Capítulo UHL 1111 - Meias Vitórias
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“Precisamos ser rápidos e cuidadosos.” Após chegarem para resgatar Yang Yin e Yang Fen e serem prontamente atacados por Yang Hao, a Trindade estava em uma corrida contra o tempo para resgatar seus ativos: “Pescamos e saímos.”
Enquanto seus irmãos conversavam, Amin não respondeu, porque ele já estava fazendo. O Domínio da Miragem Eterna esticou-se como um véu de sombra sobre o meio do céu, procurando fissuras nas bordas do calor.
Lá embaixo, Yang Hao virou o rosto e a Ressurreição Ardente inclinou um centímetro. Bastou isso para lembrar àqueles que surgiam que a realidade tinha dono.
Nas sombras, a Trindade recuou e voltou pelo flanco, agora atrás de Yang Yin e Yang Fen, como o reflexo de uma lâmina que aparece no último instante.
A mão que saiu da Miragem não era uma mão, era um mebro de sombra que atravessou a prata e parou no ombro de Yang Fen como um convite para atravessar.
“Vem.” A voz de Samir, ou o contorno emocional dela, soou no ouvido do traidor.
Fen estendeu o braço por reflexo.
O mundo pegou fogo.
*Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooom.*
O corte horizontal de Yang Hao não mirou o homem. Mirou a sombra. A Miragem estalou como gelo no ferro quente e sumiu rapidamente, reaparecendo dois mil metros adiante, antes de morrer outra vez sob a mesma pressão.
“Ele está nos forçando a sair para tocar.” Amin rangeu os dentes enquanto analisava: “Não há forma estável de pegá-los sem nos expor.”
“Vamos pegar um por vez.” Samir , sem tempo para discutir, falou: “Yin primeiro.”
Logo em seguida, o véu retornou, agora fino como um risco. As cinzas no ar escorreram para trás, como se a sombra tivesse gravidade própria. Uma mão, desta vez real, surgiu atrás de Yang Yin e tocou seus ombros.
Ele olhou uma única vez para Yang Fen e chamou: “Vem.”
Fen deu meio passo, e o imperador estava em cima dele.
*Claaaaaaaaaaaaaang.*
A Ressurreição Ardente avançou e seu poder criou uma plataforma de fogo sólido que suportou apenas o necessário para servir de algema.
O casulo de chamas cinzas ao redor de Fen apagou como brasa molhada. E um incandescente o travou ali, ajoelhado, a meio gesto da salvação.
A Trindade e seu domínio, frustrados, recuaram.
A mão de sombra ainda segurava Yang Yin, e Samir tomou a decisão que custava caro e só parecia cruel porque era racional: “Puxa ele, agora.”
Rachid logo puxou.
Em um piscar de olhos, metade do corpo dele atravessou a sombra como quem mergulha num lago sem superfície.
“FEN!” O nome saiu de sua boca como uma lâmina sendo quebrada.
A primeira tentativa de resgate de Fen falhou, mas Yin foi resgatado. A segunda nasceria um segundo depois… e morreria por outra razão.
O véu tornou a abrir-se atrás de Fen. Desta vez, a mão o agarrou.
Contudo, nesse momento, dois riscos desceram do horizonte contra o calor, partindo as ondas em fios de ar…
Ryuuji e Kyon.
Ryuuji chegou primeiro, com a espada mudando de propriedade no último centímetro, com o fio absorvendo o calor e devolvendo vibração ao metal e com a guarda vibrando como uma corda de arco.
Kyon veio logo atrás, com as mãos vazias. O ar ao redor de sua palma condensou, não apenas em água, mas em estruturas de gelo tão resistentes que sobreviviam ao calor das chamas do imperador.
“Não deixem tocar ele!” Yang Hao avisou sem nem precisar olhar para o dois.
Ryuuji, mais rápido, entrou no meio como se sempre soubesse que aquela linha iria nascer ali. O vento ao redor de seu corpo fechou-se num colar de lâminas invisíveis e a espada cortou em linha reta.
*Swing.*
A lâmina de Ryuuji pegou a borda da Miragem no exato ponto em que a mão ia fechar no ombro de Fen. O corte não partiu a conexão antes que ele fosse feita.
Kyon chegou junto. A água subiu do nada, adensou e virou um martelo colossal, com cabeça larga e eixo curto. Ele girou o punho e o martelo de água desceu em linha reta.
*Thuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum.*
O impacto chapou o ar. O anel escuro do portal afundou como lona molhada e rachou nas laterais. Kyon travou o martelo no chão líquido que ele mesmo criou e falou sem tirar os olhos do alvo: “Isole ele.”
Ryuuji já estava na frente do traidor. A espada em sua mão vibrou de novo, mudando o fio para segurar em vez de cortar.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
O fio da espada, que se tornou serrilhado, penetrou na carne de Yang Fen como ganchos que simplesmente não se soltavam.
A Miragem reabriu um palmo ao lado. E Rachid tentou um segundo alcance.
Kyon girou o ombro, puxou o martelo de volta e arremessou em curva, de baixo para cima.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash.*
A borda do domínio virou uma boca torta e fechou com o impacto. Gelo formou-se na beirada, e Kyon prendeu esse gelo com mais água.
“Amin, pense rápido! Qual é a próxima abertura?” Samir pressionou, lá de dentro.
“Não dá tempo. Yang Hao está lendo os pontos de abertura.” Amin respondeu, seco e realista.
Lá embaixo, o imperador apenas apontou a Ressurreição Ardente e disparou bolas de fogo em linha reta.
Graças a seus olhos, Yang Hao acertou o centro de uma futura mancha escura e apagou a próxima tentativa antes dela nascer, como se alguém tivesse soprado uma vela.
“Chega.” Ficando sem opções, Samir decidiu: “Yin está conosco. Fecha isso e vamos embora!.”
“Não!” Yang Yin gritou dentro do domínio, desesperado: “Abre de novo! Agora!”
Quando o véu começou a fechar, Yin ainda avançou dois passos, socando o nada como se aquilo fosse uma porta.
Não era. O Domínio selou. E aquele foi o fim do resgate.
Do lado de fora, Fen prendeu o ar no peito, e só então entendeu. Yin tinha ido. Ele ficou.
Ryuuji aproximou o rosto, com uma raiva que transbordava a ponto de não conseguir conter.
“Pelo Tyrone.” Ele disse, como alguém que está prestes a executar outra pessoa.
Kyon ergueu o martelo de água e tentou argumentar algo.
“Calma.” Ele pediu uma única vez: “Se a gente levar ele vivo, talvez possamos conseguir alguma informação sobre uma possível localização da Trindade.”
“Não.” Yang Hao cortou o argumento sem elevar a voz, e disse: “Essa não é uma missão de captura. É uma missão de extermínio!”
Ryuuji nem olhou para o lado para concordar com o imperador, e disse: “Hoje ele não sai respirando daqui.”
A decisão foi assim. Tomada em um segundo. E acabou.
Yang Fen tentou acender o fogo cinza no reflexo. Contudo, Yang Hao baixou a lâmina, e o calor engoliu a fagulha que queria nascer.
“Então… que seja.” Kyon cedeu, firme, e o martelo desceu.
*Craaaaaaaash…*
O joelho de Yang Fen partiu, e ele tombou, ainda preso pela espada de Ryuuji.
Ryuuji, então, puxou a espada e logo em seguida enfiou no ombro de Yang Fen e varreu até a clavícula.
*Splaaaaaaaaaaaash…*
A carne abriu, e o sangue, diante do calor das chamas de Yang Hao, virou névoa.
O braço de Yang Fen pendurou, preso por fibras, e ele tentou cuspir um insulto.
“Sem discurso.” Yang Hao avisou, sem o menor pingo de misericórdia.
Kyon girou o punho. O martelo aumentou e soltou mais uma batida diagonal.
*Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaang…*
O úmero de Yang Fen estourou. E o braço dele caiu de vez.
“Você está sentindo isso?” Ryuuji sussurrou com um prazer macabro, e a espada dele deslizou mais uma vez, passando pelo antebraço restante.
*Swing*
Os tendões e a carne, até o osso, se romperam em uma enorme ferida exposta.
Yang Fen arfou, com olhos tremendo, sem fogo e sem defesa. A Miragem Eterna não voltava. E o céu estava fechado por Yang Hao.
“Olha pra mim.” Vendo que o inimigo estava prestes a fechar os olhos, Ryuuji ergueu a cabeça dele e ordenou com uma voz que tremia de raiva. “Ele ficou em pé por nós no Vale da Esperança. E você o derrubou pelas costas.”
Enquanto isso, Yang Hao ergueu a Ressurreição Ardente. As asas abriram e o ar secou.
Ryuuji torceu a lâmina para cima, e, com a dor, obrigou Yang Fen a encarar o céu rachado de calor.
“Fala.” Ele rosnou: “Quem te salva agora?”
Yang Fen tentou juntar fogo na garganta. E nada. Só um chiado fraco.
“Yin...” Ele murmurou, tateando o ar com o cotoco sangrando como se ainda tivesse mão: “Abre… volta…”
Kyon segurou o martelo na horizontal, sustentando o peso com a outra mão. A expressão dele era dura, mas os olhos estavam atentos.
“Você não vai a lugar nenhum.” Ele disse, friamente.
Yang Fen puxou ar pela boca e um soluço entrou errado. Ele tossiu, o peito travou.
“Samir… Rachid… Amin… qualquer um…” A voz que saiu daquela boca não parecia a dele. Era fina: “Eu tô aqui.”
Ryuuji aproximou o rosto, com a lâmina vibrando numa frequência curta que fazia o ar tremeluzir em volta do fio.
“Eles te deixaram.” Ele afirmou, sem gritar: “Olhe para o céu. Não tem sombra.”
“Mentira.” Fen forçou, com os olhos vermelhos de dor e raiva: “Eles vão… voltar.”
“Não me larguem…” Ele disse para ninguém, porque ninguém que se importava o ouvia: “Não me…”
*Thuuuuuuuuum...*
Kyon acertou o tornozelo com o martelo. O pé de Yang Fen virou uma massa e esmigalhou.
“Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh…”
Yang Fen gritou de verdade dessa vez.
Ryuuji respondeu com aço. A espada atacou de novo e fez um corte limpo na coxa.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaash...*
A perna de Yang Fen abriu em dois planos e não conseguiu fechar. Ela não conseguia sequer tocar as duas partes de novo.
“Yin!” Yang Fen berrou, já sem qualquer orgulho: “Eu tô aqui! Eu…”
“Ele não ouve.” Yang Hao então cortou seus pedidos de ajuda: “E se ouvir, não tem coragem de aparecer.”
O imperador ergueu a espada na altura do ombro. A chama no dorso da lâmina ficou mais escura, mais pesada, e cada pena nas asas estalou como madeira no braseiro.
Ryuuji então puxou a cabeça de Fen pelos cabelos, forçando-o a encarar a própria sombra torcida no chão.
“Lembre-se do Tyrone.” Ele sussurrou no ouvido do traidor: “Ele foi até o fim por gente que nem conhecia, enquanto você virou as costas para tudo que jurou proteger.”
Ryuuji apertou e Yang Fen chorou sangue: “Eu…”
“Sem desculpas.” Kyon rugiu.
Ryuuji soltou, e a cabeça de Fen caiu, pesada, com os olhos procurando um ponto em que não houvesse dor. Mas não havia.
“Eu segui ordens…” A fala quebrou o clima: “Eu merecia… que viessem…”
“O que você merece é pagar pelo que fez!” Ryuuji respondeu.
Kyon, com raiva da tentativa de Yang Fen de se justificar, puxou o martelo para trás e fez a água comprimir o tórax de Yang Fen, enquanto ao mesmo tempo penetrava pela sua boca e nariz.
O ar não entrava. Yang Fen estava se afogando e se debatendo. O corpo dele instintivamente lutou, o que só piorou a dor.
“Parem.” De repente, Yang Hao interviu, antes de explicar: “Eu termino isso.”
Yang Hao sentia que tinha responsabilidade em tudo o que aconteceu, afinal, Yang Fen era um dos seus homens de confiança, e, por vezes, foi treinado por ele mesmo. Por saber disso e respeitar alguém que assume a responsabilidade por suas ações, diretas ou indiretas, Ryuuji recuou um passo. Kyon soltou a compressão e deixou Fen cair de lado, arfando como peixe na praia.
“Por favor…” A frase saiu pela metade: “Não me deixa… aqui…”
“Você não ficará aqui.” Yang Hao disse, antes de afirmar: “Você terminará aqui!”
Naquele momento, Yang Fen fechou os olhos um instante, e quando abriu de novo, estava trêmulo. O rosto dele, sujo de sangue e cinza, não tinha mais nada de Guardião. Só medo.
“Yin…” Ele tentou pela última vez, como quem ainda espera que a porta abra, mesmo sabendo que já trancou.:“Irm…”
O imperador, por sua vez, plantou os pés, inclinou o ombro e levou a lâmina ao alto em posição de execução.
“Por Yang Gengi.” Ele disse.
“Por Tyrone.” Ryuuji falou.
“Pelos nossos.” Kyon bradou.
*Swing.*
O corte entrou na base do pescoço e saiu pela cintura, num ângulo que atravessou o centro do peito. Não houve tempo para pedir nada. Nem para odiar. A chama comeu a borda do ferimento, a lâmina varreu e terminou num arco que evaporou o que ainda queria juntar.
O corpo de Yang Fen caiu dividido e sendo consumido pelas chamas que ardiam nas bordas do corte.
Depois de um período de silêncio, Ryuuji soltou o ar que segurava havia tempo demais. E ele finalmente guardou a espada.
Kyon deixou o martelo se desfazer num fio d’água que correu para uma depressão e evaporou.
Yang Hao passou a mão aberta no ar, como quem limpa uma mesa. Pequenas brasas varreram a área, esterilizando cada centímetro do chão. Nenhuma marca. Nenhum resto. Nada que valha um retorno.
“Acabou.” O imperador confirmou.
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Longe dali, dentro do Domínio da Miragem Eterna, Yang Yin tropeçou no próprio passo.
Ele sentiu um rasgo no peito como se alguém tivesse puxado uma corda de lado a lado.
“Fen?” Ele perguntou para o vazio.
Ninguém respondeu.
Yang Yin correu. Não havia direção. Mesmo assim, ele correu. Socou a membrana que separa os mundos, arranhou, chutou, gritou por Amin, por Samir, por Rachid.
“ABRE!” Ele urrou, cuspindo sangue: “AGORA!”
Os irmãos discordaram com as cabeças e não disseram nada.
Yang Yin entendeu do jeito mais cruel possível o que tinha acontecido. Yang Fen estava morto e não tinha o que ser feito.
“Vocês fecharam.” Depois de alguns segundos, ele falou para trás, virando-se para onde os três estavam observando: “Vocês fecharam!”
Samir manteve o rosto neutro. Rachid sustentou o olhar. Amin não disfarçou que não sentia absolutamente nada.
“Foi a decisão correta.” Samir disse, de forma simples.
“Cala a boca.” Yin rosnou, rouco: “Vocês me tiraram e deixaram ele.”
“Ele já estava condenado.” Amin cortou, rápido: “Perderíamos você também. O custo seria dois.”
“Então percam dois!” Yin avançou, com os cabelos colados na testa pelo suor: “Vocês tinham que tentar mais.”
“A próxima tentativa seria dentro do alcance da lâmina do imperador.” Rachid finalmente falou: “Eu vi. Os três vimos. Não tinha outro jeito, e a decisão foi tomada.”
Yang Yin respirou fundo e apertou as mãos até os nós rangerem.
“Eu trago a cabeça dele.” Ele sussurrou, sem saber a quem prometia: “Eu trago…”
Samir assentiu uma vez. “Traga. Mas pense. Não morra à toa.”
Yang Yin desviou o rosto. A garganta dele travou e ele murmurou: “Fen… Desculpa.”
Assim, a Trindade seguiu em frente, arrastando Yang Yin com eles. O ódio novo encontrou espaço ao lado do antigo.
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Do lado de fora, o calor baixou devagar.
Ryuuji ajoelhou onde um corpo teria estado, e encostou os dedos no vidro polido.
“Tyrone…” ele falou baixo, como se a voz fosse uma moeda deixada num altar: “um a menos.”
Kyon ficou de pé, olhando o horizonte, enquanto completava: “Falta mais um.”
“Faltam pelo menos quatro!” Yang Hao corrigiu, com os olhos fixos no céu que, por ora, estava sem sombra: “Mais um traidor… e a Trindade.”
Ryuuji se levantou calmamente e afirmou: “Nós vamos encontrá-los!”
Yang Hao assentiu: “Sem pressa burra. Mas sem trégua.”
