top of page
Garanta o seu exemplar.png

Capítulo UHL 1126 - Inescrupulosos

[Capítulo semanal!!! 


ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5


ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.


Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!


Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.


Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz


Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/


Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!


Ps: Link do Telegram atualizado!


Tenham uma boa leitura!]


-----------------------


Os dias seguintes não foram de espera.


Foram de caça.


Sem exército, sem rede, sem Olho… a Trindade fez algo que não fazia há muito tempo: se expor sozinha, em linha reta, pelo vazio.


Eles estavam apenas cruzando o espaço como se estivessem atravessando um deserto escuro.


O Domínio da Miragem Eterna quase não era usado.


De tempos em tempos, eles se recolhiam nele por alguns instantes para descansar, reorganizar pensamentos, mudar discretamente de direção. E voltavam pra fora.


Quanto menos aquele tesouro de Loki aparecesse na superfície do universo, melhor.


Eles estavam caçando deuses.


Ou, pelo menos, algum rastro deles.


E não encontravam nada.


Nenhum avistamento.


Nenhum boato recente.


Nada.


Era como se, depois do recuo para o Reino Divino, o panteão tivesse decidido virar uma estátua e fechar todas as janelas.


“Não gosto disso.” Amin resmungou, em algum ponto do caminho, flutuando sobre o nada: “Nem um único avistamento útil em dias.”


“Eles estão recolhidos demais.” Samir respondeu, logo ao lado: “Quando esses lixos somem assim, normalmente é porque alguém está levando bronca lá em cima.”


Rachid, por sua vez, seguia na frente, em silêncio, guiando o trio como se houvesse uma trilha clara na escuridão.


Não havia, mas ele estava indo atrás da única coisa que lembrava uma pista.


Um sussurro antigo.


Um ponto no mapa que, anos antes, tinha sido marcado por um relatório sem explicação: uma massa vagando sem rumo pelo espaço, que parecia engolir energia espiritual e não respondia a nenhum tipo de leitura externa.


Na época, eles tinham mais o que fazer, e não verificaram.


Agora, porém, eles não tinham mais nada a perder.


“Tem certeza de que é por aqui?” Samir perguntou, depois de mais um salto pelo vazio.


“Tenho certeza.” Rachid respondeu: “Não só pela posição, mas pela sensação.”


Amin também sentia.


À medida que eles se aproximavam daquele ponto, o universo começava a… calar.


Não era o silêncio normal do espaço. Era um silêncio diferente… forçado.


A energia espiritual, que normalmente transitava por tudo, mesmo que fraca, começou a ficar rarefeita. As pequenas correntes invisíveis que percorriam o tecido da criação sumiam, uma a uma, como se alguém estivesse drenando aquilo por baixo.


Nada estava claro, ainda. Até que eles viram…


Os trigêmeos enxergaram uma coisa que não emitia luz própria. Não tinha a graça de um planeta com atmosfera, nem os reflexos de um mundo cristalino.


Era uma massa. Imensa.


Vermelha, escura, como se fosse feita de carne fossilizada e diamante ao mesmo tempo, viajando sem rumo, num caminho que não obedecia a órbitas óbvias, nem a uma gravidade maior.


Era só… um corpo errante no meio do nada.


“Parece um tumor.” Samir comentou, com uma sincera apreciação.


Amin cruzou os braços, calculando.


“É maior do que quando foi reportado.” Ele murmurou: “Será que cresceu?”


Rachid não respondeu.


Ele apenas avançou um pouco mais, até ficar a uma distância segura, onde nenhum deles sentisse a energia espiritual do próprio corpo ser puxada.


Ali, eles pararam.


Os três, lado a lado, ficaram encarando aquela massa vermelha que parecia engolir até mesmo a luz distante das estrelas ao redor.


“É aqui.” Rachid disse, por fim.


Amin fechou os olhos por um instante, e quando abriu, havia algo diferente neles.


“Lembra do dia em que o universo apagou?” Ele perguntou.


Samir riu sem humor.


“Como esquecer?” Ele respondeu: “Num segundo estávamos mexendo nossos brinquedos… e no outro, tudo que era vivo desmaiou.”


Rachid assentiu.


“Lei de Geb revogada.” Ele falou, baixo: “Todos os registros que conseguimos reunir depois diziam a mesma coisa. O deus que segurava uma parte da estrutura do universo simplesmente decidiu soltar as amarras… e todo mundo caiu.”


Amin então apontou com o queixo para a massa vermelha.


“É a mesma sensação.” Ele afirmou: “Tem algo familiar vindo de lá.”


Samir estreitou os olhos, encarando a coisa.


“Você está dizendo que…?” Ele começou.


“Acredito que é Geb.” Amin foi direto: “Ou, pelo menos, parte dele. Não existe mais nada na criação que possa estar selado ali dentro.”


Rachid ficou em silêncio por alguns segundos.


Depois, completou: “Não é só Geb.”


Amin virou o rosto.


“Você também sentiu?” Ele perguntou.


“Luz.” Rachid confirmou: “Tem alguma luz ali… será Heimdall!?”


Graças às memórias de Murdoc, os irmãos conseguiram ligar rapidamente os pontos, já que, depois da luta contra o Coronel Vargas, possuído por Geb, apenas Gaspar retornou, quase morto, e Heimdall nunca mais foi visto.


Samir, diante daquela descoberta, assobiou baixo.


“Então é isso.” Ele resumiu: “O legislador e o guardião… presos… dentro de um tumor vermelho que se alimenta de energia espiritual.”


Por alguns momentos, eles ficaram ali, em silêncio, absorvendo o peso dessa percepção.


Dois pilares de todo o jogo estavam ali.


Geb, que havia imposto leis à matéria, à evolução, às barreiras do universo.


Heimdall, que tinha observado, registrado, mantido o equilíbrio com a própria existência.


Os dois… trancados ali dentro, bem diante deles.


Por alguns instantes, ninguém falou nada.


Os três só ficaram ali, suspensos diante daquela massa vermelha que parecia um erro plantado no meio do universo.


Eles sabiam quem estava lá dentro.


Não sabiam o suficiente sobre o “por quê”. Mas o universo sabia.


E o passado, se tivesse voz, contaria algo assim:


Geb e Heimdall nunca foram “irmãos de causa”.


O primeiro Heimdall nasceu para ver. Para registrar. Para manter o fio da história inteiro. Seu Dom de Onisciência era uma luz que corria por tudo que tinha vida, guardando cada passo, cada crime, cada milagre.


Geb nasceu para limitar. Seu Dom da Lei era uma arma que só podia ser usada duas vezes em toda a existência: uma para criar uma lei absoluta… outra, para revogá-la. Ele escolheu as barreiras do universo, o ritmo das evoluções, os limites da matéria. E passou eras achando que isso fazia dele o eixo de tudo.


Enquanto Odin dormia em um de seus longos sonos, os dois disputaram a liderança de fato do panteão por milênios.


Geb se julgava mais importante, por sustentar os limites da criação.


Heimdall se julgava mais importante, por enxergar tudo e impedir que alguém tentasse burlar esses limites.


O universo seguia, os dois se odiavam, Odin dormia.


E então… apareceu Gold.


Criado, alimentado e torturado como brinquedo por aquele primeiro Heimdall, que o jogava contra monstros e horrores por puro tédio divino, Gold deveria ter sido mais um boneco descartável.


Porém, ele não foi.


Heimdall perdeu o controle do brinquedo e pagou com a própria existência antes da Grande Guerra.


O Heimdall que os trigêmeos ouviam falar nas eras seguintes era outro. Um que nascera com as mesmas funções e poderes… mas tinha decidido se afastar dos deuses, para não repetir o erro e nem deixar que seu Dom fosse usado como ferramenta dos irmãos.


Geb, ao contrário, não podia simplesmente desaparecer na guerra.


Por causa do seu poder, ele não podia ser morto.


Foi só com Pemma Wangchuck queimando a própria alma, no auge da Grande Guerra, que a primeira prisão de Geb foi erguida: um selo no núcleo de Decarius, onde ele ficou amarrado junto com o sacrifício do humano, impedindo que outros deuses criassem ou revogassem leis como a dele de novo.


Milhões de anos se passaram.


Até que Murdoc entrou na Montanha Sagrada de Turop, Hill… e descobriu que aquela prisão existia.


Murdoc escondeu o segredo do Olho. E, com o poder bruto de Vargas, eles violentaram a estrutura do sacrifício de Pemma.


Vargas absorveu o poder de Geb.


Geb, preso demais a si mesmo, acabou cravando a própria consciência dentro do humano.


O resto… já tinha virado uma cicatriz no universo inteiro.


Geb, mesmo limitado, ainda era Geb.


Primeira geração. Canibal de deuses, como todos os Grandes daquele tempo, que tinham devorado os próprios irmãos a mando de Odin, para se tornarem monstros grandes o bastante para se impor sobre criação inteira.


Era esse tipo de coisa que dormia ali dentro, agora. Amarrado junto com um Heimdall que tinha decidido carregar, com as próprias mãos, o peso de corrigir aquela porcaria.


Era sinistro só estar perto daquela coisa, mas nada disso, é claro, a Trindade sabia por completo.


Eles tinham peças. Pedaços arrancados das memórias de Murdoc.


Eles sabiam da prisão de Pemma. Sabiam da libertação feita à força por Vargas. Sabiam que Geb tinha tomado o corpo do Coronel, que Gaspar e Heimdall tinham se metido no meio, que a Lei tinha sido revogada e o universo apagado por um instante.


O resto, eles estavam preenchendo com dedução.


E Amin foi o primeiro a quebrar o silêncio, de novo.


“Se Geb está aí dentro…” Ele começou: “Então a Lei De Geb realmente não existe mais.”


Rachid assentiu, devagar.


“Ele usou a segunda metade do Dom.” Ele concordou: “Criou a lei uma vez, quando Odin mandou. Revogou agora, no fim. Não pode mais recriar nada.”


“Ele é só poder bruto e rancor.” Samir completou: “Um deus sem seu dom… sem a alavanca do universo na mão… mas ainda um monstro que devorou gerações de deuses.”


Amin passou a língua pelos dentes, pensativo.


“Geb solto…” Ele calculou em voz alta: “É um problema até para Odin, talvez!? É um cão velho que não aceita mais uma coleira.”


“E Heimdall é um problema para todo o resto.” Rachid acrescentou: “Se ele sai daqui sem estar sob controle de ninguém… o Dom dele vira uma lâmina sem cabo. E não temos Gold disponível para repetir a brincadeira.”


Samir inspirou fundo.


“E nós?” Ele perguntou, tentando encontrar algum proveito daquela situação: “Onde entramos nesse caos?”


“Na parte errada.” Amin resmungou.


Rachid, por sua vez, olhou de novo para a massa vermelha.


“Murdoc…” Ele começou: “Na Montanha Sagrada, ele não só descobriu que Geb estava preso. Ele entendeu como isso foi feito. Ele sabia que Pemma Wangchuck queimou a própria alma para erguer uma estrutura onde carne, alma e raiz se misturavam. Ele sabia como a prisão foi rompida uma vez. E…” Ele deu um meio sorriso torcido: “Felizmente, ele deixou isso tudo na nossa cabeça antes de morrer.”


Samir entendeu.


“Se quisermos…” Ele concluiu: “Nós sabemos onde mexer.”


Amin completou, a contragosto.


“Sabemos qual tipo de matriz mexer.” Ele detalhou: “Sabemos que essa coisa é feita de diamante transmutado em ‘sangue’, puxando energia espiritual para manter Geb e Heimdall curados e ao mesmo tempo presos. Sabemos que, se quisermos afrouxar as correntes… existe um caminho.”


Ele fez uma pausa.


“Teoricamente.” Rachid acrescentou: “Porque lá dentro tem um Heimdall e um Geb nos olhando.”


Samir riu, seco.


“Teoricamente…” Ele repetiu: “Nós conseguimos abrir as grades de uma jaula que nem o Pai De Todos sabe que existe.”


“Praticamente…” Amin continuou: “Se encostarmos na grade sem cuidado, os primeiros a morrer somos nós.”


Rachid concordou.


“E, se abrirmos demais…” Ele disse, com calma: “Talvez o universo inteiro morra junto.”


Samir deu de ombros. Ele já estava irritado demais com tudo o que estava acontecendo para se preocupar com uma coisa tão simples quanto o universo.


“Então não abrimos!?” Ele declarou: “Ganhamos um presente e não vamos usá-lo!?”


Rachid estreitou os olhos.


"Temos que pensar como podemos usar isso…" Rachid disse, devagar.


Amin ficou em silêncio por alguns segundos, pensando.


Depois, ele falou o que os três já tinham engolido, mas ainda não tinham colocado em voz alta: "Libertamos Geb."


Samir virou o rosto para ele, com um brilho perigoso nos olhos.


"É o que eu estava pensando." Ele disse, quase satisfeito: "Tira ele do caixão, esfrega a chave na cara dele e diz: ‘foram três humanos que te arrancaram da prisão que nem teus irmãos sabiam onde estava’. Ele vai nos dever um favor do tamanho do universo."


Rachid completou, frio: "E esse favor é… ficar de fora da contagem de corpos."


Amin assentiu.


"Se os deuses descerem com tudo sobre a humanidade…" Ele mentalizou: "Deixamos eles se matarem, quebrando mundos e heróis enquanto nós três estamos sob a asa de Geb, ou pelo menos longe de tudo isso. Quando a poeira baixar… continuamos vivos, com um universo sem Zao Tian, sem alianças, sem moralidade no caminho."


Ao escutar aquilo, Samir deixou o sorriso voltar, mais largo dessa vez.


"E aí reerguemos a organização." Ele murmurou: "Não precisa ser com humanos. Tem raças demais por aí precisando de direção. Voltamos pro plano original. Só que com um monstro da primeira geração na folha de contatos."


Rachid não discordou.


"É um bom cenário." Ele admitiu: "Pra nós."


Enquanto isso, Amin girou o punho, como se desenhasse o que vinha a seguir.


"Tem só um problema." Ele disse: "Heimdall."


O nome caiu como uma pedra, e os três olharam de novo para a massa vermelha.


"Se libertarmos os dois." Amin continuou, didático: "Um deus da Lei, mesmo sem Lei, e o guardião da história… nenhum esconderijo serve mais. Ele vê tudo que tem vida. Mais cedo ou mais tarde, ele volta pro mesmo vício: usar gente como brinquedo, oferecer o Dom para os deuses de novo, e brincar de equilíbrio."


Samir fez uma careta.


"Não quero uma entidade vendo tudo que eu faço." Ele resmungou: "Já basta a sensação de estar numa peça escrita por alguém."


Rachid concordou.


"Se Heimdall sair daqui…" Ele concluiu: "A gente não some nunca mais. Toda a ‘aliança’ com Geb vira uma piada. Ele olha pra gente e avisa para o resto."


"Então precisamos de apenas um deles livre." Amin resumiu: "Geb, solto e grato. E o outro… preso."


Samir inspirou fundo.


"Dividir a jaula." Ele disse: "Abrir a porta pra um e deixar o outro trancado."


Amin fez um som baixo.


"Não é simples." Ele avisou: "Parece que parte desse selo foi feito com uma raiz do próprio Salgueiro Da Vida. A estrutura cresceu em volta dos dois, misturando energia, carne e alma. A prisão não foi feita para separar. Foi feita pra engolir."


"Mas Murdoc viu os padrões." Rachid rebateu: "Ele entendeu como Pemma amarrou Geb primeiro. Heimdall se juntou depois, usando a raiz para ampliar a cela. Isso quer dizer que há camadas. O primeiro núcleo é de Pemma. O segundo… é o acréscimo do guardião."


Amin fechou os olhos, tentando enxergar o que Murdoc tinha descrito.


"Camadas." Ele repetiu: "Uma matriz inicial, costurada no corpo e na alma de Geb. Depois, a raiz expandida envolvendo os dois, como um caixão duplo."


Samir entendeu rápido.


"Se mexermos no núcleo certo…" Ele raciocinou: "Podemos afrouxar as amarras de Geb sem mexer nas de Heimdall."


"Em teoria." Amin lembrou, cauteloso.


"Em teoria." Rachid confirmou: "Tudo o que temos são memórias roubadas de um homem que já morreu."


Samir olhou de novo para a massa vermelha, como quem avalia uma bomba.


"E qual alternativa nós temos?" Ele perguntou: "Não mexer? Esperar Odin acordar, os deuses saírem do Reino Divino, esmagarem os humanos e, no caminho, lembrarem que nós existimos?"


Amin balançou a cabeça.


"Ficar parado aqui é morrer de forma mais lenta." Ele admitiu.


"Mexer é morrer de forma rápida…" Rachid completou: "Ou abrir a única porta que ainda nos coloca acima do rebanho."


O silêncio voltou por alguns instantes.


Depois, Samir quebrou com um tom quase leve: "Vamos ser honestos: Geb é perfeito pra nós."


Amin franziu o cenho, mas deixou o irmão continuar.


"Ele não é da geração mimada do panteão atual." Samir enumerou: "É da primeira. Comeu metade dos irmãos, sabe o que é obedecer Odin e odiar isso em silêncio. Carrega a sensação de ter sustentado o universo inteiro nas costas, e depois foi trancado por um humano. Ele entende a raiva, a humilhação… e sabe o que é ser usado."


Rachid completou: "E Heimdall é um lembrete de tudo o que ele detesta."


Amin cruzou os braços.


"Ou seja…" Ele recapitulou: "Se chegarmos para Geb e dissermos: ‘Podemos abrir sua parte da prisão… e deixar seu velho rival apodrecendo dentro da mesma árvore pra sempre’… teremos a atenção dele."


Samir sorriu, fino.


"E, junto da atenção, um pouco de gratidão." Ele disse: "Mesmo monstros têm vaidade. Ainda mais esses."


Rachid assentiu.


"Não vamos nos enganar." Ele advertiu: "Geb não é um ‘aliado’. Ele é uma força. Podemos, no máximo, ficar de lado, na sombra, enquanto ele resolve a conta com os deuses, os humanos e quem mais estiver no caminho."


"Isso é tudo que a gente quer." Amin respondeu: "Estar de lado. Fora da primeira linha de tiro. Enquanto o universo apanha de alguém mais forte do que a gente."


Samir estalou os dedos.


"Então definimos o objetivo." Ele concluiu: "Libertar Geb. Manter Heimdall preso. Apresentar a saída como nossa obra. Vender isso como moeda de troca pela nossa existência."


"Sem mostrar a mão inteira." Rachid completou: "Nunca podemos deixar claro que sabemos tudo sobre o selo. Se Geb achar que não precisa de nós depois… nós viramos comida."


Amin respirou fundo.


"Primeiro passo." Ele disse: "Precisamos confirmar a estrutura. Não por fora, não com esse olhar de longe. Temos que ver a raiz, sentir o padrão da matriz. Isso significa nos aproximar daquele tumor o suficiente para sermos arranhados por ele."


Samir deu um meio sorriso.


"Você sempre gostou de brincar com coisas que podem matar você." Ele provocou.


"Eu aprendi com vocês dois." Amin retrucou, sem humor.


Rachid pensou mais um pouco e decretou: "Hoje, não abrimos nada. Hoje, só encostamos o olho."


Amin assentiu.


"Observamos a casca, os fluxos, os pontos de drenagem." Ele disse: "Depois, voltamos pro Domínio, desenhamos a matriz com o que vimos, comparamos com as memórias de Murdoc. Só quando tivermos certeza de que existe uma camada separável… tocamos."


Samir concordou.


"Até lá, Geb continua dormindo com o inimigo." Ele comentou, olhando a massa: "Enquanto ninguém lá em cima ou lá embaixo suspeita que três humanos estão cogitando quebrar a cela do legislador."


Rachid deu as costas à estrutura.


"Gravem isso." Ele falou, firme: "A partir de hoje, temos dois limites."


Amin levantou o olhar.


"Primeiro." Rachid enumerou: "Não mostramos o Domínio da Miragem perto dessa coisa. Se qualquer deus que ainda vague por aí olhar e ver Loki no reflexo… estamos mortos."


Samir ergueu a mão.


"Segundo." Ele completou, mais sério do que o normal: "Se, em algum momento, alguma coisa der sinal de que Heimdall está acordando… nós recuamos. Não brincamos com gente que enxerga cada canto do universo."


Amin respirou fundo.


"Geb, solto e grato." Ele repetiu: "Heimdall, preso e esquecido. Se falharmos em qualquer uma dessas duas exigências, deixamos essa coisa vagando e fingimos que nunca vimos."


"É isso." Rachid confirmou.


Enquanto isso, lá adiante, o planeta vermelho continuava mudo, indiferente.


Por dentro, raízes sugavam, curavam e mantinham dois monstros acorrentados.


Do lado de fora, três homens que tinham perdido tudo acabavam de decidir que, se o universo ia mesmo cair… eles soltariam a coleira do pior cão que conseguiam encontrar.


Samir então olhou mais uma vez para o tumor e falou, baixo, quase num tom de brinde: "Espera só, Geb… Se tudo der certo, vamos ser nós três a bater na sua cela."


Amin completou: "Nós recuperaremos tudo o que ele nos tirou."


Quando Amin terminou, os três partiram para um lugar que fosse próximo o suficiente da estrutura e, ao mesmo tempo, longe o bastante para agir sem que os dois prisioneiros os observasse.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
bottom of page