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Capítulo UHL 1156 - De Volta Para Casa

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Tenham uma boa leitura!]


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No espaço, os selos de Geb começaram a se romper…


A esfera na mão de Rachid brilhava, enquanto o Grande Deus começava a sair de sua prisão.


Enquanto a Trindade trabalhava, as camadas de restrição que mantinham Geb e Heimdall presos não se reorganizaram, uma a uma, como engrenagens aceitando um comando novo.


O espaço tremeu, mas só o suficiente para lembrar que ali havia um nome grande demais para ficar guardado para sempre.


Geb sentiu a primeira coisa que não sentia há tempo demais... uma margem de movimento.


Aos poucos, isso se transformou em margem de escolha. E em margem para odiar sem ser só um pensamento preso em um canto.


Quando saiu daquela maldita prisão, ele virou a atenção para os três irmãos.


O olhar dele era um aviso que não precisava ser dito. E, por um impulso antigo, ele quase deu o passo que encerraria tudo ali.


Quase.


Ele queria matar os irmãos, mas a esfera que repousava nas mãos de um deles o impediu.


Pior do que a esfera, eram os termos. Porque existia o selo. Existia o vínculo com o corpo humano. Existia a certeza matemática de que, num descuido, ele não cairia numa luta.


Ele cairia numa caixa.


Geb ficou parado por longos instantes, sentindo o próprio ódio bater nas paredes invisíveis do acordo e voltar para ele como um eco irritante.


Rachid não demonstrou medo.


Samir não demonstrou pressa.


Amin observava Geb como se observasse um animal que tinha acabado de ser solto de uma jaula e agora precisava decidir se ia atacar o tratador ou correr para a floresta.


"Não tente." Samir disse, sem levantar a voz.


Geb mostrou os dentes, mas não fez nada.


O silêncio dele era a mais pura violência sendo contida pelo mecanismo mais humilhante de todos: a falta de opções.


A estrutura de diamante vermelho, atravessada por raízes do Salgueiro da Vida, pareceu se afastar dele por um instante, como se estivesse enojada de permitir que ele saísse.


Geb sentiu o corpo de Vargas responder, pesado e real, como se aquela carne tivesse esperado milhões de anos para ser usada por algo que não era humano.


A prisão ficou para trás. Ele estava, finalmente, livre.


Amin deu um passo para o lado e falou, com a calma de quem acabou de soltar uma praga antiga em campo aberto: "Você sabe o que pode e o que não pode fazer."


"Eu sei." Geb respondeu.


"Então vá." Rachid completou.


A palavra não tinha gentileza. Tinha só uma direção.


Geb encarou os três mais uma vez.


O impulso de esmagá-los continuava lá, mas agora o impulso vinha acompanhado de um aviso mais forte.


Um aviso que tinha o formato de uma esfera pequena demais para conter o ego dele… e, ainda assim, era capaz de fazer exatamente isso.


Samir inclinou o queixo, como se encerrasse a conversa.


"Não nos procure."


"Não nos cite."


"Não nos ofereça como moeda."


Geb respondeu com uma frieza que era quase um cuspe: "Vocês vão ser esquecidos quando eu terminar."


Amin não sorriu. Ele apenas disse a frase que, por alguma razão, fez o ódio de Geb subir mais: "Você vai ter tempo para tentar."


Então os três se afastaram.


Não houve despedida.


O Domínio da Miragem Eterna se abriu como uma dobra no ar e os irmãos desapareceram dali, levando com eles a tranquilidade de quem tinha acabado de amarrar um deus por contrato.


Geb ficou sozinho. Sozinho com o que restou. E o que restou era uma jaula monumental, feita para durar até que o nome dele virasse poeira.


Diamante vermelho… Raízes vivas… Selos antigos. E, do outro lado daquela estrutura, dentro do mesmo emaranhado, Heimdall continuava preso.


Sozinho. Sem companhia real. Sem uma voz que valesse a presença.


Geb caminhou alguns passos, devagar, e parou diante da prisão.


O ódio que ele sentia por Heimdall tinha passado por tanta coisa que já não era só violência. Era uma cratera.


E ele falou, não por necessidade de comunicação, mas por necessidade de fechar uma era.


"Olha só."


"Você sempre gostou de vigiar jaulas."


"Agora você tem uma só pra você."


Heimdall, agora preso e sozinho, não era capaz de responder.


Geb, por sua vez, se aproximou mais, até ficar perto o suficiente para olhar para dentro do que tinha sido o inferno pessoal dele.


"Eu não vou fingir que eu te perdoo."


"Eu não vou fingir que isso é justiça."


Ele respirou, e aquela respiração no corpo humano quase o irritou.


"Mas a nossa disputa acabou."


A palavra disputa teve gosto de ferro.


Depois, ele olhou para a estrutura, e então para o vazio ao redor, como se medisse o tamanho do esquecimento.


"Quem vai cair no esquecimento agora é você."


"Eu fui o deus trancado."


"Eu fui o nome apagado."


"Eu fui varrido para fora do mapa."


Ele inclinou o rosto, e então avisou: "Agora você vai ser esse ponto cego."


Geb deixou um silêncio curto existir, só para sentir a própria liberdade como uma lâmina recém-afiada.


Então ele continuou, e cada palavra parecia carregar milhões de anos de rancor organizado: "Você sabia onde eu estava."


"Você sempre soube."


"Você poderia ter me libertado há milênios… mas você preferiu garantir que eu continuasse preso… porque precisava de uma ameaça presa para justificar a si mesmo."


Ele riu, curto, sem humor.


"Agora o favor vai ser retribuído."


Geb ergueu a mão, para prometer: "Enquanto o Pai de Todos dorme… eu vou governar."


Ele falou como se Odin já fosse uma ausência definitiva e não uma figura real.


"Eu vou recolocar ordem nos deuses."


"Eu vou reconstruir a hierarquia."


"Eu vou reacender o medo, porque a fraqueza virou um hábito, de novo."


E então ele olhou para dentro da prisão mais uma vez, e a última frase foi a mais pessoal: "Ninguém vai te encontrar, Heimdall."


"Eu vou garantir isso."


"Você vai ficar aqui… sozinho."


"Do mesmo jeito que você achou aceitável que eu ficasse."


Depois de dizer aquilo, Geb se afastou da estrutura.


A sensação de liberdade veio com um gosto amargo, porque a esfera existia, o selo existia, e a alma humana existia junto dele como uma âncora inconveniente.


Contudo, era liberdade. E ele não tinha mais paciência para contemplação.


Então, ele virou o corpo de Vargas na direção do Reino Divino.


E foi.


O caminho até o Reino Divino foi rasgado com uma pressão crescente, como se o universo inteiro concordasse que, a partir daquele momento, as coisas estavam mudando.


Quando Geb se aproximou das bordas, ele sentiu os selos do reino o examinarem.


A vigilância era preguiçosa. As barreiras pareciam mais frágeis do que deveriam. Isso, por si só, já dizia muito.


Ele atravessou, e, no mesmo instante, o ataque veio.


Foi rápido e instintivo.


Um grupo de deuses menores, distribuídos em patrulhas, viu apenas um humano cruzando um limite sagrado.


Um corpo mortal, intruso. 


Uma afronta.


Eles não perguntaram.


Eles não avaliaram.


Eles apenas atacaram.


A energia deles veio em investidas sem coordenação, tudo com a pressa de quem acha que o alvo não pode revidar.


Geb moveu a mão uma única vez.


E o ataque parou.


Os deuses que avançaram sentiram o próprio corpo perder o controle, como se a gravidade tivesse decidido, de repente, que eles não mereciam ficar de pé.


Alguns foram jogados para trás. Outros tiveram a energia esmagada na origem, como se a tentativa de atacar tivesse sido um erro.


O silêncio que veio depois foi constrangedor, e, pela primeira vez, a patrulha percebeu que aquilo não era um humano.


Era uma coisa muito mais antiga vestindo a casca de um humano.


Um dos deuses tentou manter o orgulho.


"Você…"


A frase morreu no meio.


Geb deu um passo à frente. E foi o suficiente para o grupo recuar, instintivamente, como animais que sentiram o cheiro de um predador.


"É isso?" Geb perguntou.


Depois, ele olhou ao redor como quem inspeciona uma tropa decadente.


"Foi pra isso que vocês deixaram o Reino Divino virar um abrigo?"


A raiva dele estava embebida de decepção.


"Eu fiquei preso por milhões de anos."


"Milhões!"


"Eu apodreci numa cela que deveria apagar meu nome."


"E quando eu saio… encontro isso?"


Ele apontou para os deuses caídos.


"Fraqueza."


"Desorganização."


"Habilidades de luta pífias!"


Geb respirou fundo e xingou: "Vocês não me superaram!"


"Nem chegaram perto!"


Enquanto era ofendida, a patrulha tentou reagrupar. Um dos deuses tentou chamar reforço, desesperado para que alguém maior viesse.


E isso, para Geb, foi mais um insulto. Porque a primeira resposta deles ainda era pedir ajuda, e não era entender o que estava diante deles.


Mais deuses chegaram.


Vários.


Um círculo improvisado de divindades se formou, com tudo o que ainda tinha sobrado de tradição.


Só que, quando pararam para olhar com atenção, alguns deles não viram um humano comum.


Viram uma discrepância.


Viram um peso que não combinava com aquela forma.


Então, entre os recém-chegados, Hórus apareceu.


Sem pressa, com o tipo de presença que vinha do caçador do deuses.


Ele encarou o corpo de Vargas, e depois encarou o que existia por trás.


Hórus não atacou.


Ele apenas fez a pergunta certa: "Quem é você?"


Geb sorriu.


Não por humor, mas por prazer. Porque, finalmente, alguém estava fazendo o que deveria ter feito desde o início.


Ele abriu os braços um pouco, num gesto que não era uma teatralidade vazia, era um orgulho antigo se ajeitando no próprio trono imaginário.


"Vocês não reconhecem?"


"Vocês não sentem?" Ele olhou para cada rosto enquanto perguntava aquilo.


"Vocês estão cercando um humano… e não conseguem perceber que estão diante de algo que esmagaria esse reino inteiro se quisesse." Ele continuou.


Hórus apertou os olhos e avisou: "Eu perguntei seu nome."


Geb respondeu, e agora ele falou como quem anuncia um retorno. Um retorno que exigia reverência, mesmo de quem odiava: "Eu sou Geb!"


O murmúrio que se levantou foi instantâneo, pois a forma como ele disse fazia o nome pesar, mesmo para quem não tinha certeza do que significava.


Alguns deuses arregalaram os olhos. Outros recuaram mais um passo.


Um ou outro, tentando salvar o orgulho, soltou uma frase rápida demais.


"Isso é impossível."


"Geb está…"


"Geb está perdido há eras."


Geb interrompeu com uma frieza limpa: "Eu estava preso!"


"Enquanto vocês construíam histórias para se sentirem confortáveis com a própria incompetência… Eu estava preso!"


Ele então aproximou o rosto um pouco, como se quisesse que cada um entendesse a humilhação, e começou a pontuar: "Vocês desistiram de me procurar."


"Vocês aceitaram um buraco na história."


"Vocês deixaram que a minha ausência virasse uma conveniência."


Mesmo diante daquele nome, Hórus não baixou a guarda, mas a voz dele ficou mais pesada.


"Se você é Geb… por que está nesse corpo?" Ele perguntou.


Geb não respondeu com detalhes demais.


Não porque não quisesse, mas porque ele não ia dar ao Reino Divino nenhuma informação que pudesse, mais tarde, virar uma arma contra ele.


Ainda assim, a verdade precisava existir na superfície: "Porque eu voltei do modo que foi possível."


Ele olhou rápido para o próprio braço, como se aquele detalhe fosse indigno.


"Isso é um inconveniente, não uma limitação!"


Um deus mais novo, atrás, tentou afirmar autoridade.


"O Pai de Todos…"


Geb virou o rosto devagar, e a frase morreu.


Ele não atacou, mas a presença dele derrubou a coragem do outro.


Geb então disse o que veio para dizer, deixando claro que ele não estava ali para negociações pequenas: "Eu voltei para governar!"


"Enquanto o Pai de Todos dorme… Vocês me obedecerão!"


A declaração caiu como pedra em água parada.


Os deuses se entreolharam. E ninguém sabia o que dizer naquele momento.


Hórus, por sua vez,, manteve o olhar firme, e disse: "Você acha que pode simplesmente entrar e tomar o lugar?"


Geb respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do universo: "Não é tomar."


"É retomar."


Ele deu um passo à frente.


A patrulha inteira recuou de novo, quase sem perceber, porque o corpo delas reagia antes do orgulho.


Geb continuou seu anúncio: "Este reino não foi feito para ser um mercado de interesses."


"Ele foi feito para ter hierarquia."


"Vocês não são livres."


"Vocês são deuses. E, quando vocês esquecem a diferença, viram isso…"


Ele olhou em volta, para a bagunça, para o ataque precipitado, para a indecisão, e completou: “Vocês viram um bando de guardas assustados tentando proteger um portão que nem sabem por que existe."


O silêncio que veio depois foi diferente do primeiro.


Agora era de medo.


E Geb gostou disso.


Ele gostou porque o medo organizava. O medo fazia silêncio. E o medo abria espaço para o comando.


"Reúnam o conselho." Ele ordenou: "Quero ouvir quais de vocês ainda lembram o que significa obedecer."


Foi aí que Hórus começou a destruir os planos de Geb, quando disse: "Você fala como se o trono estivesse vazio."


Geb estreitou os olhos, mediu cada um ali, incluindo Hórus, e afirmou: "Está."


Ele não sabia… Não ainda.


Ele não sabia que, fora da sala do trono, Krishna já tinha assumido uma liderança que o Reino Divino aceitava por necessidade e até pela hierarquia que Geb tanto exaltava.


Quando retornou, Geb não sabia que existia um nome capaz de encarar o dele e tratá-lo como apenas mais um problema. Ou melhor… Um garoto teimoso.


Naquele instante, essa ignorância era a única coisa que mantinha a confiança dele intacta. Contudo, Hórus fez um gesto discreto, e um amuleto foi ativado, avisando quem deveria saber que algo errado estava acontecendo no seu quintal.


O Reino Divino, por mais que fingisse estabilidade, sabia reconhecer quando uma tempestade voltava para casa.


Enquanto isso, Geb permaneceu onde estava, olhando para os deuses como se estivesse avaliando quais deles valiam o esforço de manter vivos.


"Vamos." Ele disse, por fim, enquanto se dirigia para o Reino Divino.


Hórus não respondeu com submissão, mas também não respondeu com recusa.


Ele apenas virou o corpo na direção certa, porque, naquele momento, ele sabia que aquele que se dizia ser Geb e estava ali, reivindicando um trono, encontraria alguém cujo orgulho e, principalmente, a força, eram muito maiores.


O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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