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Capítulo UHL 1158 - Perseguidora

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Tenham uma boa leitura!]


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O Reino Divino não fazia silêncio quando uma vontade grande demais entrava em movimento.


Ele apenas mudava de postura.


Krishna manteve Geb de joelhos com a mesma facilidade com que alguém mantém uma porta fechada com a mão. A ordem tinha sido dada, e a ordem bastava. Hórus ficou parado a alguns passos, atento ao que não podia interferir, e os demais deuses se mantiveram longe, respeitando o espaço como se a própria presença de Krishna delimitasse o ar.


Geb respirava pelo corpo humano, e o coração de Vargas batia rápido demais para o gosto dele. A sensação era irritante, mas útil: servia como uma lembrança constante de que aquele retorno tinha um preço, e o preço agora estava ali, olhando de cima.


"Fique onde está." Krishna disse, sem pressa.


Geb permaneceu quieto. Ele não tinha intenção de dar a Krishna qualquer motivo para transformar a correção em punição.


Krishna virou o rosto, como se Geb já tivesse sido reduzido ao que era naquele momento: um problema solto no lugar errado, preso numa casca mortal e num contrato que não pertencia ao Reino Divino.


"Reúnam os que precisam ser reunidos." Krishna continuou.


Ninguém perguntou quem.


Todos entenderam.


Hórus conduziu as ordens e o movimento começou sem barulho, eficiente e contido. Geb ficou ali, engolindo o que restava de orgulho, tentando entender quando o mundo tinha mudado a ponto de existir uma presença assim, fora do trono, governando por necessidade e por hierarquia.


Nesse intervalo, em que Geb finalmente percebia que sua vantagem de era tinha evaporado, outra linha de acontecimentos seguia em paralelo, distante demais para que qualquer deus daquele salão se importasse.


O lugar onde o Arsenal de Gilgamesh era guardado não parecia um depósito. Parecia uma tentativa humana de construir um pedaço de mundo onde o caos não entrasse.


Era um ambiente secreto, isolado, cheio de selos e camadas de proteção pensadas não para ladrões comuns, mas para impedir que o peso espiritual de centenas de milhares de itens transformasse o ar em algo instável. Mesmo com tudo contido, o lugar tinha uma forte presença. Não era só metal e caixas. Era uma história armada.


Caixas alinhadas; Suportes de metal escuro; Prateleiras profundas; Recortes no piso marcando circulação, para que ninguém esbarrasse onde não devia.


No centro, uma mesa longa improvisada com placas resistentes recebia os itens trazidos em lotes. Tudo era avaliado, registrado e separado em três destinos que, nos últimos dias, viraram regras absolutas.


Manter.


Entregar.


Nunca tocar.


Daren não participou deste momento, por acreditar que aqueles empenhados na tarefa eram mais do que capazes de realizá-la com maestria.


Zao Tian, por sua vez, ficava num ponto onde enxergava o fluxo inteiro sem precisar andar. Yan Chihuo, ao lado, observava como quem observa uma campanha, atento a padrões e riscos. Ming Xiao falava pouco, mas quando abria a boca colocava critérios onde outros colocariam humor. Momoa ocupava o ambiente com aquela presença que lembrava, o tempo todo, que a covardia ali não passaria despercebida. Hakim observava com precisão cirúrgica, escolhendo o que seria um corte na carne e o que seria desperdício. Yang Hao olhava para cada item como quem vê consequências futuras.


Yang Fen e Yang Chao mantinham o perímetro, não para discutir política, mas para garantir que ninguém confundisse aquele lugar com um ambiente relaxado.


Quiron anotava e organizava tudo com uma disciplina de quartel.


Drake permanecia atento e quieto, reagindo mais com o olhar do que com as palavras.


Jaha circulava entre as prateleiras, ajudando como podia, aprendendo com o inventário e fazendo a contabilidade.


Ming Xue e Gaspar ficavam próximos do fluxo principal, identificando o que era valioso de verdade e o que era um excesso que só alimentava paranoia.


E então havia dois elementos que insistiam em não combinar com a disciplina do lugar.


Raya.


E Gu Ren.


Gu Ren estava no modo que sempre assumia quando a realidade exigia seriedade. Firme. Direto. Metódico. Ele pegava um item, avaliava tipo, qualidade, o resíduo de energia espiritual no material, e dizia sem teatro se faria falta ou não. Ele trabalhava como quem entende que, naquele momento, errar uma escolha era o mesmo que cavar o próprio túmulo.


Raya tinha chegado com um sorriso que não pertencia a um depósito de armas antigas.


Ela estava feliz. E essa felicidade era um problema, porque, na cabeça dela, um casamento não era um evento político.


Era uma confirmação de território.


Assim que chegou, ela atravessou o corredor entre as prateleiras com naturalidade, parou atrás de Gu Ren e falou como se estivesse apenas lembrando algo que já tinha sido combinado: "Então..."


Gu Ren nem virou e logo questionou: "Então o que?"


"Então você vai comigo." Ela afirmou, como se fosse óbvio.


Gu Ren respirou fundo e continuou olhando para a lâmina curta que tinha nas mãos, com acabamento antigo, bainha intacta e qualidade alta.


"Eu não vou com você." Ele falou.


Raya soltou um som curto, divertido, e respondeu: "Vai sim."


Gu Ren virou o rosto devagar e reforçou: "Eu acabei de dizer que não."


"Eu ouvi." Raya respondeu com calma: "Só não muda nada."


Gu Ren colocou a lâmina de volta no suporte, sem pressa, e então encarou ela: "Raya. Eu não sou seu acompanhante."


Ela sustentou o olhar dele e sorriu daquele jeito irritantemente confortável e bonito, como se o universo tivesse obrigação de concordar com ela: "Você é. Só que ainda tá se fazendo de difícil."


Gu Ren apertou o maxilar, porque o problema não era ela ser burra. O problema era ela ser confiante. E Raya, além disso, era bonita de um jeito que não ajudava em nada. Beleza selvagem, viva, combinando com a brutalidade do mundo deles, e justamente por isso capaz de puxar o olho de Gu Ren contra a vontade dele.


Contudo, mesmo assim, ele não alimentou a obsessão dela.


"Eu aceito muita coisa na vida." Ele disse, antes de contrapor: "Mas isso não."


Raya inclinou a cabeça, fingindo ponderar.


"Tá bom." Ela falou, logo antes de avisar: "Então eu vou te buscar na hora."


Gu Ren abriu a boca para retrucar, mas Quiron passou por eles com um registro, falando com Yan Chihuo sobre um volume já separado para entrega.


Raya apontou para a mesa principal, como se a conversa deles fosse uma nota de rodapé: "Você vai ficar bonito. Mesmo com essa cara de quem vai matar alguém."


Gu Ren soltou um ar curto.


"Você tá ouvindo o que tá dizendo?" Ele perguntou.


"Sim." Raya respondeu: "E tô dizendo de novo: você vai comigo."


Após não conseguir sequer ser ouvido por Raya, Gu Ren decidiu sobreviver do único jeito possível: voltando ao trabalho.


O fluxo seguia cadenciado.


Itens vinham em lotes.


Armas longas de metal raro.


Armaduras completas, cerimoniais, todas de qualidade absurda.


Anéis, colares, braceletes e talismãs com peso demais para serem tratados como ornamento.


Algumas caixas traziam componentes, lâminas sem cabo, núcleos de energia cristalizada, placas de material que parecia ter sido arrancado do coração de um mundo.


Ming Xiao olhou para um conjunto de lanças e falou: "Três dessas podem ir."


Gaspar consultou o registro: "Duas já foram marcadas para manutenção das nossas fileiras."


Momoa soltou um som curto de descontentamento: "Então manda uma. E não mais do que isso."


Enquanto isso, Yang Hao avaliava um escudo de alta qualidade: "Esse não."


Quiron anotou e perguntou: "Motivo?"


Yang Hao respondeu sem mudar o tom: "É próximo demais do que usamos como referência defensiva contra ataques de larga escala."


Hakim assentiu: "E não temos tempo de substituir isso em cinco dias."


Zao Tian observava a pilha destinada a Elyndariel. O volume já era suficiente para qualquer casa elfa entender que aquilo era um gesto real.


"Ela vai receber o suficiente pra entender que não estamos blefando." Zao Tian disse.


Yan Chihuo completou: "E o suficiente para não nos amputar."


Zao Tian assentiu: "Exato."


Neste momento, Raya apareceu atrás de Gu Ren de novo, como se ela tivesse um mapa secreto de onde ele pisaria.


Ela então apontou para um conjunto de armaduras cerimoniais, como se estivesse em uma loja de roupas, e disse: "Você vai usar uma dessas."


Gu Ren nem olhou, mas respondeu: "Eu não vou vestir nenhuma armadura cerimonial pra ir num casamento elfo."


"Vai sim." Raya respondeu: "Eu não vou deixar você parecer um mendigo do meu lado."


Gu Ren virou rápido, como se aquilo tivesse atravessado um limite: "Eu não sou seu enfeite!"


Raya sorriu, e o charme dela parecia ter garras que incomodavam, mas enraizaram ao mesmo tempo: "Eu sei. É por isso que eu gosto disso que temos."


Quando escutou aquilo, Gu Ren se obrigou a manter a firmeza, e disse: "Você está me perseguindo."


"Não." Raya respondeu: "Eu estou te acompanhando."


"Isso é a mesma coisa." Ele respondeu.


"Não é." Ela disse, séria demais para ser brincadeira: "Perseguir é quando a pessoa foge de verdade. E você não está fugindo."


Quando terminou de dizer aquilo, Raya passou a língua entre os lábios, e Gu Ren, apesar de ter arrepiado, encarou como quem avalia um problema sem solução lógica: "Eu estou trabalhando. Tá bom?!"


"Eu também." Raya disse, apontando para as pilhas: “Estou garantindo que você não vai sozinho."


Dessa vez, Gu Ren não respondeu. Ele pegou uma caixa, levou para a mesa e largou com cuidado antes de falar com Gaspar: "Isso vai como presente."


Raya se aproximou, colando no lado dele como se a decisão fosse uma declaração romântica.


"Viu? Você sabe dar presentes." Ela falou, enquanto sua bochecha tocava a de Gu Ren.


Gu Ren fechou os olhos por um segundo, para se controlar, e falou: "Eu estou dando presentes para Elyndariel."


"Ótimo." Raya disse: "Significa que você já tá entrando no clima."


"Eu não tô entrando em clima nenhum." Gu Ren respondeu.


"Tá sim." Raya respondeu, antes de assoprar com leveza o pescoço de Gu Ren e dizer num sussurro: "Só não percebeu… ainda."


Gu Ren arrepiou até os cabelos dos pés naquele momento, mas se esforçou para manter a compostura, pois alimentar a obsessão de Raya era como tentar da um bife a um leão que, após comer aquilo, comeria o seu braço também.


Enquanto isso, na mesa principal, Jaha trouxe uma caixa pequena, tirada de um compartimento separado.


"Isso estava num espaço diferente." Ele disse.


Zao Tian abriu com cuidado. Era um artefato compacto,de  acabamento exótico, mas que tinha uma qualidade muito alta.


Ming Xue olhou de relance, mas logo concluiu: "Isso vale muito."


Zao Tian concordou e fechou a caixa, dizendo: "Vai pra pilha dela."


Yan Chihuo franziu o cenho e questionou: "Tem certeza?"


Zao Tian acenou com a cabeça e respondeu: "Ela precisa entender que isso é um presente, não um pagamento." 


Drake falou: "E se ela interpretar como pagamento?"


Zao Tian olhou para ele: "Então ela vai tentar cobrar mais."


Ming Xiao respondeu sem emoção: "E é por isso que a lista de ‘nunca tocar’ existe."


Zao Tian assentiu: "Exatamente."


Foi quando trouxeram, do fundo do depósito, uma estrutura maior do que as caixas comuns.


Não era uma arma.


Não era uma armadura.


Era uma outra forma de engenharia espiritual.


Grande, pesada, partes montadas para suportar calor e pressão em níveis que não combinavam com nada que mortais produzissem com facilidade. Os selos que a mantinham quieta estavam fortes, mas a simples presença dela alterava o ambiente.


Gaspar olhou e falou sem hesitar: "Isso, definitivamente, não é pra presente."


Zao Tian confirmou: "A Forja de Hefesto."


O silêncio que veio foi instinto de proteção, não julgamento.


Momoa deu um passo e concordou: "Nem ferrando."


Yang Hao estreitou os olhos e comentou: "Ela pode tentar levá-la."


Quiron completou: “Talvez, na cabeça dela, a gente nem saiba o que ela é…”


Zao Tian virou o rosto devagar na direção dele.


"Ela pode pensar isso." Ele disse: "Mas aí ela vai errar feio."


Yan Chihuo cruzou os braços: "E errar nisso não é um mero detalhe."


Momoa olhou para a estrutura como se estivesse escolhendo onde pisaria primeiro se alguém tentasse encostar nela.


"Se ela pedir essa merda, a conversa acaba." Ele avisou.


Yang Hao manteve os olhos na Forja por um instante longo, calculando sem falar, e então disse: "Ela não vai pedir de forma direta."


"Vai puxar o assunto como puxaram o Arsenal. Vai tentar fazer parecer razoável."


Ming Xiao assentiu: "E vai esconder o verdadeiro objetivo atrás de um gesto de cooperação."


Zao Tian encostou a mão na borda selada e sentiu o retorno mínimo de energia, contido e obediente aos selos que ele mesmo reforçou ao longo das últimas semanas.


"Ela sabe que existe." Ele falou: "Elyndariel não é uma elfa comum. Ela tem informação."


Hakim franziu o cenho: "Ela pode ter descoberto por relatos antigos?"


"Pode." Zao Tian respondeu: "Ou pelos registros que as casas guardam. O importante é que ela deve suspeitar."


Gaspar deu um passo, observando a base da estrutura: "Suspeitar não é ter certeza."


Zao Tian concordou: "E é aí que mora o perigo. Ela pode estar apostando que nós não sabemos o que é, ou que não sabemos usar."


Quiron olhou rápido para a estrutura, depois para Zao Tian, e então perguntou com cuidado: "Ela acha que é inútil pra gente?"


Zao Tian não respondeu de imediato. Ele olhou para Yan Chihuo, para Ming Xiao, para Momoa, para Yang Hao, como se confirmasse que todos ali estavam na mesma página antes de falar: "Ela pode achar que é inútil porque, para qualquer povo que não seja o nosso, sempre foi."


O silêncio se fechou.


Drake, atento, comentou: “Além dos deuses, apenas nós podemos usá-la.


Yang Hao estreitou os olhos: "Ela não sabe disso."


"Não." Zao Tian respondeu: "E nós também não sabíamos até pouco tempo."


Jaha, que vinha ouvindo quieto, deu um passo pequeno para perto da mesa e comentou, sem se intrometer demais.


"Os Filhos de Thor." Ele continuou. "Ragnar, Hildeval, Singrid e o clã deles. Experimentos quase bem sucedidos de reprodução de deuses."


Quiron ergueu o olhar do registro, e por um instante a disciplina dele falhou só o suficiente para mostrar surpresa: "Quase bem sucedidos…"


Zao Tian assentiu: "Até pouco tempo, ninguém os chamava assim. Ninguém tinha certeza do que realmente eram."


Ming Xiao completou: "Mas agora a gente tem."


Zao Tian assentiu.


"A Forja já esteve em uso." Zao Tian comentou: "E vai estar de novo quando for necessário."


Ming Xue, que até então tinha falado pouco, se aproximou um pouco mais da estrutura, sem tocar, e disse: "Isso aqui produziu as Armas do Espírito."


"E se isso estiver em risco, muda qualquer conversa."


"Por isso mesmo." Zao Tian disse: "Elyndariel pode achar que isso é um pedaço de engenharia antiga, bonito, caro, mas inútil para nós. Ela pode estar apostando que vai entrar no lote dos presentes por ignorância nossa."


Yan Chihuo olhou para a pilha que crescia no centro do salão e comentou: "Então ela aposta errado."


"Mas ela só aposta errado porque a gente já sabe o que é." Zao Tian respondeu: "E aposta errado porque a gente já provou o que consegue fazer com isso."


Hakim cruzou os braços e comentou: "Mas ainda tem um risco."


Zao Tian virou o rosto e perguntou: "Qual?"


Hakim falou com a calma de quem não dramatiza riscos: "A gente consegue ativar por causa do sangue dos Filhos de Thor. E a gente não pode afirmar que Elyndariel não tem um recurso parecido. Pelo que disseram, ela é inteligente demais para apostar em algo que ela mesma não possa, ao menos, tentar."


O comentário fez o ambiente ficar mais atento.


Yang Hao assentiu: "Realmente… ela não precisa ter a mesma chave. Ela pode ter outra."


Ming Xiao completou: "Ou pode ter uma forma de simular."


Momoa soltou um som de desdém: "Ou pode roubar o que precisa. Do jeito dela."


Zao Tian encarou a Forja por alguns instantes, antes de concordar: "Exato."


“E por isso entregar essa coisa está fora de cogitação."


Quiron, como um contador, voltou a anotar, rápido.


"Forja: inegociável."


"Não é só isso." Zao Tian disse, e a voz dele ficou mais dura: "Ela, sozinha, vale mais do que as centenas de milhares de itens do Arsenal."


Gaspar assentiu: "Se ela tiver isso, o resto do Arsenal vira um enfeite."


Jaha respirou devagar: "Então… mesmo que a gente dê presentes gigantes, ainda assim isso não entra."


"Nunca." Yan Chihuo respondeu antes de Zao Tian.


Momoa deu mais um passo e apontou para a estrutura enquanto avisava: "Quem tentar tirar isso daqui vai ter que passar por mim primeiro."


Quiron olhou de canto, concordando, antes de prometer: "E depois por todo mundo."


Yang Fen e Yang Chao, que estavam no perímetro, se aproximaram o bastante para serem ouvidos.


Yang Fen falou com firmeza: "Se ela sequer sugerir, isso vira um claro sinal de intenção."


Yang Chao completou: "E a gente tem que reagir com segurança, mas não podemos ser ofensivos."


Zao Tian concordou: "Eu quero que ela entenda que existem limites entre nós. E eu quero entender como ela vai lidar com um limite logo no começo."


Ming Xiao olhou para Zao Tian e comentou, como se entendesse o que estava se passando na cabeça dele: "Você quer que isso vire o primeiro embate."


"Não por orgulho." Zao Tian respondeu: "Para estabelecer posição."


Hakim assentiu: "Se vocês estão cooperando, limites claros evitam guerras por confusão."


Drake comentou: "E também revela o que ela realmente quer."


Zao Tian respondeu: "Exatamente."


Enquanto isso, Raya, que estava quieta por um tempo muito suspeito, escolheu esse instante para voltar ao que, na cabeça dela, também era estratégia.


Ela encostou no ombro de Gu Ren com a intimidade de quem não precisa pedir permissão e disse: "Falando em limites… você vai comigo."


Gu Ren se afastou na hora, como se o toque fosse um ataque de surpresa: "Não."


Raya sorriu, satisfeita: "Você fala isso com tanta convicção que parece ensaiado. Eu gosto disso."


Gu Ren virou para ela, sério: "Raya… eu não estou te dando um espetáculo. Eu estou te dando resposta."


"Eu ouvi." Raya disse. "Mas como eu falei antes… não concordo."


Gu Ren ficou um segundo em silêncio, encarando ela, e então falou com a voz firme de quem já lidou com coisas piores do que obsessão: "Você não precisa concordar. Você precisa respeitar."


Raya piscou, como se a palavra tivesse sido uma sugestão curiosa: "Eu respeito. Eu só não vou deixar você ir sozinho."


Gu Ren apontou para as caixas e avisou: "Eu não vou com você."


Raya apontou para o mesmo lugar e respondeu: "Você vai comigo."


Gu Ren respirou fundo, fechou a mão por um segundo e decidiu voltar ao inventário antes que ele próprio virasse parte do entretenimento do dia.


Ele abriu outra caixa.


Dentro dela, estava uma espada longa, claramente valiosa.


Gu Ren olhou, avaliou e falou para Gaspar: "Isso vai pra presente."


Raya se aproximou e falou com um sorriso fácil: “Pra mim?”


Gu Ren manteve a calma e respondeu: "Eu estou separando itens de inventário."


Raya inclinou a cabeça e respondeu: "Pra mim dá na mesma."


Do outro lado da mesa, Zao Tian ignorou a discussão por um momento e puxou o foco de volta para a Forja.


"Outra coisa." Ele disse: "Se Elyndariel quiser puxar o assunto, ela vai usar o mesmo método do Arsenal. Vai chamar de símbolo. Vai dizer que é um gesto. Vai tentar criar um cenário em que negar pareça rude."


Yang Hao respondeu: "Isso precisa ser negado baseado na lógica."


Ming Xiao completou: "E de forma unânime."


"Ela não vai aceitar um não fácil." Zao Tian disse: "Mas ela vai aceitar se perceber que não existem brechas."


Hakim olhou para o grupo e perguntou: "Então o que vocês querem fazer? Esconder? Fingir que não existe?"


Zao Tian balançou a cabeça: "Não dá pra fingir. Ela é inteligente demais. E alguém pode abrir a boca por medo, orgulho ou tentativa de agradar."


Yan Chihuo entendeu o caminho: "Então a gente assume a existência e define o limite desde já."


Zao Tian assentiu: "Se ela levantar o tema, eu não nego que existe."


"Eu não nego que é valiosa."


"Eu só deixo claro que é inegociável."


Momoa comentou, direto: "E se ela insistir, vira briga."


"Se ela insistir, vira uma prova." Yang Hao respondeu: "Prova de que ela quer uma vantagem desequilibrada."


Gaspar olhou para Zao Tian e perguntou: "E se ela tiver um recurso para ativar? Você falou que não dá pra ter certeza."


Zao Tian respondeu: "Então ela vai tentar conseguir de todas as formas possíveis. E aí a gente tem certeza de uma coisa: não dá pra deixar em mãos que não são nossas."


Ming Xue completou: "Nem por um dia."


Zao Tian assentiu: "Nem por um segundo."


Ao mesmo tempo, Raya apareceu do lado de Gu Ren com uma caixa pequena nas mãos, como se tivesse acabado de achar algo que interessava ao assunto deles.


"Eu já resolvi seu traje." Ela disse.


Gu Ren nem ergueu o olhar e respondeu: "Você não resolveu nada."


"Resolvi." Raya falou: "Eu escolhi uma armadura cerimonial que não te deixa parecendo um mercenário sujo."


Gu Ren então olhou para ela pela primeira vez com um nível real de ameaça controlada: "Se você encostar numa armadura cerimonial pra tentar me vestir como se fosse seu boneco, eu quebro."


Raya inclinou a cabeça, interessada, e perguntou: "Quebra o quê?"


Gu Ren falou, seco: "A armadura."


Raya sorriu, e o sorriso dela ficou pior: "Você está ficando cada vez mais quente."


Gu Ren fechou os olhos por um instante, respirou e falou com uma calma forçada: "Raya… Você está tentando me tirar do sério."


"Não." Ela respondeu: "Eu estou te preparando para te levar comigo."


Gu Ren então abriu a caixa que ela segurava sem pedir.


Dentro, não havia armadura. Havia um pingente cerimonial, de qualidade alta, claramente élfico, coisa que tinha vindo no Arsenal como um item simbólico e muito antigo.


Ele ergueu o pingente e olhou para ela: "Isso aqui?"


Raya assentiu: "Vai combinar com você."


Gu Ren devolveu o pingente para a caixa e respondeu: "Isso aqui vai combinar com uma pilha de presentes. Não comigo."


Rapidamente, Raya tomou a caixa de volta como se ele tivesse apenas aprovado: "Ótimo. Então você usa outra coisa."


Gu Ren olhou ao redor, e viu Gaspar com uma expressão discreta de diversão.


Viu Drake tentando não sorrir.


Viu Quiron fingindo que não via.


Viu Yang Fen e Yang Chao só observando, como se aquilo fosse um tipo de batalha não prevista no treinamento deles.


Gu Ren respirou fundo e falou mais baixo, só para Raya ouvir: "Você é insistente."


Raya sorriu ainda mais, como se fosse um elogio: "Eu sou eficiente."


Gu Ren respondeu sem ceder: "Você é louca."


"Talvez." Raya disse: "E você está aqui… perto de mim… mesmo assim."


Gu Ren manteve a firmeza: "Eu estou aqui porque estou trabalhando."


"Eu também." Raya respondeu.


Gu Ren apontou para o inventário e pediu: "Então trabalhe e pare de inventar um casamento em cima de outro casamento."


Raya fez um som breve: "Eu só tô garantindo que você não vai fazer vergonha na frente de Elyndariel."


Gu Ren virou, encarando: "Eu não vou fazer vergonha nenhuma."


"Então quer dizer que você vai comigo." Raya concluiu.


Gu Ren soltou o ar, como se tivesse perdido a discussão: "Você é impossível."


Raya respondeu com orgulho: "Eu sou inevitável."


Enquanto isso, na mesa principal, Zao Tian puxou um item de outra caixa: uma armadura completa, com acabamento cerimonial humano, claramente valiosa.


"Isso aqui pode ir." Ele disse.


Yan Chihuo avaliou: "Concordo."


Ming Xiao acrescentou: "Uma dessas. Não duas."


Momoa deu de ombros: "Uma basta."


Yang Hao olhou para a pilha e falou: "Se ela receber armadura e arma, ela vai ler como respeito. E as casas vão ver como um gesto real."


Hakim assentiu e completou: "E isso ajuda a reduzir o impulso deles de testarem a gente logo no começo."


Zao Tian fechou o registro do lote e disse: "Ok."


Enquanto isso, no ponto mais insistente daquela sala, Raya tocou no braço de Gu Ren de novo e falou como se também estivesse formalizando algo: "Viu? Até aqui todo mundo se alinha. Você também vai se alinhar e ir comigo."


Gu Ren se afastou de novo: "Não."


Raya franziu o cenho, fingindo irritação: "Você é teimoso."


Gu Ren respondeu: "Eu só não sou o seu brinquedo."


Raya então sorriu de forma sapeca e comentou: "Eu gostaria de brincar um pouco..."


Gu Ren encarou ela, firme, e respondeu: "Raya, eu vou ao casamento porque é política. Eu não vou como sua companhia."


Raya cruzou os braços e prontamente perguntou de volta: "Você acha que eu preciso que você vá como minha companhia?"


Gu Ren estreitou os olhos e argumentou, confuso: "Você acabou de dizer exatamente isso."


Raya deu de ombros e respondeu: "Eu disse que você vai comigo. Não disse sob qual título."


Gu Ren ficou quieto por um instante, e então respondeu, sério: "Eu vou estar lá. E eu vou ficar longe de você."


Raya abriu um sorriso que deixou claro que, na cabeça dela, aquilo era um convite: "Ótimo. Então eu fico perto."


Gu Ren respirou fundo e avisou: "E eu vou te ignorar."


Raya assentiu e afirmou: "Ótimo. Eu falo por nós dois."


Gu Ren fechou os olhos por um segundo e voltou para as caixas antes que o mundo dele virasse só isso.


O inventário avançou.


Itens cruciais foram mantidos.


Itens valiosos foram separados para entrega, com cuidado.


Nada foi tratado como resto.


Nada foi entregue com covardia.


E, enquanto a pilha destinada a Elyndariel crescia, a Forja permanecia onde estava, selada, marcada, fora de qualquer negociação, como a linha que não seria cruzada nem por diplomacia, nem por casamento, nem por ameaça.


No fim do lote, Quiron fechou o registro com a mão firme e se lamentou: "Isso aqui é uma fortuna."


"É um gesto." Zao Tian respondeu: "E é uma mensagem."


Yan Chihuo completou: "A mensagem é: nós estamos aqui. E nós não somos fracos."


Ming Xiao assentiu: "E a outra mensagem é: nós sabemos o que estamos fazendo."


Hakim então olhou para o cronograma mental que todo mundo carregava: "Cinco dias…"


"Cinco dias." Zao Tian respondeu.


Raya encostou no ombro de Gu Ren, satisfeita, como se também estivesse contando os dias por outro motivo.


"Cinco dias. Dá tempo de você parar de fingir." Ela mencionou.


Gu Ren não olhou enquanto respondia: "Eu não estou fingindo."


Raya sorriu e negou: "Está sim."


Gu Ren respondeu, firme: "Não."


Raya concluiu, do mesmo jeito que vinha concluindo tudo naquele depósito: "Sim."


E, assim, enquanto o grupo selava as caixas de presentes e reforçava as proteções do local, as duas linhas do universo continuavam correndo em paralelo.


No Reino Divino, Geb aprendia que o mundo não esperou por ele.


E ali, entre os humanos, a guerra silenciosa era outra: preparar um casamento, entregar metade de um legado sagrado, e manter a única coisa que valia mais do que tudo aquilo longe de mãos que jamais deveriam tocá-la.




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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