top of page
Garanta o seu exemplar.png

Capítulo UHL 1152 - Reviravolta

[Capítulo patrocinado por Davi Laureano. Muito obrigado pela contribuição!!! 


ATENÇÃO: LINK ATUALIZADO. Venham fazer parte da nossa comunidade no Telegram! https://t.me/+tuQ4k5fTfgc1YWY5


ATENÇÃO: OS EXEMPLARES FÍSICOS E DIGITAIS DO PRIMEIRO LIVRO DE O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS NAS MAIORES LIVRARIAS DO BRASIL E DO MUNDO. APOIE O NOSSO TRABALHO E GARANTA JÁ UM EXEMPLAR TOTALMENTE REESCRITO E REVISADO, E COM TRECHOS INÉDITOS.


Quer ver um mangá de O Último Herdeiro Da Luz? Então, a sua ajuda é muito importante para que possamos alcançar novos limites!


Para patrocinar um capítulo, use a chave PIX: 31988962934, ou acesse https://www.ultimoherdeirodaluz.com/patrocinarcap para outros métodos de pagamento, que podem ser parcelados em até 3x sem juros.


Para ver as artes oficiais da novel, que estão sendo postadas diariamente, siga a página do Facebook https://www.facebook.com/Herdeirodaluz


Ou a página do instagram https://www.instagram.com/herdeirodaluz/


Todas as artes e outras novidades serão postadas nas nossas redes sociais, e vêm muitas outras por aí, então siga as nossas páginas e não perca a chance de mostrar à sua mente qual é o rosto do seu personagem favorito!


Ps: Link do Telegram atualizado!


Tenham uma boa leitura!]


-----------------------


O “não” de Zao Tian não caiu como um fim. 


Caiu como um deslocamento.


Por alguns instantes, o coliseu pareceu procurar, no próprio ar, o gesto certo para reagir sem quebrar de vez aquilo que fingiam ser uma audiência.


Alguns elfos se levantaram com raiva.


Outros se mantiveram sentados, mas com a postura de quem já não aceitava mais a distância entre o centro e as arquibancadas.


Aelthandor permaneceu no meio, com o corpo imóvel e a máscara intacta por puro hábito, não por convicção.


Elyndariel continuava de pé.


Ela não parecia frustrada.


Parecia estar anotando.


Saelorian Tyndar deu um passo para frente no degrau, como se quisesse fechar a distância na marra.


"Então é isso."


"Humanos encontram."


"Humanos guardam."


"Humanos dizem que não devolvem."


A frase foi dita como se ele estivesse descrevendo uma lei natural.


Maeryn Val’Thalas soltou um riso breve, contido, mas carregado.


"Uma decisão humilde, Zao Tian."


"Apenas o suficiente para soar virtuosa."


"Não o suficiente para não ser um roubo."


Zao Tian sustentou o olhar, sem agressão: "Se vocês quiserem chamar de roubo, chamem."


Ele falou como quem aceita que certas palavras já foram escolhidas por outros antes de ele chegar: "Eu não vim aqui pedir para que vocês gostem de mim."


"Eu vim impedir que uma memória de vocês seja usada como ferramenta de guerra."


Saelorian apontou, mais duro: "Você usa a guerra como um escudo."


"Você usa como uma desculpa."


"Você usa como forma de incutir medo."


Aelthandor tentou recolocar o chão no lugar, e a voz dele veio firme.


"Chega." Ele olhou para os degraus, e depois para o centro: "Este assunto não será resolvido na força."


A frase não era um pedido. Era uma advertência para o próprio povo.


Em seguida, ele encarou Zao Tian de novo.


"Você escolheu recusar o que pedimos."


"Então não nos peça para voltar ao conforto da etiqueta como se nada tivesse acontecido."


Zao Tian assentiu, como se concordasse com isso: "Eu não estou pedindo conforto."


Aelthandor sustentou o olhar: "Então vamos para o que esteve rondando esta sala desde que você citou o nome dele."


Aelthandor olhou para cima, para os assentos mais altos, e a palavra saiu como uma lâmina desembainhada devagar.


"Gold."


O ambiente mudou de novo.


Aquele nome era um eixo que, quando citado, fazia o orgulho elfo parecer mais frágil do que eles aceitavam.


Aelthandor continuou, e dessa vez a polidez dele virou uma frieza aberta, sem ornamento: "Você fala do fim dos tempos."


"Você fala de alianças."


"Você fala como se estivesse carregando o universo nas costas."


Ele apontou para Zao Tian, sem teatralidade: "E, ainda assim, você se senta diante de nós com a luz em você."


A palavra luz, ali, não era um elogio.


Era uma acusação.


Muitos olhos nos degraus se estreitaram, como se buscassem, nas respostas anteriores de Zao Tian, algum sinal que a esperança pudesse ser salva.


Kyon permaneceu imóvel.


Gins continuou quieto.


Ye Yang seguia em silêncio.


Raya, dessa vez, parecia mais atenta do que irritada.


Nallrian não se mexeu.


Yan Chihuo só observava, como quem entende que o próximo golpe não viria em forma de espada…


Viria em forma de mito.


Uma voz mais alta, de algum ponto do coliseu, atravessou o salão.


"Vocês mesmos o chamaram de Último Herdeiro da Luz!"


Outra completou, como se o nome fosse uma acusação de fraude.


"Vocês deixaram isso crescer!"


Aelthandor não negou.


Ele inclinou o queixo, e a confissão veio carregada de desprezo por si mesmo e pelos outros que acreditaram nisso: "Nós demos um nome, sim."


"Um nome que era uma possibilidade."


Ele olhou para Zao Tian como se aquele olhar fosse um veredito: "Uma possibilidade que você próprio está destruindo."


Zao Tian não reagiu com raiva. Ele reagiu com uma calma que parecia esculpida: "Eu não pedi esse nome."


Maeryn sorriu, irada: "Mas você o aceitou ao não impedir que ele existisse."


Zao Tian respondeu no mesmo tom: "Eu aceitei que vocês acreditassem no que quisessem."


"Isso não me torna o que vocês queriam que eu fosse."


Saelorian estalou a língua, impaciente: "Você poderia ter sido."


A frase saiu como se fosse uma traição pessoal.


"Você poderia ter sido a correção."


"Você poderia ter sido…"


Ele mordeu as palavras antes do resto, mas o coliseu completou por ele em silêncio.


Gold.


Zao Tian sustentou aquilo por um instante. Então falou, e a voz dele não veio suave.


Veio clara…


"Vocês querem um Gold que existe na memória de vocês."


Aelthandor estreitou os olhos e avisou: "Não mude a responsabilidade para nós."


Zao Tian assentiu, mas disse: "Eu não estou mudando."


Ele olhou ao redor, para os degraus, e continuou: "Eu estou apontando o problema real."


Maeryn perguntou: "E qual é?"


Zao Tian respondeu: "Vocês não fazem ideia de quem ele era."


A sala reagiu como se a frase fosse uma blasfêmia.


Um murmúrio intenso subiu.


Alguém se levantou de novo.


Saelorian apontou com raiva.


"Você ousa dizer isso aqui?"


"Para nós?"


"Para a raça que o nomeou Grande Arcanjo?"


A palavra Grande Arcanjo saiu com reverência e como uma arma ao mesmo tempo.


Zao Tian não desviou: "Sim."


Ele deixou o silêncio existir apenas o suficiente para que doesse.


E então continuou: "Porque vocês falam de Gold como se ele fosse um troféu que a humanidade estragou."


Ele olhou para Aelthandor.


"E eu já ouvi, algumas vezes aqui, vocês transformarem esse nome em uma sentença."


Aelthandor retrucou, frio: "Porque a humanidade o traiu."


Zao Tian não negou o fato, mas colocou o dedo na falha: "Vocês não sabem o que aconteceu."


Saelorian rosnou: "Sabemos o suficiente!"


Zao Tian falou como quem corta uma corda: "Não."


O coliseu tremeu com o “não” simples.


Zao Tian continuou, com o mesmo controle de antes: "Vocês sabem o resultado, e decidiram que o resultado define a intenção."


"Vocês viram ele desaparecer e criaram uma história em cima do buraco, porque ninguém suporta viver com um buraco sem explicação."


Aelthandor deu um passo curto, com a máscara dele rangendo.


"Você está chamando nossa dor de invenção?"


Zao Tian respondeu rápido.


"Eu estou chamando a certeza de vocês de invenção."


A frase abriu um corte. E, como se a própria sala quisesse sangrar em palavras, uma voz se elevou, mais amarga.


"Você fala como Zaki." 


A acusação atravessou o coliseu.


Alguns elfos se moveram como se aquela frase fosse, ao mesmo tempo, gênio e crime.


Maeryn inclinou a cabeça.


"Não." Ela disse: "Ele fala como um herdeiro."


O coliseu se alinhou nessa direção como quem encontra um nome para a própria frustração.


Aelthandor olhou para Zao Tian, e a frase saiu inteira, sem o verniz do começo.


"Você não é o Último Herdeiro da Luz."


O silêncio que veio não foi vazio. Foi uma retirada coletiva.


Um recuo de esperança, quase humilhado.


Aelthandor prosseguiu, e a sentença virou uma acusação: "Você é o herdeiro de Zaki."


A palavra herdeiro, ali, não era um título.


Era uma condenação.


Zao Tian respirou. E, pela primeira vez desde que o Arsenal foi mencionado, algo mais duro apareceu no olhar dele.


Não foi raiva.


Foi algo pior…


Certeza.


"Se vocês têm coragem de dizer esse nome com essa leveza, então vocês não entenderam nem Gold, nem Zaki." Ele disse.


Saelorian explodiu: "Você ousa comparar os dois?"


Zao Tian respondeu sem hesitar: "Eu ouso."


Ele apoiou as mãos nas pernas, como antes, e falou com um tipo de frieza que não precisava de ameaça: "Zaki queria aprovação."


"Zaki queria visão."


"Zaki queria ser visto como indispensável."


Ele apontou o queixo para os degraus.


"Vocês estão me usando como molde para a fantasia de vocês, e agora querem me punir porque eu não dobro para caber nela."


Aelthandor apertou a boca e disse: "Gold teria dobrado."


Zao Tian olhou para ele como se aquela frase finalmente justificasse tudo: "Não."


Aelthandor ficou rígido: "Você não sabe."


Zao Tian respondeu, e a frase saiu com um grau de insulto que não vinha do tom, vinha do conteúdo: "E você acha que sabe."


O coliseu se agitou.


Raya se inclinou um pouco, como se estivesse prestes a se meter, mas parou.


Yan Chihuo permaneceu quieto.


Ye Yang continuou do mesmo jeito, observando.


E Zao Tian continuou, duro.


"Vocês chamam Gold de Grande Arcanjo porque precisam de um símbolo perfeito."


"Um símbolo não erra."


"Um símbolo não escolhe."


"Um símbolo não admite limites."


Ele então apontou para si mesmo.


"Um homem escolhe."


"Um homem limita."


"Um homem decide quem vive e quem morre, porque alguém tem que decidir."


Aelthandor respondeu, com o peso de mil anos de orgulho: "Gold não era um homem como você."


Zao Tian não discutiu isso. Ele concordou de um jeito que irritou ainda mais.


"Não era." Ele assentiu, e completou: "E é por isso que vocês deveriam parar de usar o nome dele como uma arma contra o futuro."


Saelorian se levantou de novo, e dessa vez ele não fingiu educação: "Você fala de futuro como se tivesse direito de administrar o destino dos outros!"


Zao Tian respondeu: "Eu não estou administrando."


"Eu estou reagindo."


Ele apontou para o centro, para o chão.


"Eu estou sentado aqui respondendo perguntas porque eu não tenho tempo para o conforto do mito."


Aelthandor apertou o olhar.


"E você acha que nós temos?"


Zao Tian respondeu, e a frase foi a que fez o ar mudar. "Eu acho que vocês estão usando o mito porque é assim que vocês evitam admitir a palavra que vocês odeiam."


Saelorian estreitou os olhos: "Medo…"


Zao Tian assentiu: "Medo."


O coliseu reagiu, mas agora era diferente da primeira vez.


Agora não era só indignação. Era uma admissão inconsciente.


Porque, com Gold entre eles, a palavra medo deixava de ser um insulto e virava um diagnóstico.


"Então diga..." Maeryn, tentando salvar o terreno do debate, atacou com a pergunta que parecia mais segura: "Se você é tão diferente de Zaki, e tão íntimo de Gold, como ousa dizer… como ousa afirmar… o que ele faria?"


Zao Tian não caiu: "Eu não afirmo e nem falo por ele."


Ele olhou para ela, e o tom dele ficou ainda mais técnico: "Eu apenas rejeito o direito de vocês fazerem isso."


O coliseu se mexeu.


E Zao Tian foi além: "Vocês tratam Gold como se ele fosse exatamente aquilo que vocês precisam que ele seja para justificar uma vingança congelada."


"Vocês não sabem como ele pensa."


"Vocês não sabem o que ele sacrificou."


"Vocês não sabem o tipo de escolha que ele fez quando libertou vocês."


Aelthandor falou, num tom ríspido: "Ele nos tirou das correntes."


Zao Tian assentiu, mas respondeu: "E isso não foi um gesto de afeto."


A sala reagiu com choque.


Zao Tian continuou, sem suavizar: "Foi coragem."


"Foi responsabilidade."


"Foi estratégia."


"Foi para que vocês pudessem andar com as próprias pernas, e não sobre as dele!"


Ele olhou para Aelthandor.


"Vocês chamam isso de pureza."


"Eu chamo isso de liderança."


O coliseu ficou inquieto. E, naquele ponto, a diferença ficou exposta.


Elfos queriam um salvador simbólico.


Zao Tian falava como alguém que tinha vivido escolhas que não cabiam em poemas.


Aelthandor respirou forte: "Você acha que nós queríamos um salvador."


Zao Tian respondeu, e não havia prazer nisso: "Eu acho que vocês queriam um álibi. Algum conforto que os fizesse dormir com tranquilidade só porque ele existe."


A frase fez alguns se levantarem.


Não para atacar, mas para não permanecerem sentados diante daquilo.


Maeryn sibilou, educada demais para o que sentia: "Você chama nossa dor de conveniência."


Zao Tian respondeu: "Eu chamo o modo como vocês usam a dor de conveniência."


"Vocês estão magoados com a humanidade."


"Vocês têm direito de estar."


Ele apontou para o centro, para o chão de novo.


"Mas vocês não têm direito de fingir que isso dá a vocês uma visão perfeita do que está vindo."


Aelthandor apertou os punhos: "E o que está vindo, então?"


Zao Tian respondeu: "O mesmo tipo de opressão que vocês juraram nunca aceitar de novo."


O coliseu prendeu o ar.


E alguém, lá em cima, soltou a pergunta que vinha cozinhando desde a recusa do arsenal.


"Então é por isso que você não devolve?"


"Porque você quer ser o novo dono do destino?"


“Mas que porra…” Zao Tian negou com a cabeça. "Não!"


"Eu não devolvo porque eu não confio em vocês ainda!"


O coliseu explodiu em indignação.


Aelthandor ergueu a mão, tarde demais.


Zao Tian prosseguiu, por cima do barulho, sem levantar a voz: "E vocês não confiam em mim."


"Então parem de fingir virtude e admitam que isso aqui é uma disputa por controle!"


A frase fez o barulho cair um pouco, porque era uma verdade além da ofensa.


Aelthandor encarou Zao Tian e disse: "E você quer esse controle."


Zao Tian respondeu: "Eu quero estabilidade."


"Eu quero previsibilidade."


"Eu quero impedir que cada raça vire um feudo isolado esperando para ser abatido."


Aelthandor inclinou o queixo: "E você vai fazer isso como?"


Zao Tian respondeu: "Com laços que doem."


A frase, dita daquele jeito, ficou no ar como se fosse uma chave girando.


Alguns elfos se olharam.


Maeryn estreitou o olhar.


Saelorian ficou parado, como se tivesse reconhecido, tarde demais, que Zao Tian não estava só respondendo.


Ele estava preparando o terreno.


Elyndariel, ainda de pé, observava, como quem esperava o momento certo de encerrar o caos com um gesto.


Aelthandor, sentindo o clima escorrer de vez para algo perigoso, endureceu o tom: "Então você admite."


"Você está aqui tentando redesenhar nossa estrutura, nossa memória e nossa dor como ferramentas."


Zao Tian respondeu: "Eu estou aqui tentando impedir que a dor de vocês vire o prego que fecha o caixão de todo mundo."


Aelthandor soltou um ar curto, quase um riso sem humor: "Você fala como se fosse inevitável."


Zao Tian respondeu: "Mas é exatamente isso!."


O coliseu tremeu. E, por um instante, o silêncio ficou tão denso que até os inimigos do centro pareceram ficar distorcidos.


Ali, naquele vazio de entendimentos, Aelthandor fez a pergunta que ainda carregava a proposta inicial, agora contaminada por tudo: "Você veio até aqui com um representante para um casamento?"


Ele olhou para Yan Chihuo, e o nome dele foi dito sem carinho: "Yan Chihuo."


Aelthandor apontou para o centro: "Você aceitou isso como um passo político."


O coliseu se rearrumou um pouco, como se lembrassem de que a audiência tinha começado com outra pauta.


Yan Chihuo permaneceu quieto.


Aelthandor continuou, e a pergunta veio como faca: "A proposta ainda está de pé?"


Yan Chihuo falou, firme: "Sim."


Aelthandor inclinou o queixo: "Então ouçam..."


Antes que ele pudesse continuar, Elyndariel finalmente se mexeu.


Ela deu um passo pequeno para frente, e o gesto foi discreto, mas o efeito foi total.


O coliseu calou.


Até Aelthandor parou.


Elyndariel olhou para Yan Chihuo, e a recusa veio sem hostilidade, mas sem espaço para discussão.


"Não."


A palavra foi tão simples que pareceu impossível.


Yan Chihuo não reagiu com insulto, mas o olhar dele mudou, rápido.


"Não?" Aelthandor perguntou, sem esconder a surpresa.


Elyndariel repetiu, com a mesma tranquilidade.


"Não."


Ela olhou para o coliseu, e depois para o centro.


"A proposta estava errada desde o começo."


Maeryn estreitou os olhos.


"Errada por quê?"


Elyndariel respondeu: "Porque vocês querem um casamento como prova."


"Uma peça visível."


"Uma corrente elegante."


Ela olhou para Zao Tian.


"E vocês acham que prender o eixo político humano resolve o problema."


O coliseu se mexeu com desconforto.


A proposta de casamento, ali, sempre tinha sido um instrumento.


Só que Elyndariel estava arrancando o instrumento das mãos de quem queria tocá-lo.


Elyndariel continuou.


"Yan Chihuo veio disposto a cumprir um papel." Ela olhou para Yan Chihuo, e não havia desprezo nisso, porém, havia um tipo de leitura muito particular: "Isso torna ele previsível."


Alguns elfos se agitaram.


Outros assentiram em silêncio, como se entendessem o ponto com uma elegância amarga.


Elyndariel então virou o rosto para o centro de novo.


"Se é para criar um laço que doa…"


Ela repetiu as palavras de Zao Tian sem repetir o tom.


"Então ele precisa ser um laço que ninguém aqui consiga usar como uma vantagem simples."


Aelthandor franziu o cenho.


"E o que você sugere?"


Elyndariel respondeu, e a frase caiu como uma bomba naquele lugar: "Eu serei a noiva!"


O coliseu não se mexeu de imediato.


Porque por um instante ninguém acreditou que tinha ouvido aquilo.


Saelorian virou o rosto, como se aquilo fosse uma afronta à própria estrutura.


Maeryn ficou imóvel, com a máscara dela paralisada.


Aelthandor deixou escapar um mínimo de surpresa, e o mínimo, nele, já era um terremoto.


Yan Chihuo permaneceu quieto, mas o ar ao redor dele ficou mais denso.


E Zao Tian, pela primeira vez em muito tempo naquela audiência, não respondeu.


Ele apenas olhou.


Elyndariel sustentou o olhar de todos, e completou.


"Se houver casamento, não será com Yan Chihuo."


Aelthandor abriu a boca, mas ela não deu espaço para outra condução.


Elyndariel então virou o olhar para o grupo no centro.


Ela não olhou para Zao Tian por mais tempo do que o necessário.


Não olhou para Yan Chihuo.


Ela olhou para o único que, desde o começo, não tinha tentado vencer o coliseu com palavras.


Ela olhou para o silêncio.


E disse: "Ele."


O alvo foi apontado e, dessa vez, o coliseu realmente se desorganizou.


Em choque.


Porque, entre todas as pessoas ali, o alvo, Ye Yang, era a última pessoa que a política escolheria.


E, ainda assim, era exatamente isso o que estava acontecendo.


“Hum..?” Ye Yang ergueu o olhar, sem entender nada do que estava acontecendo.


Zao Tian virou o rosto para ele, e a surpresa atravessou o controle num nível que nem ele esperava sentir.


Yan Chihuo, ao lado, endureceu, não por ciúme ou orgulho, mas por espanto.


Gins olhou para Elendariel que, de longe, era a criatura mais bonita daquela sala. Depois, ele olhou para Ye Yang com uma cara de inveja que não dava para esconder e xingou, baixo: “Filho da puta…”


Kyon, tendo a mesma reação que seu companheiro, resmungou: “Maldito sortudo…”


Raya abriu um largo sorriso e agradeceu internamente: “Pelo menos o tigrinho está a salvo!”


Elyndariel, por sua vez, continuou, e a voz dela permaneceu estável: "Ele foi o único que não tentou me convencer a nada."


"Não tentou nos provocar."


"Não tentou nos comprar com promessas."


Ela apontou, sem agressão.


"Ele ficou aqui para ver."


"Para vigiar."


O coliseu reagiu.


"Isso é uma absurdo."


"Isso é uma humilhação."


"Isso é uma armadilha."


"Isso é…"


Saelorian foi o primeiro a explodir de verdade.


"Elyndariel!"


"Você vai amarrar nossa linhagem a um humano aleatório?"


Maeryn falou por cima, fria.


"Isso é teatro."


Elyndariel não se abalou. Ela olhou para Maeryn e confirmou: "Sim."


A frase dela não era confissão de culpa. Era uma confissão de intenção: "Mas, dessa vez, o teatro serve à verdade."


Ela olhou para Aelthandor.


"A verdade é que vocês querem um laço."


"A verdade é que eles não vão devolver o que vocês pediram."


"A verdade é que vocês estão prontos para transformar isso em uma guerra se não controlarem o próximo passo."


Ela voltou o olhar para o centro.


"E a verdade é que Zao Tian não é Gold, não é Zaki, e não é ninguém que vocês conseguem nomear com conforto."


A frase bateu como um martelo, porque ela disse o que ninguém queria dizer com tanta clareza.


Elyndariel completou: "Então nós paramos de tentar nomear, e começamos a escolher."


Ela apontou para Ye Yang de novo.


"Eu escolho alguém que não veio buscar aprovação."


"Eu escolho alguém que não veio ocupar espaço com discursos."


"Eu escolho alguém que ainda não se vendeu nem como herói nem como vilão."


Aelthandor continuava imóvel.


A sala inteira parecia ter perdido o chão da própria audiência.


Zao Tian, então, falou, e foi a primeira frase dele naquele trecho que carregou algo mais áspero: "Você está fazendo isso para me atingir."


Elyndariel olhou para ele e respondeu: "Eu estou fazendo isso para impedir que você continue comandando o ritmo desta sala."


A sinceridade dela foi tão limpa quanto a dele.


"Vocês vieram para um coliseu esperando que a arena fosse de vocês."


Ela olhou para os degraus.


"Vocês vieram para um coliseu esperando que a arena fosse nossa."


Ela voltou ao centro.


"A arena não é de ninguém."


"Então eu a tomo de volta com uma decisão que corta as duas vaidades."


Yan Chihuo respirou fundo, olhou para o lado e perguntou: “E Ye Yang aceita?"


Elyndariel não respondeu de imediato. Ela olhou para Ye Yang, esperando que ele falasse pela primeira vez.


O silêncio dele tinha sido observado.


Agora ele era cobrado.


Ye Yang ficou alguns instantes sem resposta.


Depois falou, com a voz confusa: "Eu? Tem certeza que está apontando pra mim?"


Elyndariel respondeu sem hesitar, como se a pergunta já estivesse respondida antes de ser feita: "Tenho! Porque você é o único que, até agora, não tentou nada, apenas cumprir a sua função."


A sala reagiu com novas camadas de choque, porque aquilo mudava o eixo moral.


Zao Tian, então, percebeu, tarde demais, a forma como tudo estava sendo rearrumado.


O “herdeiro de Zaki” não era só um insulto. Era um jeito de empurrar Zao Tian para fora do centro simbólico da luz.


E agora Elyndariel estava selando isso, escolhendo outro humano como laço, como se dissesse: A luz dele não é a nossa esperança.


A esperança, se existir, terá outro formato.


Elyndariel, diante do caos que ela mesma criou, fez a pergunta final como se encerrasse uma sessão inteira: "Se vocês querem um casamento por aliança…"


Ela olhou para Aelthandor.


"Ele acontecerá assim."


Ela olhou para Yan Chihuo.


"Sem você."


Ela olhou para Zao Tian.


"Sem a sua narrativa."


Ela olhou para Ye Yang.


"Com o silêncio que realmente viu esta sala."


O coliseu não tinha nenhuma resposta pronta.


Aelthandor parecia entre recuperar o controle e admitir que o controle tinha mudado de mãos.


Saelorian estava pálido de raiva.


Maeryn, pela primeira vez, parecia sem a frase exata para destruir.


E Zao Tian, sentado no centro de tudo, entendeu que aquele momento não dependia mais dele, e sim, de outra pessoa. De alguém que deveria fazer uma escolha…


Ele olhou para o lado, para o seu companheiro de muitas batalhas, treinos e jornadas, e perguntou: “E aí… irmão… você concorda com isso?”


Ye Yang estava travado, sem saber o que pensar, como se comportar e o que dizer. 


Ele tinha aceitado, há muito tempo, ser um coadjuvante na vida de Zao Tian, apoiando em batalha, protegendo os amigos que fez ao longo da vida e se mantendo como uma sombra fiel. 


Contudo, agora, a sombra ganhou um papel de destaque que nunca sequer cogitou ocupar em toda a sua vida. 


Havia uma linda mulher, de onze mil anos, reivindicando a sua mão em casamento. E Ye Yang… não conseguia dizer nada. 


Ele não estava entendendo nada.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
bottom of page