Capítulo UHL 1113 - Saldo
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Enquanto isso, no lugar onde Hanzo havia caído pelas suas mãos, Zao Tian demorou um pouco mais do que o normal para falar.
Ele estava flutuando diante do nada, num ponto neutro do espaço, olhando para uma estrela moribunda que brilhava mais por teimosia do que por poder. O peito estava nu, as roupas queimadas, os nós dos dedos abertos ainda tinham vestígios do sangue do homem que ele mesmo destruiu. E, mesmo assim, sua voz saiu firme para o anúncio:
“Hanzo está morto.”
Houve um silêncio breve, só o tempo que o som levou para cruzar os amuletos de transmissão sonoras e alcançar quem tinha que alcançar. Depois disso, as respostas começaram a chegar, uma por uma.
“Terminei aqui, também.” A voz de Ming Xiao veio primeiro, calma, do mesmo lugar onde ele acabara de matar o clone de Cruz e quase matar Grasel: “Grasel escapou por um portal de escuridão, mas foi levado carregado. Não é uma vitória completa, mas é uma frente encerrada.”
“Entendido.” Zao Tian respondeu.
“Minha frente também terminou.” Desta vez, quem falou foi Ming Xue. A voz dela tinha aquele cansaço de quem ainda está com a respiração alta, mas já se controlando: “Lucke foi resgatado pela Trindade. Askyr não existe mais. Shara’Kala recuou comigo. Cruz também. Ficamos com o prejuízo.”
“Eu ouvi.” Zao Tian respondeu, antes de pedir: “Sem culpa. Eles focaram nos ativos deles. Fui eu que demorei para antecipar isso.”
Do outro lado, um chiado soou, e a voz de Yang Hao entrou, sem saudação.
“Aqui foi finalizado.” Ele disse, antes de contabilizar: “Um fugiu e um foi executado. Yang Fen caiu. Yin foi tirado pela Trindade.”
Zao Tian fechou um pouco os olhos e respondeu: “Entendido.”
“Ryuuji e Kyon estão bem.” Yang Hao acrescentou: “Sem baixas do nosso lado.”
“Ótimo.” Zao Tian elogiou.
“Mas…” Yang Hao ainda completou: “Zao Tian… Quero que saiba… Yin morrerá pelas minhas mãos… Eu Juro!”
“Na próxima vez.” Zao Tian falou, sem arrogância, apenas com a certeza de quem já estava vendo o quadro maior: “Mas, por hoje, essa foi a última oportunidade.”
A última voz a entrar foi a de Shara’Kala, carregando uma raiva que não era recente.
“Você disse que ele estava morto!?” Ela falou, sem rodeios.
“Está.” Zao Tian confirmou: “Hanzo caiu.”
“Então a Trindade perdeu um braço.” Ela comemorou.
“Perdeu.” Zao Tian repetiu: “Mas ainda está viva.”
“Não por muito tempo.” Ela disse.
“Não por muito tempo.” Ele concordou.
O canal, então, foi encerrado, e cada um voltou para a sua própria exaustão.
Zao Tian ficou ali, parado, com o amuleto na mão, olhando para o brilho fraco da estrela.
Antes de receber um relatório da frente de Daren e de Decarius, toda a luta contra o Olho já tinha chegado a um desfecho.
Aquele ataque universal ao Olho tinha sido o maior desde que a organização surgiu das entranhas de Gard e se espalhou pelo universo.
Aquilo não foi uma mera batalha. Foi uma limpeza.
As forças de Decarius, do Vale da Esperança, da Dinastia Yang, do Reino da Escuridão, de Gard, de Kaos e de Hill, que nunca quiseram se intrometer em conflitos cósmicos, entraram juntas naquela guerra. Não porque queriam, mas porque não dava mais para fingir que o Olho não existia.
A rede de informações do inimigo, aquela que parecia eterna, aquela que parecia estar em todos os cantos, aquela que parecia ver tudo, foi quebrada em três dias e seis horas. Foi o tempo que levou para o primeiro ataque de infiltração estourar as células de comando e para os caçadores seguirem o fio da teia até os troncos.
Em menos de uma semana, trinta e quatro mundos que serviam como entrepostos, depósitos de recursos e viveiros de clones foram destruídos, tomados ou simplesmente deixados vazios, com nada além de marcas de prisão nos leitos e escravos sem dono.
O saldo não foi leve.
Do lado das forças aliadas, quando os números chegaram, o relatório foi frio:
Mortos confirmados: Cento e um mil trezentos e setenta e quatro.
Desaparecidos (sem corpo, mas em área de combate): Três mil cento e noventa e um.
Gravemente feridos (sem possibilidade de retorno à qualquer combate): Dezenove mil duzentos e sete.
Entre os mortos, os nomes pesavam muito mais do que os números.
Tyrone, o homem que segurou uma frente sozinho para que o Vale da Esperança não caísse para o Olho.
Yang Gengi, o Guardião Imperial que sempre discordou de Yang Hao sem desrespeitá-lo, e que caiu em outro planeta, longe da Dinastia, defendendo um nome que ele ainda acreditava.
General Alaric de Gard, morto na terceira leva, quando sua brigada foi atacada por um exército de escravos que os cercaram e dizimaram todos.
General Ohemi, das forças de Hill, que recusou evacuar quando as crianças ainda estavam sendo tiradas das câmaras de escravos. Ela caiu com o punho de um dos comandantes inimigos atravessado no abdômen.
Comandante Maat’ri, que, liderou a retirada de quatro colônias humanas durante o ataque de Anúbis e morreu quando uma das pesagens prendeu sua alma por ter, um dia, votado por deixar criminosos vivos. O peso divino não ouviu justificativas.
Muitos nomes sem títulos também foram listados. Chefes de aldeia. Capitães de destacamento. Irmãos de armas que haviam sobrevivido a guerras em Turop, Hill e Kaos, mas não sobreviveram ao Olho.
Do outro lado, o número foi outro. Simplesmente assustador.
Mortos do Olho: Três milhões, novecentos e setenta e quatro mil duzentos e vinte e um.
Era um número que não cabia na cabeça de ninguém, mas era real. Ele somava soldados de base, somava agentes infiltrados, somava clones descartáveis, somava guardas de prisão, somava toda a mão de obra de obra da organização e somava os guerreiros trazidos à força de outros planetas e que, naquele momento, fizeram a escolha certa e viraram o machado contra quem os dominava.
Além disso, havia outro número, mais silencioso, mas que fez muita gente chorar em lugares onde a guerra nunca chega.
Escravos libertados: 2.184.003. Dois milhões, cento e oitenta e quatro mil e três.
Desses, novecentos e quarenta mil eram humanos. O resto era uma mistura de krovackianos, orcs que haviam sido vendidos por traição ao próprio povo, elfos capturados, e raças diversas.
Alguns desses nunca mais voltariam ao normal. Alguns já estavam há tanto tempo sob o domínio do Olho que perderam a noção do conceito de liberdade. Outros já tinham sido usados de forma tão intensa como fonte de energia que o corpo estava esfarelando. Mas eles foram tirados. Isso teve que ser dito. Isso teve que ser registrado.
Muitos ativos grandes do Olho caíram nesse ataque.
O próprio Hanzo, membro da Tríade, foi caçado, isolado e morto por Zao Tian. Ele não caiu lutando cercado de aliados. Caiu abandonado porque a prioridade da Trindade não era mais resgatar quem lutava por eles. Era sobreviver.
Outro pilar que caiu foi Khelvar, um arquivista que alimentava a rede de inteligência do Olho com dados roubados de sistemas de comunicação divinos. Ele morreu dentro da própria fortaleza, quando Jaha e Gins, agindo com precisão, destruíram seu refúgio.
Caiu também Asnam’Dur, o forjador que armava os exércitos do Olho. Ele foi destruído por Hildeval na terceira investida.
Caiu a base de Ka-Shenn, no mundo de Mar’Dra, que era onde a Trindade guardava materiais para fazer as marcas de controle da alma.
Mas, mesmo com toda essa limpeza, com a total desestruturação da organização mais nefasta que o mundo já viu, havia uma sombra que não tinha nem a menção de uma possível localização…
A família Shui.
Eles eram os responsáveis por “fabricar” os corpos frios que depois recebiam as marcas da Trindade e passavam a agir como clones perfeitos de gente que já estava lutando do lado certo. Eram eles que tinham o conhecimento os monstros sem memória, mas com habilidades motoras plenas. Eram eles que sabiam reconstruir traços genéticos e disfarçar assinaturas espirituais.
E eles não foram achados.
Foram destruídos os laboratórios que receberam os produtos deles.
Foram destruídos os armazéns que abrigaram os lotes.
Foram destruídas duas fábricas que criavam o equipamento necessário para a reprodução dos clones.
Mas ninguém encontrou os próprios Shui.
O relatório de inteligência que chegou a Zao Tian dizia, de forma sincera e simples: “o paradeiro da família Shui permanece desconhecido; estimamos que estejam em uma região desconhecida, fora da malha comum, ou dentro de um domínio ainda não explorado”.
Isso era ruim.
Porque enquanto eles estivessem soltos, alguém poderia comprar deles outro Cruz, outro Ryuuji, outro Ming Xiao. Não com memória, mas com rosto, cheiro e técnicas básicas. E isso, para uma guerra de desgaste, é veneno.
Ainda assim, a frase que se espalhou nos amuletos, nas bases de Decarius, e nos mundo que apoiavam a humanidade nessa guerra, foi uma só:
“O Olho caiu!”
As estruturas foram derrubadas.
Os planetas-escola foram tomados.
Os investigadores que entravam e saíam de sistemas inteiros sem serem vistos foram mortos.
Os nomes mais perigosos da organização estavam mortos ou escondidos sem espaço para agir.
A guerra, de forma geral, tinha acabado.
Só que ainda havia um ponto em que nada disso tinha peso. Porque ali, o Olho realmente não tinha influência alguma…
O ponto onde Daren estava.
Ele segurava o espaço vazio, entre Decarius e a coalizão orc-krovackiana, junto com Hatori. Não porque quisesse, mas porque era isso ou deixar que uma guerra muito maior começasse no exato momento em que outra estava terminando.
Zao Tian sabia disso. Por isso ele ficou em silêncio por alguns minutos, até que outro amuleto, o de canal reservado, o de alguém que não fala muito, brilhou.
“Shadow.” Ele atendeu.
“Estou na contenção dois.” A voz do batedor veio baixa, mas nítida: “Recuado conforme instrução do senhor Daren.”
“Me atualize sobre a situação com o exército de coalizão..” Zao Tian pediu.
“A linha inimiga está parada. Ainda é a mesma formação: orcs veteranos, krovackianos e alguns mercenários que foram chamados para compor número. Eles não avançam mais, porque Uhr’Gal fechou o caminho.”
“Zargoth está mantendo?” Zao Tian perguntou.
“Sim.” Shadow confirmou: “Ele não recuou nenhum centímetro. Colocou os guerreiros de Uhr’Gal no caminho, e avisou que quem forçar passagem contra Decarius vai morrer. Isso deixou os líderes da coalizão confusos. Não era isso que eles esperavam.”
“E Daren?” Zao Tian perguntou.
“Parado.” Shadow respondeu, e até a voz dele soou respeitosa: “Ele está de pé, junto com Hatori, entre Uhr’Gal e as demais tribos. Não atacaram. Só estão olhando.”
“Há tentativas de aproximação?” Zao Tian perguntou.
Shadow respondeu: “Sim. Alguns orcs e krovackianos se aproximaram e repetiram as acusações anteriores: que é uma traição se aliar a humanos, que se esqueceram da guerra orc, que Decarius comprou povos com promessas, que o Olho foi uma consequência natural da fraqueza dos humanos… essas coisas.”
“E Daren?” Zao Tian perguntou.
“Só ouviu.” Shadow disse: “Ele espera que os orcs resolvam a situação agora.”
Zao Tian conhecia Daren o bastante para entender. Quando Daren esperava, era porque, se ele se mexesse, alguém morria. E ele não queria que fosse ele o gatilho. Não quando a guerra contra o Olho tinha acabado de ser vencida com tanto custo.
“Quantos são?” Zao Tian perguntou.
“Na linha da coalizão?” Shadow fez a conta. “Eles perderam centenas de milhares. Agora, são cerca de setecentos e cinquenta mil guerreiros somados.”
“Setecentos e cinquenta…” Zao Tian repetiu, baixo.
“Esses estão em condição de combate total.” Shadow acrescentou: “Se estourar ali, de novo, serão centenas de milhares de mortos. Essa não é uma guerra que se resolve com um golpe do senhor ou de Daren. Vai ser um campo muito grande. Vai ter pai contra pai. Vão ter planetas pegando fogo.”
“Entendi.” Zao Tian respirou.
“E tem mais uma coisa.” Shadow completou: “Eu vi alguns estandartes diferentes lá atrás. Alguns orcs de chefias menores estão confusos. Estão esperando ver quem recua primeiro. Se Uhr’Gal mantiver, alguns vão voltar. Se Uhr’Gal ceder, todos vão vir.”
“Uhr’Gal não vai ceder.” Zao Tian afirmou.
“Daren também não.” Shadow concordou.
“Então só sobra a gente.” Zao Tian comentou enquanto deixava o olhar cair na estrela e, por um momento, sentia o peso de todos os nomes que tinham sido ditos naquele dia.
Hanzo, morto.
Tyrone, morto.
Yang Gengi, morto.
Generais e comandantes que nunca apareceram na boca dos mais fortes, mas que sem eles esse ataque não teria sido possível, mortos.
Escravos libertados, espalhados, traumatizados.
Planetas queimados.
O Olho arrancado da raiz.
E, mesmo assim, a guerra não tinha terminado.
Porque guerra nunca termina enquanto ainda tem alguém com medo.
“Shadow.” Zao Tian chamou.
“Senhor.” Ele atendeu.
“Permaneça na contenção dois. Não se aproxime mais do que isso.” Zao Tian instruiu.
“Sim.” Shadow confirmou o recebimento da ordem.
“Eu vou resolver esse impasse!” Zao Tian afirmou.
O batedor não discutiu. Apenas respondeu: “Vou passar a posição para o senhor no canal seguro.”
“Faça isso. E, à partir de agora, mantenha em sigilo tudo o que se refere à coalizão.”
Ao término daquele pedido, o amuleto apagou, e Zao Tian ficou só.
Ele afrouxou os músculos do ombro, dobrou o braço e girou o punho, soltando o estalo que vinha prendendo. Depois, ele passou a mão pelo rosto, tirando a sujeira, e respirou o suficiente para se acalmar.
O ataque universal ao Olho tinha terminado.
Agora era hora de impedir que outra guerra começasse no dia seguinte.
