Capítulo UHL 1127 - O Segredo de Hakim
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Enquanto três homens encaravam um tumor vermelho vagando pelo vazio, em outra parte do universo, um bloco de gelo segurava o que restava de um Grande Deus.
O silêncio ao redor de Anúbis era o silêncio de um campo de batalha já decidido, onde até o vento parecia ter entendido quem tinha perdido.
Os xingamentos de Gold ainda ecoavam na mente de Zao Tian.
Agora, recuado de novo para o fundo da mente de Zao Tian, Gold permanecia presente como uma lâmina encostada na nuca, respirando com desprezo a cada segundo de existência de Anúbis.
"Se você não o matar, eu mato você."
A frase ainda reverberava dentro de Zao Tian, não como ameaça vazia, mas como um lembrete do tipo de cobrança que Gold fazia.
Yang Hao, Hakim, Ming Xiao, Yan Chihuo e Daren estavam ali, espalhados ao redor do bloco de gelo, observando em silêncio. Não era por respeito a Anúbis. Era por cálculo. Ninguém queria ser o primeiro a sugerir que libertassem um Grande Deus no meio de um planeta que eles mesmos estavam tentando proteger.
Quando a voz de Gold finalmente se calou, um eco áspero ficou no ar. Uma mistura de humilhação, raiva e expectativa.
Foi nesse espaço que Zao Tian entrou.
"Chega."
A palavra cortou o ambiente como um comando técnico, não como um pedido.
Ele deu um passo à frente, parando diante do bloco de gelo que aprisionava Anúbis.
"Vamos matar Anúbis." Zao Tian falou, sem rodeios: "Mas antes, vamos tentar usá-lo para algo útil."
Houve um leve deslocamento de energia espiritual no entorno. Não era poder sendo solto, apenas o reflexo involuntário dos presentes reagindo à decisão.
Yan Chihuo, com a mão ainda pousada sobre o gelo como quem segurava uma bomba viva, franziu o cenho.
"Usar?" Ele repetiu: "Você sabe que tipo de coisa está aí dentro, Zao Tian. Se libertarmos esse lixo…"
"Eu não falei em libertar." Zao Tian cortou: "Falei em usar."
Dentro da mente, Gold fez um som curto, entre o riso e o desprezo.
"Você está propondo uma coisa pior do que a dele." A voz resmungou, fria.
"Sim." Zao Tian concordou, em pensamento, sem qualquer pudor.
Ele então se virou para Yan Chihuo.
"Solte o controle direto sobre o gelo." Ele pediu: "Deixa o resto comigo."
O olhar de Yan endureceu. Ele tinha sido o responsável por congelar Anúbis no coração do planeta, segurando o deus como um espécime raro que ninguém queria deixar chegar perto da superfície. A ideia de retirar qualquer camada de segurança daquele arranjo era… desagradável.
"Você quer que eu solte um Grande Deus no meio desse lugar." Yan resumiu, frio: "Nem você acredita na própria voz."
"Eu quero que você me deixe trocar uma jaula por outra." Zao Tian respondeu, com calma: "A sua é bruta. A minha é… específica."
Ming Xiao, de braços cruzados, avaliava o desenho invisível que Zao Tian já começava a traçar com o olhar.
"Você vai usar aquela matriz." Ele comentou, num tom neutro, sem precisar nomear.
"Vou." Zao Tian confirmou: "E você sabe que ela não combina com mais nada."
Yang Hao, vendo a cena e não entendendo muito bem, respirou fundo.
"Antes de trocarmos uma prisão por outra…" Ele disse, sério: "Eu quero ouvir de você. Se isso der errado, se qualquer coisa sair do controle, você consegue garantir a segurança de todos?"
Zao Tian não olhou para ele quando respondeu.
"Garantir, eu não garanto nada." Ele corrigiu: "Mas posso afirmar, com base em tudo que sei e em tudo que já vi, que não existe cenário em que ele saia daqui inteiro se tentar qualquer coisa."
Ele inclinou a cabeça ligeiramente.
"Se isso não for suficiente, Yang Hao…" Zao completou: "Você mesmo pode me matar depois."
Hakim deixou escapar um suspiro curto, entre o cansaço e a irritação.
"Ele está bastante confiante…" Ele resmungou.
Daren, mais afastado, observava em silêncio.
Ele não fazia perguntas. Apenas encarava o bloco de gelo e Zao Tian como alguém que assiste a um experimento crítico. Quando finalmente falou, a voz veio baixa, mas atravessou todos.
"Se você diz que consegue mantê-lo contido…" Daren comentou: "Não é a integridade dos deuses que está em jogo aqui. É a nossa margem de manobra. Se esse lixo ainda serve para arrancar informação, vale o risco. Eu estarei aqui, também."
Zao Tian apenas assentiu.
"É o suficiente para mim." Ele respondeu.
Ming Xiao, por sua vez, deu um passo à frente, examinando o bloco.
"A matriz que você está cogitando…" Ele disse: "É extremamente específica. Você sabe que, no mundo inteiro, só nós dois conseguimos montá-la nesse nível. E mesmo nós não conseguimos empilhar outra estrutura em cima dela."
"Eu sei." Zao Tian confirmou: "Por isso preciso que o gelo saia. Ela precisa abraçar só Anúbis. Nada mais."
Yan Chihuo apertou os dedos sobre a superfície congelada.
"Se eu tirar o gelo…" Ele insistiu: "Não vai haver segunda chance."
"Eu sei." Zao Tian garantiu: "Por isso estou fazendo agora."
"Antes de mais nada…" Yang Hao voltou a falar: "Eu quero que você deixe algo claro para todos."
Ele olhou ao redor.
"Se esse deus der um passo fora dessa tal matriz…" Yang Hao declarou, sério: "Nós o matamos na hora. Não tem discussão, não tem voto, não tem misericórdia."
"É exatamente isso." Zao Tian reforçou: "Escutem bem."
Ele varreu o grupo com o olhar.
"Vou criar uma matriz ao redor do bloco." Ele explicou, alto o suficiente para todos ouvirem: "Ela vai impedir que Anúbis use energia espiritual dentro do perímetro, desde que ele permaneça nele. Mas para segurar um deus, ela precisa focar inteiramente nessa função, e não vai impedir o movimento. Não vai paralisar os músculos. Não vai bloquear os reflexos."
Ele ergueu a mão e uma película de luz esverdeada começou a escorrer pelos dedos, como linhas de código tomando forma.
"Essa matriz é… incompatível com outras." Zao Tian prosseguiu: "Ou seja, não posso combiná-la com o gelo. Ela precisa abraçar o alvo por inteiro. Por isso, vou pedir que você o liberte. Nós trocaremos um confinamento bruto por um confinamento cirúrgico."
Ele apontou para o chão, onde a luz começou a desenhar um contorno.
"Para funcionar, ela precisa de um ‘alvo’ bem definido. Não posso expandi-la demais. Ela precisa abraçar apenas Anúbis. Nenhum de vocês deve cruzar a borda interna. Vocês ficam do lado de fora, onde a matriz não entra em conflito com suas próprias técnicas."
"Ele vai poder andar?" Yan Chihuo perguntou.
"Sim." Zao Tian respondeu: "Músculo não é energia espiritual. É bioquímica, impulsos elétricos. O Dom dele, sim, é problemático. Os dons não dependem de energia espiritual no sentido clássico. É uma função do próprio de cada Grande Deus… e do cérebro."
Ming Xiao assentiu com um leve movimento de cabeça.
"Ele vai tentar." Ele comentou: "É automático."
Yang Hao voltou a falar: "E se ele tentar sair da matriz?"
Zao Tian foi direto.
"Se ele chegar perto da borda interna…" Ele disse: "A gente mata ele.”"
Daren acenou em concordância.
"Vai ser como matar uma criança." Ele comentou: "Desde que vocês não romantizem o alvo, isso é simples."
Ninguém discutiu mais, e a matriz começou a ser montada.
Linhas de luz se expandiram, desenhando no ar símbolos, vetores. Era como uma planta técnica, montada com uma precisão clínica.
Cada traço se conectava a outro, criando um anel translúcido ao redor do bloco de gelo. Depois, outro. E mais outro, formando um casulo quase invisível que só se revelava quando a luz refletia num ângulo específico.
"Essa matriz…" Zao Tian explicou, enquanto desenhava: "É um filtro de conversão. Tudo que tentar se organizar como energia espiritual dentro desse perímetro vai ser quebrado em ruído, dissipado como calor inofensivo."
Ming Xiao acompanhava cada símbolo.
"Está limpo." Ele avaliou: "Sem brechas."
"Dessa vez, eu não quero limpo." Zao respondeu: "Quero funcional."
Quando Zao Tian finalmente terminou, a matriz se fechou com um último estalo de luz.
O bloco de gelo agora estava envolvido por um anel translúcido, quase invisível. Quem não soubesse onde olhar, veria apenas um brilho discreto no ar.
"Chihuo..." Zao chamou, pela última vez.
Dessa vez, ele assentiu e recolheu, de fato, o poder.
O gelo começou a rachar.
Pequenas fissuras, primeiro. Depois, linhas maiores cruzando o bloco como veias prestes a explodir. O ar ao redor se encheu de pequenos estalos, como ossos quebrando sob pressão.
Com um estrondo, a estrutura finalmente cedeu.
Fragmentos de gelo voaram em todas as direções, mas foram contidos por uma camada auxiliar da matriz, que redirecionou os estilhaços para o alto, onde se desfizeram em vapor.
No centro da nuvem gelada, Anúbis acordou e caiu de joelhos.
Ele não tinha o brilho opressivo de antes. O corpo estava inteiro, mas… pesado. Como se cada músculo estivesse saindo de um coma forçado.
Por um breve instante, o silêncio foi absoluto.
Então, o instinto antigo entrou em ação.
Anúbis levantou o rosto.
Os olhos ociosos do Grande Deus varreram o entorno com a certeza automática de quem nunca precisou checar se estava em vantagem. A boca dele, então, se contraiu num rosnado silencioso.
E ele ergueu a mão.
O gesto veio rápido, como sempre tinha vindo. Uma invocação simples, quase banal para ele: puxar a energia espiritual ao redor, moldar, e esmagar o primeiro humano que ousasse estar na frente dele.
Infelizmente, para Anúbis, nada aconteceu.
A energia espiritual ao redor, em vez de obedecer, parecia… ignorá-lo.
A matriz de Zao Tian apenas converteu a tentativa em calor, com um deslocamento mínimo de temperatura que fez o ar tremeluzir por um segundo… e só.
Anúbis abriu e fechou os dedos.
De novo, nada.
Foi ali que o primeiro traço de surpresa real atravessou o rosto dele.
"Continue." Zao Tian falou, quase calmo: "Vai testar todos os comandos básicos até a ficha cair. Eu espero."
Anúbis girou o pescoço na direção da voz.
Viu Zao Tian parado do lado de fora da borda luminosa, com as mãos atrás das costas, olhando para ele como um técnico olha para uma máquina defeituosa. Ao lado, Yang Hao, Hakim, Ming Xiao, Yan Chihuo e Daren o encaravam sem qualquer reverência.
"Humano." Anúbis cuspiu a palavra como veneno. E então parou de tentar puxar energia espiritual.
Talvez por hábito, talvez por desespero, a segunda coisa que ele tentou não foi um soco, nem um chute.
Foi o Dom.
O Julgamento.
Aquilo era uma função da própria existência. Bastava querer. Bastava apontar. Bastava decidir. E dentro da mente de Anúbis, sinapses começaram a disparar.
Zao Tian, porém, viu tudo.
Não com os olhos físicos, mas com a leitura fina da luz atravessando o campo, mapeando micro variações de potencial elétrico dentro do crânio do deus. Ele tinha passado anos lidando com padrões neurais, e sabia reconhecer o trilho de uma reação quando ele se formava.
Aquilo era muito específico.
Um surto coordenado em determinadas regiões, uma convergência de sinais na interface do córtex, uma espécie de "trilho" pelo qual toda a concentração convergia.
Assim que o primeiro trecho desse trilho brilhou, Zao Tian se moveu.
Não houve grito de aviso, não houve ordem.
Apenas um feixe de luz que saiu do ponto em que ele estava parado.
Parecia fino demais para causar qualquer dano, mas ele atravessou a borda da matriz sem distorção, cruzou o espaço entre os dois num intervalo que os olhos comuns não conseguiam acompanhar… e atingiu Anúbis.
*Splaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
Na perna direita.
Da altura da coxa para baixo, o membro simplesmente deixou de existir.
Não houve corte limpo. Não houve explosão dramática. Houve desintegração.
Carne, osso, ligamentos, tudo aquilo foi quebrado em camadas microscópicas, dissolvendo-se no chão como um borrão escuro e depois virando poeira fina.
O grito veio um instante depois.
Um urro rouco, rasgado, que não tinha nada de divino. Era o som mais primário que um ser vivo podia produzir quando percebe que parte do próprio corpo desapareceu.
Anúbis tombou para o lado, apoiando-se com as mãos, com sangue escorrendo em jatos irregulares até que a matriz, de novo, começou a trabalhar: os fluidos que tocavam a borda interna se desmanchavam em nada, impedindo qualquer tentativa de sujeitar o exterior.
Zao Tian falou por cima dos gritos, sem elevar a voz.
"Primeira tentativa de usar o Dom…."
Ele enumerou como se estivesse fazendo anotações.
"Resposta: amputação da perna direita."
Hakim soltou um sopro curto.
"Isso funciona." Ele murmurou.
Dentro da mente, Gold parecia satisfeito.
"É assim que se fala com eles." Ele comentou.
Anúbis demorou alguns segundos para processar qualquer coisa além da dor.
Quando finalmente conseguiu, os olhos dele estavam cheios de um ódio que tinha milênios de acúmulo.
"Eu vou matar cada um de vocês." Ele rosnou, com a voz falhando: "Eu vou arrancar o espírito de cada humano desse planeta, eu vou…"
"Não." Zao Tian interrompeu.
Yang Hao e os outros ficaram calados. Não havia motivo para acrescentar nada.
"Você não vai fazer nada." Zao Tian afirmou: "Você não tem Dom. Não tem energia. Não tem legiões. Não tem panteão. Não tem nada."
Ele apontou para o próprio pé, roçando a ponta da bota na linha invisível da matriz.
"E não tem para onde fugir." Ele completou: "Se tentar atravessar essa borda, vai sentir o corpo desmontar por camadas. A única coisa que te mantém vivo nesse momento é o fato de eu achar útil que continue respirando por um pouco mais de tempo."
Enquanto o humano falava com ele, Anúbis respirava em arfadas curtas.
A dor não o calava. Apenas afinava a voz, deixando o timbre mais agudo, mas não menos venenoso.
"Vocês acham que ganharam alguma coisa aqui?" Ele chiou: "Acham que um planeta medíocre, alguns insolentes e meia dúzia de traidores entre os deuses é o suficiente para mudar o jogo?"
Ele cuspiu sangue no chão.
"Eu tive que vir sozinho porque nenhum dos meus irmãos tem coragem de fazer o que precisa ser feito." Ele continuou: "Eles preferem se esconder e torcer para que o tempo apague vocês. Eles preferem alimentar o Sábio… enquanto o rebanho humano se espalha pelo universo como uma praga."
Hakim travou no lugar.
Aquela única palavra ficou pendurada no ar como se tivesse peso próprio.
"Sábio…?"
Ele não percebeu que falou em voz alta até sentir alguns olhares virarem na sua direção.
Anúbis sorriu torto, apesar da dor.
"Te incomodou, humano?" Ele sussurrou: "Ótimo."
Hakim deu um passo à frente sem pensar.
"Quem é?" Ele perguntou, com a voz mais alta do que pretendia: "Esse Sábio que vocês ‘alimentam’?"
Anúbis apenas virou o rosto, como se não valesse o esforço responder.
"Você não ia entender." Ele desprezou.
Yang Hao, vendo aquilo franziu levemente o cenho.
"Hakim." Ele chamou, num tom de aviso.
Hakim não respondeu de imediato.
O campo, o gelo quebrado, o sangue de um deus… tudo pareceu recuar um pouco. Na cabeça dele, outra lembrança empurrou a cena atual para o fundo: um pátio silencioso, com paredes claras demais e uma voz tranquila desmontando o mundo inteiro em frases simples.
Um ser, com nada de divino na postura, mas com um olhar que pesava milênios.
Ele engoliu em seco só de pensar naquilo.
"Não pode ser." O pensamento inevitável veio como um tapa: "Não aqui. Não desse jeito."
"Hakim." Dessa vez foi Zao Tian que chamou.
Ele virou o rosto lentamente, mas não respondeu.
"Você reconhece esse título?" Zao Tian perguntou, direto.
Por um instante, Hakim quase disse.
Quase jogou tudo no chão ali mesmo: o nome, a imagem que guardava da Singularidade, a possibilidade absurda que tinha acabado de atravessar sua mente.
Mas a garganta fechou.
"Não." Ele respondeu, rápido demais: "Só não gosto de ouvir covardes usando palavras grandes."
O silêncio seguinte foi curto, mas pesado.
Zao Tian entendeu que ele escondia algo e o encarou por mais um segundo, como se estivesse decidindo se invadia ou não a mente do rei naquele exato momento. No fim, ele baixou ligeiramente o olhar de volta para Anúbis.
"Então deixamos esse assunto para depois." Ele concluiu.
Hakim assentiu, mas seu corpo inteiro negava.
Um nome ficou martelando na base do crânio, encaixando-se exatamente onde não deveria. Não importava o quanto ele tentasse empurrar a lembrança para longe, o contraste era óbvio demais: Um deus mutilado, cuspindo ameaças no chão de um planeta mortal. E, no outro extremo da memória, alguém que ele jamais queria ouvir daquele tipo de boca.
Ele respirou fundo, uma, duas vezes.
"É coincidência." Ele insistiu para si mesmo: "Tem que ser."
Ainda assim, enquanto Zao Tian voltava a falar com Anúbis, as palavras foram ficando distantes. E Hakim já não estava ouvindo direito.
Ele só conseguia repetir, como um ruído incômodo, a mesma pergunta:
"E se não for?"
