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Capítulo UHL 1148 - Paciência

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Tenham uma boa leitura!]


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O grupo ficou quieto no quarto de hóspedes e Aelthandor voltou algumas horas depois.


A maneira como ele entrou no espaço reservado não foi brusca. Foi até correta demais. O tipo de correção que fazia parecer que ele não tinha pressa nenhuma, mesmo quando o tempo era usado como uma ferramenta.


Quando chegou lá, ele parou na entrada e inclinou o queixo, formal.


"A audiência está pronta." O tom dele não carregava uma hostilidade aberta, mas carregava algo que já tinha ficado claro desde a chegada.


Autoridade. Ou pelo menos uma forma de tentar estabelecer isso.


Zao Tian abriu os olhos devagar.


Ele não estava dormindo. Não estava descansando. Estava apenas parado, como quem faz o corpo ficar quieto para a mente não trabalhar demais.


Yan Chihuo foi o primeiro a se mover, sem alarde.


Nallrian respirou fundo, como se tivesse ouvido o som de uma porta fechando atrás de um destino já escrito.


Ye Yang se levantou com a mesma economia de movimento.


Gins descruzou os braços.


Kyon apenas ajustou a postura.


Raya, por sua vez, pareceu pronta para brigar com o teto, mas se conteve.


Aelthandor fez um gesto simples de condução.


"Sigam-me." Ele pediu, e o caminho começou com a mesma beleza polida do mundo elfo, mas, poucos instantes depois, a intenção deixou de ser apenas estética.


Eles entraram em um corredor longo demais para ser apenas uma passagem, e, ao longo de toda a extensão, soldados elfos estavam formados.


Em silêncio; Em fileiras perfeitas; com armaduras de batalha completas.


Aqueles não eram guardas cerimoniais.


Eram guerreiros.


A energia espiritual deles não era nem um pouco discreta. Era contida por disciplina, mas ainda assim era evidente, como uma lâmina guardada na bainha porque alguém mandou, não porque não pudesse cortar.


Um por um, Zao Tian sentiu o nível.


Santos… Todos eles.


Aquela era a demonstração mais aberta de força que os elfos poderiam fazer sem erguer uma espada.


Era como se o corredor inteiro dissesse uma frase que ninguém precisava verbalizar.


"Estamos ouvindo, e também estamos prontos."


Os elfos não olharam para eles com ódio explícito. Nem precisavam.


O simples fato de estarem ali, todos no mesmo patamar de poder, alinhados como uma muralha viva, já era o suficiente para qualquer visitante entender o recado.


Gins passou os olhos pelas fileiras sem parecer impressionado, mas o maxilar dele ficou mais rígido por um instante.


Kyon manteve o olhar em frente, sentindo a pressão daquilo como quem sente a água subir.


Ye Yang não mudou um músculo de sua face.


Yan Chihuo caminhou com a postura estável, como se aquela demonstração existisse, mas não merecesse resposta.


Nallrian caminhou com o queixo erguido, e era difícil dizer se ela estava mais incomodada por estar sob aqueles olhares, ou por saber que boa parte daquele corredor a considerava uma peça fora do lugar.


Raya… andou. Sem se encolher. Sem baixar o olhar.


Contudo, a mão dela fechava e abria uma vez a cada poucos passos, como se o corpo estivesse lembrando a todo instante que ela preferia resolver tudo de um jeito muito mais simples e direto.


Zao Tian não desviou, não acelerou, não desacelerou.


Ele passou por todos como tinha feito no salão de Uhr’Gal, só que ali era diferente.


Uhr’Gal era ameaça e barulho.


Aquele corredor era uma ameaça sem som. E isso, para ele, era pior.


No fim do corredor, a entrada da sala de reuniões se abriu como se fosse um templo.


O espaço era amplo, com assentos distribuídos em círculo. Em vários andares.


Era como um coliseu.


Um lugar construído para observar quem fala como se quem fala estivesse no fundo de uma arena.


Do lado de baixo, no térreo, havia assentos reservados. No centro de tudo.


Como se a comitiva estivesse sendo colocada não em uma mesa de negociação, mas em um palco.


Zao Tian sentiu vontade de rir, mas não era humor.


Era aquele tipo de riso que nasce quando você percebe que todo mundo insiste em testar sua paciência no mesmo exato ponto.


Aelthandor caminhou até o centro e virou de frente para eles.


A postura dele continuava impecável. E a voz veio com a mesma suavidade educada: "Este é o formato."


Ele fez um gesto com a mão, apontando: "Vocês se posicionarão nos assentos reservados."


Yan Chihuo não reagiu.


Nallrian não reagiu.


Ye Yang não reagiu.


Gins respirou fundo, justamente para não reagir.


Kyon manteve a expressão neutra.


Raya olhou para o círculo como se aquilo fosse um cheiro ruim no ar.


Zao Tian, por sua vez, olhou para Aelthandor, e por um segundo uma frase quase saiu.


Algo simples.


Algo direto.


Algo que desmontaria a polidez e colocaria o conflito na mesa sem nenhum rodeio.


Ele sentiu o impulso de dizer que estava ficando farto… Farto de joguinhos.


Farto de armadilhas.


Farto de tentativas de rebaixamento mascaradas de boa educação.


Aquilo estava testando a paciência de Zao Tian muito mais do que as ofensas dos orcs e krovackianos, porque mesmo dizendo todas aquelas atrocidades, eles pelo menos eram autênticos e verdadeiros.


E foi então que, naquele momento de quase explosão de Zao Tian, uma mão tocou o braço dele.


Era Raya.


O toque foi leve. Quase absurdo vindo dela.


E quando Zao Tian virou o rosto, ela balançou a cabeça uma vez.


Foi um gesto mínimo, mas limpo.


“Não faça isso.” Ela dizia com o olhar.


“Não agora.”


Zao Tian ficou quieto.


Ele também respondeu Raya apenas com o olhar.


Um olhar que não perguntava "por quê", porque ele já entendia.


Ela não estava pedindo calma por medo. Ela estava pedindo por estratégia.


E aquilo, vindo da última pessoa que ele esperava ter impulsos opostos a isso, foi como um soco invisível.


Aelthandor percebeu a troca de olhares entre ele.


Claro que percebeu.


Ele era bom demais para não perceber. Contudo, ele fingiu que não, como se a própria cegueira fosse parte do teatro.


E, com a mesma tranquilidade, ele perguntou, quase como uma provocação: "Deseja dizer alguma coisa, Zao Tian?"


A pergunta parecia cortês, mas tinha uma lâmina escondida.


Era uma chance oferecida para ele escorregar. Para ele perder a linha. Para ele virar o humano impulsivo que eles queriam confirmar.


Zao Tian respirou… E respondeu com um controle que não vinha da submissão, vinha de uma escolha.


"Não." Ele olhou para Aelthandor e respondeu, sem sorrir. Contudo, ele olhou ao redor, mais uma vez, e pontuou: "Parece que são os elfos que têm algo a dizer."


Aelthandor apenas assentiu, como se a resposta o agradasse: "Então sigam."


Zao Tian acenou e caminhou até os assentos reservados.


Yan Chihuo foi junto.


Nallrian sentou com a postura firme.


Ye Yang ficou ligeiramente atrás, como quem prefere observar tudo à sua volta.


Gins sentou sem encostar totalmente as costas.


Kyon acomodou-se mantendo o olhar atento.


Raya, por fim, sentou como quem aceita um lugar apenas porque viu que recusar seria dar ao outro exatamente o que ele queria.


Quando o grupo se posicionou, a sala ficou ainda mais silenciosa.


Não havia hostilidade explícita ali.


Não havia gritos.


Não havia ofensas.


As figuras nos assentos superiores pareciam nobres, conselheiros, comandantes, representantes de casas e territórios.


Todos muito bem vestidos.


Todos muito bem comportados.


Todos com olhos que falavam mais do que qualquer boca.


Aelthandor deu alguns passos até o centro e então iniciou a cerimônia.


A voz dele ecoou pelo salão: "Honrados membros do conselho."


Ele fez uma pausa, e a pausa parecia treinada.


"Representantes das casas e dos territórios presentes."


Outra pausa.


"E, em especial… a comitiva humana, que atravessou o espaço para buscar diálogo."


Ele inclinou levemente o queixo na direção de Zao Tian.


Aquele não foi um gesto de respeito mútuo. Foi um gesto de reconhecimento controlado, como quem diz: vocês foram autorizados a estar aqui.


Aelthandor continuou, recitando o formato como se estivesse anunciando um rito antigo.


"Esta audiência seguirá como sempre seguiu neste mundo."


Ele caminhou um pouco em círculos, devagar, como se o próprio movimento fosse parte do domínio do ambiente.


"Perguntas serão feitas."


"Respostas serão dadas."


"Registros serão feitos."


Ele olhou para os assentos mais altos, e o foco coletivo se ajustou, como se todos estivessem conectados por uma mesma disciplina.


Então, a suavidade dele endureceu.


Não no volume, mas no conteúdo.


"O motivo da presença humana aqui é simples."


Depois de dizer aquilo, ele não disse o nome de nenhuma ameaça. Não falou de deuses. Não falou do Olho.


Ele falou do que doía.


"Ressentimento."


A palavra caiu como uma pedra elegante.


"Vocês buscaram acordos com aqueles que sempre foram inimigos declarados desta raça." Enquanto falava aquilo com o grupo de ‘visitantes’, ele olhou ao redor, como se pedisse confirmação do próprio povo.


"Orcs."


"Krovackianos."


Ele sustentou o silêncio por um instante.


"E só então… vieram até nós."


Aelthandor desceu o olhar de volta para o centro.


"Isso foi entendido por muitos de nós como uma mensagem."


Ele caminhou um passo na direção da comitiva.


"De que os elfos seriam uma escolha tardia."


"Uma opção conveniente."


Ele deixou a frase mais afiada sem levantar a voz.


"Uma raça de segunda categoria em importância, em peso, em necessidade."


A expressão dele permaneceu controlada, mas o conteúdo não era.


Era acusação em forma de etiqueta.


Ao redor, nenhum elfo levantou a voz. Nenhum elfo interrompeu. Mas os olhos deles… confirmavam que o sentimento era recíproco.


Aelthandor parou no centro e, sem pressa, abriu a primeira pergunta.


Ele olhou diretamente para Zao Tian. E a frieza educada dele, naquele instante, não parecia mais gentileza.


"Zao Tian." Ele pronunciou o nome como se fosse um item em pauta: "O que exatamente você veio fazer aqui?"


Aelthandor não deu espaço para respostas vagas. Ele continuou na mesma linha, direto, como se o golpe já estivesse planejado desde o início: "E o que você acha que pode fazer para conquistar a confiança do meu povo…"


Ele fez uma pausa pequena, apenas para deixar as palavras seguintes caírem com mais peso.


"Depois de tê-lo insultado."


Os olhos dele ficaram fixos nos de Zao Tian, e a voz macia virou uma lâmina.


"Depois de deixá-lo como última opção."


Enquanto Aelthandor falava, o coliseu permaneceu em silêncio.


Educado.


Impecável.


E, ainda assim, sufocante.


Zao Tian não mexeu um músculo até que o anfitrião terminasse de falar, mas por dentro, ele sentiu a paciência, que estava muito curta, ser puxada como uma corda.


Porque aquela pergunta não era apenas pergunta. 


Porque aquela reunião não era apenas uma reunião.


Tudo aquilo era um interrogatório. Um julgamento disfarçado de protocolo.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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