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Capítulo UHL 1147 - Grandes Nomes

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Tenham uma boa leitura!]


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Quando a porta se fechou e o corredor do lado de fora virou apenas um som distante, a impressão de que estavam “acolhidos” se quebrou de vez.


O espaço destinado à comitiva era amplo, limpo, organizado demais para ser casual. Havia lugares para sentar, água disposta, até uma ordem silenciosa no modo como tudo estava arrumado.


E, ainda assim, parecia um quarto de espera de julgamento.


Ye Yang ficou perto de uma das aberturas, sem encostar, apenas sentindo a circulação de energia no lugar como quem sente a corrente de um rio sem precisar ver a água.


Gins andou dois passos, parou, e decidiu ficar de braços cruzados, imóvel, como se qualquer movimento desnecessário pudesse virar um argumento contra eles.


Kyon manteve a respiração baixa, e o olhar atento não saía do que não era visível: o padrão do ambiente.


Raya caminhou pelo espaço como um animal preso que tenta fingir que não está preso. Ela não tocou em nada. Não mexeu em nada.


Ela só olhava, irritada demais para admitir que também estava cautelosa.


Yan Chihuo permaneceu de pé, com a postura moldada para carregar a tensão dos outros sem aumentar a própria.


Nallrian foi a primeira a quebrar o silêncio.


Ela parecia mais incomodada do que gostaria de demonstrar, e isso, vindo dela, significava muito.


"Eu esperava que fosse… estranho." Ela falou baixo, sem teatralizar.


"Complicado." Ela engoliu seco antes de continuar: "Mas não nesse grau."


Zao Tian não respondeu de imediato.


Ele caminhou até uma das paredes, parou no meio do caminho, e apenas ficou ali, com a cabeça levemente inclinada, como se ainda estivesse ouvindo a frase de Aelthandor ecoando com o veneno escondido.


Convidados formais.


Escolha tardia.


Povo ofendido.


Aquele tipo de ofensa não era improvisada.


Era pensada.


Nallrian soltou outra frase, quase como justificativa para si mesma.


"Eu moro em Decarius." Ela disse isso como se fosse óbvio, mas o peso por trás não era óbvio. Era o tipo de coisa que, para um elfo, podia ser visto como deserção, fraqueza ou traição, dependendo de quem olhava.


"Então…" Ela mexeu o queixo, incerta por um instante: "É compreensível que isso exista."


Yan Chihuo olhou para ela com uma calma que não julgava: "Ainda assim, não era pra ser tão direto."


Nallrian assentiu, e o olhar dela ficou mais distante por um segundo: "Nem todo mundo aqui gosta de lembrar que eu voltei para um mundo que não é o meu."


Raya soltou um riso curto e falou: "Vocês gostam de chamar isso de orgulho."


Kyon respondeu sem olhar para ela: "Orgulho é apenas a superfície."


Zao Tian finalmente falou, e a voz dele saiu baixa, firme, com um tipo de clareza que não vinha da emoção, vinha do instinto: "Para eles deixarem transparecer desgosto de forma tão aberta, a ferida é mais profunda do que isso."


Ele não perguntou.


Ele afirmou.


"Não é só o fato de termos chegado por último." Nallrian sustentou o olhar dele por um instante.


Depois assentiu, devagar, como se estivesse aceitando algo que ela mesma não queria encarar: "Talvez seja."


Ela respirou fundo: "Talvez seja exatamente isso."


Zao Tian virou o rosto um pouco mais para ela.


"E Aelthandor?" A pergunta caiu: "Quem ele é, de verdade?"


Nallrian não sorriu. Ela não tinha carinho naquele nome. Tinha respeito, e respeito não era afeto.


"Aelthandor é um nobre." Ela começou sem rodeios: "Filho de um rei elfo."


Gins fez um som baixo com a língua, como quem entende imediatamente o peso político: "Então ele não está aqui só para recepcionar."


Nallrian respondeu: "Não."


Ela então deu um passo pequeno, como se organizasse a própria memória antes de falar: "Ele é um guerreiro reconhecido entre os nossos."


A expressão dela endureceu um pouco: "E já lutou em batalhas que viraram histórias antes mesmo de você nascer, Zao Tian."


Zao Tian não mexeu o rosto. Ele apenas esperou.


Nallrian continuou, e a forma como ela falava era quase clínica, porque era assim que se falava de um homem que matou muita gente e foi aplaudido por isso: "Ele já lutou contra orcs e contra krovackianos."


"Ele matou nomes grandes dos dois lados."


Kyon inclinou levemente a cabeça e perguntou: "Como quem?"


Nallrian olhou para Kyon e respondeu como se entregar nomes fosse abrir uma porta: "Na guerra do Cinturão de Loryn, ele matou Gar'Mathuk, o General das Sete Presas."


Raya parou de andar por um instante.


O nome não era do conhecimento dela, mas a ideia de um general orc morto por um elfo acendeu algo no olhar dela.


Nallrian seguiu, sem se importar com a reação: "E no Cerco de Varnhollow, ele derrubou Kharzek-Do, o Portador do Martelo Rubro."


Ye Yang desviou o olhar da janela invisível e voltou para o centro do quarto.


"Esses nomes…" Ele falou baixo, como quem já ouviu boatos: "São lendas de campo entre os orcs e krovackianos."


Nallrian assentiu: "E ele os matou."


Ela respirou uma vez, como se lembrasse daquilo com desconforto: "O jeito como ele fala…" Ela olhou na direção da porta por um segundo, como se esperasse que o próprio som chamasse atenção: "A voz macia dele esconde o que mora dentro."


Gins inclinou o queixo e questionou: "E o que mora dentro?"


Nallrian respondeu sem hesitar: "Brutalidade."


A palavra saiu simples, sem drama, e ela ainda completou: "E um guerreiro inteligente."


Ela então olhou para Zao Tian e afirmou: "Um guerreiro nato."


Zao Tian manteve a calma: "Então ele não é só o porta-voz do ressentimento. Ele é o tipo de homem que sabe o que faz quando escolhe uma frase."


Nallrian assentiu: "Sabe."


Zao Tian virou um pouco o rosto, e a pergunta veio como uma lâmina testando o ar: "Existe alguma chance deles quererem resolver isso com batalhas?"


Raya abriu a boca, como se fosse dizer “óbvio”, mas segurou, porque sabia que aquilo não era brincadeira.


Nallrian pensou por um instante, e foi sincera.


"É difícil." Ela respondeu: "Mas não é impossível."


Yan Chihuo estreitou o olhar e perguntou: "Eles fariam isso? Com a diplomacia ainda na mesa?"


Nallrian olhou para ele.


"Elfos não gostam de decidir o destino confiando apenas em uma luta onde tudo pode acontecer." Ela disse isso como quem explica uma cultura inteira em uma frase.


"Eles preferem estruturas."


"Condições."


"Jogos de equilíbrio."


Zao Tian assentiu, e o pensamento dele parecia correr em linha reta: "Então a batalha é o último recurso, mas pode ser usada como pressão."


Nallrian concordou: "Pode."


Kyon se mexeu um pouco, e a pergunta veio com a parte prática que sempre o salvava: "A gente pode sair daqui?"


Nallrian respondeu sem deixar margem para fantasia: "Pode."


Ela apontou com o queixo, não para uma porta específica, mas para a ideia inteira do lugar: "Mas cada movimento está sendo observado."


Ela então olhou para Zao Tian e completou: "Mas eu sugiro evitar qualquer exposição por enquanto."


Gins soltou um som baixo: "Então é um quarto de hóspedes com olhos."


Ye Yang acenou em concordância.


Então, Zao Tian deu um passo pequeno, como se a conversa tivesse chegado no ponto que realmente importava.


"Quem vai estar na reunião?" Ele perguntou como quem não queria o nome de um elfo, queria a história inteira presa ao nome: "Quais são os nomes, Nallrian?"


Ela fechou os olhos por um instante.


Quando abriu, não parecia mais desconfortável.


Parecia preparada.


"Não vai ser só um conselho." Ela avisou: "Vai ser um palco."


E então começou a enumerar, não como quem conta pessoas, mas como quem desenha um mapa de riscos: "O primeiro é Aelthandor, claro."


"Ele vai falar como anfitrião, mas ele também vai medir vocês."


Ela apontou para Yan Chihuo com um olhar breve.


"Principalmente você, porque eles já sabem que você é o eixo dessa proposta."


Yan Chihuo não reagiu com orgulho.


Apenas aceitou o peso como sempre fazia.


Nallrian seguiu.


"A segunda é Maeryn Val’Thalas."


Ela não explicou de imediato, e isso já era uma explicação.


"Ela não é guerreira de linha."


"É diplomata."


"Mas é do tipo que destrói uma reputação com duas frases e um sorriso."


Gins murmurou, quase para si: "Pior do que qualquer pancada."


Nallrian confirmou com um aceno mínimo.


"E a terceira é Saelorian Tyndar."


A voz dela mudou um pouco ao dizer esse nome.


"Ele representa a ala que odeia a concessão."


"Ex-general."


"Não vai admitir que humanos tenham selado a paz com orcs e krovackianos antes deles sem pagar algum tipo de preço."


Raya soltou ar pelo nariz e resmungou: "Preço..."


Kyon olhou para Nallrian e perguntou: "Ele tem força?"


"Tem." Ela respondeu: "E tem seguidores."


Ye Yang falou, atento: "Então ele vai tentar empurrar isso para o campo."


Nallrian assentiu: "Ou para algum tipo de prova."


Zao Tian não interrompeu.


O rosto dele não entregava nada, mas ele memorizava tudo.


Nallrian prosseguiu.


"Haverá também o Arquivista Letharion."


Ela disse o nome como se aquilo fosse uma função, não um homem.


"Ele não luta."


"Ele não grita."


"Mas ele representa o passado."


"Ele vai trazer registros, tratados antigos, promessas quebradas."


"Ele vai querer prender vocês com a história."


Yan Chihuo respondeu no mesmo tom: "Então a gente só responde com o presente."


Nallrian assentiu: "Assim será melhor."


Então, ela respirou fundo antes do próximo nome, porque esse nome tinha um peso diferente.


"Elyndariel."


A palavra caiu no quarto como se fosse um detalhe que imediatamente deixou de ser isso.


Zao Tian ergueu o olhar.


Não de surpresa.


De reconhecimento.


"Elyndariel…" Nallrian confirmou: "Ela tem onze mil anos."


Ela disse isso sem exagero, como se fosse apenas uma medida.


"É conhecida como a Tecelã das Estrelas."


Kyon ficou imóvel por um segundo.


Gins, pela primeira vez, não fez piadas.


Até Raya diminuiu a inquietação por um instante.


Zao Tian falou baixo: "Shara’kala comentou sobre ela um dia desses..."


Nallrian respondeu como quem confirma uma tempestade no horizonte: "Eu acredito nisso, porque o nome dela é amplamente conhecido até entre os nossos inimigos."


"E ela não costuma aparecer pessoalmente em reuniões pequenas."


Ye Yang inclinou o queixo: "E essa com certeza não é uma reunião pequena."


Nallrian assentiu: "Não é."


Ela olhou para Zao Tian e voltou a explicar: "Elyndariel representa o futuro."


"Ela representa o tipo de acordo que eles consideram irreversível."


"Ela não vai perder tempo com desculpas."


"Se ela estiver presente, ela vai querer amarrar um caminho que não dê margem para recuo."


Zao Tian ficou em silêncio por um instante.


Então perguntou, direto: "E o casamento?"


Nallrian não precisou de tempo para responder: "Se a exigência vier, vai vir por ela."


Yan Chihuo soltou o ar devagar e comentou: "Então ela é a chave."


Nallrian concordou: "Ela é a chave."


Contudo, depois, ela acrescentou: "E Aelthandor é o portão."


Gins murmurou: "E os outros são os espinhos."


Nallrian não negou: "São. Eles farão de tudo para tumultuar as coisas."


Depois de escutar aquilo, Zao Tian olhou para cada um, só um instante, como se colocasse todos em posição dentro da própria cabeça.


"Então nós não estamos vindo convencer elfos." Ele disse: "Estamos vindo provar que não somos uma ameaça… sem parecer fracos."


Kyon respondeu: "E você odeia esse tipo de equilíbrio."


Zao Tian assentiu: "Eu odeio."


Yan Chihuo olhou para Nallrian e perguntou: "E a reação deles à sua presença?"


Nallrian não fugiu da responsabilidade: "Vai ser usada."


"Eles vão me citar como exemplo."


"Vão dizer que eu já escolhi o lado de vocês."


Raya rosnou, sem ameaça explícita, mas com raiva: "E você escolheu."


Nallrian olhou para ela, firme, e respondeu: "Eu escolhi viver segundo um ideal."


A frase caiu sem agressão, e por isso mesmo tinha força.


Zao Tian não deixou o clima rachar: "Mais alguém?"


Nallrian completou, porque sempre havia mais: "Haverá guardiões do conselho, mas isso é padrão."


"E haverá representantes de casas menores tentando ganhar posição."


Ela então olhou para Gins e Kyon: "Vão provocar vocês com perguntas pequenas para pescar respostas grandes."


Gins sorriu de canto, sem humor: "Então eu fico quieto."


Nallrian assentiu: "Quieto e atento."


Ela olhou para Ye Yang: "E você vai ser observado como guerreiro."


"Seus olhos chamam mais atenção do que qualquer palavra."


Ye Yang respondeu: "Eu sei."


Zao Tian respirou fundo, e por um instante, a presença dele no quarto ficou mais densa.


Não era ameaçadora. Era de preparação.


"Então a gente fica aqui e espera." Ele disse: "E quando chamarem, a gente entra como se não precisasse provar que merece estar aqui."


Yan Chihuo concordou: "E a gente fala como se tivesse vindo primeiro."


Nallrian olhou para os dois e assentiu: "Se vocês conseguirem fazer isso sem soar arrogantes…"


Ela deixou a frase incompleta, porque todo mundo ali sabia o resto.


Raya quebrou o silêncio com uma última tentativa de puxar o assunto para o medo dela: "E se… no meio disso alguém falar do Gu Ren…"


Zao Tian cortou, sem olhar para ela: "Não vão."


Raya apertou os dentes.


Zao Tian finalmente olhou para ela, e a voz veio firme, mas sem dureza desnecessária: "E mesmo que por alguma loucura eles o conheçam e resolvam falar, o nome que vai estar na mesa não é o dele."


Ele olhou para Yan Chihuo por meio segundo e apontou: "É o dele."


Enquanto eles faziam os alinhamentos no quarto, do lado de fora, longe dali, o mundo elfo continuava lindo e irritado.


Todos vigiam o lugar onde os humanos estavam, e, quando a porta abrisse, eles teriam que pisar lá fora não para vencer uma discussão, mas para impedir que a próxima guerra encontrasse mais uma desculpa para nascer.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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