Capítulo UHL 1142 - Silêncio
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Depois de atravessar uma multidão de olhares ameaçadores e provocações constantes, Zao Tian, Shara’Kala e Zao Rei seguiram para o local onde os líderes estavam preparados para a reunião.
Quando entraram lá, eles viram que o salão principal de Uhr’Gal não tinha o tipo de silêncio que se conquista com respeito.
Tinha o silêncio que existe dois segundos antes do primeiro golpe.
Zargoth havia escolhido aquele lugar porque era grande o bastante para comportar comitivas inteiras, e porque, naquela parte do planeta, as tribos mais antigas reconheciam a estrutura como “neutra” o suficiente para que ninguém pudesse dizer que estava em desvantagem.
Ainda assim, neutralidade não existia ali.
O ar já vinha pesado do lado de fora, mas, quando as portas se fecharam, a pressão virou outra coisa.
As presenças se comprimiram.
Os pensamentos ficaram mais altos do que as falas.
E as falas, mesmo quando eram “diplomáticas”, carregavam dentes.
Zao Tian entrou sem fazer cerimônia.
Zao Rei veio um passo atrás, tentando manter o ritmo sem parecer pequeno demais no ambiente mais hostil que ele já pisou na vida.
Shara’Kala caminhava ao lado deles, como um ponto de referência que alguns orcs ainda tinham dificuldade de ignorar.
A sala inteira percebeu os dois humanos no mesmo instante.
E a reação foi imediata.
Murmúrios viraram risadas curtas.
Risos viraram palavras.
E palavras viraram uma fonte de despejo de ódio e menosprezo.
“Olha aí.”
“Dois.”
“Só dois, e ainda assim o cheiro já incomoda.”
“Vieram sem um exército?”
“Vieram sem vergonha.”
Enquanto isso, Zargoth estava no centro da organização do evento, e como anfitrião, o peso de manter aquilo em pé caía sobre ele.
Ele não pediu silêncio de imediato.
Esperou o ruído gastar um pouco da própria energia, como se soubesse que, se tentasse cortar de uma vez, só faria o fogo procurar outra saída.
Os nomes grandes de todos os lados estavam presentes estavam presentes.
Krovackianos que, mesmo entre os próprios, eram tratados como decisões de guerra, não como indivíduos.
Orcs de tribos que, fora dali, jamais dividiriam um teto sem desenhar rotas de fuga.
E, acima de todos, dois que o público de Decarius conhecia bem, mesmo que por ódio e medo.
Zargoth, atual khan de Uhr’Gal.
Vargan’Zul, chefe krovackiano que tinha tentado transformar Decarius em um alvo e tinha deixado parte do próprio povo morto contra Daren e Hatori.
Vargan’Zul estava sentado como se a cadeira fosse um insulto.
A comitiva dele ocupava espaço demais, de propósito.
E, do outro lado, havia orcs que faziam questão de não ceder um centímetro nem no olhar.
Zargoth ergueu a mão.
“Chega.” Ele disse.
Não foi grito.
Foi comando.
O barulho diminuiu, mas não sumiu.
Só virou murmúrio, o tipo de murmúrio que deixa claro que a obediência é temporária.
Zargoth olhou para a mesa central, onde símbolos de clã tinham sido entalhados, não para decorar, mas para marcar território dentro do próprio território.
“Esta reunião existe por um motivo.” Ele disse. “Três motivos, na verdade. Paz. Cooperação. E troca.”
Ao mesmo tempo que Zargoth terminou de falar, um líder orc de uma tribo de outro planeta cuspiu no chão, sem fazer esforço para esconder.
“Paz.” Ele repetiu, como se fosse uma palavra estrangeira.
Um krovackiano riu do outro lado.
“Paz é o que os fracos pedem quando o dente cai.”
Um orc respondeu na hora:
“Fraco é quem tenta morder Decarius e quebra a boca no demônio.”
Mais risadas soaram.
Mais ruído surgiu.
Zargoth apertou a mão sobre a mesa, mantendo o controle por teimosia.
“Antes que transformem isso aqui num ringue…” Ele disse, e o olhar dele varreu a sala: “Nós vamos falar do ponto central.”
Vargan’Zul se inclinou para frente e interrompeu, como se o anfitrião fosse um detalhe.
“Eu quero ouvir os humanos primeiro.” Ele disse. “Quero entender por que dois animais de pele mole acham que podem pisar aqui e pedir que as espécies que governam mundos sigam regras humanas.”
A palavra “animal” saiu com intenção.
O efeito foi imediato.
Orcs riram.
Krovackianos riram.
E alguém do lado orc soltou, alto o bastante para atravessar tudo:
“Olha quem fala.”
Vargan’Zul virou o rosto, e, por um momento, o ruído da sala virou uma linha fina.
“Repete.” Ele disse.
O orc que falou não recuou.
“Eu disse: olha quem fala.” Ele repetiu: “Chefe de expedição que levou a própria tribo para morrer e voltou com a cauda entre as pernas.”
A sala explodiu em gargalhadas, vaias e xingamentos.
Alguns krovackianos bateram na mesa, irritados.
Outros, ainda mais cruéis, riram junto, como se a humilhação de Vargan’Zul servisse também para resolver disputas internas.
Vargan’Zul, por sua vez, mostrou os dentes.
“Na próxima vez que eu for a Decarius…” Ele disse: “Eu não vou mandar um exército. Eu vou sozinho. E vou arrancar o coração do demônio com as minhas mãos.”
Um líder krovackiano, de outra comitiva, soltou um riso curto.
“E depois vai dizer que venceu porque conseguiu correr de volta.”
Isso foi pior do que qualquer crítica.
Foi uma ironia vinda de dentro.
A expressão de Vargan’Zul ficou pesada na mesma hora.
“Você quer me chamar para a briga aqui?” Ele perguntou.
O outro krovackiano não levantou.
Só inclinou a cabeça.
“Eu quero que você cale a boca e aceite que virou uma piada.” Ele disse. “Você queimou guerreiros demais por orgulho e fraqueza.”
Quando o foco da reunião mudou drasticamente, Zargoth bateu a mão na mesa uma vez, para cortar o escalonamento.
“Chega.” Ele disse, agora mais duro: “Vargan’Zul. Você vai falar quando for a sua vez. E você…” Ele apontou para o outro krovackiano: “Vai segurar sua língua no lugar, a menos que queira que eu considere isso uma declaração de força dentro do meu salão.”
O líder krovackiano recuou, não por medo, mas por política.
O orc que tinha provocado Vargan’Zul riu de novo, satisfeito.
Zao Tian permaneceu em silêncio.
Ele não respondia nem aos insultos, nem às afrontas de poder.
Ele apenas observava e continuava sentado.
Zao Rei também ficou quieto, mas nele a quietude vinha com um tremendo esforço.
A garganta dele subia e descia como se cada palavra ouvida fosse uma pedra que alguém tentava empurrar por dentro.
“É esse aí?” Um orc perguntou, em voz alta, sem pudor, apontando na direção de Zao Rei: “O refém humano?”
Alguém do lado krovackiano respondeu, rindo:
“Isso não é um refém. É uma sobra.”
Outra voz, orc, veio na sequência:
“Nem cultivo tem.”
“Nem serve para escudo.”
“Não serve nem para moeda escrava.”
Zao Rei era insultado, mas não se mexeu.
Ele ficou exatamente onde estava, ao lado do irmão, e deixou a sala descarregar o que tinha acumulado por dias.
Zargoth respirou fundo e tentou trazer o foco de volta.
“A troca de reféns foi acordada.” Ele disse: “A presença dele aqui…” e apontou para Zao Rei: “É parte do que foi decidido.”
Uma líder orc, de uma tribo conhecida por vender mercenários para guerras alheias, levantou o queixo.
“Decidido por quem?” Ela perguntou: “Por você? Por uma dúzia de khans que acham que Uhr’Gal agora manda em todos os mundos orcs?”
Zargoth não caiu na provocação.
“Por representantes de várias tribos que aceitaram vir.” Ele respondeu.
A líder cuspiu uma risada.
“Representantes...” Ela repetiu. “Você quer dizer os covardes que têm medo do Demônio.”
Um coro de vozes concordou e discordou ao mesmo tempo.
Alguns orcs bateram na mesa, irritados.
Outros, mais pragmáticos, tentaram cortar aquilo.
Um ancião orc, com voz paciente, falou:
“Todo mundo aqui tem medo de alguma coisa.” Ele disse: “Se não tem, é porque já morreu por dentro.”
Um krovackiano respondeu logo:
“Eu não tenho medo de demônio nenhum.”
Um orc riu na cara dele.
“Então você não viu o que o demônio fez com os seus!” Ele disse: “Ou viu e prefere mentir para continuar andando com o peito aberto.”
Vargan’Zul, que perdeu muitos soldados na batalha contra Daren, bateu a mão na mesa.
“Chega!” Ele rosnou: “Quem quiser me chamar para a briga, levanta agora. Eu arrancarei a sua cabeça e usarei como taça.”
Alguns prontamente se levantaram.
Não por coragem, mas por instinto de hierarquia.
Porque, naquele ambiente, deixar uma ameaça no ar sem resposta era aceitar a submissão.
Zargoth se levantou também, e o som do banco raspando foi alto o suficiente para cutucar a tensão.
“Eu disse que isto é um salão de reunião.” Ele falou: “Não é uma arena. Quem levantar para brigar aqui, vai brigar comigo primeiro.”
Isso segurou metade.
A outra metade continuou em ebulição.
Shara’Kala se levantou, antes que a gritaria virasse ação.
“Vocês querem brigar…” Ela disse: “Porque brigar é mais fácil do que admitir que nenhum de vocês consegue vencer o que está vindo.”
Alguns orcs voltaram o olhar para ela com desprezo.
“Você fala como se ainda tivesse algum direito!” Alguém disse.
Shara’Kala não respondeu com orgulho.
Respondeu com fatos.
“Eu estou aqui porque alguns de vocês ainda sabem que eu não vim para vender Uhr’Gal e os orcs.” ela disse: “Eu vim para impedir que transformem isso num cemitério.”
Um krovackiano riu feito louco.
“Isso aqui já é um cemitério!” Ele disse: “Só falta alguém terminar o serviço.”
Foi aí que o salão virou uma chaleira.
Orcs gritaram.
Krovackianos gritaram.
E, no meio disso, as palavras “humanos” e “Decarius” eram jogadas como se fossem insultos e pretextos ao mesmo tempo.
“Macacos.”
“Vermes.”
“Pelados.”
“Praga.”
“Gente que acha que respira por mérito.”
“Gente que vive porque alguém ainda não decidiu pisar em cima.”
Nenhum dos adjetivos voltados aos humanos era bom.
Zao Rei ouviu tudo. E, como previsto, o foco dele como um “humano sem cultivo” virou um ponto fácil.
“Olhem para ele.” Uma voz orc disse: “Isso aí é uma subespécie até para um humano.”
Um krovackiano completou: “Um sem cultivo que vale nem o ar que está respirando.”
Um terceiro, do fundo, riu como quem se diverte com crueldade simples: “E esse é o ‘valor’ da paz. Um pedaço de carne sentado, achando que é garantia.”
Zao Rei não respondeu. E ele nem podia fazer qualquer coisa contra aqueles que o ofendiam.
Impotente e com medo, ele apertou os dedos, por baixo da mesa, como se segurasse o impulso de sair correndo dali e o mantivesse preso dentro do próprio corpo.
Zao Tian também permaneceu quieto.
Ele apenas deixava correr.
Não porque aquilo não o atingisse, mas porque ele sabia que retrucar só daria aos presentes algo que a maioria queria desde o início: um motivo para transformar aquela reunião em um argumento de guerra.
E, ainda assim, o salão parecia decidido a entregar uma guerra com ou sem motivo.
Zargoth tentou trazer o centro de volta mais uma vez.
“Vocês vieram aqui para quê?” Ele perguntou, elevando a voz: “Para xingar e medir o pau? Ou para decidir um acordo que pode impedir que seus planetas virem alvo do próximo ataque?”
Um líder krovackiano de um clã menor respondeu, quase gritando:
“Meu planeta não precisa de acordos com nenhum humano!”
Um orc respondeu por cima:
“Seu planeta não precisa de acordos com nenhum humano, mas precisa de sorte para não cruzar com um exército de verdade. Principalmente com o Demônio que humilhou aquele ali.”
Vargan’Zul, alvo de uma discussão que ele nem tinha começado, explodiu:
“O Demônio não é o único problema!” Ele gritou. “Vocês ficam repetindo o nome dele como se fosse um deus. Ele sangra! Ele cai! Eu só não terminei porque os covardes ao meu lado fugiram quando a coisa ficou séria!”
Alguém do lado krovackiano soltou um riso, alto, como quem joga uma lâmina:
“Você não terminou porque teve medo de morrer e resolveu abaixar a cabeça.”
O salão virou uma cúpula de gritos, denovo.
Zargoth tentou se manter como eixo, mas era como segurar uma avalanche com as mãos.
E foi nessa altura que Zao Rei, sem perceber, olhou para o irmão.
Não era um pedido de proteção. Era o olhar de quem pergunta: “Até quando?”
Zao Tian respondeu com silêncio.
E aquele silêncio, de tão firme que era, começou a incomodar.
Porque, para qualquer animal político, silêncio em meio ao caos ou é fraqueza, ou é preparo.
E eles não sabiam qual era.
Foi aí que um orc cuspiu a frase que parecia inevitável: “Ele se cala porque tem medo.”
Um krovackiano completou: “Ele está calado porque sabe que, se falar, apanha.”
Um terceiro, de outra tribo orc, riu: “E o irmão dele cala porque nem palavra tem. Pelo menos a subespécie sabe onde é o seu lugar.”
Eles falaram muito, e continuaram por alguns minutos. E foi aí que Zao Tian finalmente se mexeu.
Não foi nenhum gesto grande. Foi só o movimento de alguém que decide que já ouviu o suficiente.
Então, ele se levantou. E, por um instante estranho, a dinâmica do salão mudou sem que ninguém entendesse o porquê.
Até aquele momento, os presentes estavam brigando entre si, mas quando Zao Tian ficou de pé, a briga começou a procurar um novo eixo.
Calmamente, ele olhou para todos.
Sem pressa.
Sem escolher nenhum alvo rápido, como se estivesse dando a cada um a chance de ser lembrado quando a memória daquele dia voltasse.
Quando ele finalmente falou, a voz dele não foi alta.
Foi clara.
E, mesmo assim, atravessou o salão como se não houvesse paredes.
“Vocês acham que a paz está sendo proposta para salvar a humanidade.”
O barulho diminuiu um pouco, como se a frase tivesse puxado o ar para dentro de todo mundo.
Zao Tian continuou.
“Vocês estão errados.”
Ele deixou as palavras se assentarem.
“A paz está sendo proposta para salvar vocês.”
No mesmo instante, uma onda de protestos começou a nascer, mas ele não deu tempo para o salão montar um coro.
“Se o silêncio que eu mantive até agora pareceu medo para vocês…” Ele disse: “É porque vocês não sabem reconhecer contenção e pena!”
A sala reagiu com xingamentos.
Zao Tian, contudo, não parou.
“Eu fiquei calado…” Ele afirmou: “Porque eu não queria matar todos vocês.”
O protesto subiu.
Zao Tian, porém, não aumentou o tom.
Só aumentou o peso das palavras.
“Eu propus o tratado… porque eu não queria matar suas famílias.”
Algumas comitivas se mexeram, prontas para lutar.
“Eu não queria transformar seus planetas em exemplos e cemitérios.”
Vargan’Zul bateu na mesa e gritou algo, mas o som foi engolido pelo crescimento do tumulto.
Zao Tian, ainda estranhamento calmo e sério, encarou a sala como quem encara um campo inteiro e não tem medo algum.
“Vocês confundem calma com medo…” Ele disse: “Confundem silêncio com fraqueza. E é por isso que vocês continuam repetindo os mesmos ciclos de guerra: porque não conseguem imaginar alguém segurando o próprio poder para impedir que o mundo piore.”
Um líder orc gritou:
“Quem você pensa que é para falar assim com khans?”
Zao Tian respondeu sem mudar o rosto.
“Eu sou o homem que decidiu propor um tratado antes de decidir exterminar o problema. Antes de decidir exterminar vocês!”
A sala veio abaixo.
Se aquilo era uma bomba de pavio curto, Zao Tian tinha acabado de acendê-la e jogado gasolina em cima.
Gritos de protesto começaram; insultos dominaram o ambiente; mesas batendo; alguns orcs ficaram de pé; alguns krovackianos também ficaram de pé.
Zargoth tentou se levantar de novo para cortar, mas o movimento já tinha passado do ponto em que o anfitrião ainda tinha controle.
Zao Rei ficou imóvel vendo o irmão acender aquele barril de pólvora com uma calma assustadora.
Ele ouviu o próprio nome ser cuspido.
Ouviu mais uma vez a palavra “subespécie”.
Ouviu promessas de arrancar a língua dele e de seu irmão.
E viu, pela primeira vez, como uma reunião histórica podia virar um corredor estreito para a guerra em menos de um minuto.
Por alguns segundos, enquanto era xingado, Zao Tian manteve a mão sobre a mesa.
E então bateu.
Uma única vez.
Forte.
E a mesa partiu.
*Craaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaash…*
A madeira grossa e o que havia de metal nela se despedaçaram, e o som fez o salão inteiro engolir a própria voz por instinto, como se todo mundo tivesse lembrado que, ali, as ameaças não eram discursos.
Zao Tian franziu o cenho, olhou para os presentes por cima dos pedaços, e a voz dele saiu como ferro.
“Ou vocês começam a selar a porra da paz e fazem a troca de reféns…”
Ele fez uma pausa curta, o suficiente para que o cérebro de cada um terminasse de entender que aquilo não era teatro.
“Ou declaram guerra aqui mesmo!”
Assustados, todos olharam para Zao Tian, mas por incrível que pareça, ninguém disse uma única palavra.
Zao Tian então terminou o que tinha a dizer, ou melhor, avisar: “E aí vocês descobrem se eu estou falando a verdade ou não.”
Ninguém respondeu.
Não porque concordava, mas porque, por um momento, o salão inteiro entendeu a mesma coisa ao mesmo tempo.
Que o silêncio dele nunca tinha sido medo, tinha sido uma escolha. E, do jeito que ele estava de pé, com a mesa em pedaços e os olhos firmes em todos os presentes, parecia claro demais que aquela escolha acabara de terminar.
O salão, que tinha começado o dia com mais barulho do que já sonhou abrigar, agora estava mudo.
