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Capítulo UHL 1125 - Tudo ou Nada

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Tenham uma boa leitura!]


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Naquele mesmo ponto da história, onde a Trindade ainda via tudo desabar, um fio paralelo já tinha sido puxado.


No mesmo dia em que o Olho começou a ruir por fora, quando fortalezas caíram, células foram apagadas e nomes viraram poeira… os três homens se trancaram no único lugar onde ainda se sentiam intocáveis: O Domínio da Miragem Eterna.


Grasel, Yang Yin e Lucke tinham sido mandados para descansar em outros cantos do espelho.


Agora, só eles três estavam ali.


Rachid de pé no centro, com as mãos cruzadas nas costas.


Amin sentado, com as pontas dos dedos tocando o chão, como se estivessem lendo algo invisível ali.


Samir encostado numa coluna “refletida”, ainda com o sorriso leve… mas menor.


À frente deles, o Domínio mostrava o lado de fora.


Enquanto eles estavam em segurança, a rede deles, as veias de informação… tudo sendo cortado, quase de uma vez só.


Rachid observou em silêncio por um longo tempo, mas foi Amin quem quebrou primeiro.


“Não gosto desse tipo de ruído.” Ele comentou, baixo. “É muita coisa sumindo ao mesmo tempo.”


Samir estalou a língua.


“Caos demais por causa de meia dúzia de nomes.” Ele murmurou: “Zao Tian, Vale da Esperança, Uhr’Gal… arrumaram coragem rápido demais.”


Rachid fechou os olhos por um momento.


Quando abriu, a cena no “vidro” espelhado já tinha mudado.


Agora, mostrava outra coisa.


O fim da coalizão.


Um campo de batalha enorme, cheio de corpos de orcs e krovackianos. Bandeiras rasgadas, armaduras quebradas, linhas de batalha que, um dia antes, tinham sido um pesadelo para qualquer mundo.


Agora, eles eram só saldo.


“O cachorro falhou.” Amin disse, sem emoção.


“Anúbis.” Corrigiu Samir, como se desse nome a um objeto: “Nosso ‘Grande Deus’ de aluguel.”


Rachid inclinou um pouco a cabeça, observando o rastro de destruição.


“Ele nem era o plano principal.” Ele murmurou. “Só resolveu morder o que viu andando.”


A superfície espelhada tremeu levemente enquanto as imagens corriam: Vargan’Zul, Uhr’Gal… e o fim do exército que, para quase todo mundo, tinha sido “levantado” por Anúbis.


Só que não.


“Todo o exército da coalizão…” Amin começou, com os olhos fixos no nada. “Cada clã orc descontente, cada voz krovackiana cansada de se segurar… fomos nós que juntamos.”


Samir completou, mas sem o sorriso típico: “Nossos agentes sopraram rancor nas fogueiras, arrumaram líderes, facilitaram encontros, levaram as notícias certas para os lugares certos… e ele só chegou depois.”


Rachid assentiu, devagar.


“Anúbis só viu um movimento em andamento.” Ele disse: “Ele chegou, cheirou sangue no ar, colocou o próprio selo e fingiu que a ideia era dele.”


Amin, com raiva, apertou os dedos.


“A coalizão era uma faca sob a mesa.” Ele falou. “Era pra outro momento. Outro cenário. Outro alvo.”


Samir resmungou: “E agora… ele usou, errou o alvo, perdeu a lâmina… e ainda quebrou a mesa.”


Por um instante, o silêncio foi cheio demais. Os três estavam com muita raiva de Anúbis.


“Se ele tivesse vencido…” Amin fez o exercício pelo pensamento: “Se Vargan’Zul tivesse esmagado Decarius e Uhr’Gal… poderíamos ter virado isso contra os deuses depois. ‘Olhem o monstro que vocês alimentaram. Querem que ele suba?’”


Rachid completou: “Mas ele perdeu.”


“Humph.” Samir cuspiu a palavra como se fosse algo ruim na boca: “Deuses…”


Amin riu sem humor.


“Egocêntricos, imprevisíveis e burros.” Ele disse: “Usam o esforço dos outros, estragam o brinquedo e ainda querem altares.”


Rachid finalmente virou as costas para a superfície espelhada.


“Poderíamos ter impedido, mas Anúbis era nosso peso de apoio.” Ele resumiu. “Não como aliado, porque ele roubou o que era nosso. Como peça descartável. Um deus orgulhoso… perfeito pra levar culpa por qualquer coisa.”


Samir completou: “Se desse certo, a glória ficava com ele e nós desapareceríamos para sempre.”


Amin seguiu o raciocínio: “Se desse errado, sobrava pra ele também. Mas não podia ser desse jeito. Não agora. Não com a nossa estrutura ruindo junto.”


Rachid ficou em silêncio por alguns segundos.


Quando ele falou, a voz estava mais baixa: “Perdemos o Olho… por fora.”


Amin fez um som de concordância.


“As fortalezas se foram.” Ele disse: “Os laboratórios, as células, os pequenos olhos em cada mundo… cortados, um a um.”


Samir, pela primeira vez em muito tempo, deixou o sorriso desaparecer por completo.


“E, com a coalizão destruída…” Ele acrescentou: “Perdemos a última grande carta que não dependia de deuses ou de nós três indo pessoalmente.”


E com aquela constatação, a frase que ninguém queria dizer foi dita, enfim, por Amin…


“Estamos cegos.”


A palavra ficou pendurada no ar.


Era quase um insulto à própria história deles.


Desde que o Olho existia, nada acontecia em lugar nenhum sem que, em algum momento, um relatório, um sussurro, um pedaço de informação chegasse até a Trindade.


Rotas, nomes, tensões políticas, movimentos de deuses… tudo era filtrado, analisado, e usado.


Agora… não havia mais nada.


“Sem mensageiros.” Rachid enumerou: “Sem infiltrados. Sem agentes comprados. Sem generais endividados. Sem serviçais com medo.”


Amin girou devagar a própria mão, como se procurasse algo que não estava mais ali.


“Sem linhas.” Ele acrescentou: “Sem fios pra puxar.”


Samir resumiu: “Estamos… só nós.”


A frase que ele disse não era “pouco”.


Era perigosa.


Rachid passou a mão pelo rosto, uma vez.


“Não gosto disso.” Ele admitiu: “Nunca jogamos às cegas.”


“Jogamos.” Amin corrigiu: “Quando o Olho era só um nome sussurrado. Mas… naquela época, cego era o universo. Nós ainda sabíamos o que estávamos fazendo.”


Samir assentiu.


“Agora, não sabemos o que os deuses estão tramando.” Ele disse: “Nem o que os humanos já descobriram. Nem o que mais caiu onde não vimos.”


Os três ficaram em silêncio.


O tipo de silêncio que costuma preceder decisões idiotas.


Exceto que eles não eram idiotas. E sabiam que, naquele ponto, o mundo não ia esperar.


Zao Tian não ia esperar.


E Rachid foi o primeiro a dizer em voz alta o que os três pensavam: “É tudo ou nada.”


Amin complementou: “Nossa sobrevivência está em jogo.”


Samir finalizou: “E o plano maior não pode morrer junto.”


O “plano maior”.


Aquilo que eles carregavam desde antes do Olho ser símbolo.


Tornar-se algo além de “pessoas”.


Não deuses, não um segundo escalão de ninguém.


Entidades.


Como Gold tinha sido.


Mas não como ele usou esse poder.


Eles queriam o mesmo degrau… para outro uso.


Dominar e reescrever o universo inteiro.


Rachid olhou para cima, para aquele céu espelhado sem cor.


“Não podemos passar os próximos séculos nos escondendo aqui dentro…” Ele disse: “Esperando que a poeira baixe, enquanto o universo se reorganiza sem a nossa mão.”


Amin concordou.


“Se ficarmos quietos.” Ele disse, com uma clareza cruel: “Viramos uma nota de rodapé na história de Zao Tian. ‘Os monstros que caíram enquanto o herói subia’.”


Samir deixou o sorriso voltar, mas agora era fino, cortante.


“Eu me recuso.” Ele afirmou: “Não vou virar cena secundária no teatro de nenhum deus… e muito menos de nenhum humano.”


Rachid encarou os dois.


“Então sobrou o quê?” Ele perguntou: “Não temos mais exército. Não temos mais redes. Não podemos nos esconder e esperar.”


Amin balançou a cabe e respondeu: “Temos deuses.”


Samir completou: “E temos muito ódio aí.”


Rachid imediatamente fez uma careta.


“Nós odiamos os deuses.” Ele lembrou: “Eles são parte do motivo de querermos rasgar o universo e reescrever tudo.”


“Sim.” Amin concordou: “Mas, agora… podemos usar esse ódio.”


Samir explicou: “Não queremos nos aliar de verdade a eles. Precisamos usá-los. Jogar o panteão inteiro em cima da humanidade… enquanto ficamos no escuro, trabalhando no que realmente importa.”


Rachid estreitou os olhos: “Querem colocar os deuses contra tudo… enquanto a gente observa!?”


“É isso mesmo.” Amin assentiu: “Se o panteão descer com força total sobre eles, vai ser ótimo. Vai ser sangrento. Vai ser… barulhento.”


Samir suspirou, quase satisfeito ao imaginar.


“E, no barulho, ninguém olha pro espelho.” Ele disse: “Ninguém procura por três humanos trancados num Domínio que ninguém lembra que existe.”


A ideia que surgiu era cruel, traía a própria raça, mas eles estavam dispostos a seguir em frente, e Rachid não demorou para apontar o principal problema: “Todos os deuses estão no Reino Divino.”


Amin concluiu: “E qualquer humano que tentar se aproximar… vira poeira antes de conseguir abrir a boca.”


Samir acrescentou, como se estivesse narrando um aviso de placa: “Sem mensageiros. Sem intermediários. Sem ninguém para fazer merda. Se quisermos ‘falar’ com um deus… vai ter que ser pessoalmente. Nós três. Cara a cara.”


Os três ficaram calados por alguns segundos, pensando em como é, exatamente, “ir falar com um deus” sem ser obliterado na primeira piscada.


Rachid olhou em volta, para o Domínio.


“Não podemos usar isso como atalho.” Ele alertou, dando voz a outra obviedade incômoda: “Se aparecermos perto do Reino Divino usando o Domínio da Miragem, alguém vai sentir o cheiro.”


Amin acenou em concordância.


“Loki...” Ele murmurou, com o nome saindo com uma mistura de respeito e desprezo: “Esse brinquedo é dele. Não dá pra chegar perto da casa de um deus segurando o tesouro dele na mão.”


Samir completou: “Se algum deles perceber que o Domínio está conosco, não tem conversa. Não tem barganha. Só luta.”


Rachid cruzou os braços.


“Então não podemos ir usando o que temos de mais útil.” Ele resumiu: “Nem mandar intermediários. Nem confiar em um único seguidor que porventura tenha sobrevivido lá fora.”


Amin bateu três vezes com a ponta dos dedos na bochecha, pensativo.


“Isso corta quase todas as rotas e vias seguras.” Ele disse: “Reino Divino é um núcleo fechado. Qualquer aproximação direta é suicídio.”


“Mas os deuses não ficam só no Reino Divino.” Samir lembrou: “Eles têm seus hábitos e demandas… visitas esporádicas a certos pontos fixos. Lugares que contam como ‘neutros’, mesmo pra eles.”


“O Tártaro.” Amin sugeriu, sem entusiasmo: “Ainda é deles…”


Rachid franziu o cenho.


“Se aparecermos lá...” Ele ponderou. “Podemos encontrar… alguém. Um mensageiro. Um deus menor. Alguém que funcione como porta de entrada.”


“Ou podemos encontrar uma patrulha inteira de Grandes Deuses.” Samir retrucou: “E acabar pregados naquela coisa, com os brinquedos quebrados deles.”


Amin não discordou.


“Qualquer rota é uma morte provável.” Ele constatou: “Mas ficar aqui, parado, esperando… é uma morte certa, e mais lenta.”


Rachid passou a língua pelos dentes.


“Precisamos de um deus que aceite ouvir.” Ele disse: “Não um que venha a nos atacar por reflexo. Alguém com o ego ferido, rancoroso demais, competitivo demais… alguém que aceite uma barganha com qualquer um, desde que isso signifique ver outro deus perder.”


Amin assentiu, vendo já o perfil na cabeça.


“Um que goste de truques.” Ele murmurou: “De segredos. De ver a casa dos outros pegando fogo mais do que a própria brilhando.”


Samir sorriu, de volta ao tom quase divertido: “Um deus que pense como nós. Pelo menos um pouco.”


Os três sabiam que havia nomes possíveis.


Mas nenhum deles disse em voz alta.


Não ainda.


Rachid respirou fundo.


“Seja quem for.” Ele concluiu: “Teremos que ir nós três. Sem exército. Sem Olho. Sem bandeira.”


Amin completou: “Sem máscaras.”


Samir fechou o raciocínio: “Tudo ou nada. Ou vendemos nossa utilidade… ou viramos inimigos dos deuses, também.”


Enquanto discutiam, de repente, a imagem de Zao Tian veio na mente dos três, e o rancor ficou ainda maior, assim como a vontade de destruí-lo, custe o que custar.


Samir encarou aquela imagem com um meio sorriso.


“Eles acham que venceram o pior.” Ele comentou: “Acham que o Olho caiu. Que os deuses recuaram. Que o universo está… ficando calmo agora.”


Amin riu friamente.


“Mal sabem eles que o tabuleiro ainda está montado.” Ele disse: “Eles só trocaram algumas peças de lugar.”


“Vamos fazer assim...” Rachid falou, por fim: “Primeiro, garantimos que ninguém nos encontre aqui. Depois, estudamos cada forma possível de aproximação e qualquer ponto onde um deus possa ser forçado a olhar. Quando tivermos um alvo… nós vamos.”


Amin assentiu: “Com uma oferta.”


Samir completou, a voz voltando a ficar leve, quase doce: “Vamos acenar com o que eles mais gostam: destruição, caos… e a chance de esmagar um herói que começou a chamar atenção demais.”


Os três ficaram lado a lado, olhando para o reflexo da realidade.


Do lado de fora, Zao Tian ainda achava que a guerra seguinte seria contra deuses ofendidos.


Do lado de dentro, três homens planejavam empurrar o panteão inteiro sobre a humanidade e acelerar a guerra… só para ganhar tempo suficiente para virar algo pior do que qualquer deus.


Rachid resumiu, num tom quase casual: “Se os deuses são o martelo…”


Amin completou: “E os humanos são o prego…”


Samir sorriu, finalizando: “Nós seremos a mão que bate.”


Com aquela decisão, o Domínio da Miragem Eterna voltou ao seu silêncio.


A Trindade, pela primeira vez em muito tempo, estava sem olhos no mundo. Mas não estava parada.


E, quando três mentes assim decidem que é “tudo ou nada”… o universo costuma descobrir isso da pior maneira possível.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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