela vibravam no limite do que o espaço podia suportar. E a cada movimento sutil, o tempo reagia, esticando-se, distorcendo-se.
Hanzo apertou a espada por espasmo. Seu sangue se ergueu no ar de novo, tentando reagir, mas hesitou.
A Chi no Ken també, tremia. Não por medo, mas porque parecia que ela sabia o que era aquilo. Ela sabia o que Rafael representava.
Por fim, a voz de Zao Tian soou de dentro do clarão: “Você queria ver o limite, Hanzo. Aqui está.”
Então, a luz se expandiu e o universo ao redor foi ofuscado.
*Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom.*
A primeira investida não foi um movimento físico. Foi a matéria sendo deslocada.
Zao Tian desapareceu como se nunca tivesse estado lá.
Hanzo só percebeu o impacto quando o corpo dele foi lançado para trás, atravessando centenas de quilômetros em um segundo. O vácuo se rompeu em linhas de energia. Fragmentos de rochas interestelares distantes se dissolveram no calor.
A luz o atingira sem forma visível, como um pensamento que se tornou impacto.
O sangue de Hanzo jorrou em silêncio. Ele tentou respirar, mas o ar não o obedecia, e mesmo que obedecesse, o choque o teria arrancado.
A Chi no Ken, sua fiel companheira, ergueu-se por instinto, interceptando o segundo golpe.
*Claaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang.*
O som foi estridente.
A espada partiu.
O metal se dissolveu em partículas vermelhas e se espalhou como poeira enquanto Zao Tian estava à frente dele, parado, com a lança dourada em punho, reluzindo como um raio imóvel.
“Eu não me movi.” Hanzo percebeu isso tarde demais.
Zao Tian girou a lança em um arco lateral e o espaço reagiu. Uma linha dourada cortou o vácuo, e o universo se dividiu em dois.
Por milhares de quilômetros, uma fenda se abriu, iluminada por energia espiritual concentrada. Planetas distantes que orbitavam naquela região foram dilacerados como papel. O vento solar se curvou. O silêncio virou som.
Hanzo tentou recuar. O corpo dele estava rasgado, mas regenerava em tempo real.
Zao Tian, por sua vez, observava.
Ele era incrivelmente rápido, mas não atacava com pressa.
A percepção dele estava além da realidade. Tudo ao redor se movia em câmera lenta. As partículas de poeira, o sangue suspenso no espaço, a vibração residual do último impacto… tudo era visível, previsível, controlável.
Zao Tian via até uma parte do futuro em fragmentos. Não o futuro distante, mas alguns milisegundos. E, dentro desse curto espaço de tempo, ele era invencível.
A voz dele soou de novo: “Você sente, Hanzo? A morte chegou.”
Hanzo não respondeu. Ele rugiu e lançou-se para frente.
A Chi no Ken se refez instantaneamente, recriando-se com o sangue que restava.
Hanzo a girou e o vento seguiu. Ondas massivas de ar espiritual cortaram o espaço como discos invisíveis.
Zao Tian girou o pulso, a lança descreveu um arco em torno do corpo e cada onda simplesmente desapareceu.
Aquilo não foi uma mera defesa. Elas foram literalmente apagadas da existência.
Hanzo continuou. Ele avançou no meio da luz, com a espada cortando o ar. O sangue se multiplicou, formando cópias da Chi no Ken, dezenas, centenas, cada uma controlada por sua mente.
O vácuo virou uma floresta de lâminas carmesins.
Zao Tian, todavia, respirou.
E no exato instante em que Hanzo entrou no alcance dele, o tempo parou.
A luz expandiu. Milhares de pontos dourados se acenderam… e explodiram.
*Boooooooooooooooooooooom.*
A explosão se alastrou como uma aurora viva. E cada micro ponto era uma estrela nascendo e morrendo no mesmo instante.
A devastação foi tão grande que Hanzo desapareceu dentro do clarão. Seu corpo foi feito em pedaços, dissolvido, reconstruído, e destruído outra vez. A regeneração agia, mas não acompanhava a velocidade das destruições.
Zao Tian logo avançou em linha reta. Cada movimento dele era uma detonação. Cada ação criava ondas de choque que reverberavam por milhares de quilômetros.
O espaço tremia como se o próprio tecido da realidade tentasse fugir daquela luta.
Quando ele parou, repentinamente, Hanzo estava à sua frente novamente, intacto. E o que restou de uma Pedra do Regresso brilhava no centro do peito dele.
Hanzo olhou para o próprio corpo, surpreso, depois, para Zao Tian.
“Eu... morri?” Hanzo sussurrou, sem entender o que aconteceu com o seu próprio corpo.
Zao Tian não respondeu. Ele apenas irou a lança e apontou-a para ele.
Hanzo avançou de novo, com a Chi no Ken na horizontal.
Zao Tian se moveu em um traço de luz e a espada passou no vazio.
Hanzo piscou, e a lança já havia atravessado o abdômen dele.
O impacto veio logo depois do golpe. E o corpo dele se desfez em luz, explodindo no espaço.
*Boooooooooooooooooooooooooooooooooom.*
Quando a energia se dissipou, ele reapareceu mais uma vez. Uma Pedra do Regresso havia sido ativada de novo, automaticamente, no reflexo da morte.
Zao Tian o observava em silêncio, sem provocar ou elogiar.
Hanzo então se curvou, tossindo sangue. Quando ele olhou para as próprias mãos, não havia ferimentos. Mas ele sentia. Sentia a morte dentro de si… o rastro dela, a lembrança do instante em que tudo se apagou.
“Então é isso…” Ele murmurou em um estado catatônico: “É isso que você quis dizer.”
Zao Tian caminhou até ele. Cada passo que dava deixava um rastro de luz no espaço, como se o vazio fosse incapaz de contê-lo.
“Você ainda tem mais.” Ele disse, com uma frieza de congelar os ossos: “Use-as todas. Eu acabarei com o seu corpo, enquanto você acaba com o que resta do seu orgulho.”
Hanzo não respondeu, por ele não podia refutar. Ele apenas respirou fundo, e o sangue ao redor começou a reagir. Mas algo estava errado.
O sangue não se movia. Ele ficava pesado, lento… sem controle.
Zao Tian então levantou a mão e a energia espiritual ao redor obedeceu.
“O teu sangue está preso na minha luz.” Ele disse, e logo em seguida soltou a lança.
A lança desapareceu no ar.
Por um segundo, Hanzo achou que Zao Tian tivesse desistido. Mas logo percebeu o erro.
O espaço se acendeu atrás dele. Do nada, dezenas de Zao Tians surgiram, ecos de luz, duplicatas momentâneas criadas pela distorção temporal.
Cada cópia atacou de uma direção diferente.
*Clang. Clang. Boom. Boom. Boom.*
Hanzo tentava defender, mas os golpes vinham de todas as direções.
A lança o perfurava, o atravessava, o rasgava, e cada impacto criava uma explosão nova.
A Chi no Ken não conseguia acompanhar. Cada bloqueio era seguido por três golpes que vinham de outro ângulo. Cada regeneração era interrompida antes de concluir.
Em menos de um segundo, Hanzo morreu mais uma vez.
Quando voltou, arfando, a Pedra do Regresso queimava no peito. e Zao Tian estava à frente, imóvel.
“Ainda restam várias, não é?” Ele perguntou retoricamente.
Hanzo gritou em frustração, e o espaço respondeu. Seu orgulho estava sendo esmagado; sua confiança, antes inabalável, estava sendo obliterada; sua frieza característica tinha dado espaço às emoções; e sua coragem, antes imutável, agora dava lugar ao medo.
Hanzo rugiu, e o espaço vibrou com ele.
Aquele grito não era mais um chamado à batalha, era um grito humano, instintivo, bruto.
A energia ao redor dele explodiu, fazendo o sangue levitar em pequenas esferas rubras. O vento espiritual soprou de todos os lados, mas já não tinha direção.
Era a mais pura desordem.
Enquanto isso, as asas de luz de Zao Tian se abriram outra vez. E ele não disse nada. Bastou um movimento do punho, e a luz o engoliu.
*Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooom.*
Hanzo foi arremessado para trás, como se o espaço o tivesse cuspido.
Muito longe do ponto de impacto inicial, o corpo bateu contra um fragmento de planeta e o destruiu.
Quando a poeira cósmica se dissipou, ele já se regenerava, arfando, com os olhos fixos no inimigo.
Mas algo estava diferente.
Antes, ele sempre voltava com raiva, pronto para lutar, pronto para provar algo.
Dessa vez, seu corpo tremia. O olhar não era de fúria, mas, sim, de dúvida. Cada morte deixava uma marca, não no corpo, mas no espírito.
Zao Tian, que já viu aquilo acontecer, se aproximou, e a luz dourada se movia junto dele, distorcendo o espaço, como se o universo tentasse manter distância.
Hanzo apertou o punho e gritou novamente, tentando acreditar que ainda podia resistir.
O sangue respondeu, mas a resposta era cada vez mais fraca. As lâminas carmesins tentaram formar um anel de defesa ao redor dele, e se desfizeram antes de concluir o círculo.
A lança de Zao Tian foi disparada e logo atravessou o vácuo como um raio.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash.*
O peito de Hanzo se abriu, e o corpo girou no ar antes de ser dilacerado em luz.
A Pedra do Regresso brilhou mais uma vez. E o mundo reconstruiu o que já estava condenado.
Hanzo reapareceu de joelhos.
Os olhos, antes cheios de ira, agora estavam vazios.
Ele sentia cada morte. Não como dor, mas como lembrança, uma sequência interminável de fracassos sobrepostos, gravados na alma.
“Quantas vezes?” Hanzo murmurou, sem perceber que falava em voz alta: “Quantas vezes eu… já morri?”
Zao Tian então parou. O olhar dele era impassível, mas havia algo mais… um pesar distante, quase imperceptível.
“Até entender.” Ele comentou, enfim.
Hanzo ergueu o rosto e questionou: “Entender o quê? Que sou fraco? Que você é um monstro?”
A voz dele vacilava, mas ele continuava tentando convencer Zao Tian e a si mesmo de que estava certo em suas convicções. “Eu lutei. Sempre lutei. Sempre servi com lealdade.”
Zao Tian caminhou, e a luz o seguiu enquanto ele respondia: “Você lutou por fantasmas.”
Hanzo rangeu os dentes e gritou: “Eu não me arrependo.”
“Mas duvida.” Zao Tian logo interrompeu, antes de completar:. “E essa dúvida é o que te mata antes de mim.”
Após aquelas palavras caírem, a lança brilhou. Um novo golpe aconteceu. E o mundo se partiu.
Hanzo voltou a morrer.
E voltou outra vez.
A cada renascimento ele vinha mais fraco. Não porque sua energia diminuía, mas porque sua vontade, o que mais lhe motivava, se esfarelava.
A percepção dele, antes aguçada, agora se confundia. O tempo parecia quebrado.
Às vezes, ele via o golpe chegando e achava que podia reagir. Mas, quando tentava, já estava morto.
Ele parecia estar atrasado em relação à realidade. Era como lutar dentro de um sonho que o punia por acordar.
A cada retorno, Hanzo se via menos homem. Menos guerreiro. Cada vez mais um reflexo de um fracasso que insistia em existir.
Em uma das voltas, o sangue escorreu antes mesmo de o golpe ser percebido.
A luz atravessou o corpo dele e se abriu com uma flor. As pétalas eram explosões, e o espaço se iluminou em dourado.
Hanzo caiu flutuando, sem gritar.
A Pedra reagiu, o trouxe de volta, mas, dessa vez, ele ficou parado, respirando fundo.
Um silêncio ensurdecedor o cercava. E ali, ele percebeu que Zao Tian não havia se movido há uns três ataques, porque ele não precisava.
“Eu já não sinto a diferença entre estar vivo ou morto.” A voz dele saiu calma, quase serena.
Zao Tian o fitou de cima, e respondeu: “É o que acontece quando a morte para de te temer.”
Hanzo levantou o olhar, e por um instante… sorriu. Um sorriso pequeno, exausto, humano.
“Você venceu, Zao Tian.” Ele disse em reconhecimento.
“Não.” Zao Tian respondeu: “Você é quem finalmente enxergou.”
Hanzo respirou. Ele olhou ao redor e viu que o sangue dele flutuava lentamente, como cinzas no vento. Ele ainda podia tentar, mas para quê?
“Eles não vieram.” Hanzo murmurou, antes de erguer a espada a frente do corpo e se entregar ao destino, ou melhor, Zao Tian.
Zao Tian não respondeu, apenas baixou a lança.
“Então…” Hanzo ergueu o rosto, com a última fagulha de orgulho que restava, e disse: “Que ao menos no fim eu sirva pra alguma coisa.”
Aquelas palavras soaram carregadas de aceitação.
Zao Tian avançou sem pressa.
A lança, enfim, desceu, cortando o vácuo.
Hanzo fechou os olhos.
O golpe o atravessou, e o corpo se dissolveu sem resistência, sem explosão.
A luz dourada o consumiu e levou embora o que restava de peso e dor.
Quando tudo terminou, o espaço ficou quieto outra vez. O vento solar voltou a fluir, arrastando as últimas partículas carmesins.
Zao Tian permaneceu parado por um longo tempo, olhando para o ponto onde Hanzo existira.
Nenhum traço restou. Nem corpo. Nem eco.
Em pena, a voz dele saiu baixa, quase como um pensamento:
“Você não merecia mestres tão pequenos, Hanzo.”
Logo em seguida, a armadura dourada começou a se desfazer, e Rafael se recolheu. A lança se desfez em faíscas e retornou à forma adormecida da Bloody Mary.
Quando o brilho finalmente se extinguiu, Zao Tian ficou só… como o último resquício de luz em meio à imensidão.
