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Capítulo UHL 1153 - Comum

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Tenham uma boa leitura!]


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O silêncio que veio depois da pergunta de Zao Tian não foi um silêncio de respeito.


Foi um silêncio de pane.


Porque, naquele coliseu, nada era mais perigoso do que uma decisão que ninguém tinha previsto.


Ye Yang estava de pé, mas era como se o próprio corpo tivesse esquecido como se movia.


Ele olhou para Zao Tian, como se Zao Tian tivesse algum tipo de manual escondido para aquilo.


Zao Tian apenas sustentou o olhar dele por um instante, sem sarcasmo, sem empurrão.


Yan Chihuo continuou imóvel ao lado, mas os olhos dele estavam calculando os efeitos sociais daquele anúncio com a mesma seriedade com que calculava um campo de batalha.


O coliseu, que até então tinha girado em torno de Gold, Zaki e do Arsenal, agora tinha um novo eixo.


Elyndariel.


Ela ainda estava de pé. E a presença dela, naquele momento, não era só autoridade.


Era um contraste.


Ye Yang tinha visto muita gente bonita ao longo da vida. Gente que parecia saída de uma lenda. Gente que fazia o mundo desacelerar por um segundo.


Mas Elyndariel não parecia com nenhuma lenda.


Ela parecia um erro estatístico do universo.


Ela era alta o suficiente para chamar atenção sem precisar impor; Esbelta no sentido exato, sem excesso e sem fragilidade, como se cada proporção tivesse sido escolhida por alguém que sabia o que era perfeição e não tinha pressa; A pele dela era clara e uniforme, sem manchas, sem marcas, sem sombras de idade, como se onze mil anos não fossem tempo, mas um detalhe irrelevante que o corpo dela se recusou a aceitar; Os cabelos eram loiros num tom quase platinado; Longos, lisos, caindo como uma lâmina macia até além da linha das costas, capturando a luz do anfiteatro e devolvendo em brilho frio; E os olhos… Os olhos eram verdes, mas não o verde comum.


Verdes como esmeraldas bem polidas, profundas, limpas, com uma intensidade que não precisava de ameaça para parecer perigosa.


Quando ela olhava, não havia curiosidade infantil. Havia leitura.


Como se ela não enxergasse só a pessoa. Ela enxergasse o que a pessoa tentava esconder dela.


A beleza dela, naquela sala, não era só estética. 


Era um tipo de força.


Um lembrete cruel de que o universo podia produzir coisas magníficas sem pedir permissão a ninguém.


Ye Yang desviou o olhar por instinto, e só aí lembrando que estava no centro de um coliseu, ele tentou voltar com o mínimo de compostura.


Mas a comparação era inevitável.


Ele era ruivo.


O cabelo dele não era aquele ruivo “bonito” que as pessoas elogiam em festas.


Era o ruivo de alguém que viveu no sol, na poeira, na porrada.


Os olhos dele tinham um brilho incandescente que, em batalha, assustava, mas ali, de frente para Elyndariel, parecia só um detalhe estranho, como brasas tentando competir seu brilho com uma constelação.


O rosto dele era bonito, sim, do jeito que gente sobrevivente costuma ser, mas era um bonito marcado.


Cicatrizes, marcas de treino, pequenos cortes que já tinham fechado…


O tipo de registro que o corpo carrega quando ninguém protege você além do seu próprio esforço.


Ele tinha ombros fortes, postura de soldado, e um jeito de ficar parado que denunciava uma vida inteira em alerta.


E mesmo assim…


Mesmo assim, perto dela, ele se sentiu ridículo.


Como se alguém tivesse colocado um homem de luta ao lado de uma estátua esculpida pela própria ideia de beleza.


Ele não pensou em notas naquele momento.


Contudo, uma hora aquele pensamento veio.


E quando ele pensou nisso, a crueldade foi automática.


“Eu sou… um quatro.”


“Ela é… onze.”


O coliseu inteiro estava olhando para ele.


E Ye Yang, parado, percebeu tarde demais que o silêncio dele não estava sendo lido como choque.


Estava sendo lido como insolência.


Um murmúrio começou.


Primeiro baixo.


Depois com dentes.


"Ele não disse nada."


"Ele está recusando?"


"Ele acha que pode hesitar?"


"Ela escolheu."


"Ela escolheu e ele hesita?"


Gins, ao lado de Zao Tian, teria rido se não estivesse tão ocupado tentando não rir.


O rosto dele estava duro, mas a inveja vazava pelos olhos como água em rachadura.


Kyon manteve a postura de sempre, mas o maxilar dele apertou, como se o universo estivesse debochando da cara dele naquele instante.


Raya, por um milagre, não explodiu.


Ela apenas parecia divertidamente aliviada com o fato de que, por algum motivo inacreditável, a atenção do mundo tinha saído de cima de qualquer risco imediato ligado ao “tigrinho” que ela ainda insistia em proteger com o humor interno dela.


Aelthandor não disse nada.


Ele observava.


Como anfitrião, como juiz e como alguém que, naquele momento, também estava tentando entender o que Elyndariel estava fazendo.


Maeryn Val’Thalas, por outro lado, já tinha entendido mais do que queria.


O sorriso dela estava congelado.


Congelado não por surpresa, mas por algo que doía mais do que a política.


Humilhação.


Saelorian Tyndar estava de pé, rígido, e a raiva dele tinha mudado de cor.


Não era mais raiva de humanos. Era raiva de ver a própria estrutura elfa ser redesenhada por uma decisão inesperada e em público.


Elyndariel, por sua vez, não parecia afetada por nada.


Ela olhou para Ye Yang com a mesma calma de antes, como se fosse natural o mundo inteiro esperar a palavra dele.


Ye Yang engoliu seco.


O olhar dele foi para Zao Tian de novo, buscando o apoio de alguém que sabia falar em salas como aquela.


Zao Tian não salvou ele dessa vez.


Ele só perguntou, quieto, como tinha feito: "E aí… irmão… você concorda com isso?"


Ye Yang abriu a boca.


Fechou.


Abriu de novo.


E isso, por si só, quase matou alguns elfos de raiva.


A maioria ali não conseguia aceitar que alguém, qualquer um, fosse incapaz de responder imediatamente a uma proposta daquela.


Então, finalmente, Ye Yang falou.


"Eu…"


A palavra saiu fraca.


Não por covardia, mas por excesso de realidade.


Ele olhou para Elyndariel, e a sinceridade saiu antes da estratégia.


"Você tem certeza?" Ele perguntou.


O coliseu reagiu como se ele tivesse cuspido no chão.


"Como assim tem certeza?"


"Ele está brincando?"


"Ele está recusando!?"


"Que insulto!"


Ye Yang se apressou, sentindo o chão virar areia.


"Não!"


Ele ergueu as mãos num gesto instintivo, como se tentasse segurar o mundo longe do rosto dele.


"Não é isso."


"Eu só…"


Ele olhou ao redor, e a frase saiu quase como um pedido de socorro.


"Eu não estou entendendo."


Um elfo no alto gritou, sem polidez alguma: "Você quer que a gente desenhe pra você, humano?"


Ye Yang virou o rosto, irritado, mas ainda mais confuso: "Eu não estou recusando!"


Aquela justificativa, de algum modo, irritou mais. Porque agora parecia que ele estava tentando se explicar, como se a escolha de Elyndariel precisasse passar por um filtro humano.


Maeryn deu um passo à frente no próprio degrau.


"Você sabe quantos já pediram isso?" A voz dela estava baixa, mas estava afiada: "Você sabe quantos já tentaram?"


Ye Yang piscou: "Eu… não."


"Claro que não." Saelorian quase riu: "Ele nem sabia onde estava pisando."


Ye Yang encarou Saelorian, tentando manter a compostura, e respondeu: "Eu sei onde eu estou."


Saelorian estreitou os olhos e avisou: "Então aja como alguém que sabe."


Aelthandor, ainda em silêncio, avaliou se entraria, mas Elyndariel entrou antes.


Ela não levantou a voz.


Ela só falou.


"Ye Yang." O nome dele, na boca dela, não teve doçura nem crueldade. Teve apenas atenção.


Então o coliseu calou de novo, como se o som fosse um privilégio que ela permitia.


Ye Yang sustentou o olhar, e, quanto mais ele olhava, mais ele percebia um detalhe que piorava a situação.


Ela não estava provocando.


Ela não estava tentando constrangê-lo.


Ela estava escolhendo de verdade.


E isso assustava mais do que qualquer teatro.


Ye Yang respirou fundo.


"Por quê eu?" A pergunta saiu direta.


Não foi uma humildade performática. Foi apenas um homem buscando sentido antes de aceitar virar uma peça numa máquina que ele não entendia.


Um murmúrio subiu pelas arquibancadas.


Era a pergunta que muitos ali também queriam fazer, só que por motivos inversos.


Elyndariel respondeu sem desviar: "Eu já disse. É porque você não veio aqui vender uma versão de si mesmo."


Ye Yang franziu o cenho: "Eu… eu não vim vender nada, eu vim só…"


Ele cortou a frase, sem saber como completar sem parecer ainda mais burro.


Uma risada isolada, amarga, surgiu em algum lugar alto, e morreu quando alguém percebeu que Elyndariel não achava graça.


Ela continuou: "Você ficou em silêncio porque entendeu que falar não era seu papel."


"Você observou."


"Você não tentou me convencer."


"Não tentou nos humilhar."


"Não tentou nos agradar."


Ela olhou de canto para Zao Tian, e depois voltou.


"E, mais importante… você não tentou comandar esta sala."


Zao Tian manteve a expressão neutra, mas o olhar dele endureceu um pouco.


Ye Yang percebeu o recado, mas ainda assim estava preso no próprio espanto.


"Tá, mas…" Ele olhou para o chão e depois para ela de novo: "Isso… isso não faz sentido. Eu não sou ninguém."


A frase saiu e, na mesma hora, ele se arrependeu, porque o coliseu interpretou como recusa.


E explodiu.


"Não faz sentido!?"


"Ele está rejeitando!"


"Ele está humilhando!"


"Ele está brincando com ela!"


"Ele está se fazendo de difícil!"


Ye Yang virou para os lados, com as mãos abertas, tentando segurar a maré.


"Não!" Ele falou: "Eu não estou rejeitando ninguém!"


Gins, atrás, não aguentou.


Ele se inclinou um pouco para Kyon e sussurrou, baixo, como se tivesse medo de morrer pelo próprio comentário: "Ele vai morrer sem perceber que está morrendo."


Kyon respondeu sem olhar: "Ele já está morrendo."


Raya soltou um som curto pelo nariz, quase um riso, e imediatamente parou quando percebeu que qualquer respiro errado podia virar fogo em outra boca.


Maeryn, com o olhar queimando, jogou a verdade que estava presa há muito tempo: "Você acha que tem direito de ponderar nisso?"


Elyndariel não interrompeu.


Ela deixou Maeryn sangrar a própria dor por um segundo.


Maeryn continuou, mais ríspida: "Eu vi homens e mulheres mais honrados do que você saírem daqui quebrados."


"Eu vi propostas recusadas com palavras que viraram traumas."


"Eu vi gente passar séculos sem olhar na direção do trono por causa de uma frase dela."


O coliseu reagiu com um silêncio constrangido.


Nem todos ali gostavam de admitir como algumas recusas tinham sido brutais.


Ye Yang engoliu seco e respondeu: "Eu não sei nada disso."


Aelthandor, finalmente, falou.


"Então aprenda rápido." O tom dele não era de ameaça, mas de constatação.


Elyndariel olhou para Aelthandor com calma, e avisou: "Não use esse tom com ele."


Aelthandor ficou imóvel por um instante, como se fosse a primeira vez em muito tempo que alguém o atravessava sem pedido.


Ele recuou o suficiente para o coliseu entender quem estava conduzindo as coisas.


Ye Yang respirou de novo. E, pela primeira vez, a voz dele saiu com um pouco de irritação real, não contra Elyndariel, mas contra a situação.


"Eu estou tentando entender o que tá acontecendo." Ele olhou em volta, e a honestidade virou quase um desabafo: "Porque… com todo respeito…"


Ele encarou Elyndariel e, por um segundo, a palavra respeito pareceu pequena demais.


"Isso não encaixa!" Ele afirmou.


O coliseu reagiu com raiva, pronto para morder, mas Elyndariel levantou os dedos num gesto mínimo.


E o barulho morreu de novo.


Ela se aproximou um pouco, não como quem invade o espaço pessoal, mas como quem reduz a distância para que a conversa seja verdadeira.


"Você acha que eu escolho por encaixe?" Ela perguntou, com um olhar hipnotizante.


Ye Yang piscou, balançou a cabeça para voltar a realidade e respondeu: "Eu acho que…"


Ele quase falou “você me escolheu para me sacanear”, mas segurou, porque aquilo parecia uma ofensa.


Ele então falou o que era uma outra verdade: "Eu acho que… eu não tenho o mesmo nível."


A frase caiu. E foi cômica e trágica ao mesmo tempo.


Porque era a coisa mais humana que alguém podia dizer diante de uma criatura que parecia desenhada por um deus.


O coliseu reagiu com uma mistura horrível.


Alguns elfos ficaram indignados.


Outros ficaram rindo por dentro.


E alguns, os que conheciam o peso da rejeição, ficaram mais irritados ainda, como se aquilo fosse uma nova forma de insolência.


"Ele está se fazendo de humilde!"


"Ele está recusando com poesias!"


"Ele está tentando salvar a própria dignidade!"


Ye Yang arregalou os olhos, vendo todos deturparem sua dúvida genuína..


"Que poesia, caralho!?" Ele xingou, e, por um segundo, o coliseu ficou em choque com o idioma humano atropelando a etiqueta.


Gins soltou um som entre tosse e riso.


Kyon fechou os olhos por um instante, como se agradecesse por não ser ele no centro.


Zao Tian não riu, mas o canto da boca dele ameaçou.


Elyndariel, surpreendentemente, não se ofendeu.


Ela apenas respondeu, séria: "Você não está aqui para disputar estética."


Ye Yang engoliu seco.


"Eu não tô disputando." Ele falou: "Eu só…"


Ele apontou para ela, e a mão dele tremeu de leve.


"Você é…" Ele parou, porque qualquer palavra seria insuficiente e ridícula.


Elyndariel completou por ele, sem vaidade: "Eu sou o que eu sou."


Ela deu uma pausa: "E você é o que você é."


Os olhos verdes dela ficaram ainda mais claros naquele instante.


"Eu não escolhi uma imagem.” Ela disse: "Eu escolhi um ponto."


Ye Yang franziu o cenho e questionou: "Que ponto?"


Elyndariel respondeu: "O ponto onde o laço dói."


O coliseu se arrepiou, porque agora não era mais comédia.


A frase tinha a mesma textura de uma sentença.


Elyndariel olhou para os degraus e disse: "Vocês todos querem controlar o que Zao Tian é."


Ela olhou para Zao Tian e disse: "Vocês querem chamá-lo de herdeiro de Zaki para se livrarem da esperança e transformarem a frustração em certeza."


Então ela voltou para Ye Yang: "E vocês querem que o casamento seja com Yan Chihuo porque ele é previsível, porque ele é um eixo político pronto."


Ela soltou o ar: "E eu recuso isso."


O coliseu começou a se mexer de novo, mas ela continuou, sem permitir que virasse barulho.


"Eu escolhi alguém que não estava no plano de ninguém." Ela olhou para Ye Yang: "Isso impede que esta aliança vire uma coleira simples."


Ye Yang abriu a boca.


"Tá, mas… e eu?" Ele apontou para si mesmo, desesperado por clareza.


"Eu não sou político."


"Eu não sou…"


Ele olhou para Zao Tian, e o que ele queria dizer era “eu não sou importante”.


Contudo, naquele momento, o olhar de Zao Tian o segurou antes da frase sair.


Porque Zao Tian entendeu, ali, o risco. E, principalmente, porque Zao Tian não achava isso.


Zao Tian considerava Ye Yang como um irmão e uma das pessoas mais importantes de sua vida. E, também, ele sabia que, se Ye Yang falasse isso, o coliseu pisaria nele por prazer.


Ye Yang então escolheu outra frase: "A senhora está entendendo o que está fazendo comigo aqui?"


O coliseu fez um som abafado.


A pergunta tinha sido boa demais.


Cômica demais.


Trágica demais.


Elyndariel respondeu com a mesma seriedade impiedosa: "Estou."


Ye Yang ficou um instante parado.


A honestidade dela não ajudava em nada. Só piorava.


Porque significava que ele não tinha como escapar fingindo que era um mal-entendido.


Ele respirou mais forte, e o corpo dele começou a dar sinais de algo que não era medo de luta. Era excesso de coisas acontecendo dentro da sua cabeça.


Saelorian, indignado, tentou intervir.


"Elyndariel, isso—"


Ela olhou para ele.


Só olhou. E Saelorian não terminou.


Foi um choque para o coliseu, porque não era comum ver o ex-general engolir palavras daquele jeito.


Ye Yang percebeu. E aquilo, por algum motivo, deixou tudo ainda mais real.


Ele estava realmente preso numa decisão que atravessava gente muito grande.


Ele olhou para Zao Tian mais uma vez. E aí, finalmente, admitiu a única verdade que ele tinha naquele instante.


"Eu não consigo pensar." Ele soltou o ar: "Eu não consigo nem…"


Ele olhou para o coliseu, para ela, para os degraus.


"Tem coisa demais acontecendo."


Maeryn pareceu pronta para atacar de novo, mas Elyndariel levantou os dedos, impedindo.


Ye Yang percebeu que era uma chance. E agarrou, com toda a dignidade possível.


"Eu preciso de um minuto." A frase veio limpa, quase como um pedido: "Um minuto só pra respirar."


Ele olhou para Elyndariel, e a sinceridade dele, pela primeira vez, pareceu digna da seriedade dela: "Porque eu juro que eu não estou recusando nada."


"Eu só estou…"


Ele balançou a cabeça, rindo sem querer, num desespero estranho: "Eu só estou tentando entender como minha vida virou isso de uma hora para a outra."


O coliseu ficou imóvel.


Aelthandor olhou para Elyndariel, esperando a decisão.


Elyndariel fitou Ye Yang com seus olhos verdes, sem pressa.


Então, com a mesma tranquilidade que tinha parado o coliseu antes, ela respondeu: "Um minuto."


E, pela primeira vez desde que o “não” de Zao Tian em relação ao arsenal tinha deslocado tudo, o coliseu inteiro entendeu que aquele pedido… não era fraqueza.


Era a primeira reação humana realmente normal desde que tudo começou.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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