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Capítulo UHL 1155 - Amarras

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Tenham uma boa leitura!]


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Ye Yang voltou para dentro do coliseu como quem atravessa uma porta sabendo que, do outro lado, nada mais pertence ao passado.


O murmúrio que existia antes tinha virado um tecido constante, grudado na pedra, nos degraus, no ar. Não era conversa. Era um julgamento em andamento. E, quando ele reapareceu na borda do círculo central, vários rostos se viraram ao mesmo tempo, como se alguém tivesse finalmente colocado de volta a peça que faltava para o espetáculo continuar.


Zao Tian entrou logo atrás. Ele simplesmente voltou ao lugar dele e se sentou, como se sua postura fosse um lembrete de que, apesar do caos, ele ainda estava onde tinha decidido ficar.


Ye Yang não se sentou. Ele permaneceu de pé.


O gesto, por si só, já mudou o peso do anfiteatro, porque, naquele lugar, ficar de pé era declarar que você não estava mais pedindo tempo. Estava oferecendo uma resposta.


Elyndariel estava no mesmo lugar. De pé, intacta, com os olhos verdes sustentando o coliseu inteiro como se o coliseu fosse um detalhe.


Ye Yang respirou uma vez, como quem confirma que ainda existe ar.


Então ele caminhou alguns passos, parou no ponto em que todos podiam vê-lo sem que ele precisasse levantar a voz, e olhou para Elyndariel do jeito mais sério que já tinha olhado para qualquer coisa na vida.


Ele não baixou os olhos dessa vez…


E falou: "Eu aceito."


A frase não veio bonita.


Veio reta.


E, por isso, foi pior.


O coliseu explodiu.


Não em aplausos, mas em protestos.


Uma parte gritou porque se sentiu insultada pelo atraso, como se o simples fato de Ye Yang ter respirado por um minuto fosse uma humilhação imposta ao orgulho elfo.


"Ele ponderou!"


"Ele ousou ponderar!"


"Como se tivesse direito!"


Outra parte gritou com um veneno que tentava vestir roupa de protocolo. Elfos que não estavam reagindo por honra, mas por matemática. Casas que enxergavam aquilo como um eixo de poder girando para o lado errado, para fora do alcance delas.


"Isso precisa ser reconsiderado!"


"Uma decisão tomada sob ofensa não é uma decisão inteligente, Elyndariel!"


"Ele te constrangeu diante do coliseu!"


"Elyndariel, você foi desrespeitada!"


A palavra “desrespeitada” era um truque, porque o que eles queriam dizer era: nós perdemos.


Aelthandor ficou imóvel por um instante, avaliando o volume do barulho e o ponto exato em que aquilo poderia virar um rompimento real.


Antes que ele falasse, Elyndariel falou. E a sala calou como se tivesse sido puxada pela garganta.


"Chega." A voz dela não era alta, mas calava as pessoas.


Ela então olhou para os degraus, e não havia irritação… Havia a mesma certeza com que ela tinha apontado Ye Yang: "O casamento acontecerá."


Os degraus vibraram com novas tentativas de protesto, mas Elyndariel não deu espaço para o protesto virar argumento.


Ela continuou, como quem lê um texto que já existe: "Cinco dias."


O coliseu travou.


Ye Yang piscou.


"Cinco dias?" Ele repetiu, como se o cérebro dele não tivesse acompanhado o salto.


Elyndariel confirmou sem mudar o tom: "A cerimônia será marcada em cinco dias."


Ela virou o rosto só o suficiente para que o coliseu entendesse que a decisão já tinha sido comunicada para quem precisava ouvir: "Você terá esse tempo para se organizar."


A frase seguinte veio como o verdadeiro golpe: "Você vai se mudar."


Não foi perguntado. Foi anunciado.


Ye Yang apertou o maxilar.


Por um instante, o velho impulso voltou: o impulso de reagir, de reclamar, de dizer que não faz sentido.


Mas ele lembrou do corredor. Lembrou da palavra brinquedo. E lembrou que a primeira batalha dele naquele casamento não precisava ser ali.


Então, ele engoliu. E, no primeiro movimento de estratégia da vida dele que não envolvia machados, ele não comprou a briga na hora.


"Entendi." Ele respondeu.


A resposta, por cima, era concordância. Por baixo, era uma anotação: depois.


O coliseu ainda estava tentando encontrar um ângulo para quebrar aquela decisão, quando uma voz nova cortou a sala de um lugar alto, com o tipo de frieza de alguém que não precisava se levantar para ferir.


Era um elfo que ainda não tinha falado.


O tom dele era limpo demais para ser inocente.


Elyndariel reconheceu o tipo antes mesmo da palavra existir.


"Já que estamos distribuindo concessões e laços…" A voz disse, com um veneno elegante: "Vamos voltar ao que realmente importa."


O coliseu se inclinou em direção ao nome que ainda queimava na língua.


"O Arsenal de Gilgamesh."


O som não foi um murmúrio dessa vez.


Foi um retorno calculado.


Um pretexto perfeito.


Porque muita gente ali queria esse assunto de volta não por devoção, mas por poder. E também porque era a última corda que podiam puxar para colocar os humanos contra a parede outra vez.


A voz continuou: "Não existe decisão sobre isso."


"Não existe acordo."


"E nós não admitimos que humanos continuem com ele."


A frase foi dita como se o coliseu tivesse o direito natural de concluir isso agora.


Degraus se agitaram.


Alguns elfos assentiram com raiva verdadeira. Outros assentiram com satisfação estratégica. E, no centro, Ye Yang sentiu um frio estranho, porque tudo que ele tinha acabado de aceitar já estava sendo usado para apertar o pescoço do grupo dele de novo.


Zao Tian permaneceu sentado por meio segundo. A expressão dele não mudou, mas o ar ao redor dele ficou mais denso.


Logo em seguida, ele se levantou.


O gesto foi imediato na sala, como se alguém tivesse puxado uma lâmina do nada. E, quando ele falou, não foi para gritar.


Foi para cortar o debate pela raiz.


"Eu vou devolver parte." Ele anunciou.


O coliseu congelou.


Parte.


A palavra ficou no ar com um gosto quase ofensivo, porque ela não era nem sim, nem não.


Ela era um cálculo.


Zao Tian continuou, antes que interpretassem do jeito que quisessem: "Como prova de boa fé entre as raças."


Ele olhou para Elyndariel: "E como um presente para a união."


O coliseu explodiu de novo, mas dessa vez era uma explosão diferente.


Agora era expectativa.


Porque, na cabeça de muita gente, presente significava: tudo.


Era como se o coliseu inteiro tivesse assumido que Zao Tian iria colocar o Arsenal inteiro nas mãos de Elyndariel.


Eles não estavam errados, porque, pensando bem, era exatamente isso que passava na mente dele.


Não por generosidade. Foi uma espécie de vingança.


Você está usando meu irmão? Então eu uso você.


Ele tinha pensado rápido, e, ao mesmo tempo, o cérebro dele encaixou a outra peça.


Ele não precisava entregar tudo para amarrar.


Ele só precisava amarrar o suficiente.


Porque, ao escolher Ye Yang, Elyndariel não tinha amarrado apenas Ye Yang. Ela tinha amarrado Zao Tian também. E Zao Tian não desperdiçava amarras.


Ele então terminou com a proposta que fechava o circuito: "Metade."


A palavra veio seca.


Metade para vocês.


Metade continua comigo.


Metade era inadmissível para muitos. E isso ficou claro na reação.


"Metade!?"


"Isso é um insulto!"


"Isso é chantagem!"


"E por que aceitaríamos isso?"


Zao Tian não respondeu à multidão.


Ele olhou direto para Elyndariel, porque era ali que a guerra real acontecia.


Elyndariel sustentou o olhar dele por um instante longo.


Ela entendeu.


Ela entendeu que aquilo não era um gesto de paz. Era uma manobra para transformar o casamento em um nó de posse.


Ela entendeu que, ao aceitar metade, ela ganhava uma vitória que nenhuma casa conseguiria tomar dela. Ela ganhava o centro sem deixar que outras mãos o tocassem.


E ela ganhava também o que ela provavelmente queria desde o início: um futuro de olhos e linhagens sem precisar arrancar nada de ninguém.


Com um sorriso de canto de quem reconhece a boa jogada de um adversário, ela respondeu com a mesma tranquilidade da primeira decisão: "Concordo."


O coliseu tremeu.


Não porque aceitaram, mas porque Elyndariel acabou de dizer: acabou. 


Bem ali, como se o universo fosse um predador, Aelthandor também pensou rápido e escolheu o lado que sobreviveria.


Ele deu um passo mínimo e falou com a autoridade que ainda carregava o peso da tradição.


"Metade é preferível a nada." A frase dele não foi um pedido. Foi uma escolha pública. E uma escolha pública, naquele lugar, criava correntes.


Outros começaram a entender o movimento.


Se insistissem em nada, ganhariam um inimigo humano e uma Elyndariel com o orgulho ferido, e perderiam a chance de ter qualquer parte do que tanto desejavam. E, pior, perderiam o eixo político mais poderoso que já tinham visto nascer desde os dias em que Gold era um nome vivo.


Um por um, vozes novas começaram a apoiar.


Algumas por medo. Algumas por cálculo. Algumas porque, sinceramente, não queriam viver uma guerra por causa de um objeto, por mais sagrado que fosse.


Metade ainda era uma blasfêmia para muitos, mas metade era uma vitória possível, e, numa sala cheia de gente que sabia o que era perder, vitórias possíveis eram uma moeda real.


Quando o murmúrio finalmente começou a cair, Aelthandor falou, formal, como se estivesse declarando o resultado de uma sessão inevitável: "Então fica decidido."


Elyndariel assentiu, como se, no fundo, aquele detalhe do Arsenal fosse só mais uma linha de um contrato maior que ela já tinha escrito na cabeça.


Ye Yang ficou parado, em silêncio, absorvendo.


Cinco dias. Mudança. Metade do Arsenal e um coliseu inteiro odiando ele por ter respirado.


Ele não sabia se aquilo era uma vitória ou uma condenação, mas sabia que era real.


Assim, a audiência foi encerrada do jeito que coisas perigosas são encerradas: sem alívio.


O grupo deixou o coliseu sob protestos.


Alguns elfos ainda gritavam. Outros apenas encaravam com um ódio quieto. E alguns, os mais rápidos, já estavam pensando no que poderiam fazer em cinco dias para se colocar o mais perto possível do novo centro de gravidade.


Assim que saíram do coliseu e atravessaram os corredores claros, o ar quase pareceu mais leve.


Não porque a pressão tinha ido embora, mas porque as paredes não tinham plateia.


Gins olhou para Ye Yang e soltou, baixo, com um riso que era metade inveja e metade respeito: "Cinco dias."


Kyon resmungou: "Eu ainda acho que o universo tá rindo da gente."


Raya soltou um som pelo nariz: "Ele não tá rindo."


"Ele tá gargalhando."


Yan Chihuo caminhava com a expressão de quem tinha participado de muitas guerras e, ainda assim, não tinha repertório para aquela.


"Isso foi…" Ele começou.


E parou, porque não tinha palavras.


Ye Yang respondeu: "Uma loucura."


Zao Tian assentiu: "Sim."


Pouco depois, já longe demais do coliseu para que os gritos alcançassem, e perto demais do vazio para que qualquer um fingisse normalidade, eles se prepararam para deixar o planeta elfo.


O mundo lá fora voltou a ser o universo de sempre: frio, escuro, indiferente.


E foi justamente quando o cenário voltou a fazer sentido que Cruz apareceu, vindo de encontro ao grupo, com o tipo de curiosidade simples que só alguém que chegou depois do terremoto consegue ter.


Ele olhou para Yan Chihuo primeiro, porque Yan Chihuo era o nome que fazia sentido naquele contexto, e perguntou com a naturalidade de quem está perguntando sobre clima: "E aí… a noiva do Yan Chihuo é bonita?"


O grupo travou por meio segundo.


Eles riram, e Gins foi o primeiro a quebrar. 


Ele olhou para Cruz como quem acabou de receber a chance perfeita de ser cruel sem ser maldoso e falou: "Yan Chihuo não vai casar."


Cruz franziu o cenho: "Como assim não vai? Não foi esse o motivo de…"


Kyon apontou com o queixo, direto para o lado: "Olha pro noivo."


Cruz virou. Viu Ye Yang. E os olhos dele arregalaram.


"Não." Ele comentou, incrédulo.


Raya não aguentou e confirmou: "Sim."


Gins completou, com prazer: "Ye Yang é o noivo da mulher mais bonita que você já viu na sua vida."


Cruz ficou parado por um instante, como se alguém tivesse esbofeteado o universo dentro da cabeça dele.


Então ele explodiu, com uma indignação tão sincera que virou comédia: "Ah, vai tomar no cu!"


Ye Yang abriu a boca, pronto pra se defender sem saber do quê, mas Cruz nem olhou direito para ele.


Depois, ele apontou, furioso, para o próprio céu, como se pudesse processar Deus por injustiça: "EU TREINO TODO DIA!"


"EU QUASE MORRI MAIS VEZES DO QUE EU CONSIGO CONTAR!"


"E O RUIVO FICA CINCO MINUTOS LÁ E GANHA A ELFA MAIS LINDA DO UNIVERSO!?"


Gins não conseguiu segurar e riu alto.


Kyon fechou os olhos, como se estivesse orando para que aquela cena não existisse.


Raya sorriu largo.


Yan Chihuo riu.


Zao Tian, sentado em algum lugar interno que ninguém via, não riu, mas a linha da boca dele ameaçou.


E Ye Yang, olhando para Cruz com o rosto mais cansado do que qualquer guerra já tinha deixado, só conseguiu dizer uma frase que era, ao mesmo tempo, um pedido e uma sentença: "Se eu sobreviver a isso… eu te conto."


Cruz não aceitou. Ele só ficou mais indignado.


"Eu quero morrer!" Ele implorou. 


E foi assim, com a raiva cômica de Cruz e a expressão derrotada de Ye Yang, que o grupo retornou para casa, carregando metade de um legado sagrado, um casamento marcado em cinco dias, e a certeza de que o universo nunca precisou fazer sentido para destruir a paz de alguém.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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