Capítulo UHL 1150 - Pegos de Surpresa
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Depois da última frase de Zao Tian, Aelthandor permaneceu no centro, impecável na postura e na máscara, mas os degraus acima dele tinham começado a se mover como se o anfiteatro inteiro respirasse mais rápido.
Os elfos não gritavam. Eles só deixavam de fingir que não sentiam.
Alguns se levantaram de novo. Outros não se levantaram, mas inclinaram o corpo para frente como quem finalmente decide participar do próprio julgamento. E, pela primeira vez desde o início da audiência, a sala não parecia organizada.
Parecia pessoal.
Aelthandor ergueu a mão uma segunda vez, pedindo silêncio com o mesmo gesto econômico.
Dessa vez, o gesto não funcionou tão bem.
A educação ainda existia, mas estava escorregando.
"Eu vou permitir que outras vozes entrem." Aelthandor disse.
A frase parecia uma concessão, mas escondia uma intenção de controle.
Ele olhou para os níveis superiores, como quem chama a próxima peça do teatro sem revelar que o roteiro mudou.
"Perguntas verdadeiras." Ele continuou, e o tom ficou mais duro, mesmo mantendo o verniz: "Sem rodeios."
Zao Tian assentiu, como se aquilo fosse exatamente o que ele esperava desde que pisou ali.
"Isso é bom." Ele disse.
Aelthandor manteve o olhar fixo nele, por um instante, como se estivesse tentando entender onde aquele humano tinha aprendido a não se mover quando era empurrado.
Então ele deu um passo curto para o lado, abrindo espaço.
"Maeryn Val’Thalas."
Uma elfa se levantou, com a calma de quem sabe que a própria voz já é uma arma suficiente para modificar uma sala inteira.
Ela não perguntou de imediato.
Ela falou, e a fala dela já era uma acusação.
"A humanidade sempre fala como se estivesse à beira do fim." Ela disse, doce demais para o conteúdo.
"E sempre exige que os outros corram para acompanhar a urgência humana."
Ela inclinou a cabeça, e então a pergunta veio como uma lâmina embalada:
"Você chama isso de fim dos tempos."
"Chama isso de guerra inevitável."
"Chama isso de necessidade de aliança."
"E nós deveríamos aceitar esse diagnóstico… porque você disse?"
Zao Tian respondeu no mesmo instante, sem ofensa: "Não."
O coliseu ficou quieto, por um segundo, como se a resposta não fosse o que esperavam.
Zao Tian continuou: "Vocês não deveriam aceitar porque eu disse. E nem eu deveria esperar que aceitem."
Ele apoiou o peso do corpo no mesmo lugar, sem mudar a postura: "Eu estou aqui para explicar o que eu vi."
"Para expor o que eu sei."
"E para responder o que vocês perguntarem."
Maeryn sorriu de leve.
Não era cordialidade. Era uma maneira educada de dizer que aquilo ainda era insuficiente.
"O que você viu, Zao Tian?" Ela perguntou
Zao Tian respondeu sem se apressar: "Eu vi deuses frustrados recuarem e se reorganizarem."
"Eu vi as estruturas que não enxergamos a olho nú se moverem como engrenagens."
"Eu vi organizações humanas tentando dominar planetas inteiros como se fossem peças de um tabuleiro."
Alguns elfos reagiram ao termo organizações humanas.
O eco do Olho estava presente no ar, mesmo sem ser citado.
Zao Tian não desviou: "Eu vi aliados morrerem."
"Eu vi mundos mudarem de comportamento."
"Eu vi oportunidades de guerra nascerem só porque alguém entendeu que o outro lado estava cansado ou ocupado."
Ele olhou para Maeryn, e a voz permaneceu controlada: "Eu não tenho interesse em te convencer com poesias."
"Eu tenho interesse em evitar que vocês descubram que eu estava certo tarde demais."
Maeryn estreitou o olhar.
"E a expansão humana?" Ela perguntou.
A palavra expansão, dita daquele jeito, tinha outro peso.
Ela falava como quem descreve uma invasão disfarçada.
"Vocês se movem pelo universo dizendo que é uma luta contra a extinção."
"E ainda assim…" Maeryn inclinou o rosto um pouco: "O que nós vemos é humanidade ocupando espaços."
"A humanidade chama isso de necessidade."
"Outras raças chamam de… hábito."
O coliseu assentiu em silêncio, não com a cabeça, mas com o olhar.
Zao Tian não se defendeu com agressão. Ele aceitou o ponto e respondeu com frieza de fatos: "Humanos se movem porque humanos aprenderam que ficar parado é morrer."
Ele apontou o queixo para os degraus, não para Maeryn: "Nem sempre por culpa deles."
"Às vezes… é por culpa de quem os caçou por eras."
Aelthandor não se mexeu, mas a palavra culpa foi sentida como uma provocação.
Zao Tian não insistiu nela.
Ele continuou, sendo direto.
"Se vocês querem chamar de hábito, chamem."
"Eu chamo de reação."
"Eu chamo de sobrevivência."
Maeryn manteve o sorriso delicado.
"Conveniente." Ela provocou.
Zao Tian assentiu: "Sim. Sobreviver costuma parecer conveniente para os que não estão apanhando."
O coliseu se mexeu de novo.
Agora era um profundo desconforto por terem sido atingidos com algo simples demais para ser descartado.
Maeryn não recuou.
"Então nós não estamos apanhando?" Ela perguntou.
Zao Tian não respondeu com desafio. Ele respondeu com honestidade.
"Eu não sei se vocês estão apanhando."
"Eu não sei o que vocês estão escondendo."
"Mas eu sei uma coisa..."
Aelthandor estreitou os olhos, como se tentasse impedir o próximo passo sem interromper.
Zao Tian fez mesmo assim: "Se a única ferida fosse terem sido procurados por último…"
Ele olhou ao redor e completou: "Vocês não estariam tão… prontos para nos odiar."
Um silêncio duro tomou o coliseu.
Dessa vez, nenhum gesto de Aelthandor precisou mandar calar.
A frase tinha apertado a garganta de mais gente do que eles queriam admitir.
Então uma voz do alto veio, mais áspera do que a etiqueta permitia.
"Você acha que ódio é uma palavra grande demais para nós?"
Aelthandor fez um gesto mínimo.
"Saelorian Tyndar."
O ex-general não esperou permissão formal.
Ele já tinha escolhido a própria linha, e ela era reta.
"Você fala como se estivéssemos inventando ressentimentos."
"Como se não tivéssemos motivos suficientes para duvidar de vocês."
Zao Tian sustentou o olhar para cima e respondeu: "Eu falei que parece isso."
Saelorian soltou um som curto, quase um riso.
"Você insiste nessa palavra porque ela é confortável."
"Se você disser parece, você pode jogar o peso do julgamento inteiro nas nossas costas."
Depois de dizer aquilo, ele apontou, sem teatralidade.
"Então eu vou ser sincero, humano."
O coliseu inteiro pareceu segurar o ar, e Saelorian continuou, e o tom dele não era mais polido. Era controlado por disciplina, mas carregava uma raiva muito mais antiga do que ele.
"Não é só sobre ter sido procurado por último."
"Isso é apenas a superfície."
"Isso é a desculpa que nós oferecemos para que vocês possam engolir com menos vergonha."
Aelthandor não interrompeu, mas o rosto dele confirmou, como se ele soubesse que a máscara, naquele ponto, não faria mais sentido.
Saelorian então disse o nome que fez o coliseu ficar mais quieto do que qualquer ordem: "Gold."
O nome caiu como se alguém tivesse quebrado uma coisa sagrada no meio do anfiteatro.
Mesmo os que se moviam pararam.
Mesmo os que estavam prontos para ironia fecharam a boca.
Nallrian não se mexeu, mas o ar ao redor dela pareceu ficar mais pesado.
Yan Chihuo inclinou o olhar, atento.
Zao Tian não piscou.
Saelorian prosseguiu, e a voz dele tinha o peso de uma convicção que não tinha sido construída ali.
"Toda a criação conhece esse nome."
"Mas entre nós… ele não é apenas um nome."
Ele respirou fundo, e o título veio como uma reverência que não era submissa.
Era absoluta.
"O Grande Arcanjo."
O coliseu assentiu em silêncio.
Não por combinado, mas por crença.
Zao Tian permaneceu sentado.
Ele não perguntou quem era.
Ele só esperou o motivo.
Saelorian apontou para baixo, para a comitiva humana, como se aquilo finalmente chegasse ao núcleo.
"Gold libertou os primeiros elfos das correntes."
A palavra correntes, na boca dele, já carregava um grande histórico.
"Ele nos tirou do domínio daqueles que governavam antes dele."
"Ele nos arrancou do costume de viver ajoelhados."
"Ele nos ensinou."
Saelorian apertou os punhos.
"Ele ensinou o caminho marcial a todos nós."
"Diretamente, ou através dos discípulos dele."
"Não só a nós."
"A toda a criação."
Aelthandor, no centro, permaneceu imóvel, mas agora ele parecia menos um anfitrião e mais uma testemunha.
Saelorian continuou, e a raiva dele ficou mais pessoal.
"E então… a humanidade o traiu."
Uma parte do coliseu se levantou, não para gritar, mas para concordar com o corpo.
Porque havia coisas que não se diziam sentado.
Aelthandor fechou os olhos por um instante, e abriu de novo, como se aceitasse o choque.
Zao Tian não reagiu com indignação.
Ele reagiu com atenção.
"Traiu." Saelorian repetiu, e a palavra pareceu mais antiga do que o próprio mundo deles.
"Ele foi traído por Zaki."
O nome de Zaki atravessou o coliseu como uma faca. Era evidente que aquele nome era uma decepção que apodreceu por gerações.
E Saelorian não parou.
"E não venha me dizer que foi um homem só."
Ele apontou para Zao Tian como quem acusa toda uma linhagem.
"Para nós, foi a humanidade."
"Foi a espécie."
"Foi o hábito de vocês de colocar a ambição acima da gratidão."
O coliseu murmurou… com desdém.
Zao Tian então respondeu sem levantar a voz: "Vocês não sabem o que aconteceu."
Saelorian estreitou os olhos.
"Sabemos o suficiente."
"Aconteceu o que sempre acontece quando humanos se aproximam de algo bom."
"Vocês transformam tudo o que tocam em ferramentas para usar."
Raya se mexeu na cadeira, mas não falou.
Kyon permaneceu imóvel, como se entendesse que qualquer intervenção viraria munição.
Gins não olhou para ninguém.
Ye Yang continuou quieto, mas o peito dele parecia mais pesado agora.
Zao Tian sustentou tudo nas costas.
"Vocês sabem que Gold abandonou tudo." Ele disse: "E decidiram que isso significa uma culpa geracional."
"Não decidimos." Saelorian respondeu sem hesitar: “Nós sentimos! Nós percebemos!”
Ele olhou ao redor, e o coliseu inteiro respondeu com o mesmo silêncio.
Aelthandor então falou, pela primeira vez desde que a máscara caiu, com uma sinceridade controlada: "Gold era maior do que qualquer divindade para nós."
A frase, vinda dele, não era exagero. Era uma confissão.
"Se os deuses eram uma força de controle e restrição, ele era… a direção que nos guiava para fugir de tudo isso."
Depois, Aelthandor olhou para Zao Tian, e continuou: "Vocês perderam essa direção. E nós tivemos que assistir."
Ele disse a palavra “assistir” como quem carregava uma lembrança muito ruim como um peso no peito.
"Você acha que a palavra insulto começa quando você atrasa uma visita?" Aelthandor inclinou o queixo e perguntou, retoricamente.
"Não." Ele respondeu: "Ela começou quando o único ser que nos tratou como criação, e não como propriedade… desapareceu. Por causa de vocês!"
Zao Tian manteve o tom sereno e comentou: "Então é isso…"
Ele não disse com triunfo, disse como quem finalmente enxerga o buraco real.
"Não é sobre nenhum cronograma." Ele falou: "É sobre abandono."
Saelorian apontou: "É sobre crimes."
A palavra crime fez o coliseu vibrar.
Zao Tian, porém, respondeu com sinceridade que não se quebrava.
"Eu não vou pedir para vocês esquecerem."
"Eu não vou pedir para vocês perdoarem."
Ele olhou para Aelthandor.
"Eu não tenho autoridade para isso."
Aelthandor deixou escapar um sorriso curto, sem alegria: "Pelo menos isso você admite."
Zao Tian, entretanto, continuou: "Mas eu vou dizer uma coisa que vocês não querem ouvir."
Saelorian estreitou os olhos, pronto para cortar.
Zao Tian disse mesmo assim: "Se vocês quiserem usar Gold como argumento para deixar o universo desabar…"
Ele olhou para cima, para todos: "Então vocês também estarão traindo aquilo que ele construiu."
O coliseu se mexeu como se tivesse sido atingido.
Alguns abriram a boca para responder.
Outros fecharam os punhos.
Aelthandor não gritou, mas a voz dele endureceu: "Cuidado com como você usa esse nome."
Zao Tian assentiu e respondeu: "Estou sendo cuidadoso. E eu estou dizendo que eu entendo a ferida."
"Contudo, eu não aceito que essa ferida vire uma desculpa para condenar outros."
Aelthandor ficou quieto, e Saelorian, pela primeira vez, pareceu não ter uma resposta pronta.
Então uma voz mais baixa entrou, como se rasgasse o tecido do debate com outro tipo de lâmina.
"O Olho."
Aelthandor olhou para o lado, e o gesto de reconhecimento veio.
"Arquivista Letharion."
O Arquivista não parecia interessado em todo aquele teatro. Ele falou aquilo como quem lê uma linha em um registro, mesmo quando o registro é de sangue.
"Você pede confiança."
"Você oferece rotas e informação."
"E ainda assim, a organização humana que nasceu do seu povo…"
Ele fez uma pausa, e a sala inteira sentiu o peso dela.
"Escravizou elfos."
"Matou elfos."
"Arruinou casas inteiras."
A palavra casas ali significava mais do que família. Significava território, nome, legado.
Letharion continuou, e a pergunta veio limpa: "O que aconteceu com eles depois da luta que movimentou meio universo?"
Zao Tian respondeu sem hesitar: "O Olho está exterminado!"
O coliseu, porém, ficou em silêncio, desconfiado como sempre.
Zao Tian completou: "Não foi uma luta bonita…"
"Foi um trabalho feio."
"Mas é a verdade."
Letharion inclinou a cabeça.
"E como você espera que nós acreditemos que não existe um plano obscuro por trás?" Ele perguntou: "Como você espera que nós aceitemos uma aliança com uma humanidade que gerou esse tipo de organização?"
Aelthandor, mesmo sendo anfitrião, não interferiu, porque aquela pergunta era ferida aberta.
Zao Tian manteve o tom: "Vocês não têm que acreditar em mim."
O coliseu reagiu, desconfortável de novo.
Zao Tian continuou, firme: "Vocês têm que acreditar no que vocês conseguem verificar."
Ele olhou para Letharion: "Eu posso abrir meus movimentos à inspeção."
"Posso permitir observadores."
"Posso permitir acompanhamento em rotas."
Ele inclinou a cabeça: "Mas se a pergunta é: como você sabe que não tem dedo do Olho nisso…"
Zao Tian fez uma pausa curta: "Eu não sei como provar isso para vocês."
A honestidade dele atingiu mais forte do que qualquer promessa.
Alguns elfos se moveram, irritados.
Aelthandor estreitou os olhos, como se aquela resposta fosse perigosa demais para ser dita ali.
Zao Tian concluiu, sem tremer: "Eu trabalho como se sempre, a todo lugar que eu vou, exista uma intenção do Olho tentando entrar."
"E por isso eu construo protocolos."
"Por isso eu crio redundâncias."
"Por isso eu não peço fé."
Yan Chihuo finalmente falou, e a voz dele foi firme: "Se vocês querem garantias, eu estou aqui por isso."
O coliseu olhou para ele com uma atenção diferente, porque o nome dele já estava rondando aquela audiência desde antes de começar.
Yan Chihuo continuou, controlado: "Eu não represento uma bandeira, apesar de ser considerado um líder de uma nação."
"Eu represento uma intenção. E eu não tenho interesse em guiar nenhuma raça para uma coleira."
Maeryn, lá em cima, inclinou o rosto: "E como sabemos que isso não é… performance?"
Yan Chihuo respondeu com uma honestidade simples: "Vocês não sabem… mas uma coisa eu posso afirmar: Eu odeio o Olho mais do que qualquer um de você aqui!”
“Eles mataram, desmembraram e humilharam uma grande general e amiga minha!”
Aelthandor fechou os olhos por um instante, e abriu de novo.
A sinceridade estava virando a faca contra o próprio teatro.
Zao Tian percebeu isso. E, sem mudar o tom, ele trouxe de volta o ponto que eles tinham evitado: "Vocês conhecem os deuses."
"Vocês sabem o que eles fizeram."
"Vocês sabem que eles escravizam."
"Que eles plantam vidas e colhem vidas como recursos."
Ele não falou de Aasimares.
Ele não transformou aquilo em religião.
Ele apenas manteve-se técnico o suficiente para fazer aquilo doer: "E ainda assim, parte de vocês olha para a ideia de fim dos tempos como um exagero."
Saelorian respondeu: "Porque os humanos sempre dramatizam tudo."
“Talvez…” Zao Tian comentou, antes de prosseguir: "E por isso eu estou sentado aqui, respondendo perguntas, ao invés de exigir pressa."
Aelthandor tentou recuperar o fio: "Você está pedindo que nós aceitemos uma aliança."
Zao Tian assentiu: "Sim."
Aelthandor então fez a pergunta que parecia simples, mas carregava o núcleo do rancor: "E por que agora?"
Zao Tian respondeu, e o coliseu sentiu que a frase não era um argumento irreal: "Porque agora eu finalmente tenho uma chance de não deixar o universo ser dividido em pedaços antes do golpe final."
"E porque, gostem ou não, vocês ainda têm poder suficiente para mudar o resultado."
Um silêncio caiu.
Dessa vez, não de raiva, mas de reconhecimento involuntário.
Porque ser chamado de importante doía quando a importância vinha tarde… mas também exigia responsabilidade.
Aelthandor respirou e admitiu: "Você é consistente, Zao Tian."
A frase veio como elogio e ameaça ao mesmo tempo: "Mas consistência não apaga a história."
Zao Tian assentiu e respondeu: "Eu não pedi para apagar."
"Eu pedi para não deixar a história matar o futuro."
O coliseu ficou quieto.
As máscaras estavam no chão.
Não todas.
Mas o suficiente para o ar se tornar mais pesado e mais real.
Foi então que o nome que Nallrian tinha dito antes, no quarto, deixou de ser um aviso… e virou um acontecimento.
Elyndariel se levantou.
Ela não precisou pedir silêncio, pois o coliseu calou como se alguém tivesse desligado o som do mundo.
Mesmo Saelorian, de pé, abaixou o queixo.
Mesmo Maeryn, tão controlada, perdeu a expressão por um instante e voltou a colocá-la no lugar.
Aelthandor, no centro, se afastou meio passo, por reconhecimento de grandeza dentro da própria estrutura.
Elyndariel era linda, e quando ela olhou para Zao Tian, não havia afeto ali. Não havia hostilidade fácil.
Havia apenas avaliação. E, por baixo dela, algo que parecia… uma aprovação contida.
"Você fala como alguém que entende o peso das palavras." Ela disse.
A voz não parecia alta, mas preenchia o ar.
Zao Tian sustentou o olhar e admitiu: "Eu tento."
Elyndariel manteve o olhar nele e então disse, como se desse nome ao que tinha acontecido ali: "Você foi sincero."
Aelthandor não reagiu. Ele aceitou a frase como uma sentença.
Elyndariel continuou: "Eu também prefiro sinceridade."
Depois de dizer aquilo, ela fez uma pausa, curta, e comentou: "Então eu serei sincera, também..."
O coliseu prendeu o ar.
Elyndariel olhou ao redor, para os degraus, para os assentos, para as casas que representavam ali a vontade de um povo.
"Enquanto discutimos suas intenções…" Ela voltou a falar para Zao Tian: "Existe uma questão mais simples na mesa."
Zao Tian permaneceu sentado, como sempre, e perguntou: "Qual?"
Elyndariel respondeu sem mudar o tom: "Vocês têm algo que pertence a todos os elfos."
O coliseu ficou imóvel.
Dessa vez, havia uma genuína curiosidade em todos.
Zao Tian franziu o cenho por um instante, sem entender.
Yan Chihuo, ao lado, não se moveu, mas os olhos dele ficaram mais atentos.
Elyndariel, por sua vez, inclinou a cabeça de leve e perguntou: "Vocês vão devolver?"
Zao Tian sustentou o olhar, e a honestidade dele apareceu como um instinto: "Eu não sei do que você está falando."
Os elfos começaram a olhar uns para os outros, buscando respostas que ninguém além de Elyndariel conhecia.
Elyndariel não perdeu o controle em momento algum. Ela apenas fez um gesto com a mão e comentou: "Então eu vou nomear…"
Ela olhou para Zao Tian e para Yan Chihuo ao mesmo tempo, como se escolhesse atingir os dois ao mesmo tempo, e finalizou: "O Arsenal de Gilgamesh."
O coliseu imediatamente explodiu em murmúrios.
Em horror.
Em raiva.
Em surpresa.
Zao Tian não se levantou, mas o corpo dele endureceu como se alguém tivesse pressionado uma lâmina contra a nuca.
Yan Chihuo, ao lado, finalmente deixou uma reação escapar no olhar, rápida demais para ser escondida.
Porque eles estavam, de fato, com aquilo. E porque ninguém, absolutamente ninguém ali, deveria saber.
Zao Tian abriu a boca, mas nenhuma pergunta saiu de imediato.
Por um instante, a única coisa que existiu no coliseu foi a distância entre o que eles carregavam… e o fato de Elyndariel ter atingido o ponto certo com a tranquilidade de quem não erra.
